Os raios da manhã invadiam as janelas dos corredores do hospital, Sasuke ainda se encontrava sentado em uma das cadeiras de madeira, estava apreensivo. Não conseguira fechar os olhos nem por um segundo, porém seu corpo era incapaz de se sentir cansado.

A conversa que tivera com Tsunade ainda queimava em sua memória, cada palavra lhe aterrorizava cada vez mais. Passava a mão pelos cabelos negros, tentando refrear tudo o que estava sentindo, mas nada adiantava.

_Senhor Uchiha?_ Perguntou uma enfermeira, se aproximando do moreno.

_Eu mesmo._ Disse Sasuke, levantando-se em um pulo.

_A senhorita Haruno acaba de acordar e deseja vê-lo._ Disse a enfermeira, com um olhar cansado. _Me acompanhe.

Sem dizer qualquer coisa, Sasuke a seguiu até o quarto onde Sakura estava internada. Antes que percebesse, já estava parado diante de uma porta branca de madeira. Estava paralisado, não conseguia se mover.

_Está tudo bem?_ Perguntou a enfermeira, notando o estado dele.

_Sim._ Respondeu Sasuke, respirando fundo.

_Vou deixa-los sozinhos._ Disse a enfermeira, se afastando.

Bateu na porta e só a abriu quando ouviu a voz fraca de Sakura lhe pedindo para entrar.

_Como você está?_ Perguntou Sasuke, sentando-se na cadeira que estava perto da cama.

_Estou bem._ Respondeu Sakura, tentando disfarçar a fraqueza que sentia.

Sakura estava pálida, seus lábios estavam arroxeados e secos pelo ar-condicionado. Seus olhos estavam fundos como se não dormisse há muito tempo e seus braços estava carregado de marcas de agulhas.

A imagem daquela mulher doente, na sua frente, derrubara Sasuke de uma forma que ele não compreendia. Vê-la daquele jeito, naquele estado, era simplesmente inaceitável.

_Por favor, não me olhe assim._ Pediu Sakura, com os olhos tristes.

_Por que não me contou?_ Perguntou Sasuke, tentando conter a raiva que queimava no seu peito.

_Porque eu queria te poupar._ Respondeu Sakura, abaixando a cabeça.

_Me poupar?_ Perguntou Sasuke, levantando-se inconformado. _Parar o tratamento era sua forma de me poupar? Quase morrer nos meus braços era sua forma de me poupar? Então, por favor, não me poupe de mais nada.

_Você não entende._ Disse Sakura, secando as lágrimas que teimavam em descer pelo seu rosto.

_O que eu não entendo?

_Que eu sempre te amei, desde o primeiro dia no Ensino Médio, quando você entrou na mesma sala que eu. Eu te amei desde o momento que você me salvou naquele beco. EU SEMPRE TE AMEI!_ Disse Sakura, entre soluços. _E quando você finalmente me chamou para sair, depois de quatro anos de paixão platônica, eu quase não acreditei. O problema é que eu já sabia da doença e não queria que sentisse pena de mim, eu te amava tanto que não iria suportar seu olhar de piedade. Eu decidi parar o tratamento porque eu já me sentia bem, eu tinha decidido aproveitar cada segundo que me restava ao seu lado.

Sasuke caminhou até a janela, todas aquelas coisas estavam explodindo na sua cabeça, precisava respirar. Abriu a janela e ficou ali, parado, sentindo a brisa da manhã.

_Mesmo antes da gente começar algo, eu já estava conformada de que iria morrer, mas... Mas, depois que você me beijou tudo mudou. Eu não queria morrer... Eu não quero morrer._ Disse Sakura, chorando.

Antes que percebesse, Sakura sentiu seu corpo ser aprisionado nos braços fortes de Sasuke, o cheiro de sândalo invadiu suas narinas e sentiu a respiração acelerada dele atingir seu pescoço.

_Eu não vou te deixar morrer._ Disse Sasuke, aprisionando-a em seu peito.

Podem ter sido poucas palavras, mas aquilo para Sakura significou muito, era a prova mais verdadeira de que o Uchiha a amava e ela sabia disso agora.

De forma exasperada, Tsunade invadiu o quarto de Sakura, sem nem ao menos ter batido na porta. Estava ofegante e tinha um sorriso pleno no seu rosto.

_Sakura, você está salva!_ Gritou Tsunade, segurando as mãos da paciente.

_Como assim?_ Perguntou Sakura, confusa.

_Nós... Nós conseguimos um coração._ Disse Tsunade, sorrindo. _Você fará o transplante de coração.

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