Ponto De Paz.
25 Epílogo - Leiam as notas iniciais e finais.
Notas iniciais
– Pare de se mexer, Rose Weasley! – exclamei alto.
Rose não parava quieta, tive que segurar seus ombros com força para depois colocar o enfeite de cabelo nela.
– Eu estou nervosa, Mari – Rose choramingou. – E se ele, por algum acaso do destino, não comparecer e eu ter que espera-lo? Vai ser a maior catástrofe da vida. Aposto como n’O Profeta Diário a manchete será: Filha de Rony Weasley é deixada sozinha no altar pelo filho de Draco Malfoy. AI, MARI, FALA PARA TODO MUNDO QUE EU NÃO VOU MAIS ENTRAR! DESISTI AGORA DO CASAMENTO.
Revirei os olhos e continuei ajeitando os últimos detalhes e acertando alguns pontos do vestido dela.
Karen entrou no quarto e começou a dar um relatório completo de tudo que estava acontecendo lá embaixo.
– As flores já estão separadas e já já alguém virá te entregar e... Pera, você disse que ia desistir do casamento?
Olhei para Karen novamente e revirei os olhos.
– Até parece! Rose tá sonhando com este dia há pelo menos três anos.
Desde que James e eu nos casamos.
– Mas, Karen, a Mari não me entende! E se o meu pai matou o Scorp antes dele ter a oportunidade de vir para o casamento?
– Sim, Rose – Karen disse distraída anotando algumas coisas na sua prancheta. – Decoração pronta.
– Karen, e se cair macarrão no meu vestido?
– Verdade, Rose – Karen continuou distraída. – Onde o Alvo está?
– KAREN, E SE UM DRAGÃO NOS ATACAR NO MEIO DA CERIMÔNIA?
– NÃO, ROSE, JACARÉS NÃO COMEM LARANJA PORQUE EM FEVEREIRO TEM CARNAVAL! – Karen gritou e depois nos olhou com vergonha. – Agora, por favor, mantenha a compostura porque o Scorp não vai te deixar plantada no altar, ele já está lá – Rose engoliu em seco. – Seu pai matou apenas um mosquito e não sei se você lembra no cardápio não tem macarrão.
Rose ficou em silêncio durante alguns segundos, mas logo voltou a sorrir e falar animadamente:
– É verdade, eu não tenho com o que me preocupar! – ela se levantou da cadeira e ficou em frente ao espelho. – Mas, Mari e se eu...
– Cala a boca, Weasley! – exclamei. – Apenas pare de surtar!
Rose riu e correu ao meu encontro me abraçando com força.
Tive que rir com a minha ruiva predileta.
– Também quero! – Karen fez bico.
Nós três ficamos ligadas nesse abraço durante pelo menos uns cinco minutos.
Pois é, nós todas crescemos. Nós todas tomamos rumos diferente. Nós três tínhamos uma ligação sobrenatural. Nós três, naquele momento, firmamos um pacto interno e não-verbal de, seja lá qual for o motivo, nunca deixarmos nossa amizade desaparecer.
– Rose? – Rony apareceu na porta um pouco tímido.
Karen e eu nos afastamos.
– Ela está pronta, Rony – Karen disse.
Nós duas descemos para ver a entrada triunfal de Rose. Fui para o lado de James que segurou minha mão com força. Sorri internamente porque eu sabia que, mesmo que no fundo, ele estava se lembrando de quando fora a nossa vez.
A Toca, novamente, era cenário do casamento. Porém, em ambiente fechado igual ao casamento de Fleur o que deixava tudo com ar mais familiar. Estava tudo lindo.
Quando Rose entrou nem eu contive o choro. Ver a minha amiga se casar era algo inenarrável e eu me senti como Rose quando casei. Ela deve ter ficado super feliz por mim, mas mesmo assim era o marco de nossas vidas se transformando.
Rony tinha os olhos cheios de lágrimas e isso só fez eu me emocionar ainda mais. Meu pai não era ciumento, mas mesmo assim foi difícil para ele quando me casei. Agora Rony era o pai super ciumento então devia ser mil vezes mais complicado.
James também sorria para o mais novo casal e eu o senti apertar mais a minha mão. Eu estava feliz. Muito feliz.
A cerimônia não teve nenhum erro. Tudo saiu do modo perfeito de Rose Weasley. Ela planejou cada detalhe e nada aconteceu sem que ela desse seu voto de Minerva. Ao final, James e eu nos sentamos à uma mesa porque eu não estava com um salto, digamos, muito confortável.
– E aí, Mari, vai ser hoje mesmo? – James perguntou com um brilho no olhar que eu nunca tinha visto antes.
– Só se você estiver pronto – eu disse baixinho.
Nós rimos.
– Você cresce, finge que amadurece, mas ainda parece uma criança – James me provocou. – Parece que estagnou aos oito anos.
– Obrigada, Potter. Foi motivador – eu respondi irônica.
James estendeu a mão para mim e eu me levantei. Estava na hora.
Já era final da festa, por isso só os amigos mais íntimos estavam lá ainda rindo e conversando. James e eu nos aproximamos e ficamos conversando durante uma meia hora até que eu vi que tinha chegado a hora certa. Enquanto todos riam eu disse:
– Gente! Eu tenho uma brincadeira para fazer com vocês! – eu anunciei.
Rose e Scorpius se entreolharam e riram.
