Por Acaso.

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Mais um capítulo curtinho, obrigada por lerem e prometo que o próximo será maior. ♥

– É um prazer te conhecer também, Christopher... – eu praticamente sussurrei, ainda perdido em pensamentos.

Será que Chris estava apenas fingindo ter me esquecido ou algo do tipo, como a mais cruel forma de vingança? Eu não sei se considerava essa uma coisa boa ou ruim, mas nem tive muito tempo para pensar antes que ele saísse de perto de mim novamente, e se acomodasse na cadeira ao lado de Ana. Eu ainda estava sentando, e assim permaneci até que sentisse minhas pernas firmes novamente.

– Sabe, querido, não seria uma boa idéia Arthur vir à sua festa de aniversário? Faltam poucos dias e quanto mais gente melhor! – Ana disse, toda sorridente. Talvez ela houvesse esquecido de que eu estava ali, pela forma como falava. Chris se virou para mim, e eu tive certeza de que o comentário da esposa não lhe era um dos mais felizes.

– É claro. Não tem nada de estranho em convidar um desconhecido para a minha festa de aniversário. – ele deu um sorriso irônico, e eu decidi intervir.

– Sabe, ahn, obrigada pelo convite Ana, mas eu tenho algumas coisas pra fazer... Acabei de chegar aqui, ainda devo ter um monte de coisas pra fazer até me adaptar. – será que era muito óbvio que eu estava inventando desculpas?

Ana olhou para Chris e fez cara feia, mas não foi nada de tão ruim. Muito pelo contrário, os dois pareciam um daqueles casais que só existem em filmes, onde até por trás das brigas existe um amor maior que o mundo. Chris revirou os olhos e encarou a geladeira vermelha da cozinha, preferindo qualquer coisa do que encarar a esposa.

– Arthur, você está mais do que convidado. Se não tiver nada melhor pra fazer, dê uma passada aqui pra se divertir, conhecer seus vizinhos. – Ana deu um pequeno sorriso – A festa é depois de amanhã, começa às cinco da tarde.

– Certo, qualquer coisa eu apareço por aqui. – dei um sorriso sem graça, já me levantando para sair. Havia passado muito tempo aqui. Mais tempo do que eu conseguia agüentar com Chris me olhando daquela forma.

Peguei as minhas sacolas no chão e Ana deu um pequeno sorriso, se levantando e me levando até a porta de entrada. Depois que ela abriu e eu saí, deu um sorriso tímido, falando baixinho.

– Desculpe por Chris, ele não está num dos seus melhores dias... O seu livro favorito foi rejeitado por todas as editoras que ele enviou, e ele está de mal humor... De péssimo humor. – ela passou a mão na nuca, me encarando – Mas ele é um cara legal, e seria legal se você voltasse.

– Vou fazer o possível.

Eu sorri, agradeci pelo café e Ana me agradeceu pela ajuda. Ela era realmente uma garota fantástica, e eu estava feliz por tê-la conhecido. Só não estava feliz por ela ser esposa de Chris. Porra, quando eu finalmente o encontro, ele está casado? E o pior, nem se lembra de mim! Respiro fundo e percebo que ainda estou na entrada da casa de Ana, ela me encarando um tanto confusa. Aceno para ela, constrangido, e começo a ir em direção ao portão de saída. Depois de finalmente sair daquela casa, vou praticamente correndo para o meu apartamento. Eu preciso pensar. Preciso me livrar dessa angústia inesperada que agora estava cravada no meu peito. Por que eu havia ficado assim? Não sentia nada de mais pelo Chris, isso era óbvio. Estava com saudades dele como amigo, e foi ridículo ele não ter me reconhecido.

Abri a porta do apartamento com cuidado e entrei, voltando a fechá-la. Coloquei as sacolas do mercado em cima da mesa, tirando apenas alguns lençóis e um travesseiro que eu havia comprado. Troquei o forro da cama e joguei o travesseiro velho do outro lado do quarto, me deitando. De maneira alguma eu iria àquela festa, nem pensar. Mas, de certa forma, eu queria rever Chris e fazer com que ele me reconhecesse.

– Porra, estou parecendo aquelas garotinhas do colegial.

Me levantei, irritado. Eu definitivamente deveria pensar em outra coisa. Então, por que não limpar o apartamento? Troquei de roupa e parti pro trabalho, queria desviar a minha mente para algo mais útil. Peguei todas aquelas roupas mofadas do guarda-roupas e coloquei-as em sacos de lixo, limpei todos os móveis e passei um pano molhado no chão uma, duas, três vezes. Talvez até mais, queria aquele chão brilhando. Coloquei toda a comida que havia comprado na geladeira, e assim que o guarda-roupa estava seco guardei as minhas roupas. Pronto, estava tudo arrumado e mal haviam se passado três horas. Bem, pelo menos já estava anoitecendo e eu finalmente iria dormir depois daquela longa viagem. Fui até a geladeira e peguei uma lasanha no congelador, colocando-a no forno por poucos minutos até ficar pronta. Me servi em um prato e comecei a comê-la, estava morto de fome. Assisti TV, terminei de comer e então fui tomar um banho, antes de cair na cama, exausto, e ser invadido por um longo e profundo estado de sono.