Pop Star - Uma Estrela No Céu
20 Contrato fechado!
No fim do dia Rick estava me esperando na porta da escola. Hoje eu estava bem mais arrumada que no dia anterior, eu estava com um vestido florido, com um estilo despojado que combinava com meu All Star cano médio. Thays me ajudara a fazer uma trança em meu longo cabelo, e a combinação ficou muito boa.
Ramonn não parecia mais chateado comigo, parecia estar conformado de que por enquanto não sairíamos pela noite.
Quando encontrei Rick ele parecia preocupado.
– Estamos atrasados. – ele disse.
Entrei no carro às pressas.
– É longe? — perguntei.
– Não. Mas o dono da gravadora é muito ocupado, ele só está na cidade porque eu insisti muito. Ele tem uma empresa da gravadora aqui, mas a sede é em São Paulo, e o vôo dele de volta pra lá é as 22:00.
– Por que não me disse? Eu teria saído mais cedo. – eu disse.
– Tudo bem, vou pisar fundo. — ele disse rindo.
Dessa vez Diego não estava com a gente.
– Diego vai? — perguntei.
– Ele está esperando lá. Vai tocar a musica pra você cantar.
– Ok. Eu quero contar pra vocês no que deu a historia de ontem. – eu disse.
– Era isso que eu ia perguntar. – disse Rick.
***
Alguns minutos depois chegamos à gravadora. Diego nos esperava na porta.
– O senhor Micael está ansioso. – ele disse. – Vamos.
Entramos no lugar. E era bem agradável. Tinha uma sala de espera, havia um grande sofá e varias poltronas e um balcão para a recepcionista.
Tive vontade de pular em uma das poltronas mas me contive, eu devia ser uma profissional competente. Esse pensamento me fez rir.
Rick nos arrastou até o balcão pra falar com a moça.
– Oi. Sou Rick Fortinelli, marquei uma hora com o Micael.
– O senhor Micael está esperando pelo senhor na sala de gravação. – a moça respondeu.
Ela nos guiou até a sala de gravação. Lá haviam mais poltronas, uma pequena sala de vidro, no centro havia um microfone, pendurado no microfone havia um fone enorme.
Fiquei maravilhada com o lugar, mal percebi que perto da mesa de edição de áudio havia um homem.
Micael era alto, corpulento, muito forte, mas em seu rosto havia uma expressão doce. Ele era negro e careca, sua careca era tão careca que chegava a refletir a luz das lâmpadas.
Ele percebeu nossa presença e se levantou da poltrona em que estava lendo o jornal.
– Boa noite. – disse Micael.
– Boa noite. – disse Rick e apertou a mão de Micael. – Estes são Diego e Annelise.
Micael nos olhou cautelosamente, um olhar severo, eu diria. Mas logo depois a expressão voltou a ficar doce.
– Boa noite, meninos. O Rick me falou muito bem de vocês. Espero que façam valer a pena o meu tempo.
Seu rosto endureceu novamente.
– Bom, vamos ver o que vocês sabem fazer. – disse Micael.
Diego tirou o violão da capa e entramos na sala de vidro.
Diego sentou no banco no fundo da sala, e eu me posicionei em frente ao microfone.
– No três. – Diego sussurrou. E contou baixinho.
Quando a melodia começou a soar fiquei nervosa. Eu precisava cantar para Micael,e se ele não gostasse eu não ia assinar com sua gravadora.
Ouvi a melodia. Sol maior, ré menor. Era minha deixa.
“Sempre que me olho no espelho
Vejo uma coisa que não sou
Escurece os meus sonhos
Meus desejos de amor.
Sempre que penso em uma coisa que não devo
Sempre faço coisa errada
Nunca pensei que fosse te dizer
Mas estou apaixonada.
Quero escrever um poema
Com tudo que tenho pra te dizer
Quero escrever um poema
Com tudo que sinto por você
Você é minha luz
A estrela que me conduz
Você é o meu sol a brilhar
Quer faz meu coração acelerar
Você é minha luz
A estrela que me conduz
Você é o meu sol a brilhar
Quer faz meu coração acelerar.”
O tempo inteiro fiquei com os olhos fechados, e quando a musica finalmente acabou tive que abri-los. Fiquei com medo de ver uma carranca no rosto de Micael, fiquei com medo dele dizer pra Rick que ele o fez perder tempo.
Mas quando abri os olhos, Micael estava sorrindo.
Rick estava sorrindo.
Olhei para Diego e ele estava sorrindo.
