Ponto De Atração

33 A Deusa, a Carruagem e a Surpresa


Notas iniciais
Cá está mais um capítulo, nesse vamos andar para frente e chegar finalmente em nosso destino... Ou será andar para trás?
Deleitem-se!

[Arianna]

Para meu eterno azar os meninos estavam acordados e zangados, principalmente Anthony que andava furioso pelo quarto a procura de algo para bater, já Jer estava encostado na parede olhando fixamente para mim, que estava paralisada na porta.

- Arianna! Onde Hades você esteve?- Anthony grunhiu furioso.

- Na rua...

- Poxa Arin! Custava pedir para um de nós a levar até lá?- Anthony continuou com a ladainha.

- Nós não estamos em guerra Anthony, não é como na Grande Guerra, eu não vou morrer por sair uns instantes na rua!

- Arin tem razão, vamos nos acalmar Anthony... – Jer falou, apaziguando os ânimos.

- De que lado você está Jeremias?- Anthony avançou para Jer.

- Arin, é claro.

- É claro.

Ficamos em silêncio e lembrei que eu deveria leva-los comigo para ver a Deusa, já que ela havia dito que finalmente teríamos respostas... E uma emoção, para variar.

Comecei a pegar minha mochila e juntei o que eu havia tirado para fora, os meninos me olharam tentando entender o que eu estava fazendo, mas Jer, sempre mais perceptivo de minhas ações do que Anthony, imediatamente começou a arrumar a sua mochila também, pegando o arco com a aljava que eu havia conseguido para ele com Caco.

- É um complô contra mim, é isso? Onde vocês pensam que vão?- Anthony disse tirando a mochila de minhas mãos num gesto rude.

- Nós vamos encontrar Afrodite, ela disse para nós irmos encontrar ela na torre Eiffel, agora- Falei e arranquei a mochila de volta, coloquei nos ombros e comecei a sair do quarto, se eles quisessem, que me seguissem.

Passei direto pela portaria e parei apenas uns segundos para ver que Jer vinha atrás de mim num ritmo acelerado, já de Anthony eu só ouvia os gritos de “Me esperem!” “Arianna, eu vou te matar se não parar agora!”. Para nossa sorte o recepcionista só falava Francês, mas sorriu assim que viu o brilho de nossas moedas.

Jer estava logo atrás de mim, já Anthony estava bem atrás, se arrastando pela rua, reclamando baixinho e praguejando com o vento, coisa que ele podia, literalmente, fazer já que é um filho de Zeus.

Cheguei aonde antes estava posta uma mesa com as mais deliciosas especiarias, além de chás de lembrança e agora não havia nada. Fiquei braba, só me faltava que a Deusa me faria esperar por ela, isso eu não iria aturar, se ela demorasse mais do que um minuto eu faria minha escolha ali, e agora. Contei os segundos.

50...51...52...

- Senhorita Arianna?- Uma voz masculina e rouca, como se faltasse o uso me chamou.

- Sim...?

- Minha senhora Afrodite a espera... Assim como seus acompanhantes, por aqui- Ele apontou para meu lado direito e começou a andar, sem se importar se eu o seguisse ou não.

Jer e Anthony alarmados com o novo intruso, vieram rapidamente para perto de mim e se colocaram cada um de um lado, como cães de guarda.

- O que ele queria?- Jer perguntou.

- Ele disse alguma cantada?- Anthony perguntou.

Olhei irritada para os dois, nem parecia que eu poderia matar vários monstros sozinha, como já tinha feito na Grande Guerra e como eu faria muitas vezes mais.

- Calem a boca, ele quer que nós o sigamos... Para Afrodite- Sai andando atrás do homem e os dois vieram firmemente ao meu lado, senti as mãos de Jer roçarem na minha, pedindo para andar de mãos dadas comigo, cedi.

Anthony já não pediu, como deveria ser seu hábito e pegou minha mão, não resisti e deixei que meus dois garotos me conduzissem para Afrodite e sabe-se lá o que ela estava planejando agora, eu sentia que a brincadeira ainda não havia acabado e para ela essa Novela Mexicana tinha apenas começado.

