Por Ela Nosso Amor Renasceu
30 O Começo De Uma Nova Vida
Notas iniciais
Mais dois meses se passaram depois da confusão da gravidez de Bianca. Ela tinha feito as pazes com João e até feito amizade com Mia. As coisas pareciam bem calmas e normais na família, mas a calmaria não era o forte dos Duarte.
–Mesmo com essa barriga enorme você insiste em ficar andando por ai né- disse Allegra para a irmã mais velha- Você já esta com nove meses Kari. Não pode ficar rodando por ia.
–Você esta parecendo até o Pedro falando sabia?!- Karina sorri- Eu não aguento ficar em casa sem fazer nada. Você acredita que até a água eu não posso pegar sozinha.
–Claro que acredito- as duas sorriem- Ta muito quente aqui fora Karina, vamos entrar?
–Vamos sim sua chata- Karina se levanta e depois volta a se sentar com a mão na barriga- Que estranho.
–O que foi irmã?- a menina pergunta preocupada- É muito teimosa! Eu falei que você tinha que ficar em casa.
–Calma menina, foi só uma pontada de leve- ela disse tranquilizando a irmã- Eu já estou bem. Vamos?
As duas voltam para a casa e a menina coloca a irmã no quarto e desce para jogar vídeo game. Karina passa a tarde lendo e esquece que havia combinado de sair com Bianca.
Ligação ON
Karina: Manaaaaa.
Bianca: Eu sabia que você ia se esquecer.
Karina: Eu sei. Foi mal, mas eu prometo que amanhã a gente vai ta bom?
Bianca: Agora não precisa mais, a Dandara já veio comigo.
Karina: Foi mal mesmo. Desculpa ta?
Bianca: Desculpo sim, mas agora eu tenho que ir. Quando eu chegar eu dou uma passada ai.
Karina: Ok! Tchau.
Ligação OFF
Karina desliga o telefone, mas não volta a ler. Ela sente uma vontade estranha de ir ao banheiro, mas não dá tempo de chegar.
–Não é possível! Xixi na roupa e humilhação demais- ela pensa.
Mas aquilo não era xixi ou pelo menos não parecia. Ela começa a se sentir estranha, as pontadas voltam e ela se curva na ponta da cama. Ela não acreditava. Havia chegado a hora. Sua filha iria nascer. Karina tenta se arrastar até a porta do quarto para descer a escada, mas a dor não permite então a única coisa que ela faz é gritar por Allegra. Em vão. A menina estava com o som muito alto para escutar os gritos desesperados da jovem. Ela só poderia voltar para cama e esperar que alguém fosse ajudar. Meia hora ela esperou e nada da menina subir para ver como ela estava.
Allegra estava quase na ultima fase do jogo. Tiros, bombas e os gritos dos personagens. Um clássico jogo de guerra. Passou bastante tempo jogando até se levantar para beber um copo d’água. Ela pausou o jogo e escutou um grito que gelou a espinha. Era Karina. Nunca havia escutado a irmã gritar assim, pedindo socorro e correu até ela e ficou desesperada. Os lençóis cheios de sangue e a jovem suando e gritando muito.
–Você vai ficar parada ai me olhando?- Karina pergunta ofegante.
–Eu vou ligar pra ambulância- ela disse se virando e saindo pela porta.
–Allegra, Allegra, não vai dar tempo- diz Karina vendo a menina ficar mais nervosa.
–Você realmente espera que eu faça um parto, Karina?- a jovem assente com a cabeça- Mas eu nunca fiz isso. Como eu vou fazer?
–Nunca se é muito nova pra aprender- diz Karina tentando controlar a dor- Aaaaaah Allegra, faz alguma coisa.
–O que você quer que eu faça?- ela disse chorando. Estava nervosa. As duas estavam.
–Liga pro Pedro e manda ele vir pra casa agora e vai procurar ajuda.
A menina corre para o primeiro andar da casa e vai à direção do telefone, mas nem precisa ligar. Pedro abre a porta e vê Allegra ajoelhada ao lado da bina do telefone, escuta os gritos da mulher e se desespera.
–Allegra, o que aconteceu?- ele fica desesperado.
–Ela vai nascer Pedro- diz Allegra, mas Pedro fica imóvel- Pedro, você ta me ouvindo cara? Sua filha vai nascer.
