Por Acaso.
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Segui-o até o escritório como um cachorro com o rabo entre as pernas. Sinceramente? Havia mesmo me chateado – e muito – com Chris, mas eu não podia ir embora e deixar tudo por isso mesmo, tanto por mim quanto por ele. Por que, apesar de ele estar sendo o ser mais ignorante da história comigo, ele me chamou para o seu escritório ou seja lá o que for. Sem contar que aquele era o lugar especial dele, nem Ana havia entrado lá antes... Certo, vamos parar de enrolação. Chris entrou e segurou a porta com uma das mãos, me dando passagem para entrar. Assim o fiz, observando tudo a minha volta: as paredes eram de um branco impecável, todos os móveis da sala eram pretos. Uma mesa de centro, várias estantes repletas de livros cobrindo três das quatro paredes e, na outra, várias guitarras penduradas, provavelmente apenas de enfeite.
– Você ainda toca? – perguntei, apontando para as guitarras na parede. Deviam ser umas sete.
– Só quando estou triste, eu acho. Não tenho muito tempo pra tocar, já que passo grande parte do meu dia escrevendo... – ele comentou, a expressão inabalável.
Se sentou numa poltrona de couro e apontou a outra à sua frente, para que eu me sentasse também. Em cima da mesa havia uma pequena cafeteira, e ele serviu duas xícaras de café. Me sentei, ainda naquele estado de “cachorrinho obediente”.
– Você escreve sobre o que? – perguntei, dando um gole no café lotado de açúcar.
– Escrevo romances. As vezes baseadas em coisas que eu já vivi, as vezes baseadas em histórias que eu vejo na tv... Já escrevi um sobre você, mas não tive coragem de publicar. – Chris sorriu, a fumaça que saía da xícara deixando seus olhos escurecidos.
Como já era previsível, senti minhas bochechas com uma leve ardência. Eu corava com muita facilidade desde que era uma criança, mas isso havia se acentuado com o tempo. Encarei minha xícara de café e peguei mais um cubo de açúcar para jogar nele. Sim, eu era meio que viciado em doces. Levantei os olhos para olhar para Chris, e ele não havia tirado os olhos de mim por um segundo sequer.
– Posso ver?
– O que? – ele perguntou, arqueando levemente a sobrancelha.
– O livro, idiota. – sorri, dando outro gole no café.
Chris riu baixinho e se levantou para pegar o livro numa das estantes. Assim que ele parou em frente a estante mais afastada, perto da janela, não demorou nada para encontrar o livro. Ele já sabia onde estava, havia lido ele muitas vezes... Suspirei, excluindo esse pensamento da minha cabeça. Chris estava praticamente casado, Arthur idiota, não queira estragar tudo isso por uma paixãozinha antiga. Chris voltou e me entregou o livro, era preto com riscos dourados que pareciam feitos à mão.
– É como um diário, não achei que fosse bom publicar isso. – ele murmurou, pegando a guitarra que eu havia o dado e plugando num amplificador, afinando-a até que ficasse do jeito que desejava. Começou a tocar algumas notas quaisquer, provavelmente alguma composição que eu havia perdido com o passar dos anos. Abri o livro e fui passando os dedos de leve pelas páginas, parando para ler apenas algumas frases.
– Conta a história de um garoto que se apaixonou pelo melhor amigo, mas era um amor não correspondido. O garoto tentou demonstrar seu amor algumas vezes, mas o outro era idiota o suficiente para nunca reparar. Nem ao menos percebia quando o boboca apaixonado ficava o observando dormir. Sério, ele era um idiota completo. – Chris sorriu, e eu não sabia o que falar. “E o garoto que antes mal percebia, agora está apaixonado”, pensei. Claro que não diria isso. Não sabia o que dizer.
– Senti sua falta. – murmurei, ainda olhando para o livro.
– O quê? – Chris perguntou, mas provavelmente ele havia ouvido.
– Senti sua falta. – repeti, um pouco mais alto.
