Notas iniciais
Oi

Por Gabriel

Fui pra escola no dia seguinte pensando naquele beijo. Desde aquele momento não consigo tirar o beijo da cabeça. Não consigo tirar ELA da cabeça. Na verdade, desde o momento em que nos esbarramos ela é o meu único pensamento. Estranhei quando não a vi pela escola então fui direto pra sala. Também não estava lá. Apenas a Talita, a amiga dela, fui em sua direção e sentei bem do seu lado.

–Oi Talita- Cumprimentei assim que me sentei

–Ah, oi Gabriel.-respondeu, curta e triste

–Você viu a Michelle?

–Você não soube?- O que eu deveria saber? O que houve?

–O que?- perguntei apreensivo

Ela respirou fundo, como se buscasse coragem em si mesma para contar.

–Ontem a tarde ela tentou se matar. Os pais dela a encontraram no banheiro com os dois pulsos cortados e a levaram pro hospital.

Nesse momento perdi o meu chão. Comecei a ficar zonzo. Meu coração apertou... CÉUS. EU SABIA QUE ISSO PODERIA ACONTECER.

–Mas ela tá bem?-perguntei muito aflito

–Acho que sim, meu pai é o médico que tá cuidando dela e ele me disse que ela vai ficar bem.

Respirei aliviado. Logo após essa conversa a professora chegou na sala e começou a fazer a chamada. Chamou todos os nomes até chegar...

–Michelle Álvares Montenegro?

Nada.

–Michelle Álvares Montenegro?

E novamente nada

–Ela não pôde vir hoje, professora-A Talita respondeu

–Por que?

A Talita pensou um pouco até que foi até a mesa da professora e começou a falar baixinho com ela (provavelmente explicando a situação) e depois voltou ao seu lugar e a aula seguiu normalmente.

DIAS DEPOIS...

Por Michelle

Hoje era o dia que eu voltaria pra casa. Antes tivesse morrido... O inferno começaria outra vez. Aliás já começou! No dia em que eu acordei acham que os meus pais vieram me abraçar, dizer que me amam e que estavam com medo de me perder? PORRA NENHUMA! Já foram logo me chamando de vagabunda suicida. E o pior é que a partir de amanhã vou ter que fazer acompanhamento com psicólogo pelo menos duas vezes no mês. Cheguei em casa e resolvi ir direto ao meu quarto. Nada jogado. Nada quebrado. Tudo em seu devido lugar novamente. Provavelmente alguém arrumou. Fui direto ao banheiro tomar um banho gelado pra relaxar. Eu estou tão cansada de tudo! Terminei logo o banho e me deitei na cama pronta pra dormir.

Dia seguinte...

Me levantei pronta pra rotina. Dificuldade pra levantar, vestir o uniforme, e fazer todas aquelas merdas lá. E quando terminei tudo fui direto pra escola. Assim que cheguei evitei olhar pra alguém e fui direto pra sala. Só a Tatá estava lá e assim que me viu veio correndo me abraçar e me dar uma bronca por ter feito o que fiz, no meio disso ouvi a porta atrás de mim se abrir e fechar logo em seguida.

–Tatá, pode me deixar sozinho com a Michelle?

Ela assentiu e saiu. Respirei fundo e só então me virei pra ele. Sua expressão era séria e seus braços estavam cruzados. Eu esperava que ele fosse me xingar ou sei lá mas ele apenas se aproximou e segurou minhas mãos.

–Gabriel... Eu...-Fui interrompida por um abraço forte

–Eu tive tanto medo de te perder, eu sempre quero ter você. Sim eu sei que praticamente acabamos de nos conhecer mas eu não estou pronto pra te perder. Eu preciso de você-Ele dizia enquanto me abraçava e fazia carinho no meu cabelo.

Eu não sabia o que dizer e talvez nem devia. Eu só queria ficar ali... Aproveitando aquele momento... Com ele.

Narradora

Estava tudo muito lindo, muito romântico mas uma coisa eles não sabiam e nem tinham visto. Uma Talita Campos do lado de fora da sala, com lágrimas de raiva nos olhos e observando aquela cena, jurando a si mesma que faria de tudo para tornar a vida dos dois um inferno

Notas finais
Tchau