Notas iniciais
Chegamos ao fim deste conto, inspirado na música que tem o mesmo nome. Em breve teremos outros, contando histórias de personagens que apareceram por aqui. Amei escrever sobre Sérgio e Olívia.

Sérgio Pontes

É hoje. Esse é meu primeiro pensamento ao abrir os olhos. Foram seis longos meses de preparação. Um tempo de intermináveis surpresas. Encontrei-me com Olivia apenas na formatura dos nossos filhos 3 semanas atrás. Não nos falamos. Ela e Marina, no entanto, estranhamente viraram melhores amigas. Uniram-se para preparar o casamento e ajudar na decoração do apartamento das crianças. Eles escolheram ficar em São Paulo, e agradeci por isso.

Todos os detalhes do casamento já estão acertados, minha roupa está pendurada na porta do guarda-roupas do meu antigo quarto na casa dos meus pais, ao lado do vestido de Marina. A cerimônia será no fim da tarde, na capela de São João dos Milagres, a festa será na Fazenda dos Andrade e pelo empenho das mães será um casamento histórico, toda a cidade foi convidada, além dos amigos dos dois, alguns amigos do nosso trabalho e claro alguns figurões da política, o pai dela é deputado, não poderia ser diferente afinal.

Sinto Marina se mexer ao meu lado, logo ela estará acordada. Me levanto devagar e me preparo para o dia cheio que teremos. Encontro a mesa do café da manhã posta com maestria, minha mãe e meus filhos tomam café em meio a uma conversa animada apesar de sussurrada.

Logo a casa se torna uma loucura, Marina e Gabi decidiram trazer seu cabeleireiro de confiança e vão se arrumar em casa. Por volta da hora do almoço descubro que uma equipe virá para fazer a cobertura de fotos e filmagem enquanto o noivo se arruma para o casamento. Tenho poucos minutos de paz. Decido por dar uma volta no gramado, ando devagar até a cerca que delimita o pasto onde os animais comem tranquilamente, alheios ao turbilhão de emoções que tenho dentro do peito.

Passei os últimos meses tentando não pensar em mim, em como me sentiria nesse momento, mas agora é impossível. Nos últimos seis meses me foquei na felicidade do meu filho, no namoro recente da minha filha, em dar segurança e carinho a minha esposa. Negligenciei a minha dor de propósito, não queria pensar, pensei que talvez ignorando ela se aquietasse como da última vez.

Quando deixei Olívia naquela tarde no corredor da casa dos seus pais, me refugiei no banheiro como um garoto. Eu parecia não ter controle de mim, não queria dizer nada daquilo, mas disse, não queria abraça-la, mas abracei, não queria ter me aproximado, não era o momento, nenhum de nós estava pronto e a forma como ficamos destruídos depois é a maior prova disso, mas ainda assim não consegui me conter. No momento em que os meus olhos cruzaram com os da minha esposa ela soube que algo tinha acontecido, tratou logo de se despedir de todos e voltamos para casa. Por dois dias ela não me perguntou nada. Apenas na quarta-feira enquanto voltávamos do trabalho é que ela questionou o que havia acontecido e eu contei o máximo que pude.

Marina sofreu, ficou insegura, mas como a mulher forte e determinada que é, logo estava firme novamente, ou pelo menos estava tentando. Já eu, estava aparentando uma calma e tranquilidade que com certeza não sentia, não queria criar problemas na família. Ainda agora, só quero que meu filho perceba que estou feliz por ele, por estar casando com o amor da sua vida.

Olho em meu relógio, 15 horas. Em pouco mais de duas horas estaremos na Igreja. No altar. Ela e eu. Como deveria ter sido 30 anos atrás.

— Você está bem? – ouço Marina perguntar. Não respondo. Como posso dizer que sim quando prometi a mim mesmo que jamais mentiria para ela? Como posso dizer a verdade? – Não está – ela constata e me abraça.

— Eu vou ficar – garanto, sem nenhuma convicção.

— Nós vamos superar isso também.

— Vamos sim.

Permanecemos abraçados, depois de 25 anos juntos as palavras perdem a importância em alguns momentos. A presença, o amor é o suficiente. Caminhamos para casa juntos, de mãos dadas como sempre. Ela vai terminar de se arrumar e eu vou para o banho, me olho no espelho do meu quarto, ainda é o mesmo espelho de quando eu era garoto, apenas a moldura foi trocada uma ou duas vezes.

