Notas iniciais
Desculpem a demora!!! >< aaaaaah, e obrigada aos novos leitores que comentaram o último capítulo me deixando MEGA FELIZ.

– QUAL É? VOCÊ NÃO ACEITA UM FORA, NÃO É, BABACA?

Como eu estava pendurada no ombro de Victor igual um saco de batata não pude ver sua expressão ao ouvir isso, mas creio que seria algo impressionado misturado com incredulidade e um quê de raiva.

– Marina, Marina, você não está em uma das melhores situações para me provocar – ele respondeu após um longo suspiro e pude perceber que ele tentava se manter firme.

Aquilo me irritou profundamente, mas então lembrei que ele surrupiou minha varinha e eu realmente não estava na melhor condição para duelar... He he.

Já estava ficando agoniada com aquela droga de elevador que não parava no último andar logo, afinal, quanto mais tempo em um ambiente fechado com um maníaco mais a chance de você não se dar bem no final.

– Sério, foi uma pena você ter me recusado, Marina – Victor começou calmamente. – Nada disso teria acontecido...

Senti uma raiva súbita dentro de mim.

– POR QUE QUIABOS VOCÊ QUER O JAMES? NEM DA SEÇÃO DE BIBLIOTECA ELE É! JAMES É UM AUROR. AUROR – pontuei bem as palavras para o caso dele ainda não ter entendido.

Victor riu pelo nariz.

– E você é muito tonta, não é? Só porque James é um Auror não significa que ele não saiba de outros setores do Ministério. Confesso que o Kyle só quis o seu namoradinho porque tem o sangue Potter, ou seja, prefere morrer, ser torturado, tomar pancada e duelar até o fim por alguém que ama.

Eu ia responder, mas a porta do elevador se abriu e Victor saiu correndo em direção aos corredores.

Deparamo-nos com um hall redondo e com vários corredores. Victor ponderou um pouco já que não sabia para onde iria e como entraria sem ter a chave.

– Ih, se lascou! – falei com ar zombeteiro. Até iria rir e apontar o dedo indicador na direção do nariz dele se eu não estivesse, vocês sabem, no ombro dele.

Victor não pareceu muito feliz com o comentário porque me jogou no chão com força e eu acabei batendo a cabeça no canto da parede de um dos corredores. Senti um líquido quente escorrer pela minha testa.

Sem pânico, Marina.

O loiro me olhava com muita raiva e apontou para o seu bolso onde havia a minha varinha.

– Fique quieta.

Senti-me um pouco tonta, e perda de sangue com anemia não é uma combinação muito boa. Para me levantar tive que me apoiar na parede com dificuldade e pude ver algumas marcas de sangue onde tinha batido.

Lembrei-me rapidamente que quem diagnosticara essa anemia fora o Victor e senti mais raiva ainda.

Também fiquei um pouco contrariada porque tive que ficar calada depois dessa pancada na parede. Victor me pegou pelos pulsos e continuou a me guiar e pelo visto ele lembrara para qual corredor ir.

– Ainda há chances de você não ir preso, Victor – falei baixinho. – É só você parar com isso, parar com essa loucura. Você tem um emprego ótimo, não precisa disso. Você não precisa fazer nada disso!

– Você nunca vai entender nada, Marina – ele respondeu grosseiramente. – Você nunca entenderá meus motivos.

Tentei continuar com esse joguinho, uma hora ou outra ele iria ceder. Ele não era mau. Era declarado pela expressão de seu rosto que Victor estava mais apavorado do que com raiva.

– O que eles te prometeram? – perguntei.

– Apenas fique calada – ele respondeu. – Eu não vou desistir por mais loucura que pareça.

Senti um pouco mais de tontura enquanto avançávamos com pressa pelo corredor indo em direção à biblioteca.

– Victor... – sussurrei. – Eles não são honestos. Seja lá o que eles tenham te prometido eles não cumprirão!

Ele suspirou cansado.

– Não torne as coisas mais complicadas para o seu lado, Marina – ele respondeu, mas a firmeza em sua voz começara a desaparecer.

Fiquei calada e então chegamos bem em frente a várias estantes repletas de livros. Olhei para os lados e percebi que era uma espécie de labirinto de livros. E como o Ministério deveria estar fechado naquele horário estava um pouco escuro, somente com a luz da lua que vinha das janelas, fazendo com que eu esbarrasse em várias prateleiras.

– Victor, eles não vão cumprir a parte deles no trato! – exclamei apavorada porque além de estar escuro a tontura havia aumentado tanto que uns borrões pretos apareciam na minha visão.

– Você não sabe o que é perder os pais, Marina! – ele gritou nervoso e soltou meus pulsos. Virei-me para ele assustada. – E se há a MENOR possibilidade de estar escrito qualquer coisa naquelas drogas de livro sobre isso, eu quero tentar!

Sinceramente, Victor parecia mais inteligente como médico.

– Isso é uma cilada, Victor – minha voz falhou. – Por favor, pare com essa bobeira! Há coisas más nesses livros! Você não é assim!

Ele olhou para mim com uma expressão mais leve.

– Não há nada, Victor, nenhum feitiço, poção ou remédio que impeça a morte – continuei. – Naquele dia, no hospital, quando eu perdi a minha primeira paciente, eu fiquei com raiva também. Raiva do mundo, raiva da vida, raiva de tudo! Mas então lembrei que era o ciclo natural da vida, Victor, e por mais que a gente queira mudar esse ciclo não há como. Não vale a pena arriscar sua vida, a vida de um monte de gente inocente para tentar uma loucura como essa.

