Notas iniciais
Boa Leitura...

“Tá tudo bem?” ela perguntou preocupada “eu te senti distraída e pensativa todo o tempo” ela torceu o lábio.

“Sério Sasha, não precisa se preocupar” eu disse começando a ficar nervosa e coloquei outra mecha atrás da orelha.

Enquanto nós conversávamos do lado de fora da casa, vimos um carro de vidro preto percorrendo a rua em alta velocidade com música extremamente alta. Freou bruscamente a alguns metros da casa de Sasha e ouvimos alguém gritar algo como “seu lugar é na rua, vadiazinha de merda” e algumas gargalhadas, logo depois aceleraram o veículo e foram embora. Eu olhei assustada para Sasha “o que tinha sido aquilo?” pensei.

Andamos até o asfalto e eu vi alguém caído na estrada.

“AH MEU DEUS!” gritei colocando a mão na boca.

Assim que vi os cabelos platinados meu corpo gelou.

“ROSE LEE” gritei histérica “ROSE LEE!!” continuei gritando enquanto corria até ela. Eu nunca fui atleta, mas acho que na velocidade que eu corri poderia facilmente ganhar uma corrida.

“MAYNE” gritava Sasha atrás de mim.

“Sasha chama uma ambulância” eu gritei de volta me ajoelhando pra sentir o pulso de Rose. Estava fraco.

“Ela tem pulso?” Sasha perguntou.

“Tá muito fraco, corre e liga pra uma ambulância, Sasha” insisti.

Arrastei a cabeça de Rose e coloquei no meu colo, me controlei pra não deixar as lágrimas caírem. Céus, como eu estava nervosa, tremia dos pés à cabeça. O que tinha acontecido com ela? Por quê ela tinha sido jogada daquele carro? Por quê disse que estava na minha casa? Oh Rose... o que você tem na cabeça, garota? Eu nem te conheço e você já chega bagunçando minha vida. As lágrimas escorreram involuntariamente no meu rosto, eu me abracei com Rose e aquela melancolia tomou conta de mim.

Segundos depois Sasha voltou informando que a ambulância chegaria em poucos minutos. Me senti aliviada.

[...]

Eu e a Sasha acompanhamos a Rose até o hospital. Liguei pra Ziena para avisar que chegaria mais tarde em casa e contei o que havia acontecido. Não consegui me comunicar com o pai de Rose.

Sentia minha cabeça girar.

“Era por causa dela que você estava preocupada mais cedo?” perguntou Sasha calmamente.

“Sim” disse encarando os pés. Estávamos na sala de espera aguardando o diagnóstico do médico.

“O que aconteceu com ela, Mayne?” Sasha continuou a perguntar preocupada. Eu bufei.

“Também gostaria de saber, Sasha” disse colocando um fim na conversa.

Algum tempo depois o médico que levou a Rose entrou na sala.

“Vocês são Sasha e Mayne Brummemkamp?” perguntou.

“Somos sim” eu respondi.

“Me acompanhem, por favor” pediu ele. Nós o seguimos até sua sala e sentamos nas cadeiras.

“O que ela têm, doutor?” perguntou Sasha.

“Bem” ele começou se acomodando na sua poltrona “esses são os resultados do exame de sangue da sua amiga” ele colocou alguns papéis na nossa frente “encontramos cerca de 0,005mg de Oxi¹ na corrente sanguínea dela. É um valor tanto considerável” eu coloquei a mão na boca em choque “felizmente nós fizemos uma lavagem e demos alguns medicamentos para acelerar a ejeção da droga do organismo dela. Sua amiga teve sorte, ela ficará bem” ele explicou.

“Mas como assim Oxi? Ela estava se drogando?” perguntei ainda em choque.

“A maioria dos acompanhantes de pacientes nesse estado também não tem conhecimento do que se passa até alguém explicar. Sim, sua amiga é usuário de drogas” ele explicou novamente.

“Ela ainda será liberada hoje?” perguntou Sasha.