Encaro o meu reflexo e digo a mim mesmo que não sou mais aquele garoto, não sou mais o Sérgio de 18 anos, imaturo e apaixonado que deixaria tudo pela mulher que ama. Agora sou um homem. Um pai de família, um profissional respeitado, tenho condições de colocar os meus sentimentos de lado só mais um pouco e lidar com isso como adulto, colocando a felicidade do meu filho acima de tudo.

Pego as abotoaduras dentro da gaveta do criado mudo. Meu pai me deu no dia do meu casamento, elas foram do meu avô e antes disso, do pai dele, são entregues ao filho mais velho. A família Pontes antes de ter construído seu nome e poder, construiu uma linda herança de amor. Nenhum casal foi infeliz em seu casamento, desde o meu bisavô, mesmo na época dos casamentos arranjados pelas famílias, os Pontes encontraram o amor naquelas mulheres que seriam suas companheiras de toda a vida. E apesar de não parecer neste momento, eu sou um deles, amo minha esposa com tudo o que tenho, somos muito felizes apesar dos últimos meses terem sido turbulentos. Confiro os cabelos uma última vez antes de deixar o quarto ajeitando o nó da gravata que eu nunca consigo fazer direito.

Encontro marina saindo do quarto onde Rafael está se arrumando. Apesar das lagrimas a maquiagem continua impecável e começo a entender porque ela insistiu tanto em trazer seus profissionais de confiança, eles são mesmo bons.

— Maquiagem a prova d’agua amor – ela diz, como que lendo os meus pensamentos, sorrio – Ele está tão lindo, ainda não acredito que nosso garotinho vai se casar – ela diz secando as lagrimas que teimam em escorrer – Olha essa gravata. Me deixa arrumar isso aqui – desvia sua atenção para o nó mal feito. – O nó da gravata do Rafa estava todo certinho, não tinha nada pra eu arrumar.

— Ele nasceu pra usar terno e gravata todos os dias amor.

— É, ele nasceu mesmo. Já você, prefere o pijama de cirurgia – ela conclui me dando um beijo de leve nos lábios.

— Não posso negar. Vou entrar pra falar com ele.

— Não demore, vamos chegar na hora, é feio atrasar.

Lhe dou um beijo na testa e bato na porta do quarto do meu irmão do meio, que agora é ocupado pelo meu filho sempre que estamos aqui.

— Pode entrar – escuto gritar lá de dentro.

— Filho – chamo

— Oi pai – ele me cumprimenta e a luz da câmera quase me cega – será que pode me ajudar aqui. Eu uso camisa, mas isso de abotoaduras é meio do século passado, não consigo fechar.

Pego as abotoaduras que vieram da loja com o conjunto de terno e colete, coloco-as de lado e tiro do bolso a caixinha com as nossas abotoaduras.

— Talvez seja melhor você usar essas aqui – eu estendo pra ele, o fotografo e o câmera atentos a cada movimento nosso sem nunca nos interromper ou atrapalhar. Ele olha o brasão da família gravado de cada lado em ouro branco e rubis, na época deve ter custado uma pequena fortuna, vejo a emoção passar por seus olhos – sabe filho, nossa família tem uma antiga tradição. Essas abotoaduras estão conosco a muitos anos e são passadas aos filhos mais velhos no dia do casamento – conto enquanto abotoo a manga do braço esquerdo, passando para o outro em seguida – mas essa não é nossa única tradição. Os Pontes nunca se divorciaram – ele me olha atento, talvez lembrando de todos os familiares que conhecemos para atestar a veracidade das minhas palavras – e o único motivo para não haver divórcios nessa família é que todos tivemos muita sorte no amor. Desde os casamentos arranjados, em algum momento o amor acontecia, e eu nunca soube de um Pontes que não ame perdidamente a sua esposa, veja seu avó, rabugento como é – brinco – no fim, ainda é loucamente apaixonado pela sua avó. O amor é o motivo de não haver divórcios nessa família.

— Até você – ele constata.

