Por Falta de Opção
4 4. Unidos por Lancaster
Notas iniciais
Passei a noite sozinha em casa. O estado do Paul era crítico e ele precisou fazer uma cirurgia para retirar os estilhaços da moto que tinha entrado na perna. Ziena se ofereceu pra passar a noite com ele, já que só um poderia ficar e a família que morava em outra cidade só chegaria pela manhã. Depois de 1 mês morando com ela, era estranho levantar e não encontra-la. Tomei uma ducha, vesti meu jeans e uma camiseta do Jack Sparrow, tênis e comi um sanduíche com suco, peguei minha mochila e sai para o ponto de ônibus. Assim que entrei reconheci os dreadlocks ruivos.
“Oi Sasha” eu cumprimentei.
“Mayne” ela abriu um sorriso “senta aqui, não tem ninguém” ela apontou para o assento ao seu lado.
“Tudo certo no seu clube de jornalismo?” sentei e voltei a comentar o assunto do dia anterior.
“Nossa, nem me fale, tenho um monte de coisa pra fazer” ela suspirou “e você, algo de novo?”
“O amigo da minha irmã teve um acidente de moto ontem” desabafei.
“Jura?” ela perguntou espantada “como ele tá?”
“Ele não tá legal” torci o lábio.
“É muito crítico?” ela perguntou.
“Um pouco” suspirei.
“Espero que ele se recupere” ela encorajou.
“Somos duas” disse colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e me acomodando na poltrona.
Assim que chegamos eu vi o Adam, mas não deu tempo pra falar muita coisa e eu fui pra sala. Rose Lee não tinha ido, então sentei sozinha e isso foi pior, porque fiquei perdida em pensamentos, me esforçando ao máximo para prestar atenção. Mas estava preocupada com o Paul, nós não éramos próximos nem nada, mas sabia o quanto que ele era importante para minha irmã – e isso já era suficiente para eu me preocupar.
Quando as aulas encerraram, recebi uma mensagem do Adam pedindo pra encontrar ele na frente da universidade. Andei distraidamente até o local e o vi apoiado na parede com sua calça fogada e a camiseta justa que deixava exposto sua magreza e – como sempre – a amada touca preta. Ele era lindo.
“Pabst” chamei o pelo seu sobrenome enquanto me aproximava.
“Kamp” ele me cumprimentou com um sorriso.
“Alguma novidade?” disse colocando a mão nos bolsos.
“Ainda não, liguei pra Ziena mas ela não atende” suspirou “estava pensando em ir lá, quer vim?”
“Claro, vou sim” tirei a mão dos bolsos e saímos andando até o ponto de ônibus mais próximo.
Chegamos no hospital e demos nossos nomes na recepção, a secretária nos indicou o andar e subimos o elevador, na sala de espera havia no mínimo umas 15 pessoas – reconheci poucas e minha irmã não estava entre elas.
“E aí Pabst” cumprimentou um garoto de estatura mediana de pele morena.
“Ei Dylan” Adam respondeu “essa é a May, irmã da Ziena” ele me apresentou.
“Olá” ele me deu um sorriso “você se parece com sua irmã”.
“Oi e sim, eu lembro um pouco ela”.
“Alguma novidade?” perguntou Adam.
“Eu acredito que depois da cirurgia ele esteja estável” ele deu de ombros.
“Hm, entendo” Adam suspirou “e a Becky?”.
“Saiu chorando com a Sr. Lancaster a um tempo” respondeu Dylan.
“E a Ziena?” perguntei.
“Lá dentro ainda” respondeu apontando para uma sala no fim do corredor.
“Eu vou lá ver como ela está” disse e me afastei.
Era incrível ver que todas aquelas pessoas estavam lá por causa do Paul, ele era realmente muito querido. Entrei na sala que Dylan apontou e vi Ziena abraçada com um cara. Dei dois tocs na madeira da porta antes de entrar pra ter certeza de que eu não estava invadindo. Ziena se separou do abraço e abriu um sorriso fraco pra mim.
