Poltrona 19

26 A vida é um brinquedo de girar


Notas iniciais
Oi lindos da K! Como vocês estão? Espero que bem! Estou com imensa saudade de todos! Depois de altos e baixos, apareci com o capítulo mais gigante da história dos capítulos gigantes! Hahaha Espero que não achem ruim, só queria recompensar todo esse tempo sem postar e por encher a cabeça de vocês com meus problemas. Boa leitura a todos!

Bruno colocou a garrafa no chão e a girou. Por um breve momento tudo que se ouvia era a música de fundo e a conversa de desconhecidos ao longe, pois todos se calaram esperando a garrafa parar de girar e quando ela parou, indicou que o aniversariante da noite, desafiaria Bruno.

– Vamos lá, Renan! Seja criativo! – pediu Bruno.

– Eu poderia te desafiar a fazer um milhão de coisas, mas por ser você, todo metido a garanhão e pegador, orgulhoso e o caralho a quatro... Eu te desafio a pegar a Yasmim Rocha, do Terceiro C. – desafiou Renan e houve um grito uníssono por parte de todos os amigos mais próximos de Bruno, mas eu não entendi nada. Gabriel que estava ao meu lado apoiou a cabeça no meu ombro para poder rir e a gargalhada que ele deu foi tão alta e tão gostosa, que eu sorri.

– Quem é essa Yasmim e desde quando beijar alguém é um desafio difícil pro Bruno? – indaguei.

– Eis que Yasmim é uma garota que o Bruno conhece desde criança... – Renan começou a explicar. – Porque eles estudaram juntos no jardim de infância. Ela ficou afim dele e se mudou para todos os colégios para qual ele ia. Era muito psicopata e ela é estranha pra caralho!

– Estranha, gorda e feia pra caralho! – disse Bruno mal humorado e todo mundo começou a rir.

– Mas ainda tem o detalhe de que, parece que depois de tanto esperar e sofrer pelo Bruno, ela virou lésbica e pegou um ódio mortal dele. – continuou Gustavo.

– Deixa eu ver se entendi... Você só precisa beijar uma garota lésbica, que praticamente fundaria um clubinho chamado “Eu odeio o Bruno”, por tê-la feito sofrer a vida inteira? – perguntei sarcasticamente. – Boa sorte!

– Ela não é a única no clubinho. – resmungou Luiza e Gabriel que ainda estava apoiado em mim, finalmente conseguindo parar de rir, voltou a ter crise de riso. Dei um tapa em seu braço, para ele ver se desconfiava que estava sendo inconveniente, mas não adiantou.

– Você vai me pagar por isso, Renan. – disse Bruno que saiu andando, provavelmente atrás da tal Yasmim. Imediatamente começamos a segui-lo.

– Faço questão de filmar isso no meu celular. – avisou Renan.

– Vou criar um grupo no whatsapp com todos nós e aí qualquer foto ou vídeo que vocês gravarem, já vão mandando no grupo. – disse Carol. – Assim todo mundo já recebe tudo.

– A gente ta parecendo uma gangue. – observou Bárbara, que caminhava ao meu lado. Eu ri, porque estávamos mesmo. Um grupo de quase vinte pessoas seguindo Bruno.

Nós andamos bastante atrás da tal garota, praticamente por todo o local da festa e eu perguntei se eles sabiam se ela estava ali. Renan garantiu que sim porque havia visto ela chegando com uma amiga dele que também é amiga da garota. Depois de um longo tempo, a encontramos. Não soube porque a reconheci, já que não fazia ideia de quem ela era, soube porque os meninos começaram a zoar o Bruno loucamente.

– Vocês são ridículos! – afirmei. – Não é nada engraçado ficar zombando da menina assim, só porque ela foge dos padrões de beleza.

– Não é bullying, é exposição da realidade. – rebateu Gabriel.

– Não é engraçado. – insisti falando sério.

– Quem ta bancando a chata agora é você, Isabelle. – afirmou Amanda e eu fiquei calada.

