Ponto De Atração
41 4 dias- 2ª parte
2º dia
[Anthony]
No meio do caminho nos perdemos e acabamos andando por um bom tempo para cá e para lá sem que Frankie conseguisse localizar onde estávamos, era incrivelmente chato e irritante, pois a essa altura Jeremias já poderia estar muito perto do presente, seja lá o que ele poderia ser.
Depois de muito tempo começamos a encontrar ossos pelo caminho, pareciam de animais, mas não havia como saber ao certo. Andamos mais para frente, mas paramos bruscamente assim que um monstro parou em nossa frente.
Um Drakon de Lídia estava parado ali, nos encarando. É uma raça milenar de gigantes dragões com corpo de serpente. A maioria deles não tem asas e não cospem fogo (embora alguns o façam). Todos são venenosos e imensamente fortes, com escamas mais resistentes que titânio. Seus olhos podem paralisar quem os olharem e aquele em especial é a mais antiga e mais feroz das raças dos Drakons.
– Droga!- Praguejei.
Saquei minha espada e puxei as rédeas do cavalo, o fazendo retroceder, e Frankie foi muito rápido, perfurou os olhos do monstro o fazendo cambalear para trás, confuso. Saltei do cavalo e o amarrei precariamente na árvore, segurei firme minha espada e avancei para frente, mas ele sacudiu o enorme corpo, e o rabo bateu em mim e me fez cair de costas numa árvore.
Senti uma dor aguda e suspirei ofegante, ele não iria me derrotar.
Lancei uma lufada de ar no Drakon que urrou, deu uns passos para trás, mas não caiu. Ele tateou cegamente com as enormes unhas para frente, em busca de algo para cravá-las, mas não achou. Peguei minha espada mais firme em minha mão e decepei uma mão do mostro feioso que caiu no chão perto aos meus pés, chutei a mão (ou garra, não sei ao certo) e Frankie deu grito de guerra, animado com a matança.
Dei um golpe no peito do Drakon, mas minha espada apenas bateu nas escamas e deu um repuxo em meu braço, minha espada voou para longe e tirei a armadura, ela apenas me atrapalhava e agora estava torta no braço, onde o repuxo havia acontecido. A armadura caiu em minha frente e saltei sobre ele que tateava cegamente pela frente, sem conseguir me acertar.
Fiquei preso atrás do pescoço do enorme e gordo monstro, ele se sacudiu e soltou fogo, queimando uma árvore, estiquei minha mão e puxei minha espada através do vento, assim que ela repousou em minha mão, dei um golpe que quase o decapitou, pois apenas nas articulações é que ele poderia ser golpeado.
O feioso se desfez em poeira negra e caí em pé com a espada pingando o sangue negro do Drakon de Lídia, a maior fera da raça deles.
– Ótimo, vamos andando- Frankie disse e me entregou meu cavalo.
– Por que agora sabe onde estamos indo?- Montei no cavalo impaciente.
– Sim, ouvi umas vozes femininas no rio, acho que tem umas jovens se banhando.
Andamos mais um tempo até que chegamos em uma clareira, assim que o rio se tornou visível reparei que haviam muitas jovens ali, todas de biquínis feitos de flores e folhas e fiquei estupefato quando umas delas se virou.
Ana.
Além de Ana lá estavam todas as meninas que eu já tinha ficado, todas mesmo. Eu nem conseguia me lembrar do nome da maioria, mas mais de vinte garotas me olhavam com o rosto franzido, uma máscara de fúria.
– Anthony!
– Idiota!
– Eu vou te matar!
– Não! Eu vou te matar!
Todas gritavam ofensas, promessas de morte e tortura, mas nenhuma foi mais rápida do que Gabi, a filha de Ares, irmã de Arianna. Deve ser coisa de família, mas ela deu uns passos rápidos para frente e agitou o chicote mágico de prata que estalou ameaçador no ar e então veio até mim, prendeu meus braços ao redor do corpo fazendo minha espada cair.
