Pop Star - Uma Estrela No Céu
23 Gravando!
Coloquei a jacuzzi pra encher, e isso não demorou muito. A água estava tão quentinha que tive vontade de dormir lá. Já passava da meia noite e eu não estava com sono.
Entrei no facebook e deixei mensagens pra minha mãe e pra Ramonn dizendo que eu já estava no hotel que correu tudo bem na viagem.
Mas eu estava completamente desperta. Eu sabia que devia ir dormir, pois teria um logo dia, mas eu simplesmente não conseguia pregar os olhos.
Abri o frigobar. Havia uma enorme quantidade de bebidas e doces. Muitas trufas, barras de chocolate, latas de refrigerante e garrafas de água.
Agarrei três trufas e uma garrafa de água . Sentei na cama e comecei a comer, a trufa era de maracujá. E de algum modo comecei a ficar com muito sono.
Depois da segunda mordida na trufa, fiquei com o corpo pesado. Só então li a embalagem.
“Trufa do sono. Esta trufa contem calmantes fortes, que te ajudam a ter pelo menos 13 horas de sono.”
“Droga!”, pensei.
E caí num sono profundo.
***
Acordei com o Rick me sacudindo como se eu fosse um saco de batatas. Eu ainda estava muito grogue, e ouvia as vozes como se estivessem a metros de distância.
– Ela não morreu. – falou a voz de Diego.
– Eu disse que ela estava viva! – disse uma voz desconhecida.
– Não importa, ela não está normal, vou fazer uma reclamação para o gerente! – falou Rick.
– Mas, senhor. Ela comeu uma trufa do sono, não é minha responsabilidade. – disse a voz.
– Você contou a ela sobre a trufa do sono? — disse Rick.
– Não, mas...
– Pois devia ter falado! O rapaz que levou a minha bagagem me avisou sobre isso, se não eu mesmo poderia ter comido uma! – disse Rick furioso.
– Mas está escrito na embalagem...
– Vou falar com seu gerente! – disse Rick encerrando o assunto.
Rick voltou a me sacudir.
– Lizzie! Nós vamos nos atrasar, você vai perder a gravação.
– Na verdade já estamos atrasados. – lembrou Diego – Já é quase meio dia e ela nem tomou banho, nem comeu.
Recebi um jato de água gelada na cara.
Pulei na cama afobada.
– Isso foi desnecessário. – eu disse bocejando.
– Vamos perder a gravação. – Rick gritou como uma criança mimada.
– Eu tô caindo de sono, não se consigo. – eu disse.
Rick entrou correndo no banheiro, ouvi barulho de água caindo, alguns instantes depois ele voltou, e me colocou nas costas.
– Ei!- protestei.
Ele me jogou dentro da jacuzzi,e a água estava muiiiiito fria.
– Ficou louco? — perguntei.
– Vamos logo com isso. Tome seu banho rápido, estamos atrasados. – disse Rick.
Tomei o banho mais rápido e mais estranho da minha vida. Eu tinha adormecido vestida no roupão do hotel, mas por sorte eu tinha colocado roupa de baixo.
Saí do banheiro vestida em outro roupão dois minutos depois, e Rick e Diego ainda estavam lá discutindo com o carinha que trabalhava no hotel.
Pigarreei alto.
–Ahn, desculpe, Lizzie, mas seja rápida. – disse Rick.
Os três saíram do meu quarto, eu me vesti às pressas, e acabou que nem vesti a roupa planejada. Peguei a primeira calça jeans e blusa que vi na frente.
Meu cabelo estava um ninho de ratos, peguei minha bolsinha com coisas de higiene pessoal e saí correndo do quarto.
Quando saí encontrei Diego na porta.
– Cadê o Rick? — perguntei.
– Foi pegar seu almoço, mas temos que descer agora. Ele tá lá embaixo já.
Corremos pra pegar o elevador e descemos em silêncio.
Rick estava na entrada do hotel com uma sacola nas mãos, a entregou pra mim e correu pra dentro de um carro. Diego e eu fomos atrás dele.
