Notas iniciais
Aviso importante: este capitulo é narrado pelo Ramonn. Aqui estarão expostos alguns fatos que ajudarão vocês a entender ele.

MAS QUE DROGA!

Saudades do tempo em que Annelise era só minha. Me dava atenção o tempo todo, sempre estava presente nos momentos bons e ruins. Mas esses tempos acabaram, eu acho.

E agora estou aqui nessa droga de aula de história me lembrando do tempo em que conheci Annelise.

Foi na primeira série. Eu tinha acabado de me mudar para a cidade e meus pais me matricularam na mesma escola em que ela estudava. A primeira vez em que eu a vi a achei implicante, porque ela estava tentando roubar meu bolinho.

– Ei, menina, não faça isso. Esse bolinho é meu. — eu disse ficando vermelho.

– Desculpa. — disse a pequena Annelise. — Sua lancheira é igual a minha, ó.

Ela andou até a cadeira ao lado e pegou uma lancheira igual a minha e balançou no ar como se fosse um prêmio.

– Eu não trouxe bolinho. — disse ela com o rostinho triste ao abrir a lancheira.

– O que você tem aí? — perguntei.

– Biscoito de chocolate. — ela respondeu desapontada.

– Quer trocar de lanchinho?

Os olhos dela brilharam.

– Eu quero. — ela disse sorrindo, e me entregou o pacotinho de biscoito. Sorri de volta e entreguei meu bolinho a ela.

Fomos para o pátio para aproveitar a hora do recreio.Eu ainda não tinha nenhum amigo, a única pessoa com quem tinha falado era a garotinha que tentou roubar meu bolo. Então fui atrás dela.

– Meu nome é Ramonn. – eu disse.

– O meu é A-nne-li-se. – ela falou cada silaba separadamente como se eu tivesse alguma dificuldade pra entender. – Mas pode me chamar de Lizzie. – ela sorriu com os dentes sujos de chocolate.

Achei engraçado e sorri também.Queria puxar assunto.

– Você assiste Dragon Ball Z? — perguntei.

– A minha mãe diz que isso é desenho de menino. – ela disse. – Mas eu assisto sim. – ela sorriu e eu sorri de volta.

Ficamos falado sobre o desenho, mas logo acabou o nosso recreio e fomos estudar um pouco.

Algum tempo depois fiz mais amigos, mas não me afastei de Annelise, aquela garotinha de cabelos encaracolados era especial.

Na terceira série ainda estudávamos na mesma classe. Annelise era uma de minhas melhores amigas, mas apenas na escola.

Na quarta série parecia que todo mundo estava igual, no mundo masculino, claro. Mas as meninas pareciam estar em outro planeta.

Algumas apareciam com os cabelos mais lisos ou mais lambidos, outras até afinavam as sobrancelhas e usavam maquiagem, e poucas estavam com seios um pouco mais perceptíveis.

Annelise também estava mudada, os cabelos agora ficavam soltos, não mais presos em maria chiquinha. Ela tratava a maioria dos meninos com muita indiferença, mas continuava a mesma comigo

Sempre no final do ano, havia amigo secreto na escola, e naquele ano eu tirei Annelise, ajudei minha mãe a escolher para ela um grande urso de pelúcia para ela.

Quando lhe dei o presente Annelise ficou muito feliz. Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo, foi aí que me apaixonei por ela.

Durante as férias fiquei ansioso o tempo inteiro, estava louco pra voltar pra escola e rever Annelise.

E quando finalmente voltamos às aulas, tive a pior noticia de minha vida. Annelise não estava na minha turma. Fiquei muito perturbado com isso, mas ainda assim reuni forças para procurá-la nas outras turmas de quinta série. Não a encontrei em nenhuma. Fiquei tão desesperado que perguntei à professora se Annelise estava doente.

– Não, meu querido. – respondeu ela delicadamente. – A Lizzie não vai estudar aqui na escola esse ano.

Aquela era a pior noticia da minha vida! Foi como ter levado um soco no estômago.

Eu estava apaixonado por Annelise, e nunca mais a veria.

***

Fiquei triste por 3 dias inteiros. Não tinha vontade de brincar e mal comia.Minha mãe notou que algo estava errado e veio falar comigo.

– O que houve, Ramonn? — ela disse.

– A Lizzie, mamãe, nunca vou ver ela. – eu disse quase chorando.

Minha mãe riu.

– Não tem graça, mãe.

– Filho, a Lizzie só mudou de escola, ela ainda mora na cidade.

– Por que,mamãe? Por que ela teve que ir? — eu estava inconformado, e aos prantos.

– Bem, filho, os pais da Lizzie não podem mais pagar a escola, a mensalidade ficou mais cara,e eles acabaram de ter outra filhinha.

– A Lizzie teve uma irmãzinha? — perguntei enxugando os olhos.

– Sim, agora a mãe da Lizzie não pode trabalhar por causa do bebê, por isso colocaram a Lizzie numa escola pública.

– O que é uma escola pública? — eu queria saber tudo sobre esse lugar onde a Lizzie estava agora.

– É uma escola onde todos podem estudar sem pagar nada.

Fiquei tentando entender por que as pessoas pagavam pra estudar se tinha escola que podia estudar de graça.

– A mãe da Lizzie me convidou para ir até a casa dela pra ver o bebê.Você quer ir? A Lizzie pode estar lá também.

– Quero sim, mãe.

Minha mãe deixou a minha irmã mais nova com a minha vó para irmos visitar a Lizzie.Nessa época minha mãe também estava esperando um bebê, mas era uma gravidez recente.

Fomos de carro, uns vinte minutos depois chegamos à uma pequena casa.

– Isabel? — minha mãe chamou na porta.

– Oi, Helena. – respondeu a voz. – Já vou abrir.

Uma menininha de cabelos cacheados abriu a porta, mas não era a Lizzie.

– Podem entrar. – disse a menina. – Eu sou Sther.

Ela nos guiou até um quarto. Lá se encontravam uma mulher morena com um bebê no colo.

– Helena! Que bom que veio. – disse a mãe de Lizzie. – Oi, Ramonn, tudo bom? Vejo que já conheceram minha sobrinha Sther.

– Tudo sim, a Lizzie está?

– Ah, ela não está agora, foi levar uma coisa na casa da minha mãe. Mas ela volta já.

Minha mãe e Isabel ficaram conversando e paparicando a bebê.

– Qual é o nome? — perguntou minha mãe.

– É Alice.

– Ela é muito bonita.

Fiquei no canto ouvindo a conversa enquanto aguardava desesperadamente Lizzie voltar.

A porta se abriu e meu coração deu um pulo.

Era ela. Ela estava linda, fiquei tão feliz que mal consegui falar.

– RAMONN! – disse ela.

– Lizzie!!

Ela quase pulou em cima de mim pra me dar um abraço. Fiquei feliz ao abraçá-la, e mais feliz ainda quando percebi que ela estava feliz.

– Mas como a Lizzie está grande. – disse minha mãe. – Você está com quantos anos?

– 10. – respondeu Lizzie.

– Ramonn, Sther, vamos brincar lá fora.

Ficamos um tempo brincando de correr na rua, mas logo depois minha mãe disse que tínhamos que ir embora. Fiquei triste por ter que ir.

– Tudo bem, Ramonn. Nós nos vemos depois. – Lizzie me tranqüilizou.

Mas eu não a vi depois.

Notas finais
Aee, finalmente um capitulo contando os pontos de vista do Ramonn, o proximo tambem será sobre ele, sobre como a Liz voltou pra vida dele, isso vai ajudar a entender o comportamento atual do Ramonn.