–Em qual hospital?- Pedro anda de um lado pro outro- Pra que hospital levaram ela?
–Se não fosse pelo nervosismo eu diria que você ou é retardado ou surdo- ela diz sarcástica- Ela está lá em cima gritando igual a uma gralha.
–E você ta aqui ainda fazendo o que?- a menina não entende- Vai chamar ajuda menina.
Pedro sobe as escadas correndo e encontra Karina na cama chorando, quase sem forças e fica mais desesperado. Ela estava a mais de uma hora sentindo dores, tentando não fazer força para que a filha não nascesse enquanto ela estivesse sozinha e quando viu o noivo na porta pode respirar mais aliviada.
–Graças a Deus você chegou- ela disse pare ele.
–Eu nunca deixaria minhas duas borboletas sozinhas- ele disse beijando a testa dela- Será que vai dar tempo de chegar ao hospital?- ela disse que não- Então vamos resolver isso.
Pedro foi correndo lavar as mãos, subiu na cama e pediu para que Karina fizesse força. Nunca tinha feito ou visto um parto, nem mesmo na TV porque desmaiava quando via sangue, mas algo o fez ganhar uma carga de coragem naquela hora. Era pela filha que ela fazia aquilo.
Karina fazia o máximo de força que conseguia, mas nada do bebê nascer, até Pedro estava preocupado com a demora. O bebê nem tinha coroado ainda.
–Pedro... Eu não vou conseguir. Eu não aguento mais- Karina disse quase sem forças.
–É claro que você vai conseguir- ele disse- Você é a pessoa mais forte e determinada que eu conheço.
Com os incentivos de Pedro, Karina volta a fazer força e depois de algum esforço ela escuta um choro alto e estridente. O melhor som que ela escutou na vida. Pedro levanta a criança na altura do olhar da mãe que chorava de alegria. Quando a ajuda chegou à menina estava enrolada em uma toalha no colo dos pais que olhavam para ela maravilhados. Levaram mãe e filha para o hospital, fizeram todos os exames. A saúde da pequena estava ótima.
–Ana Sofia Ramos Duarte; 3,900Kg; 51,7cm e uma saúde de ferro- Pedro diz todo bobo atrás do vidro da enfermaria do hospital.
–A bebê mais linda do mundo- diz Gael orgulhoso- Parabéns Capiroto.
–Minha sobrinha- Allegra, Tomtom e Bianca dizem em uníssono.
–De fato uma bebê linda- disse o doutor Marcos- Parabéns pela linda filha e também pelo ótimo trabalho que você fez com o parto. Se vocês tivessem vindo ela poderia ter nascido na estrada. O que seria mais perigoso.
–Valeu doutor- ele agradece ainda não acreditando no que fez.
–Bem, eu só vim dizer que a Karina já pode receber visitas.
Todos foram para o quarto onde a jovem estava. Cansada, mas feliz, isso que definia Karina naquele momento, mas o que mais a deixava feliz era saber que poderia ver a filha crescer. Ela, durante toda a gravidez, havia tido o medo de morrer assim como sua mãe, mas nada aconteceu. Todos esperavam ansiosos a chegada da princesa da noite. Ana Sofia.
–Boa noite!- uma enfermeira chega com um embrulho branco e lilás nós braços- Venho trazem aqui a estrelinha do hospital. Ela já conquistou todos aqui.
–Minha borboletinha- disse Pedro enquanto a enfermeira colocava a filha em seus braços- A mais linda de todas.
–Me deixa pegar ela Pedro- Karina estende os braços.
Pedro entrega o bebê para a mãe. Ela era como Karina imaginava em seus mais profundos e lindos sonhos. Os ralos e finos cabelos cor castanho-dourado, os grandes olhos azuis-acinzentados que pareciam uma imensidão onde até o mais experiente explorador se perderia, dez dedos nas mãos e nos pés e o rostinho mais redondo e fofo do mundo. Imaginem uma mãe realizada e feliz. Era Karina naquele momento só que multiplicada por mil. Uma felicidade que não cabia no peito.

–A joia mais linda do universo inteiro é você- Karina disse baixinho no ouvido do bebê, que sorriu para ela.
O mesmo olhar.
O mesmo amor.
Que era pequeno para o mundo, mas suficiente para elas...
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