Por Ela Nosso Amor Renasceu

33 Dia Tennso, Porém Feliz


Notas iniciais
Oi oi meninaaaaas. Volteiiii👏👏👏👏👏 Como foram de festas de fim de ano? As minhas foram legais, divertidas, simpáticas. Tirei um curto período de férias, mas voltei com um capítulo fresquinho pra vocês. Espero que gostam Boa leitura!

As semanas foram se passando aos poucos. Ana estava se adaptando bem a família Duarte Ramos. A única coisa que não agradava a menina era quando o mestre Gael gritava com quem quer que seja porque fazia ela se lembra de quando o padrasto gritava com ela.

O processo de guarda que Karina e Pedro tinham aberto para ficar com a menina corria bem devagar. O advogado havia avisado que seria assim, mas aquilo estava desestabilizando um pouco o humor da família, principalmente o de Karina. Um dos momentos mais tensos era quando eles eram intimados a ir até o concelho tutelar para que Ana e o casal passassem pela avaliação semanal. A maioria delas era bem tranquila, mas a daquela tarde de sexta-feira seria a mais tensa e estressante de todas. A psicóloga e assistente social que iria entrevista-los naquela semana tinha a má fama de ser seria e fazer qualquer pessoa confessar até os piores segredos.

–Ingrid está esperando vocês dois na sala- a secretaria veio avisar o casal.

–Ela não vai conversar com a Ana primeiro?- Pedro pergunta e a secretaria percebe o nervosismo.

–Não precisa ficar com medo dela não. Ela só morde se você colocar o dedo na boca dela- a jovem disse sorrindo.

O casal se entreolhou, deu um beijo na testa da menina e entrou de mãos dadas na salinha no final do corredor amarelo e estreito do prédio.

Pedro imaginava encontrar uma bruxa com um caldeirão enorme que iria entupi-lo de doces para que engordasse e virasse um maravilhoso ensopado com batatas e cenouras. Assim como na famosa historia do casal irmãos. Mas o que viu foi um alivio desesperador. Na sala não havia um caldeirão, muito menos doces ou uma grande lareira alimentada por bengalas de açúcar. Na sala somente tinha uma mesa com duas cadeiras vazias e uma outra que já estava sendo usada. Na cadeira de frente para a porta havia uma pequena mulher sentada. Ela deveria ter um pouco mais de um metro e meio, curtos cabelos lisos em um estilo "chanel", uma bolsa tão grande quanto a da Mary Poppins e se vestia como Jo Frost ( Supernanny Inglesa), mas o que chamou mais a atenção dele foi uma grande berruga que ela tinha no nariz. Era tão grande que parecia ser um alongamento de seu pequeno nariz. Ele ficou encarando a mulher por alguns segundos até que sentiu seu braço arder.

–Ai- ele gemeu baixinho.

–Para de olhar- Karina disse abaixando o braço discretamente. Havia beliscado o noivo.

–Para de olhar você- ele retruca.

–Não estou olhando- ela responde e ele a olha com o cenho franzido.

–Vocês não vão se sentar?- ela pergunta com uma voz um tanto estridente.
Os dois dão alguns passos e sentam nas cadeiras vagas.

–Bem, meu nome é Ingrid e sou eu que vou acompanhar o seu caso a partir de agora- ela disse inexpressiva.

–E... O que aconteceu com a Doutora Olga?- pergunta Karina com certa cautela.

–Olga se ausentou por motivos de doença na família- ela responde, ainda fria e sem expressão- Vamos começar senhorita Karina Duarte e o cavalheiro Pedro Ramos?

–Claro- eles concordaram em uníssono.

–São casados?- ela perguntou e eles negaram com a cabeça.

–Ainda não marcamos a data- responde Karina.

–Tem filhos?- ela pergunta sem olhar para eles.

–Sim, temos uma menininha de quase 7 meses, Ana Sofia- Pedro responde orgulhoso.

–Parecem ser bem novos. Qual é a idade de vocês?- ela volta perguntar.

–Eu tenho 21 e ele 22- Karina e quem responde.

–Trabalham?- Agora ela olha Pedro nos olhos.

–Somos professores- eles responderam em uníssono e sorriam.

–Em qual área atual?- ela volta a perguntar.

–Eu sou professor de música em 3 escola e em um projeto social e ela da aula de muay thai na academia do pai dela e em um ginásio- Pedro responde sorrindo, mas a cara da mulher faz ele murchar.

–Uma coisa que não entendo, se vocês já tem uma filha e vivem tão bem com ela, porque querem adotar?- Karina ficou confusa com o tom da pergunta. Em sua cabeça uma assistente social quer, mais que nada, encontrar um lar para crianças órfãs.

–Cof cof- com o silêncio incomodo, Pedro limpa a garganta para responder a pergunta- Nós temos um carinho muito grande pela Aninha. Ela é um doce de criança. Nos apegamos muito.

–Entendo...- depois da resposta ela volta a anotar em um caderninho que trazia com ela.

A entrevista segue na mesma atmosfera calma, porém assustadora. Depois de alguns minutos de conversa exaustiva, Pedro e Karina saem da sala para que Ana pudesse entrar.

