Por Ela Nosso Amor Renasceu
23 O Anjo
Notas iniciais
No caminho para o hospital Allegra acordou e começou a chorar de dor novamente. Karina estava no banco traseiro do carro com a criança para tentar acalma-la.
–Ai Karina, ta doendo- cada lagrima que caia do rosto da irmã o coração de Karina ficava mais apertado.
–Calma meu amor, a gente já esta chegando- Karina tentava conter o choro e o desespero para não assustar a menina- Vai mais rápido pai, pelo amor de Deus.
–Eu tenho que ir devagar porque a cada vez que o carro balança ela grita mais de dor- Gael explica! Ele também estava desesperado pelo que estava acontecendo.
A dor era tão forte que Allegra começou a bater as pernas na porta do carro que quase se abriram algumas vezes. Depois de alguns minutos eles chegam ao mesmo hospital em que Karina avia sido internada há alguns meses e a mesma cena pareceu se repetir: Pedro com Allegra nos braços e a menina gritando de dor, os médicos vindo socorrer por causa dos gritos e os médicos barrando todos na porta da sala.
Meia hora se passou desde que levaram Allegra para a sala de exames e todos aviam chegado, todos mesmo, a academia e a Ribalta unidas por um bem maior: levar energia positiva e fé para aquele lugar afim de que o xodó de todos ficasse bem o mais rápido possível.
–Nunca vi esse lugar tão cheio na minha vida- duas enfermeiras estavam conversando na recepção- Me explica pra que tanta gente?
–Pelo que me contaram e por causa de uma menina que deu entrada aqui há uma meia hora- a outra enfermeira explica- Eu sei que são duas escolas: uma de luta e outra de artes que ficam no mesmo lugar. Parece que a menina e filha do dono da academia e de uma das professoras dessa escola de artes, ela estava dormindo na casa de uma das irmãs mais velhas e acordou com dor, desmaiou e trouxeram-na pra cá e quando o pessoal soube vieram atrás.
–Essa menina e realmente muito amada- a enfermeira afirma com um sorriso no rosto.
Na sala de espera...
–E esse medico que chega pra dar noticias- Dandara andava de um lado para o outro tentando se acalmar.
–Dandara, para de ficar andando de um lado pro outro isso vai te fazer mal- Gael tentava fazer com que a esposa se sentasse, mas não obteve sucesso.
–Minha filha esta lá dentro daquela sala sozinha e não posso fazer nada- de repente Dandara desmorona e começa a chorar.
–Ela nem e sua filha de verdade- sabe aquela hora que um lugar esta muito barulhento e quando você vai falar besteira fica tudo quieto de repente? Foi exatamente o que aconteceu com o João.
–O que você disse?- Gael se dirigiu ao enteado.
–Esse ai sempre perde a oportunidade de ficar calado- Bianca reclama para Ruiva.
–Eu não acredito que você disse isso numa hora dessas garoto- Dandara repreende filho mais velho.
–Mas eu não menti. Nem sei por que você preocupa tanto com ela se nem sua filha ela é- João afronta a mãe.
–Ela e tanto minha filha quanto você é- Dandara responde.
–Para com isso cara! Sei que você só cria ela e fala que ela e sua princesa essas coisa porque o Gael a adotou, você só aceitou pra não afronta-lo.
–Sinceramente eu não sei onde errei com você João- a cara de decepção era visível- Você esta passando dos limites.
–Sou estou falando a verdade- João aumentava mais o tom de voz.
–Isso e verdade só na sua cabeça- Dandara também aumenta o tom de voz- Isso tudo por causa de ciúmes.
–Parece que você da mais atenção pra ela do que pra mim que sou seu filho de verdade- as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto do adolescente.
–Eu dou atenção pra quem precisa- Dandara responde- Você não acha que a vida da Allegra e difícil demais?!
–Mas eu sou seu filho- o grito de João ecoa por todo hospital.
–Por você ser meu filho deveria ter um pouco de consideração pela Allegra- Dandara volta a falar- a Alle perdeu a mãe de uma maneira horrível, morou em um orfanato por três meses e você fica dando uma de mimadinho por ciúmes? Eu tenho vergonha de você! Um menino desse tamanho, mas não tem nenhum tipo de consideração pelo próximo.
João não disse nada, apenas saiu porta afora batendo os pés, mas ninguém o seguiu nem mesmo Pedro que era seu melhor amigo.
Depois de algum tempo o medico que estava cuidando de Allegra chegou para dar noticias da menina.
–Família da paciente Allegra Duarte?- a medica anuncia a paciente e se assusta com a quantidade de pessoas que se levantam- Todos vocês são da família da menina?- a medica pergunta recebendo um aceno positivo de todos com a cabeça.
–Prazer doutora, meu nome e Gael Duarte, sou pai da Allegra- Gael vai na direção da medica e a cumprimenta- Tem noticias as minha pequena?
