Por Ela Nosso Amor Renasceu
17 Tia Karina?
Notas iniciais
Quatro meses depois...
Quatro meses depois Karina e Pedro estavam vivendo um sonho em que qualquer pessoa, qualquer pessoa mesmo, gostaria de estar vivendo.
Pedro começou a trabalhar em uma escola de musica para crianças em outro bairro e pelo jeito doce e brincalhão com que tratava os pequenos já tinha um salario invejado pelos funcionários mais antigos que ali trabalhavam. Karina também estava trabalhando com crianças e ensinando a elas uma coisa que adorava: lutar. Gael disse à filha que abriria uma turma com alunos mais novos e queria que ela fosse à professora deles, mas Gael não especificou a idade destes alunos.
– E ai filha? Pronta pra conhecer sua nova turma?- Gael e Karina estavam na porta da academia conversando.
–Eu nasci pronta- Karina e Gael entram na academia ainda conversando e veem a turma de Karina sentada no tatame.
–Eles são meus alunos?- Karina pergunta para o pai com uma cara de surpresa.
–Sim, eles são seus alunos- Gael diz sorrindo- Eles têm entre cinco e oito anos. Boa sorte.
As crianças olhavam admiradas para Karina que ainda estava surpresa por ter que lidar com aquela verdadeira turminha.
–Você e a nossa nova professora?- uma menina perguntou a Karina.
–Si... Sim, eu sou professora de vocês-Karina ainda estava surpresa e se embolou um pouco para responder.
–Mas você e muito nova pra ser nossa professora- outra criança se pronunciou, agora um menino- Você deve ser da mesma idade da minha irmã mais velha.
–Verdade- a menina que fez a pergunta volta a falar- Todos os professores que eu tive foram, pelo menos, vinte anos mais velhos que você.
–O que esta em discussão aqui não e a minha idade, mas sim de vocês. Quero que vocês me falem seus nomes e idades, por favor.
As crianças obedeceram a Karina na mesma hora. Eles, mesmo sendo muito novinhos, tinham resposta pra tudo. Eram oito crianças, quatro meninos e quatro meninas, que se apresentaram um por um. Pablo e Vitor eram os mais novos, ambos com seis anos, e também eram irmãos gêmeos não idênticos. André era a típica criança mimada que só fazia o que queria e com oito anos era o mais velho da turma de Karina e ela logo que o viu, sentiu que teria problemas com ele em especial. Lucas era o mais quieto e o mais romântico também e quando Karina olhava pra ele se lembrava de Pedro.
Depois que os meninos se apresentaram as meninas tomaram a frente. Lívia tinha sete anos e foi à primeira das meninas a se apresentar, ela era um pouco desajeita e quando se levantou para se apresentar acabou tropeçando e todas as crianças começaram a rir dela, mas Karina logo os repreendeu e continuou com as apresentações. Luísa e Vitoria também eram irmã e com apenas um ano de diferença, uma com sete e a outra com oito, eram muito competitivas entre elas o que deixou Karina animada, mas, ao mesmo tempo, preocupada. A ultima menina a se apresentar foi Ana, uma menina que deixou Karina encantada. Ana era a mais durona das crianças, mas ao mesmo tempo tinha um olhar triste.
Depois das apresentações Karina começou a aula e viu que todas as crianças tinha bastante força de vontade e queriam mesmo estar ali.
– Lucas levanta um pouco mais a perna pra chutar- Karina corrigia as crianças verbalmente ou elas se corrigiam sozinhas, mas ela percebeu que Ana estava com um pouco mais de dificuldade pra fazer o exercício que lhe foi ensinado- Ana, coloca mais força nesse braço.
–Eu não consigo, meu braço esta doendo- a menina estava visivelmente com dor e Karina começou a se preocupar.
– Me deixa ver- a menina estava com uma camiseta e quando Karina levantou a manga da mesma viu um hematoma grande no braço da menina- Nossa Ana, quem fez isso com você?
–Ninguém, eu cai da escada da minha casa- a menina abaixou a cabeça. Karina percebeu que a menina estava mentindo, mas não quis prolongar o assunto.
– Eu vou passar um remédio pra diminuir um pouco a dor e como esta no fim da aula você pode ficar sentada ate sua mãe chegar- Karina disse tranquilizando a menina.
Depois de meia hora a aula de Karina termina e aos poucos os pais das crianças vão chegando para busca-las.
–Ana, cadê a sua mãe?- Karina estava sentada na porta da academia com a menina.
–Eu não sei tia Karina, ela nunca se atrasa pra nada- a menina estava igualmente preocupada com a demora da mãe.
–Oi galera bonita- Pedro vai ao encontro de Karina- E ai esquentadinha, vamos fazer a ultra? Eu estou louco pra saber se nos vamos mesmo ganhar uma menininha.
–Eu tenho que esperar a mãe da Ana chegar- Karina responde ao namorado.
Pedro, Karina e Ana conversaram por alguns minutos ate que um carro parou em frente a eles.
–Vamos embora garota- um homem alto e careca sai de dentro do carro.
–Quem e você?- Karina pergunta desconfiada
–Pode deixar tia Karina, ele e meu pai- a menina tenta tranquilizar Karina.
–Mas sua mãe não disse que o seu pai vinha te buscar- Karina explica- Eu só posso te entregar pra ela.
–Eu tenho a autorização da mãe dela pra vir busca-la- o homem diz de maneira grosseira e mostra um pedaço de papel com a assinatura da mãe da menina.
–Ta bom, eu vou liberar ela hoje, mas a partir de amanhã ela só sai com outra pessoa se a mãe dela me ligar pra avisar- Karina disse recebendo um olhar mortal do pai de Ana. Ele sai puxando a menina pelo braço e colocando a menina dentro do carro.
–Esse cara e esquisito pra caramba- Pedro comenta.
–Verdade- Karina diz com olhar distante.
–Que foi?- Pedro pergunta.
–Sei lá. Na aula a Ana reclamou que estava com dor no braço e quando eu fui ver tinha um hematoma bem grande, mas ela me disse que caiu, mas eu acho que não foi isso- o tom de voz de Karina era preocupado o que deixou Pedro curioso.
–Será que ele bate na menina?- ele pergunta.
– Eu não sei, mas pelo jeito que ele tratou ela, podemos dizer que ele não e o pai mais amável do mundo- Karina responde.
– Deixa pra lá amor. Vamos logo pra consulta se não nos não chegamos a tempo- Pedro leva Karina ate o carro do pai e seguiu com ela para o consultório do doutor Marcos.
Fale com o autor