– E então, o que vai fazer? – perguntou Gustavo ao Bruno.

– Vou chegar lá, tentar conversar, mandar um migué de que quero acabar com esse clima estranho entre a gente, porque já somos maduros, levar ela na conversa e cumprir essa merda. – respondeu.

– Sério mesmo que o garanhão acha que vai conseguir? – indagou Leticia de braços cruzados e todo mundo olhou para ela.

– Sim, eu vou! – afirmou Bruno.

– Ela é lésbica! Não sei o que se passa na cabeça dos homens para acharem que conseguem pegar ou converter qualquer lésbica por ai, mas vocês estão muito enganados. Você jamais vai conseguir levar ela na conversa. No máximo, se for convincente o suficiente, consegue fazer ela deixar de te odiar, mas pegá-la, de jeito nenhum. – respondeu Leticia e eu concordei com cada palavra.

– Pois eu vou provar que você esta errada! – disse Bruno e saiu andando na direção de Yasmim. Vi Renan se aproximar o máximo possível, com a câmera do celular apontada para os dois, sem que ela percebesse.

– Isso vai ser hilário! – afirmou Gabriel e deu um gole em sua cerveja.

Bruno se aproximou de Yasmim e primeiro cumprimentou outras duas garotas que estavam com ela, depois a cumprimentou. A expressão dela no momento em que ele fez isso não foi agradável e já foi o suficiente para nos fazer rir. Ele disse algo para ela, então eles se afastaram um pouquinho do resto das meninas e começaram a conversar. Bruno gesticulava bastante, enquanto Yasmim manteve uma postura reta, com os braços cruzados na frente do corpo.

– Com base nos meus estudos de comportamento – disse –, ela está mantendo a postura de quem não vai ceder a seja lá o que ele quer. E Bruno gesticulando tanto daquele jeito, está visivelmente nervoso, provavelmente já tendo percebido isso.

– Eu acho que ele vai apanhar dela. – comentou Caio.

– Eu acho que amo o Renan, porque vou zoar o Bruno pelo resto da minha vida. – afirmou Gabriel.

– Com toda certeza do mundo, eu vou me aproveitar disso para chantageá-lo. – completou Gustavo e por um breve momento tive dó do Bruno. Breve mesmo, não durou mais que dez segundos.

Continuamos observando a cena dos dois conversando, até que Bruno começou a aproximar da garota e de repente, levou um mega tapa na cara. Enquanto ele tentava se recompor, a garota voltou para a rodinha das amigas e praticamente todo mundo ao redor estava olhando para ele. Quanto a nós? A gargalhada foi uníssona.

– Eu disse que ele não conseguiria. – avisou Leticia.

– Eu disse que ele apanharia. – completou Caio.

Então para a nossa surpresa, um Bruno bastante nervoso, andou novamente na direção de Yasmim. Quando ele chegou até ela, já estava prevendo o segundo tapa que o coitado levaria, mas ele segurou seu braço e disse algo apontando o dedo indicador para Yasmim, como se estivesse dando bronca em uma criança e logo em seguida, a roubou um beijo. Deu pra perceber que a garota tentou resistir e o empurrar, mas Bruno foi muito mais insistente e venceu o desafio. Ele voltou até nós caminhando vitorioso, com as mãos na cintura e então parou na frente de todo mundo com os braços cruzados na frente do peito. Logo Renan chegou e parou ao seu lado.

– Eu sou o rei dos desafios! – gritou Bruno apontando os dois dedos do meio para Renan. – O migué não funcionou, mas...

– Eu disse que não funcionaria. – interrompeu Leticia orgulhosa e Bruno ignorou.

– Mas... – continuou Bruno. – Se ela achava que ia me dar um tapa daquele e sair ganhando, estava muito errada. Eu sou o cara e falei isso pra ela. – é claro que nós rimos, porque o Bruno é inacreditável.

