Por Falta de Opção

5 5. Problemas Não Solucionados


Notas iniciais
Boa leitura...

No dia seguinte Paul acordou – um alívio para todos – com alguns dias começou a fisioterapia da perna, os médicos disseram que ele passaria um tempo usando muletas até se recuperar totalmente. Já faz uma semana que ele está se tratando no hospital e toda a turma de amigos e família está organizando uma festa surpresa para quando ele receber alta.

Hoje é segunda feira – minha segunda semana na universidade – e desde semana passada não vejo a Rose, isso está me preocupando, quer dizer, ela tem que ir para as aulas, é começo do semestre e ela já está com muitas faltas. Eu conheci algumas pessoas da minha turma durante a semana e acho que estou começando a me adaptar. É fácil quando a mudança é boa.

“Oi” disse Nate me fazendo desligar dos meus pensamentos.

“Oi” respondi.

Estávamos na praça de alimentação da FSU sentados naquelas mesas de piquenique.

“Tá pensando em quê?” ele disse depois de tomar um gole de coca.

“Nada” disse e tomei um gole do meu suco.

[Flashback: on]

Eu o Nate nos conhecemos na semana passada, eu estava sentada na minha típica segunda cadeira na primeira fileira – como sempre sozinha – e quando o toque pra mudar de sala soou, eu me levantei pra sair e depois de alguns passos senti a mão de alguém no meu braço, me virei e vi um garoto de cabelos loiro mel, pele quase o tom da minha e lindos olhos castanhos.

“Essa caneta é sua?” ele perguntou e eu olhei para o objeto em sua mão.

“Não, a minha é diferente” disse.

“Ah, achei que fosse sua. Estava caída no chão perto da sua cadeira” explicou.

“Deve ser de outra pessoa, desculpe”.

“Tudo bem” ele disse e colocou a caneta em cima de uma cadeira “o dono pega depois” ele deu de ombros “sou Nate” ele cumprimentou.

“Mayne” disse educada.

[Flashback: off]

“Você e seus mistérios” ele revirou os olhos e eu sorrio de canto.

“A única pessoa com mistério aqui é você, Nate” disse Katja chegando do nada e sentando do meu lado “como você consegue um B cálculo?” ela disse jogando uma folha na mesa.

“Tirei B?” Nate faz cara de espanto e pega a folha.

“Você nem estuda!” Katja disse irritada com seu forte sotaque russo e Nate deu uma gargalhada feliz e saiu correndo até onde outros dois amigos nossos estavam – Chris e Lewis.

“Olha aqui seus cretinos: B” eu o ouvi gritando longe.

“Você pegou os outros testes?” perguntei.

“Depois que vi a nota desse idiota, nem lembrei de pegar os outros” ela disse ainda irritada.

“Bom, acho que vou ver quanto tirei com o Sr. Smith” disse e me levantei da mesa.

O primeiro teste havia sido apenas para vermos como estava nosso nível, não foi uma prova realmente importante. Katja era da Rússia e estava no seu segundo ano de intercâmbio, ela tinha um sotaque russo muito forte, era impossível não perceber. Ela e Nate se conheceram no ensino médio.

Andei pelos corredores – agora familiar – da universidade procurando o professor. Entrei na sala e lá estava ele – cabelos grisalhos, óculos redondos e blusa ensacada – conversando com um homem vestido similar a ele. Dei um pequeno pigarro para avisar que eu estava ali e os dois viraram para olhar quem era.

“Sr. Smith” eu chamei.

“Sim?” ele respondeu ajeitando os óculos.

“É sobre o teste de cálculo, eu gostaria de ver minha nota” disse me aproximando.

“Ah sim, sim” ele disse voltando os olhos para uma pilha de papéis em cima da mesa “seu nome?”

“Mayne Brummemkamp” respondi e o homem que até então estava calado, falou.

“Você que é a amiga da Rose Lee?” ele perguntou.

“Acho que sim” disse com dúvida e vi a expressão do rosto dele mudar.

“Minha jovem, pode me dizer onde ela está?” ele pediu aflito.

“Desculpe, eu não a vejo desde a semana passada” eu me desculpei.

“Como não a vê?” ele estava mais pálido do que a parede da sala “ela estava na sua casa” e ao ouvir isso quem empalideceu foi eu.