–Olá mocinha- diz a assistente social para a menina que está sentada em um banquinho com uma boneca na mão- Meu nome é Ingrid, prazer em conhece-la.

–Prazer- ela responde tímida.

–Vamos começar?- a mulher perguntou, agora sorrindo.

–Claro- Ana respondeu, também sorrindo.
–Como você conheceu a Karina e o Pedro?- a assistente pergunta.

–A tia Karina é minha professora de luta e o Pedro é marido dela- a menina responde com o olhar inocente.

–Você gosta deles?- Ingrid faz outra pergunta, mas esperava que a menina demorasse a responder.

–Claro que sim- ela afirma- Eu nunca vi pessoas tão legais quanto eles.

–O que você mais gosta neles?
–Eles são divertidos, carinhosos, e apaixonados um pelo outro- ela responde- Minha mãe sempre disse: onde há amor, há uma família feliz.

Ingrid se sentiu tocada com as palavras da menina. Ela foi a primeira criança em anos que tinha certeza do que queria. A menina não ficou nem um pouco nervosa ou assustada com a situação, muito pelo contrário, ela se manteve serena.

Quando a conversa terminou, Ingrid se despediu da menina e disse que ela poderia ir ao encontro do casal. Já na porta, Ana se virou e faz um pedido a pequena senhora.

–Dona Ingrid- disse ela chamando a atenção da mais velha- Eu nunca tive uma família de verdade sabe. Eu sempre vivi com medo e eu sei que se eu ficar com o Pedro e a Karina eu nunca mais vou me sentir assim.

–Já que é isso que você quer- disse a mais velha com um sorriso que foi retribuído pela menina.

–Até qualquer dia Dona Ingrid- Ana acena e sai sorrindo.

A volta para casa foi silenciosa. Quase nenhuma palavra foi trocada entre a menina e o casal. Talvez por nervosismo ou pelo lado de não ter Ana por perto caso a assistente social não gostasse deles.

Quando chegaram na praça, Pedro foi logo na direção da casa do sogro buscar a filha. Ele estava exausto.
–Como foi com a assistente social?- Gael perguntou como fazia todas as vezes.

–Estressante- o guitarrista respondeu cabisbaixo- Sei lá Mestre, não to levando fé não.

–Porque você diz isso?- o mais velho pergunta confuso- Vocês pareciam tão alegres e seguros de que ia dar certo.

–A conversa com a mulher foi tão... Sei lá... Desconfortável- ele coçou o topo da cabeça- Parece que ela não gostou muito da gente.

–É só impressão sua. Acredite- disse Gael dando dois tapas nas costas do genro e entregando Sofi para ele- Vai dar tudo certo. Você vai ver.

–Valeu sogrão- Pedro sorri e vai embora.

Pedro desce as escadas com a filha nos braços, passa pela praça, que está estranhamente vazia para uma sexta-feira a noite e quando chega em casa já encontra Karina e Ana de pijama, sentadas no sofá e vendo um filme.

–Oi, amor de mãe- diz Karina quando vê o sorriso da filha cruzar a porta no colo do pai.

–Oi maninha- diz Ana para a bebê que sorri. Karina e Pedro de olham também sorrindo.

–Vem ver filme com a gente papai- com a filha nos braços, Karina imita a voz de uma criança.

–É mesmo, vem papai- Ana diz empolgada e nem percebe que chamou Pedro de pai.

–Só vou tomar um banho e já venho- ele demora um pouco para raciocinar e subiu a escadas ainda um pouco bobo pelo que tinha ouvido.

Pedro foi correndo tomar banho querendo voltar logo para junto de suas meninas. Colocou um pijama e desceu se juntando a elas.

Os três viram um filme qualquer que estava passando na TV e que na metade as duas meninas já estavam dormindo. Pedro ficou olhando as duas crianças dormindo serenas. Nunca pensou amar tanto alguém que conhecia a tão pouco tempo.

–Vamos colocar elas na cama- disse Karina esfregando os olhos.

Os dois subiram com as duas meninas. Karina com Sofi, Pedro com Ana. E assim foram. Colocaram as duas, cada uma em sua cama e eles foram para a própria cama.

–Você não sabe como eu estou feliz- Pedro disse sorrindo já deitado na cama esperando Karina se deitar.

–Eu tanto imagino como estou me sentindo feliz igual- diz Karina saindo do banheiro.

–Nossa pequena família- diz ele.

–É... nossa pequena nem tão pequena assim-ela responde.

–Sabe o que eu quero agora?- ele perguntou vendo ela se deitar ao seu lado.

–O que?

–Um menino e um cachorro- com a resposta, Karina arregala os olhos.

–Olha só, um cachorro até que vai, mas outro filho. Agora? Sem chance- ela responde e ele faz bico.

–Mas porque?

–Já temos duas. Não acha muito trabalho ter outro?

–É... Mas o cachorro ainda está de pé, né?- ele pergunta e ela sorri.

–Amanhã a gente conversa sobre isso- ela responde.

–Não estou nem com um pingo de sono- ele sorri malicioso.

–Eu também não, sabia?- ela retribui o sorriso.

–Que tal fazermos algo mais... interessante?

–Concordo plenamente.

Dois se beijam a o clima esquenta cada vez mais.

A noite estava só começando para eles.