Por Favor, Me Dê Um Hipogrifo Negro.
1 ~ 1 ~ O Início de uma Jornada.
Era um dia claro, ensolarado, com poucas nuvens no céu, quem olhasse conseguia ver claramente o céu azul e o sol raiando. Tinha tudo para ser um lindo dia... Vargla estava na floresta do vilarejo, Quyna ensaiava com seu grupo e Chrono estava em casa, treinando novos feitiços. Lembram-se do compromisso que tinham, levantaram-se da onde estavam e foram se encontrar no castelo de Kraze, o líder élfico do vilarejo.
Chrono foi o primeiro a chegar, como sempre, feiticeiros sempre chegam no horário. Quyna logo após chegara por último, para variar, Vargla chegara, com aquela cara que sempre fazia quando se atrasava.
— Desculpa mesmo pessoal, aconteceu um me coisa, meu lobo, senhor Yabolsen teve alguns problemas, tive que cuidar dele e acabei me atrasando, perdão, isso não vai voltar a se repetir. – Disse Vargla desesperada. – Desculpem-me mesmo.
— Tudo bem, chegou pouco atrasada até. – Respondeu Quyna em tom sutil – Cheguei a pouco também.
— Você não tem que se desculpar pra nós e sim para o Líder.
Vargla apenas fechou a cara para ele e fingiu que não tinha ouvido nada. Olhou para o castelo, era grande, majestoso, porém, percebia-se que havia partes que eram muito antigas, enquanto outras que eram muito novas, de pedras de cores diferentes, algumas com musgo, outras sem e lembrou-se das marcas da guerra que assolava o continente. Em segredo, todos torciam para que o chamado do Líder não fosse para a guerra, torciam que ainda não tivesse chegado a hora em que Milestrom tivesse que se meter na guerra.
Dois elfos guerreiros estavam fazendo a guarda do portão do castelo, e quando os três se aproximaram eles pareciam já saber quem eram, pois abriram rapidamente a porta e eles entraram no castelo. Era lindo, tapetes de camurça vermelho por todos os lados, cabeça de vários animais caçados na parede, o que deixou Vargla com ânsia (afinal, ela é uma Druida), grandes vitrais coloridos e diversos quadros, com momentos marcantes e elfos que pareciam já ter tido o mesmo cargo que Kraze.
Quando chegaram ao salão do Kraze era o mais lindo de todos que já haviam passado, todos os detalhes em metal eram feitos de prata, a mesa eram arbustos com fios de prata enrolados nele, na parede haviam lindas roseiras agarradas e ele sentava-se bem no meio da sala, aonde a mesa estava localizada.
Kraze era um homem de respeito, não diria medo, mas ele impunha a sua presença. Ele era bem alto, cabelos loiros compridos, pele clara, olhos claros e usava um manto roxo e vermelho ao longo do corpo.
— Convoquei-os aqui hoje, pois, preciso de ajuda de vocês.
Os três se tremeram.
— Eu preciso de fortes guerreiros e de inteligência majestosa para que possam ir até o Vilarejo das Fadas, trazer-me um item que fora perdido lá.
— Tudo bem, nós gostamos da ideia, mas, receberemos algo de retorno? – Perguntou Quyna.
— Claro, receberão cerca de 100 moedas de ouro.
— Cada um? – Perguntaram Chrono e Vargla.
— O grupo.
— Eu to dentro. – Disse Chrono.
— Eu não tenho certeza – Disse Vargla.
— Bom, resolvam entre vocês, quando tiverem uma resposta, — disse Kraze – podem me dizer.
Os três se juntaram onde estavam e começaram a sussurrar, resolvendo o que deveriam fazer. Chegando a consenso, Quyna aproximou-se da mesa de Kraze, abaixou-se um pouco, deixando que o decote comprido entrasse em destaque.
— Nós aceitamos senhor, mas, queríamos saber se é possível um mapa...
— Vocês moram aqui nesse vilarejo a não sei quantos anos e pra ir à vila vizinha precisam de um mapa? 100 moedas de ouro ou nada feito.
Quyna recuou um pouco, olhou para o grupo e respondeu:
— Tudo bem, seguimos na nossa intuição. Qual o item que precisa que recuperamos?
— É um item essencial para a guerra, deve nos manter em vantagem, não entramos na guerra até agora, mas, precisamos de algo que nos proteja de ataques. Chama-se “Manopla de Hércules”, vocês devem o encontrar facilmente na Vila das Fadas. Então partam o mais rápido que puderem, preciso dele rapidamente.
— Só isso senhor? – Chrono perguntou.
— Sim, podem partir.
— Com sua licença... – Os três disseram quase juntos.