Já dentro do carro, abri o pacote que Rick me entregara: Meu almoço.
Fiquei muito decepcionada ao ver que ele só colocou verduras, legumes, bolo de carne e uma torta de frutas.
Olhei pra comida com uma cara emburrada.
– Se tivesse acordado na hora poderia ter escolhido seu almoço. – disse Rick me olhando pelo retrovisor.
– Não foi completamente minha culpa. Não ia adivinhar que tinha um sossega leão na trufa.
– Com isso aprendemos uma valiosa lição. – disse Rick.
– Nunca comer algo sem ler a embalagem. – disse Diego.
Os dois riram, mas eu continuei emburrada e comecei a comer os legumes.
Não estavam tão ruins no final das contas, muito melhor do que ficar com fome sabe-se lá até que horas.
A torta também estava muito boa.
– Gostou do suco? — perguntou Rick – É de maracujá.
Ele e Diego começaram a rir.
Pelo menos eles estavam lidando bem com isso, não estavam me condenando por um errinho bobo que poderia ter sido cometido por qualquer um.
Levamos quase meia hora pra chegar à gravadora. Não porque era longe, mas sim por causa do trânsito.
Assim que chegamos ao local, Rick pulou do carro e entrou correndo.
Fomos atrás dele. Na recepção havia uma mulher simpática.
– Boa tarde.- ela disse. – Nome, por favor.
– Rick Fortinelli e Annelise Ribeiro.
– Ah, vocês estão atrasados. – ela disse.
– O trânsito estava horrível. – disse Rick com preocupação.
– Tudo bem. Sala 6.
Fomos até a sala 6, e percebi que era a sala de maquiagem, Rick começou a me maquiar rapidamente, e terminou tão rápido quando começou. Uma moça pareceu para arrumar meu cabelo, ela também foi muito rápida.
Rick jogou um vestido pra mim e fez eu me vestir rápido.
Era o mesmo vestido branco que ele me mostrou no outro dia, só que agora que eu estava penteada e maquiada ficou bem mais bonito.
Fomos correndo pra uma sala completamente verde. Não tinha nada lá além de um plano de fundo verde e um piso verde.
O senhor Micael estava lá me dando instruções, haviam homens com câmeras, e outros seguravam microfones perto de mim.
– Lizzie, preste bastante atenção no que a Patrícia vai fazer. – disse Micael e apontou para uma jovem de cabelos platinados. – Ela é coreografa, você só precisa repetir os movimentos dela quando estivermos te gravando. Agora cante sua música.
Comecei a cantar e Patrícia entrou em ação, ela fazia movimentos graciosos, leves mas envolventes. Eles combinavam perfeitamente com a música e não eram difíceis de se fazer.
– Pronta? — perguntou o senhor Micael.
– Sim. – respondi.
Fiquei no centro do piso verde. Os microfones estavam perto, e a melodia começou a soar.
Comecei a cantar e repeti os movimentos de Patrícia, mas com um toque meu.
A gravação não foi tão difícil, só precisamos fazer umas três vezes, e Micael disse que juntaria as melhores partes depois.
– Ok, e a outra música? — perguntou o senhor Micael.
Meu sorriso congelou.
– Outra? — perguntei.
– Eu disse para trabalhar em mais músicas. – ele disse ficando carrancudo.
– Anh... – eu não sabia mais o que falar.
Rick se intrometeu.
– Desculpe, mas, outra música?
– Sim. Eu queria que ela gravasse pelo menos duas.
Não era preciso conhecer bem o senhor Micael para notar que ele estava ficando com muita raiva.
– A Lizzie vai cantar outra. Cante, Lizzie!- disse Rick.
– Me desculpe, estou muito nervosa, eu não me lembro de nenhuma música agora.
– Então. Faça. Uma. Agora! – disse o senhor Micael.
Olhei pra Rick desesperada.
– Faça uma música. – ele disse. – Agora, Annelise.
Fiquei irritada. De onde eu ia tirar uma música boa logo agora?
Comecei a pensar. Vamos ver o que sai.
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