Ponto De Paz.
19 James é uma sereia?
Notas iniciais
– Quem é vivo sempre aparece! – falei abraçando Karen enquanto ela entrava no meu apartamento. – Qual é o motivo para que eu tenha o ar da sua graça em minha humilde residência, senhorita sumida?
Ela deu risada e se sentou na poltrona da sala.
– Eu estava com saudades, feiosa. Rose me contou que você está namorando James, que Scorpius foi pedi-la em namoro oficialmente na frente dos pais dela, James sofreu acidente, tem um louco ameaçando James por cartas, Rose está com crises existenciais pelo seu cabelo, ela está preocupada com você que está horrível e está mesmo, parece um zumbi!
Parei de ouvir depois da palavra: “cartas”. Na verdade, ouvir eu estava ouvindo, só não prestava atenção.
Quem era o louco que ameaçava James por cartas?
– Espera, Karen! – exclamei. – Alguém está ameaçando James?
– Sim, você não sabia?
– Lógico que não! – respondi atônita. – Vou falar agora com James! Vem comigo, menina!
Aparatamos em frente ao apartamento de James, toquei a campainha incessantemente e ele atendeu assustado e sem camisa, apenas com uma bermuda, cabelo molhado e olhos arregalados.
– O que foi, Marina? – perguntou. – Oi, Karen.
– Quem quer te matar? – fui direto ao assunto.
– Acho que você – respondeu assustado. – O que eu fiz? Juro que não beijei a loira, ela apenas me assediou em um dia que eu estava deprimido, mas ainda não tinha confessado meu amor eterno por você, Mari. Eu te amo, chuchu, apenas você. Não me bate!
Franzi o cenho.
– Vou deixar essa passar, Potter – respondi. – Quem é que está te ameaçando por cartas, senhor?
– Ah tá... Não é pela loira – respondeu aliviado. – Entrem, suas doidas, vou preparar chocolate quente com marshmallows enquanto explico a história.
Nós entramos no apartamento de James e Karen estava sem graça por presenciar uma conversa séria de casal, mas logo eu a tranquilizei falando que antes de namorar James eu namorava com ela e com Rose então podia relaxar.
Não namorar literalmente, gente.
– Naquela batalha da qual fui atingido e parei no hospital – começou – tinha um folgadinho que queria se infiltrar no Ministério e colocar sistemas de espionagem nas salas de treinamento emergencial. Eu fui pego de surpresa quando ele detonou a porta do meu escritório e me atingiu com um feitiço antes que eu pudesse pegar a varinha, porém os outros Aurores conseguiram contê-lo. Agora ele anda me ameaçando porque quer algo importante que está contido no Ministério. Apenas isso, mas estou tranquilo. Ele não tem a mínima chance contra nós.
– E você não me contou? – Fiquei nervosa. – Por que não me contou?
– Te preocupar com meu trabalho? – retrucou. – Você não me preocupa com o seu.
– NÃO É TRABALHO, É A SUA VIDA EM JOGO DE NOVO, SEU ABUTRE.
Karen gargalhou tão alto que cuspiu o chocolate quente no chão, pegou sua varinha e ainda rindo limpou a sujeira.
– Desculpe, não deu para controlar – respondeu.
– Isso não muda o fato que é meu trabalho e que eu resolverei com meus colegas de trabalho, Marimari.
– Aposto que até a Lóris sabe mais eu! – pontuei.
– Tá com ciúmes, chuchu? Docinho de coco tá com ciúmes? O adorável ser chamado Mari durona está com ciúmes? É impressão minha ou a Marilinda super light está com ciúmeeees? – James respondeu sorrindo cinicamente.
– Não é ciúmes. – Cruzei os braços irritada. – É falta de consideração comigo e muita consideração com a Lóris.
– Também é falta de consideração então o médico fortão te diagnosticar com anemia e todos saberem menos eu – retrucou se debruçando no balcão entre a cozinha e as cadeiras para as pessoas se sentarem. — Fiquei sabendo porque Bethany me pediu para vigiar sua alimentação, senhora!
Okay, acho que estou começando minha primeira DR com James. Isso, apesar de degastante, é muito da hora. Pelo menos vou mostrar que tenho razão.
