Ponto De Paz.
2 Aproximar-se de garotos: ter problemas.
Notas iniciais
Acho que eu exagerei um pouco, mas relevem. Talvez Richard e eu não sejamos tão perfeitos um para o outro só porque tivemos uma conversa normal, conversa que eu tenho até com o meu gato – brincadeira.
Eu estava concentrada na aula até que Richard me mandou o seguinte bilhete:
No que você está pensando?
Grr! Por que ele faz isso com meu pobre coração?
Sussurrei um “nada” meio inexpressivo para não demonstrar que tinha gostado tanto dele puxar assunto comigo. Agi com naturalidade para que ele pensasse que eu não desse muita bola para a existência dele e seu bilhetinho para mim! Cara, eu estava surtando de felicidade, mas se eu fosse fácil ele desistiria.
Está tentando me dar um gelo?
Oops.
Ah, cara! Richard estava me dando mole. Dá para acreditar?
Olhei para ele e apenas pisquei discretamente e voltei a fazer anotações, pude perceber que ele sorria enquanto também anotava em seu caderno. No final da aula, despedi-me dele e continuei com minha rotina. Aulas, aulas e aulas.
Como ainda era a primeira semana letiva em Hogwarts, o clima de último ano ainda não estava muito presente em mim. A ficha ainda não tinha caído até que eu vi o seguinte aviso no mural:
Baile de Formatura. 25 de maio. Traje social. 20:00 horas.
Caramba! Eu iria nesse baile!
Apenas o sétimo ano poderia ir a esse baile porque se os menores fossem viraria uma festa do cáqui cor de burro quando foge. Imaginem só um monte de meninas terceiranistas praticamente fazendo pole dance para chamar atenção dos garotos do sétimo ano? Sim, seria exatamente desse jeito!
Okay, vocês devem estar falando: mas eles avisam sobre esse baile em setembro sendo que está super longe de maio?
Sim, Minerva é meio psicótica com esse negócio de baile e festas. Tanto que já estavam começando a comprar e preparar os enfeites para o Halloween.
No intervalo da minha aula de poções para minha aula de feitiços, encontrei Rose pensativa nos jardins.
- Rose? – chamei-a e ela pareceu despertar do transe.
- Ahn, oi.
- Que que foi, hein?
Ela abaixou a cabeça, deixando seus leves cachos castanhos arruivados caírem por seus ombros tampando seu rosto.
- Olhe, Mari. Preciso de uma opinião sincera... E como você é mais velha e muito mais madura que eu, acho que posso desabafar – ela disse meio baixinho.
Ah tá... Scorpius.
- O que ele fez? Desembucha que eu vou lá meter a voadora na cara pálida dele – falei.
Bom, pelo menos fez a Rosenilda rir. Pois é.
- Não, acho que eu fui a culpada desta vez.
- AH, NÃO, ROSE! – gritei. – Você é a rainha das burradas, só pode! O que aconteceu?
- Ahn... Mari, é que eu meio que surtei com o Alvo porque ele quer me controlar com o Scorpius, e bem... Scorpius também não ajuda, fica me ignorando perto dos amigos. Alvo ficou estressado e foi dar lição de moral para o Scorpius que ficou mais bravo ainda e você já deve saber o resto...
- Não, não sei.
- Scorpius disse que a partir do momento que eu deixo os outros se meterem no nosso relacionamento, também dará brecha para os amigos dele ficarem contra mim. E que não era para eu ficar chorando depois que isso acontecesse. Então eu briguei com o Alvo.
- Rose.
- E eu vou pedir desculpas para o Scorpius...
- Rose.
- Porque eu errei mesmo.
- ROSENILDA. VOCÊ NÃO VAI SE HUMILHAR PARA HOMEM NENHUM – gritei visto que mesmo que eu a chamasse ela não responderia. – Se ele gosta de você, primeiro vai aprender a ser menos grosso e mais compreensivo que Alvo só quer o melhor para você. Segundo que, tecnicamente, a família pode sim se meter no relacionamento de vocês. Terceiro que ele é babaca e quer reverter a situação, Rose. Se você for pedir desculpas para ele, Scorpius vai achar que sempre está no comando da relação e você terá que ser totalmente submissa a ele. Vamos, Rose, se liga!