— Até mesmo eu – confirmo – depois de sentir e viver um grande amor como aconteceu comigo e com Olivia, eu nunca me casaria sem amor, não poderia viver tanto tempo ao lado da sua mãe se não fosse apaixonado por ela ainda hoje. Por mais estranho que isso pareça filho, eu ainda amo a Olívia e sempre vou amar, mas amo a sua mãe e a vida que construí ao lado dela, acima de tudo.

— Você acha que seremos felizes pai?

— Eu tenho certeza disso, não sei se Deus quer nos mostrar alguma coisa ou foi apenas uma grande ironia do destino você ter se apaixonado pela filha do meu grande amor, mas o que eu vejo em vocês não se encontra todos os dias, nem em qualquer lugar. Cuide desse amor, cuide da sua esposa, coloque a felicidade dela acima de qualquer coisa e vocês serão felizes.

Ele afirma com a cabeça enquanto ajeito as mangas da sua camisa e apanho seu terno.

— As abotoaduras trazem sorte também, confesso. Dizem que os filhos mais velhos são os que vivem mais felizes e não posso discordar, em mais de 20 anos não teve nem um único dia que eu tenha me arrependido de me casar com a sua mãe. Elas lhe trarão sorte – ele sorri – mas é o dia-a-dia que garante a felicidade. Vocês já são felizes, o casamento vai apenas potencializar isso.

— Obrigado pai – ele agradece emocionado.

— Elas são suas agora, e serão do seu filho um dia.

— Não só por isso. As abotoaduras são lindas e representam muito pra mim. Mas eu quero agradecer por ter nos apoiado, ficado ao nosso lado mesmo sendo difícil. É muito bom saber que eu tenho vocês, você e a minha mãe, e que independente de qualquer coisa vocês estarão aqui. Mesmo se tiverem que enfrentar meu avô pra me deixar casar com a neta do inimigo dele.

— Essa briga já não existia a anos filho, agora são só dois velhos orgulhosos.

— Mesmo que tenha que reabrir velhas feridas e sangrar de novo.

— Elas fecharam uma vez, vão fechar novamente. E você não precisa me agradecer. Eu sou seu pai e te amar com tudo o que eu tenho é o mínimo que posso fazer. Agora vamos logo antes que a sua mãe venha nos chamar.

— Ela já entrou aqui 3 vezes, todas as vezes saiu chorando.

Abraço meu garoto uma última vez. Na pratica as coisas não mudam muito, os dois já passavam o tempo todo juntos. Mas é simbólico, como se, só depois desse casamento é que ele vai se tornar um homem, ele já é, mais maduro e responsável que maioria dos seus amigos, mas agora está constituindo uma família e isso tem um peso diferente.

Caminhamos juntos para a sala onde a família nos espera, Rafa recebe abraços e cumprimentos dos avós, a mãe e a irmã arrumam sua roupa e colocam fios de cabelo inexistentes no lugar. Nos dividimos em dois carros com motoristas contratados. O caminho até a capela no centro da pequena cidade é longo, Rafa está nervoso, o que é totalmente compreensível. Não tem muita conversa, está tudo acertado, todos os detalhes foram repassados exaustivamente pelas duas mães. Vai ser tudo perfeito, como eles merecem que seja.

Quando o carro para diante da pequena igreja onde cresci, sinto meu coração acelerar e os pelos de todo o corpo de arrepiarem. Os convidados, em sua maioria já chegaram, e estão dentro da igreja acomodados, esperando o início da cerimônia. Ajudo meu pai a guiar sua cadeira de rodas até o local onde vai ficar sentado com minha mãe, logo nos primeiros bancos e volto para a porta da frente, os padrinhos já chegaram, faltam apenas a noiva e seus pais.

Surge então um carro antigo, as meninas gritam para que Rafael entre e espere na sacristia, para que não veja a noiva antes da hora. Ele me sorri, aperto seus ombros, não poderia estar mais orgulhoso dele. Dá um beijo na testa da mãe e corre para dentro, não quer corre o risco de ver a noiva e despertar a fúrias das mães.