Ao longe uma coisa muito estranha começava a se destacar, nem perto de ser uma Limusine, era uma carruagem enorme e com dois lindos Pégasos à frente, bufando e fazendo barulho com o casco, impacientes para entrar em movimento. Continuei indo em frente, cada vez mais espantada com o que Afrodite teria preparado para nós, mas nem um pouco menos raivosa.

Lá estava uma linda carruagem puxada por dois belos Pégasos, ela era toda negra com detalhes em tons variados de vermelho, desde o vinho até o vermelho fogo. Ela tinha duas grandes rodas traseiras e duas menores na frente, onde o motorista já estava a nos esperar, a carruagem parecia pequena, mas a porta estava aberta e vi que era nossa deixa para entrar.

Afrodite estava ali dentro e sentei ao lado dela, Anthony e Jer sentaram a nossa frente e Jer e a Deusa trocaram um sorriso cúmplice que me deixou enjoada. De súbito a carruagem se mexeu e senti que estávamos saindo do chão.

- Gostaram desta relíquia?- A Deusa começou- Esta é uma Coupé de luxo, inventada no séc. XIX na França, nada mais cabível não acham? O seu nome provem do verbo francês couper – cortar, pois os passageiros ficam separados do condutor.

- Adorável- Comentou Jer.

- Seria melhor se eu viajasse controlando os ventos... – Anthony disse.

Afrodite me olhou, esperando uma resposta.

- Preferiria uma biga...

- Como todo filho de Ares... – A Deusa suspirou.

- Já ia me esquecendo!- Ela tirou três pedaços de cetim preto e deu um para cada- Quero que se vendem, é surpresa o que temos pela frente! Meu maior feito!- A Deusa sorriu, orgulhosa de si mesma.

- Nem pensar, já me submeti demais a você- Falei devolvendo o cetim a Afrodite.

— Você quer ou não respostas?- A Deusa me olhou feio e Jer me lançou um olhar significativo e então coloquei o maldito cetim nos meus olhos, Jer e Anthony tinham feito o mesmo e senti um pé me chutar, eu sabia que fora Jer, me dando apoio. Eu odiava me submeter a qualquer pessoa, mas aquela Deusa mexia com meus sentimentos e pensamentos, apesar de que desde o chá de lembranças que eu estava decidida... Ou quase isso.

- Acho que gostarão do que eu preparei, tive ajuda de muitos outros Deuses!- Afrodite se vangloriou.

- Como assim?- Anthony perguntou.

- Ah! Athena me ajudou, com uma recompensa, é claro. Meu marido, Hefesto também ajudou muito, os ciclopes também, ah! E Dédalo também colaborou muito com tudo isso, mas quem teve todas as ideias fui eu!

- Incrível- Murmurei, desanimada para ver o círculo de horror que ela deveria ter preparado com uma ajudinha.

- Eu sei!- A Deusa não reparou no meu sarcasmo.

- Fale mais Afrodite sobre... Hum... Esse presentinho... — Jer pediu, educado como sempre.

- Não posso, já vamos chegar!

- Finalmente- Reclamei e então um pouso não tão calmo assim me fez cair para cima de Anthony que mesmo vendado conseguiu me segurar fortemente contra si.

- Já deu Anthony- Falei após passar a turbulência do pouso e me desvencilhei dele, caindo meio em cima de Afrodite que não reclamou.

- Chegamos! Podem tirar as vendas, eu só não queria que vocês vissem o caminho e para dar mais suspense, olhem para a direita e pasmem!- A Deusa abriu a porta da carruagem e realmente pasmei muito com o que vi.

Em minha frente estava uma muralha enorme, cerca de nove metros de altura, com farpas nas pontas e alguns guardas lá em cima, nos olhando curiosos. Um portão enorme de metal estava levantado e uma vala enorme com estacas de madeira afiada nas postas separava o portão para entrar naquele lugar e nós.

- Bem vindos ao condado de Lady Arianna!- Afrodite disso num tom levemente afetado e fez um gesto que os guardas entenderam para baixar a ponte, então lentamente pude ver a vastidão do trabalho perfeccionista de Afrodite. Ela havia pensado em tudo.

Havia casas, pessoas, animais... Tudo o que um condado medieval precisava ter.

Notas finais
No próximo capítulo vai ser detalhado melhor tudo isso, espero que gostem, peguei até um livro na escola sobre a Idade Média para ser mais realista.
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