Argh, eu não tinha paciência para garotos assim, não. Vem fazer a minha Rose ficar mal por uma mancada dele?
- Mas, Mari... Se eles só querem o melhor para gente, assim como Alvo... Acho que James também tem razão em relação ao Richard.
- Rose, nós estamos falando de você – disse entediada. Que mania é essa de todo mundo se revoltar com Richard? – E já estamos avisadas que se você pedir desculpas para o cara pálida não terá volta e tudo girará em torno dele sempre!
Rose abaixou a cabeça e começou a refletir sobre o assunto, no final ela deu razão para mim.
- Mas pensa bem no que James está tentando te avisar... – falou no final. – Ele pode ser babaca, mas sabe muito bem distinguir o cara certo do errado.
- Ai, Rose, para. Eu também não sou trouxa!
- É que, Mari, eu vi o Richard dando mole para uma garota da Corvinal.
- Ah é? – perguntei com desprezo. – Quem sai perdendo é ele.
Levantei-me e mesmo não aparentando estar nervosa, estava me consumindo por dentro. Encontrei James em um dos corredores e pulei em suas costas.
- Anda, anda, cavalinho! – exclamei. Os amigos perto de James riram. – Agora me leve até a sala de feitiços.
- Mulher é igual problema, JayJayzão – William falou batendo no ombro do amigo.
- Eu mereço uma praga dessas? – perguntou James.
- Você é um cavalo ou um jegue? To com pressa, JAMES – pontuei só para irritá-lo.
- A tua sorte é que eu também tenho aula de feitiços agora, MARINA – pontuou.
- Ah, não, James – Mason disse. – Não acredito que vai mesmo levar a folgada da Marina em suas costas até a sala de feitiços!
Mostrei a língua para Mason e William.
- Dá um tapa na bunda desse folgado para ele pegar impulso, Mason – falei rindo.
- Claro que não, vai que ele comece a querer meu corpo nu? – perguntou James. – A gente dorme no mesmo lugar, Marina! Está loucona?
- Nós estamos atrasados, James, ande!
- Não estamos não. Faltam ainda uns 15 minutos para a aula começar.
- VAI LOGO.
Ele começou a andar com a cabeça para baixo, como se estivesse carregando uma cruz em suas costas. Ouvi Mason e William rindo e zoando James.
- Vixi... Maior mariquinha! Obedece as mulheres sem nem mesmo pestanejar!
Dei risada.
- Viu só o que você me faz passar, Mari? – perguntou James. – Agora vou ser tachado como Mariquinha pelo resto da minha vida.
Quando dobramos o corredor eu saí das costas de James.
- Era só para te irritar mesmo, não preciso de ajuda para ir para a sala de feitiços, JayJay.
Ele revirou os olhos e me deu um empurrãozinho.
- Besta – falou.
- Gay.
- Idiota.
- Gay.
- Babaca.
- GAY, GAY, GAY, GAY!
Nós rimos e subimos uma escada, porém, encontramos Richard junto com uma loira da Corvinal rindo enquanto subiam a escada um pouco acima de nós.
- Galinha – sussurrei irritada.
- O quê? – perguntou James.
- Nada – respondi nervosa.
Comecei então a me distanciar de James e correr para a sala de feitiços o quanto antes, não queria continuar vendo Richard flertando com a loira.
James provavelmente não entendeu nada. Sentei ao lado de Karen, minha amiga, e logo depois James também chegou. Olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas, mas se sentou ao lado de um amigo dele chamado Ian.
Nas últimas aulas Richard veio me procurar, tentou sentar comigo na última aula de DCAT do dia, mas eu ignorei-o completamente. Eu não era trouxa de ficar correndo atrás dele sendo que eu o vi flertando com a menina! Eu vi!
Eu estava fugindo do garoto até que ele me seguro pelo braço. Virei-me para ele.
- O que foi? – perguntei seca.
- Ahn, pensei que nós fossemos amigos.
- Aham, nós pularemos amarelinha juntos, sim... Mas antes preciso fazer as lições de casa.
- Ou talvez mais do que amigos.
E me beijou.
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