Por Falta de Opção
3 3. Universidade e Cabelos Platinados
Notas iniciais
Universidades geralmente são enormes -essa não era diferente – Jacksonville State University. Vou passar uns 4 a 5 anos nesse lugar e a ideia me deixa excitada, é realmente lindo assim como o todo resto da cidade. Como nem eu nem minha irmã temos carro e a JSU não fica perto, eu tive que pegar um ônibus às 8h para poder estar aqui. Calça jeans surrada, meu tênis favorito, camiseta de banda, jaqueta, mochila e cabelo ligeiramente bagunçado – essa sou eu no meu primeiro dia. Assim que paro no ponto de ônibus e vou andando até o portão principal – onde tem muita gente – eu consigo ver Adam com sua sempre amada touca e seus olhos verdes penetrantes, conversando com algumas pessoas. Me aproximo e aceno.
“É, você veio” disse entortando o lábio.
“Eu disse que vinha, não foi?” ele sorriu e me abraçou “vem Kamp, deixa eu te apresentar umas pessoas” ele me puxou pelo braço e eu o segui.
Ele me apresentou tanta gente que não lembro o nome de quase ninguém – minha memória não é das melhores – ele estava irradiando alegria e isso me contagiou, eu estava mais animada do que quando ganhei o meu primeiro box da primeira temporada de Game of Thrones – e isso significava muita coisa.
Depois que as aulas começaram eu não vi mais o Adam, mesmo nós dois fazendo o mesmo curso com diferença de apenas 2 anos, era quase impossível encontrar a mesma pessoa duas vezes naquele lugar – era enorme. As 4 primeiras aulas passaram rápido, afinal, eram assuntos que eu gostava, saí da sala e fui até o refeitório – tentei ir até o refeitório – eu comecei a andar em círculos e não sabia pra lado ir.
“Ei” ouvi a voz de alguém atrás de mim “você tá perdida?” me virei e vi uma menina um pouco mais alta que eu de cabelo platinado.
“Ah oi” disse sem jeito torcendo o lábio “talvez sim” eu forcei um sorriso.
“Percebi” ela riu “é a terceira vez que você passa aqui” ela riu e eu continuei sem jeito “pra onde tá indo?”
“Eu estava indo almoçar” encarei meus pés por um segundo.
“Eu também, vem comigo, tem uma ótima lanchonete aqui” ela disse ainda sorrindo.
“Obrigada” eu sorri de alívio e segui pelo campus.
“Gostei da sua camisa” ela observou me fazendo olhar para minha camisa também.
“Gosta de The Kooks?” perguntei surpresa, não conhecia muitas pessoas que gostassem de The Kooks.
“Conheço algumas músicas” contou e continuamos andando.
“Esse lugar é realmente imenso” eu suspirei e ela riu de canto.
“Você se acostuma” ela tranquilizou “o que você está estudando?”
“Arquitetura e você?”
“Arquitetura também” ela disse e parou “chegamos”.
Era igual a uma praça de alimentação do shopping, só que ao ar livre, com muitas lanchonetes e quiosques e pequenas pracinhas com bancos que você podia sentar e conversar. Fomos até a lanchonete mais próximas e compramos nosso almoço e sentamos naquelas mesas que parecem de piquenique e começamos a comer.
“Então, qual o seu nome?” perguntei depois de dar um gole no meu refrigerante.
“Rose Lee” ela respondeu com a mão na boca, pois ainda estava mastigando.
“Rosalie?” confirmei.
“Não, não” ela sorriu e engoliu a comida “Rose Lee” ela disse pausadamente e eu concordei com a cabeça “e o seu?”
“Mayne Brummemkamp” disse olhando pro meu sanduíche dando outra mordida em seguida.
“Sobrenome legal” eu acenei com a boca cheia.
Depois de almoçar eu e Rose Lee voltamos para a sala e assistimos o resto das aulas. Ela era nativa de Jacksonville e seu pai era professor de cálculo na JSU por isso ela conhecia aquele lugar como a palma da mão. Assim como eu, ela estava começando a universidade e acho que essa era a única coisa que visivelmente tínhamos em comum. Ao sair do campus encontrei Adam e a nova amiga dele – Sasha Mcgrover – ela era hippie com dreadlocks nos cabelos e brincos de penas, ela era realmente exótica e assim como Adam, divertida. Voltamos juntos pra casa.
À noite meus pais ligaram pra saber como tinha sido o primeiro dia, conversamos um pouco – eu estava com saudades de casa – e aposto que escutei a minha mãe choramingando do outro lado da linha. Deve ser difícil ver suas duas únicas filhas saindo de casa. Mas isso faz parte da vida.
Depois de desligar o celular deitei de bruços na cama e comecei a navegar na internet, pesquisando algumas coisas que os professores passaram, já deveria ser por volta das 10 da noite. Meus olhos começaram a pesar.
*Campainha toca*
Eu desperto e me pergunto quem seria a essa hora, ajeito o pijama pra levantar e ir abrir a porta, mas escuto os passos da Ziena indo até lá, mesmo assim levanto e coloco a cabeça do lado de fora do quarto, espero um pouco e vejo Ziena voltar correndo com uma cara de espanto.
“O que foi?” pergunto assustada saindo do quarto.
“O Paul...” ela fala e a voz falha “ele acabou de sofrer um acidente de moto” ela disse com lágrimas ameaçando cair.
“Como assim? Agora?” pergunto sem entender.
“Foi. A Tessa veio aqui de carro, eu vou com ela para o hospital” ela pegou a bolsa dentro do quarto e saiu apressada.
“Qualquer coisa, me liga” eu disse antes que ela batesse a porta.
Depois de um choque desses, eu volto e me sento na cama – agora que eu não vou conseguir dormir, então peguei o celular e disquei o número de Adam.
“Pabst aqui” ele fala assim que atende.
“Adam? Sou eu, May” falo.
“Eu sei que é você, Kamp. O que foi? Deu saudades de mim?”
“Não seja idiota. Você soube do Paul?” pergunto aflita.
“Ele saiu daqui a uns 20 minutos, por quê?”
“Ele acabou de sofrer um acidente, Adam” falo calma.
“O QUÊ?” ele grita.
“Calma, a Tessa passou aqui em casa agora e ele e a Ziena foram pro hospital” tentei acalma-lo.
“Mas como isso aconteceu?” ele ainda estava aflito e ouvi a voz de outra pessoa no fundo do telefone.
“Eu não sei, liguei pra você pra saber se você sabia de algo”.
“Você sabe em que hospital ele está?” perguntou.
“Acho que onde a mãe da Tessa trabalha” palpitei.
“Okay, o Sam tá aqui em casa e nós estamos indo pra lá”.
“Qualquer novidade, me liga” lembro.
“Ligo sim, não se preocupa” ele disse notavelmente mais calmo “Vamos Sam” ouvi ele dizer antes de desligar a chamada.
Larguei o celular e me encostei na cabeceira da cama, passei as duas mãos pelos meus cabelos bagunçados e olhei pro teto “o que eles estavam fazendo numa segunda feira a noite na casa do Adam?”
–x-
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