Ponto De Paz.

7 Traumas de infância e descobertas


Notas iniciais
poxa, gente, sou motivada a reviews... =/
mas tudo bem, vou continuar postando graças a minha leitora fiel que sempre comenta o capitulo novo ♥

Era uma tarde de sábado chuvosa e totalmente monótona. É incrível como o tempo às vezes retrata exatamente como você está por dentro. Não querendo ser clichê, mas é a verdade. Em tardes chuvosas eu sempre fico lendo um livro no Salão Comunal e não tenho animo para nada. E nesta não foi diferente.

Quando me dei conta já eram 15:30. Fiquei assustada já que eu estava desde às 4 horas da manhã no mesmo cômodo. Como não consegui dormir, desci e fiquei observando o nascer do sol, depois conversei um pouco com Karen e Rose. Quando cansamos de conversar elas voltaram a dormir e eu desci para ler um pouco e também colocar os pensamentos em ordem.

Eu não costumo ficar tão desanimada assim, mas em decorrência dos últimos acontecimentos você precisa disso para se reerguer melhor do que nunca.

Normalmente as pessoas me chamam de antissocial porque eu não costumo demonstrar o que eu sinto, costumo ficar fechada em meu mundo durante horas e nem perceber o impacto que isso causa nos seres que dividem o habitat comigo, mas hoje eu estava percebendo o modo como as garotas de nariz empinado ficavam me encarando, como os meninos nem conseguiam manter o contato visual comigo e até o gato da Karen tinha fugido de mim miando nervoso.

Sou adorável.

Para falar a verdade, até Rose e Karen estavam me evitando. Elas se acostumaram a me verem sempre alegre, saltitante e gritando com todo mundo, xingando James e irritando Mason, batendo no William e essas coisas... Agora elas pareciam não me reconhecer. Ei, gente, eu continuo sendo a Mari.

Fazia uma semana que eu havia sido traída. E não digo só trair por parte de namorada, não. A amizade que eu construí com Richard também havia acabado totalmente. E eu preciso de um tempo para superar. Ou acham que eu sairia gritando, batendo, pulando por aí?

E essas horas sozinha deu para minha pessoa concluir algumas coisas.

1 – eu era muita areia para o caminhãozinho de Richard.

2 – eu mereço alguém bem melhor, afinal, quem saiu perdendo foi ele.

3 – eu não sentia amor por ele, apenas uma paixãozinha que me pegou de repente.

4 – era hora de eu parar de me iludir por qualquer “oi”.

5 – James tinha razão.

Pois é, não é nada fácil admitir que estava errada.

Mas James tinha razão. Quando eu saí de perto dos dois, ele veio correndo atrás de mim querendo saber como eu estava. Acabei sendo grossa com James dizendo um:

- Não foi você que disse que não era para eu ir chorar para você depois, Potter? Então por que agora você se importa?

E ele parou no mesmo instante de correr atrás de mim, e eu segui caminho para o dormitório nervosa demais para pensar no que havia dito. Era hora de eu pedir desculpas para James. Ele não merecia ter ouvido aquilo e muito menos ter que aguentar eu descontando minha raiva e frustração em suas costas.

É sério, vocês acham que eu sou orgulhosa só porque às vezes dou uma de ogra, né? Mas eu admito quando estou errada.

Quando James entrou pelo quadro da mulher gorda eu logo me levantei e fui até ele.

- Ei, James, podemos conversar?

Ele estava rindo com os amigos, quando notou que era a minha voz ele parou de rir completamente.

- Ahn, se não for para brigar com você, Marina... Porque eu não quero brigar – ele respondeu grosso e me olhando friamente.

- Beleza.

Nós nos sentamos em um sofá mais afastado de todos, ele ficou em um silêncio desconfortável. Eu não o culpava, nós estávamos há uma semana sem conversar.

- Eu não queria ter dito aquilo – falei olhando para baixo. – Você não merecia, James.

Ele levantou o olhar ao mesmo tempo que eu levantei os meus. Estranha sintonia.

- Okay, Marina – ele falou adorável. – Não precisa se preocupar comigo.

- Mas eu me preocupo! – falei imediatamente. – Com você e a nossa amizade.

- Não parece. Você está aí, toda amuada por causa de um garoto! – ele exclamou nervoso. – E não é só um dia, é uma semana inteira. E só resolveu criar coragem para falar comigo hoje! Isso é se preocupar com a nossa amizade?

James estava sendo muito radical.

- Não, James. Eu tive que superar uma traição na cara dura, quando a Milena fez isso com você, você demorou um mês para se recuperar e voltar a ser o mesmo James que eu conheci!

- Mas eu aceitei sua ajuda, Marina. E não virei as costas para a minha melhor amiga.

