Ponto De Atração
3 Um Pedido de Namoro Importuno
Notas iniciais
[Anthony Michael]
Uma semana havia se passado desde a aceitação de Arin de que nós nos amávamos, mas não que nós estivéssemos juntos novamente, na verdade ela insistia em não nos tocarmos, ela dizia que sentia uma leve dor quando eu a tocava e que quando eu ficava muito tempo muito próximo a dor aumentava. Podia ser invenção dela, mas em meio as dúvidas eu respeitei essa condição. Nessa uma semana eu e Jer andávamos mais tempo juntos, falando sobre o que faríamos e sobre nossas suspeitas em relação a Afrodite e seus planos insanos. Falávamos de tudo, inclusive de futebol. Nossa amizade cresceu em um ritmo fervoroso e eu confiava minha vida a esse filho de Hermes.
- Quando será que vamos poder partir?- Perguntei a Jer quando estávamos olhando as filhas de Afrodite fazendo um concurso de beleza do lado de fora do chalé.
- Não sei, espero que em breve, não aguento mais ficar ignorando a Arin, será que isso é o certo?- Jer me respondeu.
- É sim, ela disse que sente dor quando eu fico perto dela.
- Então por que Hades eu tenho que ficar longe dela também?
- Porque você é meu amigo e amigos acompanham uns aos outros.
- Legal isso hein.
Ficamos um tempo em silêncio até que Alice apareceu no meio do desfile gritando e acabando com a nossa diversão de ver aquelas meninas desfilarem e rebolarem para cá e para lá.
- Chega disso! Vão limpar o chalé agora! Não aguento mais de pingos de esmalte pelo chão, pó de um lado e aqueles restos de flor de lótus?? Isso é ridículo, vocês parecem filhas do deus porco, vão parar de fazer tanta sujeira e limpar aquilo duma vez!- Alice marchou para dentro do chalé e as irmãs a seguiram emburradas e reclamando, mas todas fizeram seu serviço.
- Ela é tão legal que acabou com a nossa diversão, e agora o que vamos fazer?- Perguntei depois que todas as filhas de Afrodite sumiram da nossa frente.
- Cara! Nós podíamos sequestrar uma das filhas de Afrodite e a chantagear pra devolver a memória da Arin, ela ia ceder na hora. Tipo despentear a filha...
- Tirar toda a maquiagem!
- Vestir com roupas de vermelho, azul e laranja...
- Mas têm que ser roupas baratas, compradas em brechó.
- Nossa cara, ai pegou pesado! Ela devolve a memória na hora!- Jer falou e nós rimos, como amigos de verdade.
- Meninos? Quíron está chamando vocês- Lycia apareceu atrás de nós.
- Ah... Obrigado Ly.
Jer e eu fomos até a Casa Grande e encontramos Quíron e Arin sentados nas cadeiras da frente, aparentemente Arin estava brigando com Quíron.
- Droga...
- Meninos, finalmente!- Quíron deu espeço para nós com sua cadeira de rodas e ficamos em um círculo, Jer ao lado de Arin.
- Ele não quer nos deixar ir!- Arin falou em tom de acusação.
- O quê?- Gritei olhando pra Quíron.
- Não posso deixar vocês saírem. Não posso- Quíron reforçou a ideia.
- Por quê?- Perguntei.
- Vocês só precisam saber que não podem sair. E Jeremias, volte para Athenas. Hoje até as 19h00min você deve estar indo para lá. É uma ordem e não um pedido- Quíron falou com autoridade.
- O quê?? Por que?? Não vou Quíron!- Jer parecia em pânico com a ideia.
- Vai sim, Elliot irá te acompanhar até lá, espero que não me desobedeça.
- Droga!- Jer bufou e virou o rosto para o campo.
- Então não podemos ir e você vai mandar o Jer de volta para Athenas, é isso?- Arin levantou e olhou para Quíron.
- Sim, mas é para o bem de vocês e... – Arin cortou o discurso de Quíron.
- Ótimo!
Arin saiu pisando firme dali e eu e Jer saímos também, Quíron ficou parado no mesmo lugar e nós seguimos para a beira do lago e Arin veio atrás de nós depois de um tempo.
- Meninos!
Não nos viramos, eu percebi que ela nos chamava, mas continuei andando, Jer nem parecia ter ouvido.
- Preciso falar com vocês, podem me ouvir agora?
Continuamos andando até que reparei que ela parou e mudou de rumo para o outro lado, ai você se pergunta, “Por que Hades você está fazendo isso Anthony, seu idiota!” E eu te respondo, por amor. Arin disse que quando eu chegava perto ela sentia dor, não sei a intensidade, mas a cada vez que eu tentei tocá-la ela corria para o lado mais oposto ao meu em que ela podia. Então decidi manter distância até a missão, que por acaso, não poderia mais acontecer.
Andei até um lado da margem do rio e sentei com as pernas na água, Jer já não estava perto de mim, ultimamente ele andava mais comigo, porém andava pensando muito e várias vezes ele ficava meio fora do ar, vagando e com o olhar distante.
Fiquei ali um bom tempo apenas deixando minha mente vagar com o horizonte, até que uma frase me deixou curioso e posteriormente irado.
- Nossa! Quer namorar comigo?- Victor, O Maldito filho de Poseidon perguntou a Arianna.
- Foi o que eu sempre quis- Arianna respondeu e o beijou novamente.
What?
Não esperei nem dois segundos e tirei meus pés da água e fui em direção aos queridinhos para dar uma lição em Victor. Mexer com garotas comprometidas não é uma coisa que se faça, mas mexer com A Minha garota, isso é pedir para morrer eletrocutado.
O vento começou a se enfurecer comigo e ao meu redor um redemoinho de areia se formou, assim como a estática no ar começou a ficar visível, ao longe Jer pareceu para olhar o ocorrido e começou a correr em minha direção, quando eu já estava perto o suficiente Victor viu que eu vinha em sua direção e se soltou de Arianna, se colocando na frente dela.
- Anthony!- Arin arquejou.
- Solte-a. AGORA!- Gritei para Victor que se limitou a sorrir descaradamente.
- Eu e ela estamos namorando agora, então sai daqui enguia- Victor me disse e perdi meu controle.
Lancei toda a minha fúria com o vento na direção dele ao mesmo tempo em que vi Jer saltando sobre Arin e rolando com ela para longe do ataque, agora eu estava livre para acertar umas contas com um certo abusado.
O vento o jogou com tudo contra a areia, mas não parou por ai. A estática do vento começou a dar nele pequenos choques, nada para matar, apenas para fazer umas queimaduras pelas quais ele se lembraria por um bom tempo. Os gritos dele eram fortes, com dor e isso só me animou para continuar a lançar mais e mais carga elétrica e aos poucos percebi que o vento o cortava, como lâminas afiadas.
De repente senti umas mãos me envolverem o rosto e vi os olhos castanhos profundo olhando diretamente em minha alma. Eu jamais me esqueceria daquele olhar, Arin segurava com força meu rosto e parei de atacar o garoto que se debatia de dor, tendo convulsões. Arin ainda estava me olhando quando ela caiu e seus olhos se reviraram, se entregando a dor de estar tão perto assim de mim.
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