Ponto De Atração
8 Um Pedido de Socorro
Notas iniciais
[Jeremias]
Minha chegada a Athenas foi muito festejada, os moradores de toda a cidade ficaram felizes em me ver e Acidália mais ainda. Foi uma coisa bonita e triste ao mesmo tempo, me senti como um bígamo traidor. Acidália não merecia um homem pela metade, mas era isso que ela tinha atualmente. E ela parecia feliz em ter apenas uma metade. Beijou-me e abraçou-me, dizendo palavras gentis e afirmando veementemente que sentira muita falta minha, mas que me esperara como uma esposa deveria fazer.
Foi então que fiquei com um leve pânico. Esposa. Ela não dissera namorada ou garota, mas sim esposa. Um título sério e que carregava uma série de responsabilidades, entre elas, a do amor incondicional e único.
- Esposa Acidália?- Falei meio trêmulo a ela que ainda me apertava num abraço.
- Sim meu amor, em breve devemos nos casar, são os costumes gregos antigos... Você deveria saber disso, agora que está definitivamente aqui- Acidália me respondeu me levando para dentro da casa de Sócrates.
- Mas ainda somos de menor, não podemos nos casar, é a lei moderna.
Acidália parou e me olhou séria, na verdade, mais brava do que séria.
- Jeremias, você está vivendo agora em Athenas, a polis grega mais importante conservada pela nossa Deusa Athena e você deve seguir as leis de Athenas e não essas leis modernas do seu mundo. É tão difícil de compreender isso meu querido? Você pertence a esse lugar e aqui que está o seu coração, comigo. Respeite esse lugar como ele respeita você, está bem?
- É.
Não consegui esconder minha decepção e minha reprovação nas palavras dela. Primeiramente, eu não estava vivendo literalmente em Athenas, pois eu ficara mais tempo no acampamento do que aqui. Segundo, eu nunca pertencera de verdade a esse lugar, pois meu coração não estava aqui, com Acidália, e sim, como sempre, esteve com Arianna, no acampamento e na vida de semideus.
Entrei e fui direto para meu quarto e me senti eternamente feliz em saber que Acidália não me seguiria, pois uma garota solteira não podia ser vista sozinha num quarto com um homem solteiro também.
Deitei em minha dura cama e fiquei fitando o teto de palha, esperando uma iluminação divina para alguma coisa, uma luz para saber o que fazer com a situação. Não poder voltar para o acampamento por ordens de Quíron e não poder ficar por risco de um casamento grego antigo arranjado e indesejado. Muito indesejado.
Acabei dormindo e sonhei com meu maior sonho, literalmente. Arin estava lutando, como sempre, mas dessa vez ela lutava contra Anthony e eu, que a atacávamos ferozmente, sem se importar com seu clamo por calma e para parar. Ela chorava, mais por nos bater do que por medo ou qualquer outro sentimento inferior, filhos de Ares nunca sentem medo aflitivo numa luta, é algo natural, luta e sangue são coisas mais naturais para eles do que para os outros semideuses.
Lutávamos, não sei por que, só reparava que ferir era meu objetivo, ferir por dentro e por fora. Reparei que Anthony era o mais atacado por Arin, enquanto eu era o menos, com ferimentos para retardar e não para matar.
Foi então que Arianna dominou Anthony totalmente, com Lumus na garganta e ódio no olhar.
- Mate! Decida!- Uma voz feminina disse, sem o amor de costume.
Arin fez o que a Deusa do amor sugeriu e cortou a garganta de Anthony, fiquei em pânico com medo de que ela me matasse também, eu estava vivendo o sonho em minha própria pele e larguei minha espada no chão para correr, mas Arin tinha uma força e uma velocidade sobrenatural e segurou meus braços.
- Me ajuda!
Acordei num sobressalto e acordei com a visão de Arin em minha frente, me esmaguei contra a parede, ainda no clima do sonho maligno.
- Jer! Acordou!- Ela sussurrou de um jeito estranho.
- Arin?- Falei meio assustado.
- Estou presa, numa família de ciclopes, eles acham que sou Primula a filha deles e vão me jantar a qualquer momento. Estou perto do Empire States, no beco... 42. Long Street é o nome da rua ali. Tem uma praça na frente do beco e ele é escuro e úmido. A entrada é numa lixeira grande, bata nela e ela abre...
- Como Hades isso foi acontecer Arin?
- É que eu... Droga! Eles estão vindo! Era minha única dracma! Vem logo!
A imagem tremeluziu e desapareceu e eu fiquei ali, digerindo as palavras de Arin e pensando em como os Deuses sabem quando mandar uma mensagem. Eu pedindo uma iluminação, uma dica para o que fazer agora e eles me mandam uma missão de resgate e justamente de Arin.
Levantei num salto e catei minhas coisas que ainda estavam guardadas na mochila, não havia tempo a esperar, como Arin dissera, a qualquer momento eles podiam jantar ela e eu não ia deixar isso acontecer.
Essa era minha deixa para não acabar casado aos 17 anos.
- Jeremias, querido, aonde você vai agora?- Acidália veio junto comigo em direção ao portal de saída.
Não respondi, apenas continuei andando para a minha amada.
- Jeremias! Aonde você pensa que vai? Você tem obrigações para com sua esposa!
Parei e virei de frente para ela, fitando seus olhos raivosos.
- Eu não sou seu esposo, nem seu noivo e não quero ser mais seu namorado. Meu lugar não é aqui e meu coração não está aqui com você. Eu nunca deixei de amar Arianna e estou indo resgatar ela agora e se ela me quiser, eu estarei aqui e se não quiser, vou continuar minha vida no acampamento porque lá é que está minha vida e eu sou semideus e não um cidadão atheniese antigo. Adeus Acidália.
Passei o portal sem virar para trás, algo me dizia que eu nunca mais pisaria naquele lugar novamente e que Acidália nunca mais me perdoaria por palavras tão duras e cruéis, mas é isso que o amor faz, preenche uns corações e quebra outros.
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