– E eu tenho uma gravação do garanhão não só beijando Yasmim Rocha, como levando o tapa do século. – rebateu Renan e Bruno fechou a cara. – Aliás, já mandei o vídeo no grupo de nome bizarro que a Carol criou.

No momento em que Renan disse isso, ele aguçou a curiosidade de todo mundo que pegou seus respectivos celulares para poderem olhar tanto o grupo, quanto o tal nome, inclusive eu. E o nome era “Ζεις μόνο μία φορά”. A pergunta que se seguiu saiu involuntariamente da minha boca.

– Que porra de nome é esse?

– Eu não sei nem tentar ler isso. – disse Rafa.

– Seria algo tipo “Zeis móno mía fora”. – respondeu Carol. – É o lema de vida da Isabelle em grego.

– E qual seria meu lema de vida?

– YOLO! – gritou Carol levantando os braços para cima e eu gargalhei.

– Vamos ao próximo desafio logo. – disse Rafaella guardando o celular de volta no bolso e fizemos o mesmo. Ela colocou a garrafa do jogo no chão e a girou. Pela ordem de Bruno, ela era a próxima a ser desafiada. E pela ordem da garrafa, Gabriela seria quem a desafiaria.

– Vale sair da festa? – perguntou Gabriela ao Bruno e ele assentiu. – Então iremos ao supermercado e depois a casa de uma pessoa.

– Só uma pergunta... – anunciou Renan chamando a atenção para ele. – Eu estou dando uma festa e não participarei dela?

– Nós somos a verdadeira festa, Renan. – respondeu Bruno passando o braço por cima de seu ombro. – Acredite, você não vai querer ficar.

E assim seguimos para o lado de fora da festa. Eu estava com um carro, Henrique estava com outro e Caio também, então nos dividimos em três grupos. Amanda, Leticia, Bárbara e Nicolas iriam comigo. Assim que entramos no carro, coloquei o cinto de segurança e dei mais um gole na garrafa de vodka que ainda estava comigo, depois a entreguei para Amanda que estava sentada no banco do passageiro.

– Isabelle... – chamou Bárbara enquanto eu ligava o carro. – Por favor, não nos mate. – pediu e todo mundo riu.

– Ela dirige bem. – me defendeu Leticia.

– Mesmo depois de estar terminando uma garrafa de vodka? – perguntou Nicolas. Eu olhei para a garrafa, olhei para eles no banco de trás e tudo que pensei foi “querido Deus no qual eu não acredito, nos abençoe essa noite, porque precisaremos”.

– Com sorte, chegaremos vivos em casa ao final disso tudo. Só não garanto que em perfeito estado... – respondi tirando o carro da vaga onde meu pai havia estacionado e todos riram novamente. – Agora me expliquem: por que você e Bárbara ainda estão sóbrios mesmo? Passa a garrafa pra eles, Amanda. – ordenei e ela obedeceu.

– Eu duvido que eles consigam beber isso puro. – disse Leticia.

– Pois eu os desafio. – disse brincando e logo em seguida ouvi a voz de Nicolas e Bárbara dizendo “meu deus, isso é a coisa mais horrível do mundo”, “isso queimou minha garganta”, “como você consegue gostar disso?” e várias coisas do tipo. É claro que eu ri.

– Não se gosta do gosto do álcool, se gosta do efeito. – foi tudo que respondi antes de pararmos ao lado do carro de Henrique. Estavam no carro: o dono, Gabriel, Renan, Heitor e Bruno.

– Você fica tão sexy dirigindo que eu te levaria pra minha cama. – disse Gabriel brincando, mas no fundo, eu sabia que não era brincadeira.

– Ah, sabe como é, só durmo com caras tão sexys quanto eu. – respondi no mesmo tom e acelerei o carro, não dando a ele a possibilidade de responder.

Amanda ligou o som à procura de algo “agitado” para ouvirmos, como ela própria disse e acabou deixando numa rádio em que estava tocava uma música pop, que ela me contou ser algum lançamento novo da Demi Lovato. Eu não sabia que a Demi Lovato agora cantava pop, mas levando em consideração que tenho certa apatia pela tecnologia e ao contrário dos adolescentes normais, eu quase não fico na internet, é aceitável que eu não saiba muita coisa sobre as coisas.

