Ponto De Atração
26 Ela se Lembrou?
Notas iniciais
[Anthony Michael]
Meus dias pareciam cada vez piores e depois da discussão sobre quem ficaria em qual quarto para passar o resto do dia e da noite descansando reparei que meu relacionamento com Arin ia de mal a pior, parecia até que minha respiração a deixava irritada, mas no final decidimos todos dormimos juntos, como pessoas felizes, coisa que não éramos.
Toda essa brincadeira de Afrodite só nos deixava irritados e cada vez mais separados, ela não devia estar nada feliz com isso, ela é do tipo de Deusa que gosta de coisas românticas e corações partidos, amores impossíveis e finais trágicos, na nossa história não havia nada disso, pelo menos por enquanto.
Sentei na varanda e fiquei ali, olhando para as pessoas que iam e vinham na rua, todas felizes e encantadas com a cidade do amor, com a Torre Eiffel e todas essas coisas romanticamente nojentas. Fiquei olhando alheio as emoções das outras pessoas, parecia que o mundo havia se fechado para mim, desde quando fui traído por Arin que eu não sentia mais nenhuma emoção feliz e nem mesmo me sentia feliz em vê-la perto de mim, por isso que eu andava tão grosso com ela, mas ela merecia.
Ouvi o som do chuveiro sendo desligado e esperei que Jer fosse até ela e fizesse alguma de suas gracinhas, Arin saiu do banho e foi direto ao espelho desembaraçar os cabelos molhados, enquanto Jer tomava seu banho. Nós havíamos decidido esperar no hotel que fica na Rua da Torre Eiffel enquanto a Deusa Afrodite não manifestava suas próximas vontades.
- O que está olhando?- Arin disse quando reparou meu olhar em cima dela.
- Só em como você é graciosa- Falei irônico, pois de graciosidade aquela filha de Ares não tinha nada.
- Que engraçadinho- Ela bufou e continuou penteando os cabelos.
- Sabe, não precisa ser assim- Falei me virando de frente para o céu azul e dando as costas para ela.
- O que não precisa ser assim?
- Nós... Toda essa arrogância e orgulho de nossa parte.
- Nós não existe e é você quem está estragando tudo, se é que existe um tudo.
- Claro que existe um nós Arin! Sempre existiu, juro pelo rio Estige lembra? É nisso que eu me apego, mas você não tem facilitado para mim e eu acabo perdendo a paciência com você, sabe que eu sou pavio curto.
- Eu também sou.
- Eu sei.
Levantei e fui até ela que me ignorou e continuou penteando os cabelos.
- Não precisa ser assim, nós temos mais uma chance, uma chance onde podemos nos conhecer novamente e nos reencontrarmos no amor, mas ambos precisamos ceder, um pouco cada e então tudo vai acabar bem- Peguei o pente da mão de Arin que reclamou, mas comecei a passa-los lentamente em toda a extremidade do seu cabelo, que continuava como eu me lembrava, longo e sedoso.
- E o que é acabar bem para você?
Larguei o pente na cômoda e a virei de frente para mim, fitei aqueles lindos olhos castanhos e quase cedi ao desejo de agarrá-la para mim.
- É nós dois acabarmos juntos, felizes e apaixonados e não precisa ser perfeito, como nos livros, mas precisa ser verdadeiro como sempre foi. Eu não acredito em finais felizes, pois eu sei que não existe “final” quando é amor de verdade e é por isso que eu ainda estou aqui, te ajudando a buscar suas lembranças e acreditando que no final dessa enrolação eu e você vamos ficar juntos e você vai voltar a largar todo seu mau humor em mim e eu vou voltar a sorri e a te beijar... – Coloquei a mão na nuca de Arin e fui me aproximando lentamente, no fim nossos lábios se encontraram.
Apenas pressionei minha boca na dela, como um carinho e então abri a boca, pedindo passagem para um beijo de verdade que ela cedeu, fiquei tão extasiado em ter Arin eu meus braços que não hesitei em puxá-la para perto de mim, minhas mãos acariciavam cada centímetro daquele lindo rosto, com saudade de sentir a pele macia, minha boca explorava a dela, com saudade de seu gosto, de sua lembrança.