— Esperem – Disse o Líder – Pensando bem, tem mais um item que vocês podem procurar pra mim, fica a caminho, é bem próximo da vila, fica em um lago, chama-se “Excalibur”, se voltarem com a manopla, dou-lhes suas 100 moedas de ouro, porém, caso queiram voltar com a Excalibur, poderia fornecer algumas moedas a mais...
— Algumas moedas a mais quanto? – Perguntou Quyna.
— Ah, eu poderia dar umas 400 moedas de ouro a mais.
— QUATROCENTAS MOEDAS A MAIS??? – Os três disseram em uníssono – Claro que sim, iremos trazer os dois itens de volta!
— Claro, mas cuidado, nenhum dos meus guerreiros voltou com vida dessa missão.
Todos engoliram seco, mas prosseguiram com a jornada do mesmo jeito. Já queriam sair em missão para buscar a Manopla e a Excalibur, quando lembraram-se que faltavam alguns itens para a viagem, como Poções Mágicas que curam ferimentos, armas, armaduras e coisas do tipo.
Foram até a praça do centro da cidade procurar alguma loja que pudesse vender o que tivessem interesse, quando um bardo, morador de rua, com seu cabelo desgrenhado, sujo, roupas rasgadas pega seu violão e aborda o trio:
— Vocês gostariam de ouvir a música de um bardo?
— Claro que sim! – Respondeu Quyna.
— Mas eu gostaria de pedir a gentileza dos senhores me darem uma moeda de prata para que eu possa comprar algo para eu me alimentar, estou com muita fome.
— Tome até duas. – Quyna jogou duas moedas de prata para o bardo, Chrono jogou cinco de bronze.
O bardo pegou o violão e começou a tocar e cantar:
Era um dia claro,
Quase sem nuvem nenhuma,
Furin mandava no mundo,
Com muita ternura.
Zonkai surgiu com seu exército,
Potente, cheio de artimanhas,
Tudo perfeitamente pronto.
Quando a Lua saiu,
O exército em marcha,
Do quartel saiu.
Culpa do Cajado de Frigga,
Da Manopla de Hércules,
Da varinha de Fênix,
E da famosa Excalibur...
Quando o bardo finalizava sua música, um elfo de idade adulta chegou com seu manto negro e empurrou o bardo, que caiu no chão, ferido. Quyna ocultou-se para que o elfo não o visse, Vargla estava pronta pra chamar Yabolsen para devorar o pescoço do homem e Chrono estava preparado pra conjurar uma bola de fogo na cara do homem, quando ele olhou pro bardo e o repreendeu:
— Você sabe que não pode cantar essa música. Tanto Funrir como Zonkai proibiram qualquer bardo ou músico de cantar essa cantiga.
— Mas você não podia simplesmente ter falado com ele? – Perguntou Vargla – Sei lá, educadamente?
— O que eu fiz pouco, a pena pra quem canta essa música é a morte.
— Mas o que você...
— Garota, cale-se. Você não conhece a história desse vilarejo. Analisando-a percebo que nunca nem deve ter saído daqui, nunca deve ter visto como é lá fora, e eu posso te dizer muito bem, é feio, guerra, cinza, fogo, destruição, isso que acontece do lado de fora desses muros que Fleiya construiu antes de Krazen assumir. O seu líder me mandou pra guerra, eu não sou daqui lindinha, e foi por causa disso que fiquei assim – Ele tirou uma mão do bolso e mostrou que era amputado – O preço da minha presença nessa guerra que poderosos começaram foi minha mão. Porque eles mandam os pobres pra guerra? Porque eles não se metem? Apenas fiquem felizes que não matei esse homem, eu poderia cortar sua garganta por ele pensar em falar sobre esses itens.
— O que tem esses itens...
— Queridos, conheçam a sua história antes de tentarem brigar comigo. Adeus, tenho mais o que fazer.
Virou-se foi embora. Quyna reapareceu.
— Muito obrigado por pouparem minha vida. Tome isso é pra você. – Ele tirou uma harpa e deu para Quyna.
Ela agradece e eles vão logo para a loja élfica. A loja era linda, tinha um brilho azul, vários tipos de itens, poções, cajados das mais diversas madeiras, ervas dos mais diversos lugares, varinhas dos mais diversos materiais, espadas de vários tipos de metal e tamanhos, sem falar da Elfa que era a responsável pela loja, ela era alta, esbelta, bonita, de pele clara, cabelo ruivo e olhos azuis.
Chrono comprou alguns itens que julgavam necessários para a viagem, como poções, uma varinha de bico de fênix. Vargla comprou um livro chamado “Fairy Tale – Tudo o que precisa-se saber sobre a Vila das Fadas” e Quyna pediu algo para proteção:
— Eu não vou ter nada para proteção, mas, talvez, tenha algo aqui que eu possa te dar, um minuto... – E a vendedora começou a procurar num velho baú, de onde saiam vários itens dos mais variados tamanhos. – Achei! – E pegou um coração bem grande preso em uma corrente dourada – É um Medalhão de Coração de Dragão, ajudará muito vocês ao longo dessa jornada.