Não demorou para que chegássemos ao tal supermercado onde combinamos de encontrar. E como a garota matura que sou, a primeira coisa que fiz ao descer do carro foi sentar dentro de um carrinho de compras e ordenar que alguém me empurrasse, o que Gabriel fez. As pessoas não nos olharam com uma cara muito legal quando adentramos o estabelecimento, mas por se tratar de um supermercado grande, nenhum funcionário veio encher o saco. Eles nos olhavam, mas aparentemente estavam focados demais em odiar suas próprias vidas, por estarem trabalhando num sábado a noite, para nos dizerem qualquer coisa.

Gabriela nos guiou até o setor de cosméticos, pegou uma tinta de spray e entregou na mão de Rafaella. Então todo mundo ficou olhando para ela sem entender absolutamente nada. O que Rafaella faria com uma tinta de spray?

– Recentemente nossa querida amiga Rafa, teve problemas com um cara. – contou Gabriela. – Ele dizia estar apaixonado, mas descobrimos que o idiota não só estava curtindo com a cara dela, como tinha namorada.

– E pelo visto, você tem um plano mirabolante de vingança, que envolve uma... tinta de spray? – perguntei.

– Nós iremos até a casa do idiota e nossa querida Rafa, deixará um belo recado para ele, no muro de sua casa. – explicou Gabriela. E eu até que gostei do plano.

– WOW. – foi o único comentário que ouvimos e vindo de Gustavo. – Minha mãe surtaria se isso acontecesse na minha casa.

– De acordo com o Art. 65. da lei de crimes ambientais, pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano, dá a pena de detenção de três meses a um ano, e multa. – comentei.

– Você é o Google? – rebateu Gabriel e eu ri.

– É isso ai Rafaella... – disse Gabi. – Eu te desafio a infringir a lei e pichar o muro da casa do idiota do Igor.

– Desafio mais que aceito. – respondeu Rafa.

Eu olhei para a estante de produtos ao meu lado e vi uma parada que se chamava tinta fantasia.

– O que seria tinta fantasia? – perguntei apontando para o negócio.

– O que você usava no seu cabelo anos atrás. – respondeu Leticia. – O que me leva a pensar que você deveria saber.

– É tinta colorida? Sei lá, eu pintava no salão. Não fazia ideia do que a mulher passava no meu cabelo.

– Sim, mas são tintas temporárias. Algumas saem na primeira lavagem, outras duram algumas semanas. – explicou Amanda.

– Você já teve cabelo colorido? – perguntou Carol.

– Mechas rosa e verde. – contou Leticia.

– Ai que legal! – gritou Carol. – Eu sempre quis ter, mas só fica legal pra loiras.

– As loiras vão dominar o mundo. – respondi pegando algumas das tintas fantasias e lendo os rótulos. Achei uma de spray que dizia sair na primeira lavagem, então peguei cinco tubinhos enquanto todo mundo me direcionou olhares curiosos. – Eu vou pintar o meu. – afirmei acabando com o suspense.

– Se você ainda ficar linda com cinco cores no cabelo, eu vou entrar em depressão. – disse Bárbara.

– Já pode procurar um psicólogo então... – respondeu Leticia.

Nós fomos em direção ao caixa e pagamos tudo que pegamos: minhas tintas, os sprays que Gabriela precisaria e algumas bebidas que Bruno pegou pelo caminho, enquanto eu estava ocupada demais discutindo com o Gabriel sobre pintar meu cabelo inteiro ou só as pontas. Eu queria as pontas, ele queria o cabelo inteiro. Eu argumentei que o cabelo é meu e venci a briga. Então nos reunimos no estacionamento para bolarmos um plano para Rafa realizar seu desafio.