O carro para do outro lado da praça e todos entendem a deixa, entrando na igreja, nem um convidado permanece do lado de fora, vejo a porta se abrir lentamente e meu coração para. Não é a noiva quem vai descer, eu sei disso, e é por isso mesmo que me perco em minha própria ansiedade, é ela, minha Olívia, linda e delicada. Sem controlar meus pensamentos, imagino como teria sido o nosso casamento 30 anos atrás, imagino seu vestido branco, com rendas e flores como era costume na época. Está tão linda e sorri de forma tão encantadora, seus olhos me dizem o quanto me amam e me perco neles um segundo.

Pisco voltando a realidade, ela caminha pela rua de paralelepípedos de braços dados com o marido. Linda como sempre, em um elegante vestido dourado, os cabelos estão presos na lateral deixando seu rosto totalmente a mostra. Ela sorri, não pra mim, mas sorri. É o casamento de sua filha e ela está feliz.

Não espero que cheguem até a igreja. Me posiciono ao lado da minha esposa, seremos os primeiros a entrar. Neste casamento alguns protocolos serão quebrados. O pai do noivo e a mãe da noiva não entrarão juntos como de costume. Todos concordamos que seria no mínimo estranho entrarmos de braços dados na igreja, principalmente depois do que aconteceu em nosso último encontro.

Os dois enfim entram, nos cumprimentam com apenas um aceno de cabeça e se posicionam atrás de nós. Meu grande amor do passado e meu amor do presente e futuro. As duas estão lindas, vestidas com o mesmo tom de dourado, que foi escolhido para as mães usarem neste dia. A equipe de cerimonial passa por nós conferindo se tudo está como deveria, confere os cravos pregados em nossas lapelas e os lenços dos bolsos.

Um casal de amigos dos noivos se posicionam no púlpito na lateral do altar, posso ver por detrás das cortinas, cumprimentam os convidados e começam a contar de forma rápida a nossa história, a nossa história de amor, minha e de Olivia e não sei como é que vamos explicar isso para as pessoas depois. Olho para Marina em busca de respostas, ela sorri, parece tranquila. Me volto para trás e vejo Olívia tão surpresa quanto eu.

— Lorena – confessa seu marido. Me volto para frente novamente, sem querer me intrometer numa possível conversa do casal atrás de nós.

— Ela me ligou na semana passada – conta Marina – disse que gostaria de contar essa história desde o início, que seu pai não se importaria. Eu autorizei. – a cada palavra eu me sinto mais perdido. Em cada gesto, em cada pequena renúncia de si mesma, eu me apaixono mais pela mulher que escolhi para ser minha esposa. – Eu nunca duvidei do seu amor querido, sinto um pouco de ciúmes do que sente por ela, mas esconder nossa história nunca foi algo que passou por minha cabeça. Esse romance era o seu passado, mas agora é parte da nossa história como família.

— Eu te amo – digo apenas.

O casal encerra a história dando a entender que o amor que nasceu entre as famílias rivais não morreu quando fomos separados, mas que adormeceu para renascer em outros corações que enfim uniriam os Pontes e os Andrade. Em seguida nossos nomes são chamados, o som do violino ressoa em toda a igreja e as cortinas são abertas. Marina segura firmemente em meu braço e desfila sua beleza e altivez.

O Padre me lança um sorriso gentil e complacente, algo me diz que ele entende muito mais sobre amores não vividos do que a maioria das pessoas que estão nos bancos dessa igreja.

Nos posicionamos do lado direito da Igreja, poucos minutos depois vejo Osvaldir e Olivia se posicionarem do lado esquerdo, ficaremos de frente um para o outro a cerimonia toda.

O casal recomeça sua fala, citando agora aqueles que estarão ao lado dos noivos como testemunhas dessa união, essa é a deixa para que Osvaldir e Marina saiam discretamente. Me pego sozinho diante dela, não esperava por isso. O som do violino volta a ser ouvido, sinto o aroma das flores. A Igreja deve estar linda, estava impactado demais com a revelação do nosso passado para reparar na decoração enquanto entrava, e agora estou preso demais a ela para olhar para qualquer outra coisa.

Seus olhos estão nos meus, a conexão entre nós é inegável, os padrinhos estão entrando, mas não consigo desgrudar meus olhos dela, nem minha própria filha vejo entrar. Olivia me sorri, sabe da importância desse momento. É a concretização do nosso amor, de um jeito diferente e inimaginável. Lorena tinha razão ao escrever aquelas palavras, nosso amor não morreu, ele apenas não pode ser vivido entre nós então renasceu nos nossos filhos.