Comprado tudo saíram para o portão principal e viram uma placa que indicava: Direita Alameda do Por, Central Rua Judas e Alameda Borin, Esquerda Rua Ide.
— Tudo bem... Pra onde vamos? – Perguntou Chrono.
— Eu faço a mínima, vocês não compraram um mapa? – Perguntou Quyna.
— Não...
— E tem dinheiro pra comprar?
— Também não...
— Ótimo. – Quyna disse e já fechou a cara.
Vargla ficou em silêncio por um momento, atenta a qualquer som que passasse por ali, ela se aproximou de uma árvore, como se a mesma falasse com ela e então ela virou-se para os dois e disse:
— Rua Ide. Ela que vai chegar à Vila.
— Tudo bem, na pior das hipóteses nós voltamos.
Então tomaram a Rua Ide como destino. Caminharam durante certo tempo e quando notaram o céu já havia escurecido, podiam-se ver várias estrelas e lua estava cheia no céu, a noite havia caído. Eles cogitaram a ideia de parar o caminho para levantar acampamento, mas eles tinham acabado de sair, resolveram ir de uma vez.
Eis que começaram a ouvir um barulhinho baixinho, estranho. Pararam para tentar identificar que som era e perceberam que era um risinho e que pela agudez do som deveria ser muito pequeninho. Ocultaram-se e os dois olhando para Vargla, esperando que ela invocasse Yabolsen por proteção.
Ele caminhava calmamente ao lado dos três, quando ele escuta algo e decide entrar na floresta enquanto os três ficam do lado de fora aguardando. Quando o lobo volta, ele está cheio de espadas pequenas pelo corpo todo, cabeça, pernas, cauda, tudo e sangrando muito. Vargla corre até o lobo tentando entender o que está acontecendo enquanto que Quyna tira sua harpa pra tentar uma música de Cura.
— G-G-G-G...
E morreu.
Vargla chora muito com o corpo do lobo em seus braços, mas Chrono a motiva continuar a andar. Eles prosseguem e quando veem, um exército de Goblins surge das quatro extremidades. Os goblins são criaturas verdes, pequeninas, feias que lutam de forma rápida. Chrono usa uma Bola de Fogo, Quyna usa suas músicas de Dano e aumento de Dano em seus companheiros, enquanto Vargla faz com que as árvores a sua volta comecem a bater nos Goblins. Foi uma luta exaustiva até que os quase 200 goblins fossem eliminados de vez, apenas um Goblin restou em pé, que Vargla pegou pelo pé e tentou questioná-lo:
— Quem mandou você nos seguir? Quem é o seu líder?
O pequeno Goblin deu um enorme grito agudo, que a principio foi estranho, mas logo entenderam o motivo do grito. Surgiu uma besta de cor creme, cerca de cinco metros de altura, com o corpo rígido como pedra, sua boca imensa e seus olhos vermelhos como sangue.
— Vargla, recue com o Goblin e deixe que eu e a Quyna assumimos.
— Tudo bem...
— E cale esse Goblin – Disse Quyna – Uma besta só já basta.
Vargla pega o pequeno Goblin, amarra os pés, amordaça a boca e joga na bolsa.
Chrono urrando de felicidade lança uma bola de fogo diretamente na cara da besta, que engole o fogo. Por um momento os dois se entreolham e pensam no que fazer. Quyna tenta fazer uma música de Dano no monstro, mas, se atrapalha de nervosismo e erra a música. A besta então começa a carregar uma bola de fogo imensa, pronta para lançar e matar os três quando uma hidra, imensa, com quase trinta metros de altura aparece com suas seis cabeças, ruge de uma forma monstruosa e engole a besta. Eles piscam e a hidra desapareceu. Um homem vestido de negro passa andando entre eles e quando a luz bate em suas costas pode-se perceber duas espadas compridas negras também.
Vargla tenta questionar mais uma vez o Goblin, quando o homem para, e vira-se.
— Você acabou de ver uma hidra de sei lá quantos metros desaparecer tão rápido quanto você a viu aparecer, e ainda quer entrevistar um goblin?
Ele continua andando em direção ao mesmo caminho que eles estavam indo, Vargla joga o goblin na bolsa e os três começam a segui-lo. O homem começa a acelerar como se estivesse incomodado com a presença dos três atrás dele, e os três aceleram junto.
Eles reparam na folhagem que está a sua volta: árvores roxas com folhas vermelhas, tronco verde limão com folhas azul escuro e já sabiam onde estavam.
BEM VINDOS A VILA DAS FADAS
Fale com o autor