– Pichação é realmente considerado crime e a gente corre risco de ter câmeras na casa ou nas casas vizinhas. Então eu acho recomendável que vá apenas duas pessoas, a Rafa para cumprir o desafio e alguém que tope ir para filmar, enquanto o resto espera nos carros na esquina. E as duas pessoas que forem precisam estar com o rosto o mais tampado possível. – palpitou Carol, um plano que me pareceu excelente.

– Eu topo ir para filmar. – me voluntariei.

– Você é viciada em adrenalina? – perguntou Heitor, que até então se mantinha quieto.

– Tenho cada vez mais certeza. – Gustavo respondeu por mim.

– Eu tenho duas blusas de frio no meu carro. – disse Henrique. – Vocês podem colocar e deixar o capuz escondendo o rosto.

– Ótima ideia! – exclamou Rafa e acompanhou Henrique até seu carro para pegar as blusas. Enquanto isso Bruno começou a servir bebida para todos nós, em alguns copos de plástico que ele também havia comprado. É impressionante como bêbado pensa em tudo. Ouvi Renan comentar algo do tipo “tem bebida de graça, na minha festa, na qual eu não estou e nós gastando dinheiro com mais em um supermercado”. Eu achei engraçado.

Me sentei no chão do estacionamento, peguei as tintas fantasias e pedi a ajuda de Leticia para aplicar. Luiza perguntou umas dez vezes se eu ia fazer aquilo mesmo e eu tive que explicar umas dez vezes que a tinta sairia na primeira lavagem, além de que eu não estava nem aí. Nós separamos meu cabelo em mechas e aplicamos as tintas nas pontas, intercalando-as. Todo mundo ficou me observando como se eu fosse maluca, enquanto meu cabelo loiro ganhava cores como rosa, azul, roxo, verde e laranja.

– Parem de me olhar assim! – ordenei. – Isso vai sair quando eu tomar banho!

– E se não sair? – perguntou Nicolas.

– Vai sair! Ta escrito na embalagem.

Quando terminamos, as mãos de Leticia estavam manchadas e coloridas, assim como as minhas e o meu casaco cinza também. Que do meu cabelo sairia eu tinha certeza, só rezei para que saísse de tecidos também, porque eu amo esse casaco. Eu guardei o resto das tintas na minha bolsa, coloquei de volta meu chapéu e levantei sob os olhares do pessoal.

– E então? – perguntei sem ainda ter me olhado num espelho ou algo do tipo.

– Em depressão. – respondeu Bárbara.

– Linda como sempre. – completou Carol.

– Você. É. Demais. – finalizou Gabriel, me fazendo rir. Eu peguei meu celular, liguei a câmera frontal e finalmente vi minhas novas madeixas. Queria ter pintado com uma tinta permanente, porque realmente achei incrível.

– Fotos! – gritou Amanda. – E não to falando só de você, Nemitz. Vamos tirar uma foto todo mundo junto. – ela ordenou e então, abordou uma mulher que estava passando por nós, pedindo para que ela tirasse a fotografia. Nós nos juntamos e posamos para a foto, que foi seguida por uma serie de selfies. Eu tirei foto com absolutamente todo mundo e rezei para que todos mandassem as fotos no grupo, porque tiramos de um zilhão de celulares diferentes.

Quando a sessão fotografia acabou, Rafaella nos passou o endereço do Igor e entramos nos carros para seguirmos rumo ao segundo desafio. Quando chegamos na rua da casa do garoto, estacionamos os carros na esquina e Leticia me passou a blusa de frio que Henrique emprestou. Coloquei a blusa, levantei o capuz e vi Rafaella descer do carro de Caio, então fiz o mesmo. Andamos até chegar em frente a uma casa com um muro marfim enorme.

– É aqui. – avisou Rafaella. – Eu estou nervosa. – admitiu segurando o capuz em seu rosto, de forma que desse para o tampar o máximo possível. – Tenho medo de ele descobrir e me odiar pelo resto da vida.

