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12 Capítulo 12: Blame.


Notas iniciais
até que enfim nossa querida dems voltou pro twitter né...............

Point of view: Demetria.

Os olhos de Selena mantinham-se presos no meu pulso recém-cortado enquanto eu observava em silêncio o peito da garota subir e descer indicando que estava chorando. O brilho dos olhos dela não estava ali naquela madrugada. Eu estava cansada, fraca e meu corpo implorava por uma cama, mas saber o quão decepcionada/magoada ela havia ficado me fez sentir o ser humano mais inútil do planeta. O silêncio ainda permanecia, era tudo o que nós tínhamos naquele momento. Eu tentei sorrir para quebrar o clima, mas ela simplesmente desviou o olhar do meu pulso e manteve o mesmo fixo nos meus olhos enquanto as lágrimas escorriam teimosas pela lateral do rosto delicado.

- Eu não posso acreditar nisso. – a cabeça dela se moveu de um lado pro outro em tom negativo –

— Eu sinto muito por... Isso. – disse me referindo ao corte ainda aberto no meu pulso – Sinto tanto que estou na chuva, na porta da sua casa as 03:41 da madrugada contando a você coisas que não contei nem ao meu empresário.

— Demi... Você não precisa se explicar, mas eu não consigo entender! – eu abaixei a cabeça deixando o ar que eu prendia em meus pulmões sair pela boca – O que te levou a fazer isso? Sério... Você não precisava vir até aqui se desculpar, se foi isso o que você veio fazer.

— É, eu... Bom, quando eu vi o Joseph me ligando e ele me disse sobre a revista, eu meio que não dei à mínima, e o Jonathan, meu empresário, ele me ligou perguntando o que era e eu só disse que eram pulseiras apertadas demais. Mas quando eu vi o seu número, foi como um choque de realidade. Você não está interessada só em promover um filme idiota, ou em me levar em turnês mundiais que durem metade do ano. E por mais que metade de todos os meus amigos diga que você só se aproximou de mim por interesse e fama, eu consigo acreditar na outra metade que acredita nos seus sentimentos e dá apoio para eu deixar você fazer parte da minha vida. Então, quando eu vi o seu número eu me senti na obrigação de levantar de onde eu estava, recuperar forças que eu nem tinha e vir até a porta da sua casa te pedir desculpa.

Foi impossível conter o choro que antes estava preso em minha garganta, e praticamente desabei na frente de Selena. Escondi o rosto entre as mãos numa tentativa de abafar o som alto do meu choro, mas senti os dedos finos tocando meu pulso, me fazendo virar o rosto para vê-la melhor e me surpreendi ao ver que o olhar reprovador havia desaparecido e agora algum outro tipo de sentimento dominava a garota. Não consegui identificá-lo, mas percebi ser intenso o suficiente para me manter ali parada enquanto Selena parecia tentar me decifrar. Eu esperava três coisas dela: esperava que ela me odiasse, milhares de perguntas e por último, mas não menos pior, esperava que ela entrasse e me deixasse do lado de fora sem nada dizer. Exatamente o que eu não esperava mas precisava aconteceu. Os braços frios me envolveram num aperto totalmente protetor, o simples gesto fez com que as lágrimas começassem a rolar com ainda mais intensidade em meu rosto. Será que ela estava com tanta raiva ao ponto de me abraçar e não ficar enjoada? Ou será que ela havia superado as limitações físicas dela quanto a mim apenas para me confortar? Preferi acreditar na segunda opção. Um de meus braços ficou entre nossos corpos e por isso consegui sentir o coração da garota bater forte e acelerado dentro do peito, o que inesperadamente fez meu coração acelerar também. Nunca imaginei, em toda a minha vida, que encontraria tantos sentimentos e emoções diferentes pelo simples contato com uma garota. Repreendi a mim mesma pelo pensamento pervertido que me tomou quando senti o soluço de Selena (que também estava chorando) fazer com que nossos corpos tivessem um leve roçar na região dos seios/barriga. Pela primeira vez em quase seis meses eu pensei nela de uma forma diferente, e aquilo me incomodou. Não por ela, eu estava perfeitamente confortável naquele abraço e não tinha a menor intenção de me afastar, mas por nós duas sermos garotas. De forma alguma eu poderia ultrapassar os limites da amizade com ela, e não queria aquilo. Tentei desviar os pensamentos para outra coisa, e o único jeito de fazer aquilo era falando.

- Me desculpe por decepcionar você. – eu sussurrei no ouvido dela –

— Não foi decepção. Foi medo. Medo de acordar um dia e ver no jornal da manhã que você tinha sido encontrada morta. – eu fechei os olhos me concentrando melhor na voz doce dela, que agora soava um pouco rouca –

— Eu não estou tentando me matar.

E eu realmente não estava, mas sabia que se fosse longe demais, não me importaria

- O que você está fazendo então, afinal?

- Fugindo. – admiti –

- De quem, Demi? – ela se afastou do abraço para me observar melhor –

- De mim.

- E por quê? – o rosto dela voltou a ficar transtornado – Por que um garoto foi idiota o suficiente pra te abandonar? Por favor, Demi! Você é perfeita!

- Não, eu não sou. – suspirei pesadamente entre um soluço e outro –

- Bem, você não se conhece. Ou não se vê como deveria. Existem milhões de pessoas que dariam tudo para ter você, você percebe isso?

- Isso não significa que eu seja bonita, ou tenha o corpo bonito. – estremeci ao me lembrar do motivo pelo qual meu pulso estava aberto –

- Por Deus! – ela soltou meu corpo, levando as duas mãos até a cabeça – Quem fez você acreditar em todas essas coisas? Isso é ridículo! Desculpe-me, mas você precisa de mais autoconfiança, Demi. Seu corpo é... – ela pareceu pensar em alguma palavra – Maravilhoso.

— Pensa isso do meu corpo? – ergui a sobrancelha ao abaixar a cabeça e passar o olhar em mim mesma de uma forma diferente –

- Claro! Quer dizer... – virei para ela e pude ver o rosto ganhar uma tonalidade de vermelho sob as lágrimas recentes – Ele é muito atraente. É.

- Eu... Hm, obrigada. – respirei fundo – Eu preciso ir, mas nos vemos na festa, certo?

- Certo.

- Até lá então.

Notas finais
daqui a pouco eu posto a festa-a-a-a-a, e adivinhem *o* primeiro beijo o/