Saio do meu transe momentâneo quando escuto a música escolhida por Rafael começar a tocar. Me viro para o corredor central da Igreja e o vejo aparecer por detrás das cortinas brancas. Ele anda de cabeça erguida, a mão da mãe apoiada em seu braço esquerdo, a mão direita dele sobre a dela. Meu garoto sempre cuidadoso com a mãe e a irmã, sempre carinhoso. De todos os amigos ele sempre foi o único que não se importava muito com as demonstrações de carinho em público. Meu garoto, agora um homem, decidido e apaixonado.

Quando chegam diante do altar ele me sorri, sua alegria pode ser sentida a distância, beija com amor as mãos da mãe. Ela lhe acaricia o rosto, traça o sinal da cruz em sua testa como fazia todos os dias antes de dormir desde de quando ele nasceu. Estendo minha mão para Marina, a vejo secar uma lagrima da mais pura alegria, estendo o lenço de papel que trouxe no bolso da calça e ela aceita. Olho para Olívia que também enxuga uma lágrima. Compartilhamos a mesma alegria e isso é muito mais do que nos foi permitido em toda a nossa vida.

A marcha nupcial começa a tocar, as cortinas se abrem e Lorena aparece de braços dados com o pai. Uma verdadeira princesa, como imaginei que ela estaria, linda como a mãe na juventude. Doce, como só uma mulher criada por Olívia poderia ser. Desvio meus olhos dela e eles se focam em meu filho, ele não consegue ver nada além dela e sei como é isso, me senti assim quando me casei, me sentia assim cada vez que via Olívia caminhar em minha direção. Olho para ela, que tem os olhos presos na filha, aquele olhar devotado, do mais sublime amor, aqueles que só as mães sentem, só elas entendem. Ela chora e sorri ao mesmo tempo, não se importa com a maquiagem, assim como Marina deve ter se assegurado de que poderia chorar.

Vejo Rafael dar alguns passos no corredor em direção a ela, ele aperta as mãos do sogro e deposita um beijo na testa da sua noiva, um beijo de carinho, cuidado e proteção. Eles caminham juntos os últimos passos em direção ao altar.

O Padre diz poucas palavras, mas fortes e impactantes. Fala sobre o amor, o respeito, a cumplicidade entre os dois. Fala sobre as dificuldades e os dias escuros e sobre como é importante que eles estejam na presença de Deus para resolver seus problemas conjugais. A entrada das alianças é anunciada e meu coração parece dar um salto. Sinto meu corpo gelar.

Uma pequena criança que não conheço caminha carregando uma almofada onde as alianças devem estar presas. Olivia tem um olhar sofrido ao fitar as alianças que são entregues ao padre. São as nossas alianças, as que seriam abençoadas no nosso casamento, que deveriam estar em nossos dedos até hoje.

O padre pede que todos estendamos as mãos em direção as alianças dos noivos para a benção. Não seria necessário pedir, mesmo não sendo muito devotado a orações, peço a Deus, com todo o meu coração, que abençoe essas alianças, as alianças que comprei para o meu grande amor e que os nossos filhos usarão de hoje em diante.

Olho para Olivia e sei que ela sente o mesmo que eu, ela também pedia a benção sobre as alianças que agora são dos nossos filhos. Eles colocam no dedo um do outro, após mais algumas palavras o Padre enfim os declara casados. Eles selam definitivamente a união com um beijo.

Enquanto os noivos trocam seu primeiro beijo como casados e os convidados aplaudem efusivamente, meus olhos se voltam para Olívia. Ela também me olha e as palavras são desnecessárias. Esse beijo não uniu apenas Rafael e Lorena. Esse beijo uniu os Ponte e os Andrade, uniu a nós dois. No altar, como deveria ter acontecido 30 anos atrás, vemos o nosso destino se unir através dos nossos filhos. Temos um elo inquebrável, estaremos para sempre na vida um do outro, não mais apenas pelo amor que um dia compartilhamos, mas agora pelo amor renascido em nossos filhos. A vida nos uniu através deles, e mesmo sabendo que jamais voltaremos a ficar juntos, estamos para sempre unidos por nossos filhos.

Fim

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.