Naturalmente quando se vê tantos sorrisos, uma pessoa sorri junto, mas eu não conseguia. Meu rosto estava travado.
Rick nos chamou para onde ele estava com Micael. Eles se sentaram nas poltronas, Diego estava encapando seu violão de volta, então me sentei perto de Rick.
– Então. – disse Micael me olhando. – Você quer ser cantora?
– Sim, senhor. Quero muito. – respondi timidamente.
– Olhe para mim, Annelise. – ele disse firme.
Não tive outra escolha. Levantei o rosto para encará-lo.
– Você tem uma voz poderosa. Um timbre absurdo para alguém que nunca teve treinamento. – disse ele. – Mas você é tão jovem...
– Ela vai se dedicar muito. – disse Rick.
– E o rapaz? — perguntou Micael olhando para Diego.- Também canta?
– Não, senhor. – respondeu Diego o encarando amigavelmente. – Eu precisaria de muito treinamento para cantar tão bem quanto Annelise. Eu toco violão desde que tinha 6 anos. Mas não é o único instrumento que eu toco.
– Bom. Você toca bem. A música é sua ou de Annelise ?– disse Micael.
– A letra é dela, senhor, o ritmo também, só fiz tocar a melodia. – disse Diego.
– O que pretende com eles, Rick? — disse Micael.
– Lizzie será a cantora, a estrela. E Diego prefere fazer parte da banda dela tocando guitarra e violão. — disse Rick.
– Diego se sairia bem num solo instrumental. – argumentou Micael.
– Sim, mas não é isso que ele quer. – disse Rick .
– O que você quer, rapaz? — disse Micael a Diego.
– Quero tocar na banda da Lizzie. – disse Diego.
– Contrato fechado então. Vou deixar a papelada assinada, amanhã tragam seus pais aqui, se forem menores de idade, para assinar os documentos, e depois de amanhã vou acertar com Rick a viagem de vocês. Quero a Annelise em São Paulo para gravarmos o videoclipe.
– Boa sorte, moça. – disse Micael para mim.
Ele apertou nossas mãos e foi embora.
O momento foi tão feliz que eu não conseguia dizer nada. Abracei Rick, e Diego nos abraçou.
Eu ia gravar um videoclipe no fim de semana. Ah, meu Deus! Eu não conseguia acreditar!
Rick me sacudiu de leve. Era hora de ir comemorar.
***
Estávamos eufóricos e felizes, nós conseguimos! Fechamos o contrato com a gravadora, agora era questão de tempo até eu ter meu próprio CD.
Fomos para um restaurante perto da praia. No caminho contei para eles no que deu a história com o Ramonn.
– Então também foi um mal entendido? — perguntou Diego.
– Sim. – eu disse.
– Então a garota não estava agarrando ele, só o ajudando a andar? — perguntou Rick.
– Foi. A desgraçada da Jennifer armou direitinho. Eu não sei o que ela ganhou com isso. – eu disse inconformada.
– Gente que não consegue acender sua própria luz tenta apagar a dos outros. O que importa é que vocês conseguiram passar por isso juntos. – disse Rick.
– Fico feliz com isso, Lizzie. Espero que ele não veja problema em trabalharmos juntos. – disse Diego.
– Ele vai ter que entender isso. Não posso ignorar o que nós dois estamos construindo por causa dos ciúmes de Ramonn. – eu disse determinada.
– Ok. – disse Diego.
Chegamos no restaurante por volta das 19:50. Eu estava faminta.
Era um restaurante bem aconchegante, o cheiro de comida era muito convidativo. O garçom nos ofereceu uma mesa perto da janela. E nos mostrou o cardápio.
Rick insistiu que para comemorar com estilo deveríamos pedir lagosta e champanhe, nós concordamos. O pedido foi feito.
Depois que jantamos tiramos uma selfie na praia. Era a primeira vitória do nosso trio.
Merecia ser um dia memorável.
***
Quando cheguei em casa contei tudo pros meus pais, só faltaram explodir de tanta felicidade, contei que no dia seguinte deveriam ir comigo para assinar o contrato e a autorização da viagem à São Paulo no fim de semana.
Dormi aquela noite com medo de que tudo fosse um sonho. Mas eu sabia que não era.
Mal podia esperar pra contar pros meus amigos, para Armando, Thays e Ramonn.
Acordei com um “bibibi” no celular, uma ligação. Um numero desconhecido.
Quem diabos ia me ligar às 6 da manhã?
Só havia um jeito de descobri.
Atendi.
– Alô?
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