Então uma porta bateu, Arin se desvencilhou de mim e foi para trás, bateu na cômoda que deixou um vaso cair, o objeto se espatifou em meus pés, mas o que se quebrou de verdade foi o momento, já que Jer estava nos olhando com um olhar duro, já Arin estava com os olhos arregalados e seu rosto mostrava muita surpresa.
- Ai Ares! Ai Ares!- Arin saiu dali e sentou numa poltrona, escondeu o rosto nas mãos e foi então que fiquei realmente preocupado, será que ela havia lembrado?
- O que foi Arin?- Cheguei na frente dela e Jer se aproximou também.
- Ai Ares!- Ela repetiu.
Peguei suas mãos e tirei da frente do rosto, uma lágrima caia deixava um rastro brilhante em sua face e ela parecia realmente assusta e surpresa.
- Arianna, o que houve?
- Eu... Lembrei.
Foi minha vez de ficar surpreso, um beijo e lá estava Arin com sua memória de volta, tudo parecia bom demais para ser verdade e segurei a emoção dentro de mim.
- O que? Lembrou-se de tudo?- Jer chegou ao meu lado.
- Não de tudo... Uma lembrança.
Minha alegria se esvaiu tão rapidamente quanto veio e fiquei furioso ao ver o alívio no olhar de Jer, já Arin aprecia assustada e com um conflito interno muito grande.
- Conte essa lembrança- Pedi.
Arin se sentou mais ereta e sentei na outra poltrona, peguei a mão fria dela e apertei meus dedos nos dela, ela não se retraiu e senti que aquilo a encorajou um pouco mais, depois de toda essa perda de memória Arin nunca mais foi a mesma filha de Ares, ela estava mais insegura e mais pacífica, coisa anormal para seus padrões.
- Eu estava dormindo no meu chalé, então ouvi umas batidas incessantes na janela, olhei e me deparei com você sorrindo e pairando no ar como Peter Pan, eu imediatamente abri a janela, você me pegou e saímos voando do acampamento, você me beijou durante todo o percurso e então... Entramos numa espécie de caverna, lá tinha tudo o que uma casa deveria ter, e nós deitamos num colchão, ficamos nos beijando até que paramos- Arin fez uma pausa e eu sorri ao relembrar a lembrança e lembrando o que vinha a seguir- Você olhou nos meus olhos e sussurrou “Eu te amo”, eu sussurrei de volta para você essas palavras e então você me fez jurar pelo rio Estige que ia sempre te amar, eu jurei e você também.
Sorri extremamente satisfeito com a lembrança, ela é uma das melhores de nós dois.
- E...?- Estimulei-a para saber se ela lembrava-se do resto.
- Nada. É isso.
- Uau- Jer disse sarcástico e se jogou no sofá em frente a Arin.
- Como isso pôde acontecer? Do nada... Simplesmente me veio a lembrança- Arin disse e olhou para mim a para Jer.
- Só pode ter sido o beijo, vamos testar de novo- Falei e me aproximei de Arin, mas ela libertou a mão da minha e rapidamente me refugou.
- Não, não quero.
- Mas Arin...
-Não Anthony!
- Eu acho uma boa ideia, vai lá- Jer disse com um olhar triste.
- Mas Jer...
- É sério Arin, se é isso que Afrodite quer para que você lembre, então é melhor fazer logo- Jer suspirou e olhou para as mãos, brincando com seu anel.
- Ouviu ele... – Falei e me aproximei de Arin.
- Não abuse!
- Com certeza!
Arin veio até mim e não quis o selinho primeiro, partiu direto para o beijo em si, tentei puxá-la para meu colo, mas ela se desvencilhou rapidamente, nem pude sentir o êxtase que os beijos dela me proporcionavam.
- Droga!- Arin xingou.
- Então...?- Jer disse.
- Lembrei-me de mais uma coisa, mas essa é breve.
- Fale!
- Eu estava segurando minha bandeja de comida e ao invés de me sentar-se à mesa de Ares, fui até a mesa de Zeus, dei um selinho no Anthony e então acabou.
- Quer tentar de novo?- Falei.
- Não!- Arin disse e puxou uma almofada para o colo, a segurou forte e todos ficamos em silêncio, eu não poderia estar mais feliz, finalmente eu tinha o jogo igualado.
- Então é isso- Jer disse, enfim.
- É isso o que Jer?- Arin perguntou.
- Vocês encontraram um ponto de atração.
Fale com o autor