Gabi riu daquele jeito irritante dos filhos de Ares e veio lentamente até mim assim como as outras que se mexiam como cobras.
– Sempre foi muito fraco!- Gabi andou até mim ainda me mantendo preso pelo chicote.
– Frankie, me ajude agora se quiser cara- Murmurei, mas ninguém me respondeu, olhei para os lados e não vi ninguém, ele havia sumido.
– Então como vai ser? Vamos torturá-lo? Ou matar logo?- Gabi perguntou.
– Torturar!- Todas as garotas responderam em uníssono.
– Ah meninas, vocês não vão querer me torturar, posso dar algo bem melhor para vocês quando estou inteiro...
– Ninguém quer mais nada de você Anthony!- Uma ruiva alta e esbelta gritou e achei que fosse Tina, a filha de Afrodite.
Na verdade, a maioria ali era filha de Afrodite, mas uma se destacou na multidão de garotas, uma loira do tipo gostosapradedéu estava com um salto na mão, batendo contra a palma de um jeito inquietante, a loira do Coliseu (aquela que Arin havia insultado e apavorado) finalmente teria sua vingança.
– Acho que no fim, é o seu rostinho que vai virar uma massa de pele desfigurada e não o meu- A loira disse.
– Err... Meninas, podemos resolver isso na conversa...
– Maltratem-no!
Muitas delas vieram para cima de mim, tentei pegar minha espada, correr, mas qualquer esforço era inútil contra a força que o chicote de Gabi me segurava.
Uma delas cortou meus braços com as unhas vermelhas, deixando longas marcas, outra cortou minha cota de malha para ter mais pele para rasgar, queimar e fazer todo tipo de coisa torturante.
Uma passou uma coisa verde em meu obro que me queimou, chiou e quase gritei de dor, mas não demonstrei fraqueza.
Gabi deu um puxão com o chicote e cai de costas na grama úmida de orvalho, uma morena pequenina saiu de trás das outras, esfregava algo entre as mãos e veio lentamente até mim.
– Lembra- se de mim Tony?- Ela disse.
– Não...
– Claro que não, meu nome é Melindre e você gentilmente me usou numa festa do chalé 9... Flores de Lótus e muitos amassos e depois... Me ignorou, disse que eu era muito pequena para você, que eu não tinha o corpo perfeito e que cheirava a mortos!
Ah. Melindre, a filha de Hades.
– Melindre...
– Agora isso vai doer apenas um pouco!- Melindre colocou aquilo que esfregava em minha perna direita e senti que estava quente, ela sorriu e vi alguns resmungos “Sério Melindre?” “ Vai puxar isso mesmo?” “Ela é sádica, só isso”.
Melindre puxou e gritei. Ela havia arrancado metade dos pelos de minha perna direita e nunca me senti tão desnudo como agora, minha pele formigava de dor e eu estava pedindo para morrer do que continuar com aquela dor.
As outras gritaram em vivas, elas queriam me ver sofrendo.
– De novo!
Mais um. Mais um grito.
Alanis, a ninfa do acampamento Meio- Sangue desenhou algo em meu braço com uma tinta preta, não vi direito o que era, mas possivelmente não era um número de celular.
– Desculpe-se!- Frankie gritou do alto de uma árvore.
Uma garota com cabelo cor de rosa chegou perto de mim e mostrou a língua, parecia uma cobra. Abriu minha boca e sacou uma lâmina, ela iria cortar a minha como a dela.
– Agora vamos poder nos beijar decentemente.
– De...Desesculpi– Falei meio enrolado por ela segurar minha língua.
Ela me encarou e soltou minha língua.
– Desculpem- Repeti e todas me olharam, confusas e então uma disse quase que mecanicamente:
– Isso não acaba assim, mas procure a sereia, talvez você viva.
E sumiram. No ar, como poeira, como magia divina.
– É... Isso foi assustador!- Frankie surgiu ao meu lado.
– Me ajude a sair!- Reclamei e ele me soltou das amarras do chicote.
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