– Você sabe que ele merece isso... – disse na tentativa de fazê-la se sentir melhor, enquanto procurava por câmeras no muro. Não encontrei nenhuma, ponto positivo. – Ele foi um filha da puta com você. Na verdade, por mim, ele levaria um belo chute no saco, para ficar se remoendo por algumas horas.

– Eu sei. O problema é que mesmo depois de tudo, ainda gosto dele. Eu nem queria ter ido pra essa festa, se pudesse teria ficado na minha casa.

– Ouvindo música depressiva, chorando e provavelmente conseguindo até colocar a culpa de algo que você com certeza não é culpada, em si mesma? – deduzi, procurando por câmeras nas casas vizinhas e também não encontrei. O mundo estava conspirando a nosso favor. Olhei para ela e vi uma garota que parecia estar tentando se esconder dentro de suas próprias roupas, como se isso fosse a esconder do mundo. – Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que não importa o que uma pessoa faça, se você gosta dela de verdade, é impossível que a esqueça de repente. Mas um dia, você olha para traz e dá risada, é quando você percebe que esqueceu, quando percebe que passa. Tudo na vida passa. Ele não é o primeiro cara de quem tu gostou e não vai ser o último. Ele também não é o primeiro cara que te magoou e com certeza não será o último. O grande segredo é não deixar a tua vida passar, porque essa, essa passa muito mais rápido do que percebemos. Não deixa de viver por ele, porque ele não vai deixar de viver por você. Não é fácil, mas não é fácil pra ninguém. E eu garanto que sair por ai e descontar sua raiva no muro da casa do idiota, é bem mais reconfortante que encharcar seu travesseiro. – quando terminei de dizer, ela sorriu para mim e me deu um forte abraço.

– É melhor fazermos isso logo, antes que nos peguem no flagra, né? – ela falou tirando a tampa do spray e eu assenti. Liguei a câmera do meu celular, comecei a filmar e então Rafaella seguiu até o muro, onde começou sua vingança.

Rafaella foi rápida, mas caprichou no recado. Eu sorri ao ler cada palavra da frase: “Igor, você é um verme desprezível que não merece nada além do nojo das pessoas”. Quando ela terminou, olhou para mim e eu fiz um sinal positivo, mas antes de sairmos de lá, eu mesma quis deixar um recado. Entreguei o celular para ela que ficou confusa, peguei o spray e segui até o muro, onde logo embaixo escrevi “Vá se foder”. Olhei para a câmera e disse “Você mexeu com as amigas da pessoa errada, idiota”.

Nós voltamos para os carros caminhando de braços dados e rindo. Eu olhei para Rafaella e soube naquele instante em que ela dava uma gargalhada, após ter comentado que pagava para ver a cara do Igor quando visse aquilo, que eu havia compartilhado um pouquinho da dor dela e que isso de alguma forma, fez ela se sentir mais leve. E eu fiquei feliz por esse momento, principalmente porque soube que havíamos oficialmente selado nossa amizade.

Ela seguiu em direção ao carro de Caio e eu entrei no meu, assim que entrei, Amanda perguntou:

– E ai, ela cumpriu?

– Cumprimos. – respondi pegando meu celular para mandar o vídeo no grupo, que até então só tinha o vídeo do Bruno. Assim que mandei, Gabriel mandou uma mensagem em que dizia “Tem uma pracinha aqui perto, sigam a gente que vamos pra lá, aí vemos qual vai ser o desafio do bosta do meu irmão”.

Nós seguimos o carro de Henrique até uma pracinha realmente perto dali e completamente vazia, por não podermos dar a mancada de ser vistos perto da casa do Igor logo depois de o muro ter sido pichado. Quando todo mundo já havia decido dos carros e estávamos em uma roda, Henrique girou a garrafa e olhamos para Caio esperando pelo desafio que ele lançaria.

– Eu te desafio a entrar em uma boate e ativar o alarme de incêndio. – desafiou Caio, sem rodeios.

– Isso vai ser treta... – comentou Heitor.