Victor parecia menos relutante. Colocou a mão no bolso e sacou uma varinha, fechei os olhos instantaneamente, mas nada aconteceu. Abri os olhos de novo e vi que ele estendia para mim a varinha e eu a peguei com firmeza. Ele ia dizer algo quando uma outra voz apareceu.

– Muito trabalho com a menina, Victor? – Kyle apareceu com um de seus comparsas.

– Sim – ele respondeu e eu imediatamente escondi minha varinha. – Mas dela eu tomo conta. Conseguiram a chave?

Kyle sorriu, e por mais que eu estivesse tonta consegui vê-lo segurar a chave como se me desafiasse a pegá-la.

– Cuide dela – Kyle respondeu por fim.

O moreno tentou avançar com seu comparsa, mas algo inacreditável aconteceu: Victor deu um soco de esquerda muito bem dado em seu nariz. Kyle cambaleou para trás incrédulo e o seu comparsa foi atacar Victor.

– Estupefaça – disse com o restinho de minha força e apontei a varinha para aquele que queria vingar Kyle.

Depois disso caí sem força no chão. Ainda podia ver vários feixes de luzes na minha frente, mas era algo bem assustador porque eu estava impotente no chão. Eu estava com a respiração falha e o sangue na minha testa continuava a descer, quando percebi minha blusa já estava molhada também.

Não, Marina, você não é uma perdedora. Você não vai ficar aí estatelada no chão esperando que alguém te socorra ou que essa batalha acabe. Você vai se levantar, respirar fundo e detonar esses projetos de bruxos!

E sim, eu dou ordem para mim mesma. Morram com isso!

Não sei da onde eu tirei forças, sério, mas eu me levantei. Fiquei de pé e consegui não tremer. Minha visão já estava focando a batalha: Kyle se recuperara e ia em direção de Victor. O que eu estuporei também se reerguia e era a minha hora de entrar em cena.

Enquanto Victor e Kyle travavam uma luta eu me adiantei para perto do gordinho comparsa. Lancei alguns feitiços não-verbais, mas não é que o gordinho era rápido? Se protegia de todos, mas eu não dava tempo para ele contra atacar.

Eu suava frio e a cada momento meu corpo clamava por socorro. Até que eu ouvi a voz da salvação.

– Expelliarmus! – Harry gritara na direção do gordinho e ele começou a tremer de medo. – Isso é para você aprender que combate também exige a perda de alguns quilinhos.

Eu queria muito rir dessa situação. Harry o deixou desacordado e eu fui ajudar os outros aurores. Reconheci vários rostos, amigos de James, alguns parentes de James e James também (sério?).

Quando a batalha parecia ganha (eram seis contra um) o lustre da biblioteca caiu no chão com força o suficiente para matar quem estivesse embaixo. Todos se jogaram para o lado, mas quando fiz o mesmo minha visão logo ficou turva novamente e parecia que um rinoceronte queria sair pela minha boca.

Olhei para o campo de batalha e vi que os quatro comparsas de Victor que foram confundidos pelo Peter voltaram com a força toda. Um deles veio por trás de mim e agarrou minha cintura com força o suficiente para me fazer ficar de pé.

– Ei! – ele gritou. – Melhor abaixarem as varinhas.

Os Aurores e os inimigos pararam de lutar. Senti a varinha dele batendo na minha garganta. Vi que James parecia prestes a jogar uma granada em cima do idiota que me prendeu.

Eu não ia deixar que eles perdessem a batalha por minha causa, não é?

Então fiz a coisa que qualquer pessoa na minha situação faria.

Okay, talvez nem toda a pessoa fizesse isso.

– VAI SE FERRAR! – gritei e dei um chute no meio das pernas do idiota que me largou.

Eu fiz tudo isso com o restinho da minha força mesmo, depois estava indo cambaleante até o chão quando senti alguém me envolvendo com os braços.

– Jay – eu sussurrei.

– Shh – ele colocou a mão na minha boca para eu me calar. – Você é a namorada mais corajosa, mais incrível e mais hilária em meio a batalha que eu poderia querer.

Eu ouvia barulhos de livros caindo, de gente batalhando, ouvia gritos, ouvia ofensas, ouvia estilhaços, ouvia Peter rindo da cara do gordinho que Harry estuporara, ouvia um verdadeiro pandemônio ao meu redor, mas aquela voz... Aquela voz com aquelas palavras eram capaz de transformar o inferno em paraíso.

Com James me envolvendo em um abraço apertado e me colocando em seu colo, depois saindo correndo para me levar para o piso de baixo, tirando uma das blusas que ele usava para colocar na minha testa onde o fluxo de sangue não parara até aquele momento... Com tudo isso eu tive conforto. Conforto mesmo na pior das situações.

Com essas cenas eu pude ter a certeza que estava segura. Segura em seus braços. Segura como nunca estive. James me proporcionava uma calma que até eu mesma desconhecia.

James era meu eterno ponto de paz. E eu não me imaginava passando por aquele momento se ele não estivesse lá para me manter acolhida.

Senti arder um pouco quando ele colocou a camisa em meu ferimento, fechei os olhos, mas continuei consciente. James passava a mão pelos meus cabelos sem se importar com o sangue que deveria ter. Ouvi o meu incrível namorado mandando patrono para os médicos e em questão de minutos também ouvi a voz de Bethany:

– O que diabos aconteceu aqui, Potter? – ela gritou.

– A Mari é incrível, deu um chute nas partes baixas do cara e massacrou o adversário. Cuida dela, Beth Any – ele faz piadas sem graça até nesses momentos. – E demita o Victor rapidamente.

Notas finais
ATÉ O PRÓXIMO CAPÍTULO, GLR, COMENTEM PF