Espera, eu não tenho razão! Eu não contei para ele que eu estava doente então ele também não me contou que estava sendo ameaçado.
– Mas anemia não é nada perto de AMEAÇAS! – exclamei aumentando meu tom de voz.
– Tá legal, já que eu vou morrer me beija logo – falou quebrando todo o clima de briga... Só porque queria nocauteá-lo de esquerda.
– Não beijo – fiz birra.
– Nossa, que malvada, vou ter que roubar um beijo! – ironizou, mas rindo. Tive que me segurar para não cair no riso também. – Ui!
Comecei a bater o pé no chão e cruzei os braços. Ele ainda rindo veio perto de mim e me deu um selinho.
– A-há! – exclamou feliz. – Ganhei! James sempre ganha!
– Isso não muda o fato que você pode morrer – Karen se intrometeu indo colocar a caneca na pia. – Aliás, ótimo chocolate quente, James. Os marshmallows estavam no ponto!
– Não atrapalha a DR, Karen – James zombou. – Afinal, é algo muito sério! – ironizou. – Relaxa, Marina, é coisa do trabalho.
– Depois que você morrer não vem colocar a culpa em mim – respondi fazendo bico.
– Não faz bico, Mari, você fica feia.
Não me controlei mais e caí na gargalhada.
– Como você é insuportável – respondi. – Vou embora, quando cair a ficha que você não está em um mar de rosas a gente conversa.
Porém, o chato veio por trás e me abraçou, e abraços por trás me causam arrepios, não sei por quê.
– Mari, estou indo para sua casa, te espero lá – Karen falou ao nos ver abraçados.
– Beleza, Karen – respondi e ela desaparatou. – E você – olhei para James – toma cuidado, moleque.
– Você é muito adorável com minha pessoa.
– Sim, eu sou – ironizei. – Vou fazer companhia para a Karen, faz tempo que não vejo aquele abutre.
– Espera – ele pediu fazendo biquinho. – Dá um beijinho na coisa mais sensual que existe, vulgo eu!
Revirei os olhos, mas dei um beijo em James. Ele riu porque eu ainda estava brava.
– Ê-laia! Coisa bravinha que fui inventar de namorar... – brincou. – Por que eu fui escolher você? HEIN?
Mostrei a língua.
– Escolhesse a Lóris – alfinetei. – E agora eu vou embora, tchau.
E saí mandando um beijo no ar que ele fingiu ter pegado no alto como um pomo de ouro e o guardou em seu coração. Não resisti e fui dar-lhe um abraço.
– Quer mesmo que eu escolha a Lóris? – perguntou rindo.
– Você quem sabe – dei de ombros.
– Nem se se passassem um bilhão de anos eu escolheria alguém que não fosse você, bobona.
– Sabia que só seres da mesma espécie se reconhecem? Isso te torna um bobão também.
– Ui! Me chamou de bobão! O que vou fazer da minha vida? – dramatizou colocando as mãos na testa e fingindo desmaiar. Dei risada. – Você precisa melhorar os insultos, Mari, você era melhor... – Apertou minhas bochechas e eu revirei os olhos. – E não revire os olhos para mim, mocinha. Sou teu namorado e não teu pai.
Revirei os olhos de novo só de birra e mostrei a língua.
– Sou malvada e vivo perigosamente – ri. – Agora é sério, James, vou lá conversar com a Karen... Faz tempo que não conversamos e passamos um tempo juntas. – Dei um selinho em James. – Amanhã a gente podia tomar um cappuccino a noite, não?
– Por mim tudo bem – ele respondeu. – Agora vai lá com a Karen, me troque na cara dura por uma amiga sua... Pode ir, eu não estou nem ligando – disse fingindo segurar o choro.
– Você comeu palhacitos hoje, James?
Ele revirou os olhos.
– Sou tua namorada, não teu pai! Não revire os olhos para mim, mocinho! – brinquei imitando-o.
James começou a me dar soquinhos leves como uma criança mimada e com um bico enorme.
Tive que rir.
Depois de uma longa despedida minha e de James eu consegui me livrar de seus encantos (eu hein, esse menino parece uma sereia, me fisga!) e voltei para casa.
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