Ponto De Vista
1 Ponto de Vista
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Rei Arthur poderia ser associado como o pai de todos. Mandão, aquele que não deveria ser contestado, aquele que deveria ser seguido e obedecido, no entanto ainda era extremamente amado e visto com idolatria pelas crianças impressionáveis que o cercava.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Rainha Guinevere, obviamente, era a mãe. Meiga e carinhosa, estava sempre disposta a ouvir os resmungos de seus filhos, principalmente aqueles em relação ao pai mandão, com um sorriso, uma palavra de incentivo e um afago, o que acalentava o coração de todos.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Sir Leon era o tio amado, aquele para quem as crianças corriam para ouvirem histórias de grandes batalhas, aquele que estava disposto a passar os seus conhecimentos com um tom de sabedoria humilde, que repreendia quando preciso e elogiava quando merecido. Aquele a quem o pai Arthur ouvia quando confessava para o cavaleiro sentir-se inseguro sobre a sua capacidade de cuidar de todos.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Sir Gwaine era o irmão mais velho fanfarrão, o brincalhão, a dor de cabeça dos pais, mas não menos querido pelos mesmos. Se você tivesse um problema, procurasse Gwaine, pois o mesmo aliviaria a sua tensão com algumas piadas, um sorriso largo e um convite para ir à taverna. Para ele não havia complicação que uma boa bebida não descomplicasse.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Sir Elyan era o tio recluso, aquele que passou anos em seu próprio mundo e que agora não se sentia à vontade dentro daquele grupo diferente, como se vestisse uma pele que não fosse a sua e tentasse entender aonde ele se encaixava dentro da dinâmica do grupo. Entretanto, quando o assunto era Gwaine, ele logo percebia qual era a sua verdadeira função ali, pois alguém tinha que olhar pelo outro cavaleiro que parecia incapaz de cuidar de si mesmo. E quando deu por si, percebeu que já havia sido integrado à eles.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Sir Percival era o primo distante, que chegou devagarinho, que era desconhecido por todos. Grandalhão, intimidava as outras crianças e por um tempo foi mantido de lado por não pertencer àquele lugar. Mas então, um sorriso desfez tudo e todos perceberam que o primo estava tão inseguro quanto eles em deixar-se levar pela inteiração daquele grupo e quando notou, já fazia parte do mesmo.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Merlin era o bebê de todos, o caçula, o irmão mais novo. O queridinho da rainha, o favorito do rei, o protegido de Gwaine, a quem o conselheiro Leon procurava por conselhos, o que fez Elyan sentir-se em casa, o que integrou Percival no grupo ao dar-lhe um sorriso caloroso de volta. Aquele por quem os previamente mencionados matariam e morreriam somente para não permitir que o brilho que existia dentro dos profundos olhos azuis se apagasse. O brilho que mantinha acesa a chama da união de Albion.
Um bom observador perceberia que aquele grupo era peculiar.
Um ótimo observador perceberia que eles eram uma família.
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