“Passará a noite sobre supervisão médica por precaução” ele orientou.

“Obrigada doutor” disse Sasha.

“Só estou fazendo o meu trabalho” ele disse simpático “agora se me dão licença preciso fazer uma cirurgia” ele disse se levantando “se forem ficar pra acompanhar a paciente informem na recepção” ele disse e nós nos retiramos na sala.

[...]

O hospital era enorme, Sasha tinha ficado no quarto com Rose – ainda inconsciente – e eu saí para comer alguma coisa. Eu ainda processava tudo aquilo que tinha acontecido. Resolvi sair um pouco pra tentar esquecer. Tinha uma pequena lanchonete no último andar. Como já passava da meia noite só tinha algumas pessoas que trabalhavam no próprio hospital e um ou dois acompanhantes. Me sentei em uma das pequena mesas e pedi o que eles tinham de mais doce no cardápio. Enquanto esperava fiquei navegando na internet do celular, tentando me distrair um pouco.

“Posso sentar?” perguntou a voz de alguém acima da minha cabeça, desvio a atenção do meu smartphone para ver quem era, reconheci os cabelos loiros na hora.

“Nate” disse surpresa “o que tá fazendo aqui?” perguntei curiosa.

“Eu vim acompanhar meu pai que está internado” ele explicou “posso sentar?” voltou a perguntar.

“Ah, claro. Senta aí” disse e ele o fez “o que seu pai tem?” perguntei.

“Problemas cardíacos” ele bufou “mas tá tudo bem agora e você?”

“Vim acompanhar uma amiga” disse e a garçonete veio deixar meu pedido.

“Browne são os melhores” Nate suspirou.

“Com certeza” disse gulosa.

“Mayne, você sabe que no dia que nos conhecemos eu fiz aquilo de propósito, né?” disse e encarou meu prato.

“Sim” disse sorrindo de canto depois de engolir um pedaço do meu browne.

“Que bom” ele disse e nós ficamos em silêncio por um tempo “você aceitaria sair comigo qualquer dia desses?”

“Tipo um encontro?”

“Se você quiser pensar dessa forma” ele disse me encarando.

“Não sei, pode ser” dei de ombros.

“Te pego amanhã às 7?”

“Combinado” respondi e terminei de comer o último pedaço “eu tenho que voltar agora”.

“Ah, claro” ele disse se levantando pra se despedir de mim.

Voltei pro quarto pensativa. E o que eu achava sentir pelo Adam? Será que eu sentia mesmo algo por ele, ou era só coisa da minha cabeça? Talvez sair com o Nate seja bom, não sei. Quer dizer, ele é legal. Meus pensamentos estavam a mil por hora, eu precisava descansar. O dia tinha sido longo – até de mais.

Pela manhã acordei dolorida do sofá cama, Sasha ainda estava dormindo ao meu lado. Me levantei com cuidado e fui até a cama onde Rose estava deitada. Ela estava pálida como sempre, mas algo estava diferente. Talvez porque eu não estava acostumada a olhar pra ela. Vi seus olhos tremerem um pouco e ela sussurrou algo como “Ammanda” segurei em sua mão e a chamei, ela abriu os olhos – cinza como um dia de neblina.

“Ammanda” ela disse com os olhos úmidos.

“Não Rose, sou eu Mayne” disse maternal.

“Rose?” ela questionou e as sobrancelhas se uniram e de repente a angústia voltou a seus olhos “você não é a Ammanda?”

“Não” disse gentil e a vi piscar os olhos duas vezes e foi como se a realidade tivesse voltado e o rosto dela agora expressava espanto.

“O que eu estou fazendo aqui? Tenho que ir embora, eles vão mata-lo” ela falou alto e Sasha acordou.

“O que aconteceu?” a ruiva disse sonolenta.

“Quem é você?” Rose perguntou assustada “você trabalha pra eles?” ela soltou a minha mão e ficou na defensiva.

