Notas iniciais
Oii

Três semanas depois...

Por Michelle

Ninguém nunca soube, nunca contei. Nem mesmo ao tio César, nem ao Gabriel, sinto tanto nojo daquilo que não tenho coragem de falar sobre. Bom, mas agora é melhor esquecer (sei que não vou conseguir) e ir para a escola. Chegando lá percebi que o Gabriel estava mais ciumento que o normal... E sempre que eu perguntava ou falava algo, ele respondia de forma seca. Ignorei, porém quando estávamos voltando para casa juntos, ele não falou comigo, não segurou a minha mão, nem nada. Resolvi que era melhor ver o que estava acontecendo

–Pode ir falando. -parei na frente dele

–O que?-ele perguntou confuso

–O que ta acontecendo com você? Tá estranho.

–Não é nada.-Ele tentou voltar a andar

–Me fala, Gabriel-segurei o braço dele

Ele parou, me olhou com uma expressão chateada e disse

–Quer mesmo saber? Pois eu vou te falar: Há três semanas você anda estranha. Não me conta mais nada. Parece que eu sou um estranho pra você!

–Me entend...-Ele me interrompeu

–E ainda por cima, tem vários meninos dando em cima de você, e você faz algo para impedir? Naaaooo.

–Eu...-Ele me interrompeu do nada

–O namoro tá cansativo pra você? Quer term...-Dessa vez eu o interrompi

–EU FUI ESTUPRADA!-Gritei e logo em seguida a lembrança daquela noite e as lágrimas vieram. Ainda bem que a rua que estávamos era deserta e ninguém além dele me ouviu gritar.

Ele piscou algumas vezes

–Oi?-voltou a falar

–Eu... Eu fui estuprada-falei mais baixo e chorando mais intensamente.

–Quem foi o desgraçado? Por que nunca me contou?-Ele perguntou

–Não importa, nunca importou-dessa vez eu que tentei ir embora porém ele segurou o meu braço

–Óbvio que importa. Me conta por favor.

–Me deixa em paz-Me soltei dele e fui para casa, assim que cheguei na porta, percebi que o Gabriel tinha me seguido pois ouvi a voz dele atrás de mim

–Por favor.-a voz dele estava baixa, triste

–Vai embora!-disse sem olhar para ele e logo ouvi passos, olhei pra trás e percebi que ele tinha ido. Queria chorar porém isso poderia ser feito mais tarde. Enxuguei minhas lágrimas e entrei em casa, meus pais e a uma tia minha que mora no México estavam sentados no sofá.

–Tia Lucero!!!-Meu sorriso foi involuntário e as lágrimas voltaram porém dessa vez eram lágrimas de emoção. Corri para abraça-la. Eu amo a tia Lucero, ela é como uma mãe pra mim. Ela é irmã da minha mãe porém ela nasceu no México e veio ao Brasil. Nunca se acostumou então assim que pôde voltou pra lá e hoje faz muito sucesso como cantora

–Oi minha carinha de anjo!-Ela falou com aquele sotaque mexicano que eu amava enquanto retribuía meu abraço-Senti tanta saudade

–Eu também tia, estou tão feliz por ter sua presença aqui... Por quanto tempo vai ficar?

Ela se afastou do abraço e me olhou como uma cara meio séria

–Então minha carinha de anjo, amanhã volto ao México.

–Mas já?-Pergunto triste

–Michelle, sente-se, vamos conversar-Disse minha mãe. Sentei do lado da tia Lucero e beeeemm longe do meu pai.-Vou ser rápida e direta: Eu e o seu pai achamos que você está tendo problemas sociais e bom, não vou perder tempo explicando. Então, estamos há 3 meses planejando isso. Já está tudo certo na sua escola e...

–E decidimos que, se você quiser. APENAS se você quiser, você pode morar comigo no México-A tia Lucero disse interrompendo a minha mãe

"Você vai ficar longe do seu pai" "Você nunca mais vai ser estuprada" Era o que a minha mente dizia "Você vai ficar longe do Gabriel" "Você o ama" Era o que o meu coração dizia. Porém a minha boca parecia escutar apenas o meu coração pois antes que eu me desse conta, meus lábios estavam se mexendo e dizendo um

–Eu quero.

–Bom, não vou mentir, estou realmente muito feliz. Vai ser ótimo morar com você, minha carinha de anjo. Vamos nos divertir muito juntas. O que acha de almoçarmos e depois tiramos o dia para arrumar suas coisas? Eu ajudo!-A tia Lucero disse super empolgada

Assenti com um sorriso fraco e depois fomos almoçar com os meus pais.

Hora vai, hora vem, terminamos de arrumar as minhas coisas era umas 18:30. A tia Lucero se jogou na cama cansada, eu ri e então ela disse

–Bom, acho que agora eu preciso de um banho e se eu fosse a senhorita faria o mesmo-ela disse sorrindo enquanto saía do meu quarto

–Ok- Eu disse e sorri, fui pegar a toalha porém lembrei do Gabriel, eu não tinha me despedido dele... Olhei meu celular, pensei em ligar mas sabia que não conseguiria ouvir a voz dele sem chorar. Então tive uma ideia, fui em direção a minha escrivaninha, peguei um caderninho e comecei a escrever tudo o que eu sentia. Tudo o que pensava, falei sobre o tamanho do meu amor, contei sobre o estupro detalhando tudo. Quando acabei, precisei lavar meu rosto pois chorar foi inevitável. Olhei as horas: 19:02. Eu precisava fazer isso hoje. Peguei um casaco, arranquei as folhas que eu escrevi e grampeei. Desci as escadas e avisei

–Vou sair, volto logo.

–Mas agora? Está um pouco tarde

–Tia, eu volto agora, prometo

–Está bem. Tome cuidado.

Meus pais nem ligaram mas a tia Lucero se preocupou. Saí de casa e caminhei até a casa do Biel. Chegando lá respirei fundo, deixei os bilhetes na caixa de correio e senti como se o meu coração estivesse sendo arrancado. Passei o dedo pela porta e as lágrimas novamente vieram, lembrei que no bilhete eu terminei o namoro e chorei mais. Lembrei que precisava ir para casa e fui embora. Chegando em casa, corri para o meu quarto peguei a toalha e fui para o banheiro. Chorei no banho e custei a parar.

Notas finais
Tchau
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.