– Diga isso olhando para mim, só acredito olhando para os seus olhos.
Levantei a cabeça devagar, engolindo em seco e olhando para Chris. Por que eu estava fazendo tudo isso? Cara, eu era um idiota, só me machucaria dessa forma.
– Eu senti a sua falta, Christopher. – disse, agora olhando naqueles olhos tão familiares.
Eu não sabia o que esperar depois de ter dito aquilo, mas certamente não esperava que Chris ficasse me encarando por minutos. Ele estava imóvel como uma estátua, mas eu podia ver uma pequena veia saltando abaixo do seu olho. Aquilo acontecia quando ele estava pensando muito... Ou quando estava irritado. Ele ficou me encarando e respirou fundo algumas vezes, enquanto eu continuava em silêncio. Não me atreveria a falar e levar um soco no meio da cara. Quando eu já estava ficando incomodado com o silêncio, Christopher mexeu os ombros levemente, e parecia que toda aquela armadura de cara durão havia se desfeito. O antigo Chris estava de volta.
– Também senti sua falta, idiota.
Não tive tempo de responder, estava surpreso o bastante para continuar calado quando Chris esticou a perna por cima da poltrona, apoiando os braços na mesa e se inclinando até mim. Seus olhos coloridos estavam nebulosos de desejo, e os lábios entreabertos vinham na minha direção. Eu não me mexi, não ousava fazer um movimento sequer. Chris, que agora estava ajoelhado sobre a mesa, segurou o meu queixo com força e me beijou. Aquele beijo que eu esperei por anos, finalmente... Passei minhas mãos pelo seu pescoço, sentindo os fios longos e negros nas pontas dos meus dedos. Eu não sei como ele fez aquilo, mas Chris consegui me puxar e me deitar sobre a mesa, ficando em cima de mim. E não, ele não parou de me beijar nem enquanto fazia isso. O beijo era intenso, cheio de desejo e saudade. Nossas línguas se enrolavam em um movimento único, como em uma valsa sensual e deliciosa. Chris se afastou, ofegante, e eu comecei a me desesperar.
– Não pare, por favor... – me ouvi sussurrando, o que fez o garoto abrir um sorriso travesso.
Ele começou a beijar o meu queixo, meu maxilar, meu pescoço. Não, ele não estava apenas beijando o meu pescoço. Mordia e chupava minha pele, o que provavelmente deixaria uma marca. Mas de que importava? Eu apenas mordia o lábio para impedir um gemido, aquilo tudo era inacreditável. Chris passou as mãos pela minha barriga, subindo até os botões pretos da minha camisa. Abriu um por um, enquanto seus lábios continuavam ocupados no meu pescoço. Até que alguém bateu na porta.
– Querido, você está aí? Nós já vamos cortar o bolo... – uma voz feminina falou. Ana.
Chris arregalou os olhos, tirando os lábios do meu pescoço rapidamente. Ele engoliu em seco, enquanto eu continuava estático. Além de se sentindo uma merda, é claro.
– Já vou, Ana. – ele gritou, a voz grossa e com um toque arrogante.
Ana não respondeu, apenas podemos ouvir seus sapatos batendo sobre o piso de madeira. Chris voltou a me encarar, ainda em cima de mim.
– Você podia ter aparecido antes de eu engravidar alguém, seu idiota.
– Eu sei... – murmurei, desviando o olhar.
– Por que veio atrás de mim? Devia saber que algo do tipo aconteceria e eu me meteria numa puta de uma confusão.
– Não vim atrás de você, simplesmente te encontrei. – eu sorri, passando os dedos pelo seu rosto, vendo-o fechar os olhos – Acredita em destino, Christopher?
Notas finais
Não sei se vai ter lemon nessa fic, provavelmente não. Eu me enrolo muito escrevendo lemon e não vejo necessidade nenhuma. '-' Mas vou pensar no caso de quem pediu. u_u ♥
(desculpem por qualquer erro, meu office tá com frescurinha e não vou ter tempo de revisar o texto)
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