“Rose, calma. A Sasha é minha amiga, do que você tá falando? Quem vai matar quem e quem é Ammanda?” perguntei um pouco nervosa.

“Ammanda? O que a Ammanda tem com isso?” ela perguntou assustada “e como você sabe da Ammanda?”

“Você achou que eu fosse ela” disse tentando manter a calma.

“Nós encontramos você jogada na estrada” explicou Sasha.

“Jogada?” ela ficou mais espantada “aqueles malditos vão ver só” ela se forçou pra levantar da cama.

“Rose, fica aí, você não vai sair andando desse jeito” disse e tentei deita-la novamente na cama.

“De que jeito? Eu estou bem, tá legal?” ela voltou a falar.

“Claro que não, você precisa se tratar” disse Sasha.

“Me tratar? Olha aqui, você nem me conhece” Rose rebateu na defensiva.

“Rose você não vai sair, nós temos muito o que conversar” eu disse irritada.

“Não tenho nada o que conversar com você, na verdade eu também não te conheço e eu vou sair daqui sim” ela gritou.

“Olha aqui garota” comecei realmente irritada “você pode mudando seu tom de voz porque se não fosse por nós duas talvez você ainda estive estirada naquela estrada e provavelmente teria morrido, já que você estava cheia de drogas no corpo e é verdade sim que mal nos conhecemos o que me lembra que você me deve uma explicação sobre ter falado pro seu pai que estava na minha casa quando não estava. Se você quiser sair e terminar de acabar com sua vida, pode ir, mas antes vai ter que me responder isso. Por que me envolveu nas suas loucuras?” eu explodi na frente dela.

“Ta” ela bufou e voltou a se sentar se acalmando “eu vou explicar tudo” respirou fundo e começou “eu tenho uns amigos que usam algumas drogas porque assim como a minha as vidas deles são infelizes e meu pai não gosta que eu ande com eles, e eu tinha parado até, mas aí aconteceram coisas que me fez voltar a andar com eles, então resolvi passar uns dias na casa do Ramon e isso explica a minha falta na escola. Pra não preocupar meu pai disse que estava na sua casa porque foi a primeira pessoa que me veio na mente e porque eu sabia que ele não te conhecia, então eu não teria problemas, me desculpa por te envolver nisso, okay? Mas eu realmente preciso ir. Ontem a noite uns caras apareceram na casa do Ramon pedindo o dinheiro que obviamente ele não tinha, então nos levaram com eles para que esclarecêssemos as coisas com o chefe deles, depois disso eu não me lembro de nada. E se vocês estão dizendo que me encontraram jogada é porque o Ramon ainda está com eles e eles provavelmente irão mata-lo ou coisa pior” ela contou “vão me deixar sair agora?”

Eu e Sasha nos entreolhamos.

“Precisamos chamar a polícia” Sasha disse por fim.

“Você está louca?” Rose disse “Aí que eles vão matar o Ramon mesmo”.

“Então que opção nós temos?” perguntei “você simplesmente espera aparecer lá e pedir pra eles soltarem seu amigo?” perguntei ironicamente e ela ficou em silêncio.

“Bem, eu não pensei muito a respeito disso” Rose deu de ombros.

“Ótimo, se veste que vamos na delegacia agora” disse Sasha.

“Mas se o Ramon estiver viver, eles vão prendê-lo” lamentou Rose.

“Volto a perguntar: que escolha nós temos?” repeti.

“Deve ter outro jeito” ela insistia.

“Rose” eu a segurei pelos ombros “não há outro jeito, o Ramon deve ser grandinho o suficiente pra entender que isso um dia iria acontecer e se você quer tentar salva-lo, vai ter que falar para a polícia, ou então como você disse eles acabaram matando-o ou fazendo coisa pior” ela respirou fundo angustiosamente.

“Vamos logo, então” ela disse por fim.

–x-

1. Oxi: droga feita da pasta da cocaína.

Notas finais
... Obrigada por ler. Se gostou deixe um comentário - me deixaria muito feliz :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.