“Oh May” ela me olhou com os olhos vermelhos e eu fui em direção a ela para abraça-la.
“Calma Ziena, ele vai ficar bem” eu consolei enquanto ela fungava no meu ombro.
“Os médicos disseram que se ele não acordar logo, pode entrar em coma” ela soluçou e eu acariciei seu cabelo.
“O Paul é durão, ele vai sair dessa, você não precisa ficar desse jeito, tem que dar força pra ele agora” eu continuei e ela se soltou de mim tentando frustradamente enxugar as lágrimas.
“Foi o que eu estava tentando dizer pra ela” disse o cara a quem ela estava abraçando antes, eu o olhei tentando ver se eu conhecia, acho que ele entendeu minha confusão “sou Alex, guitarrista da banda do Paul”.
“Banda?!” perguntei.
“Acho que não te contei, mas ele tem uma banda” explicou Ziena ainda fungando.
“Ah, okay. Oi Alex, sou a May” eu disse e ele me retribuiu um sorriso.
“Bom, acho que vou deixar vocês conversando” ele disse e saiu.
“Olha Zi – eu disse pegando nas mãos dela – eu entendo como deve está sendo difícil pra você. O Paul é seu melhor amigo e todos aqui sabem disso, mas você tem que se acalmar, não é se desesperando desse jeito que as coisas vão se resolver e por falar nisso você já comeu?” ela olhou pra baixo e balançou a cabeça negativamente “quando o Paul acordar vai precisar de alguém forte e alimentada pra cuidar dele, você precisa comer” eu disse calmamente e vi a Tessa entrando na sala pelo canto do olho.
“Oi May. Ziena” ela disse entrando na pequena sala.
“Oi Tess” Ziena cumprimentou.
“Oi Tessa” falei “você pode levar ela pra comer alguma coisa, ela ainda não comeu nada”.
“Você não comeu?” Tessa olhou pra minha irmã com um olhar bravo “não precisamos de mais ninguém internado aqui” ela reclamou e pegou Ziena pelo braço “eu vou na lanchonete com ela, te vejo depois May”.
“Até logo” acenei e voltei para onde todos estavam, a impressão que deu era que havia chegado mais gente.
“Ei Mayne, ela está melhor?” Sam veio ao meu encontro.
“A Tessa a levou pra comer alguma coisa” disse passando a mão nos cabelos.
“Acho bom ela comer também” ele disse e eu concordei.
“Pois é” ele rebateu. Uma garota de longos cabelos castanhos com algumas mechas azuis se aproximou de Sam e olhou pra mim.
“Você é a irmã da Ziena, né?” ela perguntou.
“Sou sim”.
“Ela falou de você outro dia” ela lembrou “eu sou a Ashley, prima do Paul” ela estendeu a mão pra mim e eu a apertei “e esses são Todd, Nick, Joe e Rebecca” ela apresentou “nós trabalhamos com ele e a sua irmã”.
Conheci muita gente nesse dia, todos unidos por um motivo: Paul Lancaster. Senti um pouco de inveja do Paul por ter tantas pessoas queridas a sua volta – já que comigo era bem diferente. O resto do dia demorou a passar, todos entraram para ver Paul, mas a visita tinha que ser rápida e quando terminou, eu e a Tessa insistimos para Ziena voltar pra casa, já que a mãe dele e Becky – que era irmã do Paul – estavam lá.
Ver minha irmã naquele estado era de partir o coração, no final, acho que era mais que amizade o que ela sentia por ele. Pobre Ziena. Espero que dê tudo certo na recuperação do Paul e que ela tenha mais sorte do que eu tive em relacionamentos. E por falar nisso, ultimamente tenho pensado muito no Adam. Ele nunca demonstrou nenhum interesse em mim, acho que é apenas coisa da minha cabeça e eu não quero correr o risco de perder a amizade dele por causa disso. Realmente não quero.
–x-
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