“Desculpe, COMO?” perguntei perdida entre as piscadas dos olhos.

“Eu sou o pai dela, Felix” ele explicou “e fazem alguns dias que a Rose não volta pra casa, liguei para ela que me disse que estava na casa de Mayne Brummemkamp. É você, certo?”

“Sim, mas...” eu estava perdida “eu não a vejo desde segunda!” disse nervosa e agora o Sr. Smith nos encarava.

“Mas...” Felix colocou as duas mãos na cabeça “onde está a minha filha?” disse aflito.

“Eu...” tentei dizer algo, mas as palavras não saiam. O que aquela garota estava pensando? Colocar meu nome no meio disso tudo. Eu nem a conheço!

“Felix, você tem que informar a polícia” disse Sr. Smith.

“Avise à direção que tirei o resto do dia de folga” ele disse se recuperando “eu vou na delegacia procurar minha filha”.

“Vá, eu aviso sim” encorajou Sr. Smith.

“Obrigado por me avisar” Felix disse com um sorriso fraco e saiu da sala com passos rápidos. Eu ainda estava em choque.

“Aqui está seu teste” Sr. Smith disse me tirando da transe.

“Ahn... obrigada” disse e peguei a folha sem nem ver o resultado e saí da sala.

Fiquei desligada por completo o resto das últimas aulas, era impossível me concentrar, afinal, o que merda estava acontecendo com aquela garota? Por que ela vinha mais para as aulas? Por que ela não volta para casa? E o mais importante: por que disse que estava na minha casa? Eram muitas dúvidas, muitas perguntas a serem respondidas. E só uma pessoa as responderia.

[...]

Era por volta das 8h da noite, eu estava na casa da Sasha, ajudando-a com um projeto que envolvia cálculo – matemática em jornalismo? Pois é. – Depois que ela viu a minha nota pediu que a ajudasse, já que a especialidade dela não era essa. Concordei sem hesitar. Mesmo passando algumas horas na ótima companhia da hippie, eu não consegui tirar o assunto “Rose” da cabeça, aquilo estava me perturbando.

“Nossa May, você realmente sabe me explicar isso. Eu nunca tinha conseguido aprender essas coisas” ela agradeceu.

“Não é nada de mais, apenas coloque os números no lugar e o resto se faz só” dei de ombros.

“Você falando assim, até faz parecer fácil” ela disse me fazendo rir.

“Já terminou tudo?” perguntei me acomodando na cadeira.

“Sim, terminamos” ela confirmou fechando o caderno “obrigada, mais uma vez”.

“Não precisa agradecer” disse colocando um cacho de cabelo atrás da orelha “eu tenho que ir agora, tá tarde” disse olhando o relógio.

“Ah, claro” Sasha disse se levantando “eu te levo até a porta” nós andamos até os degraus da frente da casa e antes que eu me despedisse, ela segurou meu cotovelo “May” ela disse e me virei.

“O que foi?” perguntei inocentemente.

“Tá tudo bem?” ela perguntou preocupada “eu te senti distraída e pensativa todo o tempo” ela torceu o lábio.

“Foi só algumas coisas da universidade mesmo” eu disse meia verdade, não queria preocupa-la com meus problemas, ela já tinha os dela.

“Tem certeza? Você tá muito abatida” ela insistiu.

“Sério Sasha, não precisa se preocupar” eu disse começando a ficar nervosa e coloquei outra mecha atrás da orelha.

Enquanto nós conversávamos do lado de fora da casa, vimos um carro de vidro preto percorrendo a rua em alta velocidade com música extremamente alta. Freou bruscamente a alguns metros da casa de Sasha e ouvimos alguém gritar algo como “seu lugar é na rua, vadiazinha de merda” e algumas gargalhadas, logo depois aceleraram o veículo e foram embora. Eu olhei assustada para Sasha “o que inferno tinha sido aquilo?” pensei.

Andamos até o asfalto e eu vi alguém caído na estrada.

“AH MEU DEUS!” gritei colocando a mão na boca.

–x-

Notas finais
... Obrigada por ler. Se gostou deixei um comentário - não dói e me faz feliz - ou se inscreva no nyah ;)