James wins.

- Desculpa, James, eu não sei lidar com essas situações – admiti chateada.

Ele suspirou e sentou do meu lado.

- Só que você não precisa dar uma de durona até para mim, Marina – ele falou e me abraçou pelos ombros. – Agora vem dar um abraço no gostosão aqui, vem.

Eu então me joguei em seus braços.

- Nossa, gato, você é tão forte que parece que esbarrei em uma parede – falei brincando. Incrível como só de me resolver com James eu já estava me sentindo com mil quilos a menos nos meus ombros.

- Falo nada para você – ele disse balançando a cabeça, reprovando minha cantada.

Fiquei conversando com James a tarde inteira. Bom, foi o que eu pensei, quando eu olhei pela janela já estava escuro e havia poucos alunos no Salão Comunal. Caraca, quanto tempo que nós ficamos conversando?

Quando percebi já eram quase 23 horas.

O pessoal da Grifinória não tinha muito costume de ficar até tarde conversando lá, apenas minha turminha e eu gostávamos, por isso às vezes era cedo – meia noite – e só nós estávamos lá.

- E foi assim que eu perdi meu primeiro quati – completou James ao contar uma história de infância.

- Traumático demais? – perguntei rindo.

- Muito – respondeu, mas não riu. Em vez disso ficou pensativo. – Já que você se abriu e desabafou comigo, Mari... Acho que preciso te contar algumas coisas que aconteceram nesse meio tempo que ficamos sem nos falarmos.

Ih! Lá vem bomba.

- Pode falar.

- Chamei Renata para o baile de Halloween.

- A vadia?

- Ela não é vadia.

- Pode acreditar que é.

- Por que diz isso?

- Ela não gosta de mim, James! E nem eu dela.

Ele respirou fundo.

- É, mas eu gosto dela, Mari.

O quê? James estava brincando comigo! Ele sabe que eu não suporto ficar perto da Renata. Ela desde o primeiro ano passava esbarrando em mim e me fazendo derrubar os livros, ano passado ela tinha me prendido no banheiro feminino durante as aulas para eu perder o conteúdo de estudo... E isso porque no terceiro ano eu tinha perdido meu “bv” com o Louis, o cara que na época era apaixonada... Na verdade, é apaixonada até hoje.

E agora esse projeto de gente chamado James está me traindo!

- Desde quando você gosta? – perguntei perplexa. – Agora as pessoas gostam da outra de uma semana para a outra?

- Mari, eu preciso de uma companheira... E ela é uma garota legal, bonita e inteligente. Sem contar que gosta de mim também.

Eu então cruzei as pernas na famosa posição do índio e segurei a mão de James.

- Você sente borboletas no estomago quando a vê? – perguntei.

- Borboletas no estomago, Mari? Claro que não, só criança sente isso.

- Você consegue tirar os olhos dela quando estão juntos?

- Claro, consigo tirar os olhos, a roupa...

- JAMES, POUPE-ME DOS DETALHES SÓRDIDOS.

Ele riu sem graça e apertou meu nariz.

- Você sabe que é brincadeira.

- Você sente seu coração acelerar quando estão pertinho? – perguntei com esperanças que ainda houvesse alguma coisinha dentro dele que gostasse dela. Embora eu não gostasse, se ele queria ficar com ela teria que gostar, não é, não?

- Mari, isso é negócio de contos de fadas. Meu lance com a Renata é diferente.

Com certeza é diferente. James já é diferente dos outros por si só.

- Como é?

- Eu gosto de estar na presença dela, ela me faz rir, me diverte... Eu gosto do jeitinho que ela conversa.

Olhei inconformada para ele.

- Eu não quero ficar a vida inteira com alguém e seja esse relacionamento superficial – falei dando de ombros. – Eu quero ficar com alguém que eu realmente ame e faria tudo por ele!

- Mari, eu quero ser do departamento dos Aurores, vou ganhar muito dinheiro e preciso de alguém do meu lado para me apoiar não importando a situação.

- Escolhe o Alvo, mas a Renata, não, James.

- Mari, você está começando a ficar chata.

Olhei para baixo desapontada com James. Eu realmente esperava mais dele! Sem contar que era um cedo para construir uma família, uma vida. Ele acha que é fácil, assim...

- Olha, Mari – falou James levantando meu rosto com o dedo. – Talvez eu comece a sentir tudo isso por ela daqui um tempo, não acha?

- Não – respondi deitando minha cabeça em seu colo.

Eu estava já cansada naquela altura do campeonato. E James ainda mexendo em meu cabelo me fez cair no sono... Tinha algo diferente naquele carinho, no jeito que James o ajeitava.

Ou talvez eu estivesse apenas morta de sono.

É, deveria ser isso.