– Ih, lá vem – Rose brincou.
– Você é ridícula, Weasley – Karen respondeu rindo. – Qual a brincadeira, Mari?
– Ei! Quantas pessoas que podem brincar disso? – Alvo perguntou. – Também quero participar. Só porque sou mais novo todos têm essa merda de preconceito.
Todos caíram na gargalhada.
– Okay, Alvo. Já acabou sua histeria? – Lily brincou. – James, dá um jeito aqui no pirralho.
Isso foi um tanto quanto irônico porque Lily era mais nova que Alvo. Mas todos relevaram.
– Acabou? – Adam, namorado de Karen, disse bagunçando o cabelo de Alvo.
Alvo fingiu estar bravo e mostrou a língua. Logo começou uma algazarra inteira. James e eu nos entreolhamos e depois caímos na gargalhada. Precisávamos começar essa “brincadeira logo”.
– Tá bom, já entendi! – James falou rindo. – Mas a brincadeira é a seguinte. Mari, explique.
Sorri satisfeita com o silêncio.
– É assim, vocês terão que repetir tudo que eu falar. Okay? Para começar vamos fazer algo bem simples. Preparados?
Todos riram, mas assentiram.
– Vamos lá! – eu falei animada. – A Mari...
– A Mari... – todos repetiram.
– É...
– É...
– Muito linda.
– Muito infantil – Alvo resmungou e todos olharam feio para ele. – Okay, muito linda.
– Okay, acho que você estão pegando o jeito – falei animada. – Vamos melhorar um pouco.
– Vai demorar para achar a graça? – Karen brincou. – Ok, parei.
– Vamos lá! – eu disse a ignorando. – Eu...
– Eu...
– Estou...
– Estou...
– Muito...
– Muito...
– Feliz...
– Feliz...
– De ter...
– De ter...
– Vocês...
– Vocês...
– Ao...
– Ao...
– Meu...
– Meu...
– Lado.
– Lado.
Respirei fundo. Agora era a hora.
– Vocês foram muito bem – eu disse. – Agora uma mais complexa. A Mari...
– A Mari...
– Está... – eu disse fechando o olho.
– Está... – todos responderam em uníssono.
– Grávida.
– Grávida – disse Alvo distraído. – ESPERA AÍ, ISSO É VERDADE?
Caí na gargalhada.
Karen e Rose vieram me abraçar com força e quase me enforcaram. Nota: e quase me deixaram surda com tantos gritos também.
Eu estava guardando essa notícia há pelo menos duas semanas porque nunca me encontrava com todos ao mesmo tempo. E como estava perto do casamento de Rose e Scorpius eu decidi contar lá assim que só tivesse os mais próximos na festa. Afinal, não queria ter que decidir para quem contar primeiro.
– James se ferrou! – Alvo brincou. – Além de sustentar a Marina vai ter que sustentar mais uma mini Marina.
– Alvo, eu ainda estou aqui – respondi estreitando os olhos para ele.
Nós rimos e ele me abraçou.
– Parabéns, Mari! Sua linda!
Sorri verdadeiramente.
– Parabéns, Mama – Scorpius disse me abraçando. – Seja muito, muito feliz. E obrigada por sempre me ajudar com Rose.
Assim que todos cumprimentaram James e eu chegou a hora da algazarra. Todos riam felizes e bagunçavam meu cabelo e de James. Foi muito engraçado. No final nós nos abraçamos todos juntos e eternizamos um momento. Podem ter certeza que nunca irei esquecer-me daquele dia.
James e eu fomos para a nossa casa, que compramos antes de nos casar. Era bem simples, mas arrumada e aconchegante. Tinha dois andares, no primeiro era a sala de estar, a cozinha e a lavanderia, e no segundo tinham os quartos. Agora teríamos que decorar um outro para o nosso futuro filho.
– Hoje foi incrível – James falou se jogando no sofá.
– Foi mesmo – respondi me sentando ao seu lado.
– Tinha que ser você para contar para os outros do método mais inusitado – ele disse rindo. – Mulheres normais tem todo o jogo sentimental de dar um sapatinho de presente para quem quer contar, você não...
Dei risada. Eu não queria que todos chorassem ao dizer que estava grávida. Era um momento feliz e eu queria compartilhar da minha alegria também.
– Jay, você já reparou como passou muito rápido? – eu perguntei e fiz carinho em seus cabelos bagunçados. – Eu sei que parece clichê demais para Marina Michell estar falando, mas parece que foi ontem que eu estava correndo atrás de você e te chamando de gay.
Ele riu abertamente.
– Parece que foi ontem que você colocou suas primeiras habilidades medicinais em prática – ele completou.
Sorri verdadeiramente.
– Eu te amo, Potter – eu disse segurando seu rosto com firmeza nas minhas mãos.
– Eu te amo, Mari. Meu chuchu, minha bolota, minha lindinha.
Nós rimos e nos beijamos.
Parecia que foi ontem que eu me vira atraída por aquele garoto de óculos e cabelos bagunçados. Parecia que foi ontem que descobri naquele mesmo garoto o meu porto-seguro e o meu ponto de paz. James me completava e me fazia bem. E eu o amava com todas as minhas forças.
Melhor amigo, namorado, marido e agora futuro pai.
É. Era ele mesmo que eu queria para construir toda minha vida.
Obrigada por crescer comigo, James.
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