–Tenho sim! Sua filha teve um caso bem grave de apendicite aguda- enquanto a medica explica o que a menina tem as feições mudaram de preocupação para desespero- Ela vai ter que ser operada o mais rápido possível...
–Operada?- todos dizem uníssono.
–Sim, operada! O apêndice dela se rompeu! Se fosse um simples caso de apendicite poderíamos usar uma técnica nova e menos invasiva, mas com a o apêndice foi rompido a cirurgia e mais indicada.
–Essa cirurgia e muito ariscada?- Karina pergunta.
–Toda a cirurgia e arriscada ainda mais em crianças, mas a cirurgia de apêndice e simples. Consiste apenas na retirada do órgão e a limpeza interna para evitar infecções. A retirada do órgão não vai interferir em nada na vida dela, a única lembrança que ela vai ter da cirurgia e a cicatriz que fica por ela ser um pouco grande- a medica explica- Não se preocupem com ela! Ela esta em boas mãos.
Aquilo não avia acalmado em nada o pessoal que esperava, apesar de que a doutora, que se chamava Diana, ter garantido a todos que a menina estaria bem. Diana trouxe os protocolos e permissões que teriam que ser assinados por Dandara e Gael e depois foi para a sala de cirurgia.
Karina ligou para os amiguinhos da menina avisando o que tinha acontecido. Todos ficaram abalados! Mas a reação de Miguel emocionou Karina de uma forma inexplicável.
Ligação ON
–Oi Miguel! Tudo bem?
–Tudo sim Karina! A Alle ta ai?
–E sobre ela que eu quero falar!
–O que aconteceu com ela K?
–A Alle esta entrando agora na sala de cirurgia.
–Mas por quê?- voz de choro.
–Ela esta com apendicite e precisa operar pra ficar boa.
–Mas, mas.
–Calma, não precisa chorar assim.
–Eu vou ir para o hospital agora.
–Não precisa meu amor.
–Eu preciso dizer pra ela o quanto eu a amo.
Ligação OFF
Depois de falar com o menino Karina voltou desolada e pediu para que todos fizessem uma corrente de oração para dar forças à menina.
Na sala de cirurgia...
–Essa menina esta pior do que eu pensava- Diana estava operando a menina.
–O coração dela parou doutora- um dos estagiários que estava monitorando a menina.
–Vamos Alle! Não me deixa na mão agora- a medica diz bem baixinho- Reanimação!
P.O.V Allegra.
Sabe aquela historia que todos falam? Que quando você esta prestes a morrer passa um filme na sua cabeça sobre a sua vida? Foi exatamente isso que aconteceu comigo! Lembrei de momentos bons que nunca deveria ter esquecido e momentos ruins que deferia ter esquecido, mas que não esqueci. Lembrei da minha mãe, dos meus amigos, da minha família nova, do Miguel e de tudo o que tinha se passado nesses meus dez anos de existência na Terra.
Quando pensei que aquele era meu fim apareceu pra mim um anjo que disse que minha missão na Terra ainda não tinha terminado e que eu ainda tinha muito trabalho a cumprir. É aquele anjinho, aquela menina de cabelos castanho-dourado, de olhos azuis celestes e aquele sorriso encantador me deu um abraço de me disse: Volta tia Alle! Você não pode morrer ainda. Tem que me conhecer antes. Depois de dizer aquilo ela sorriu e se transformou em uma borboleta azul e saiu voando para o nada, então eu acordei!
P.O.V OFF
–Alle... Alle! Gente ela ta acordando- Miguel diz todo entusiasmado do lado da cama da menina.
–O que aconteceu? Onde eu estou?- as perguntas eram muitas.
–Você não se lembra?- Dandara pergunta chegando perto da filha e recebendo um aceno negativo- Você estava com apendicite e foi operada! Esta dormindo há quase uma semana.
–Uma semana? Tudo isso?
–Quase que a gente perdeu as esperanças de você acordar sabia?- Karina também chega perto da menina.
–Todos vocês ficaram aqui esse tempo todo?- Allegra pergunta espantada.
–Todos os dias- diz Marcão.
–Todas as horas possíveis- falam Jade e Cobra em uníssono.
–E quando não estávamos aqui, estávamos em casa, rezando por você- diz Bianca.
–Vocês são a melhor família que uma pessoa poderia ter- um abraço coletivo tomou conta da menina e deixou emocionados as pessoas que estavam do lado de fora da sala espiando pelo vidro.
–Desculpa atrapalhar esse momento tão lindo, mas Allegra chegou a hora de ir pra casa- Diana chega bem na hora do abraço.
–Muito abrigada doutora- a menina agradece.
–Foi um prazer cuidar de você! Que Você tenha uma vida muito iluminada viu?!- Diana se despede da menina e vai embora.
–Vamos pra casa!- Gael disse com um sorriso no rosto.
Quando saíram da sala todos foram aplaudidos de pé por todos os médicos, residentes e enfermeiras daquele hospital.
Allegra era um verdadeiro milagre!
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