– Não tanto, porque serei generoso. – respondeu Caio. – Meu tio é dono de uma boate sertaneja no Centro e eu sei que não tem câmeras lá, então você só vai ter que ser foda o suficiente para que ninguém te veja acionando o alarme e conseguir se misturar no meio da galera quando o caos reinar. Porque meu amigo, se te pegarem, não vou te salvar não.

– Eu acho uma sacanagem do caralho, mas não tão difícil assim. – disse Gabriel.

– A questão é, eu sei que o alarme de incêndio fica na parede atrás do balcão...

– Agora sim é treta. – afirmou Gabriel dando tapinhas no ombro de Henrique.

– É impossível! – reclamou Henrique.

– Não. – falou Caio. – Vou tentar explicar... Imaginem que o balcão é um L, na parte em que o balcão encontra a parede, é ali que fica o negócio. É justamente pra qualquer pessoa poder acioná-lo, caso ocorra um incêndio de verdade, mas fica basicamente sob “vigília” dos garçons. – ele explicou e então olhou na direção de Henrique, esperando por sua resposta. – E ai?

– Onde fica essa boate? – perguntou Henrique e entendemos que ele realizaria o desafio. O Caio explicou o endereço para todo mundo e por um breve momento fiquei com um pouco de receio por ficar dirigindo pelo Centro, porque não tenho carteira de motorista, mas deixei pra lá. O combinado ficou de estacionarmos em uma rua atrás do local.

Quando estávamos voltando para os carros, vi Gabriel pular nas costas de Henrique e não consegui segurar o impulso de observá-los. Acho que não consigo vê-los como irmãos, mesmo que as semelhanças sejam muitas. Os mesmos cabelos castanhos, quase loiros e os mesmos olhos também castanhos. Apesar de que Henrique possui muito mais traços adultos, quase que como a diferença entre mim e Natália.

Desde que conheci Henrique, para mim é como se ele fosse apenas mais um dos melhores amigos de Gabriel, eu nunca tinha o enxergado como o irmão mais velho de Gabriel. Nunca consegui imaginá-los crescendo juntos, ou como seria a relação dos dois dentro de casa. Nunca consegui imaginar Gabriel se inspirando nele, como a maioria dos irmãos mais novos faz. Até agora. Quando percebi que só não conseguia imaginar tudo isso, porque nunca havia parado para pensar nisso.

E de repente me peguei pensando em como havia sido a reação de Henrique a morte de Alice e se ele sofreu ou sofre tanto quanto Gabriel. De repente estava pensando em como deve ter sido para os pais dos dois e se a irmã mais nova deles, se lembra dela. Um milhão de perguntas surgiram em minha cabeça e eu não conseguia parar de pensar em como deve ser entrar em casa e não encontrar uma parte de sua família lá. Nunca mais.

Quando percebi estava prestes a chorar, porque você não consegue imaginar o quão grande é a dor de alguém, até senti-la e de alguma forma, pensar naquilo, me fez sentir. Por um instante senti vontade de abraçar Gabriel, porque eu não conseguiria lidar com aquilo.

– Isa, ta tudo bem? – perguntou Leticia parada ao meu lado, me trazendo de volta à realidade. Percebi que estava há minutos paralisada com a mão na maçaneta do carro e que todos já estavam dentro dele apenas me esperando.

– Ta sim. – respondi sorrindo e abri a porta. Entrei no carro e Leticia fez o mesmo, então seguimos para o Centro.

Quando chegamos na porta da boate ficou decidido que apenas Henrique entraria, cumpriria sua missão e a filmaria, porque 1º) Nós não pagaríamos para entrar num lugar, de onde sairíamos alguns minutos depois e 2º) Não temos idade para entrar. Então tentamos pensar em alguma coisa para fazer enquanto esperávamos, só que apenas tentamos, uma vez que Gabriel, Bruno e Amanda, vulgo celebridades de Curitiba, estavam no Centro e a cada segundo brotava um ser humano do chão para cumprimentá-los. Por fim, arrastei Nicolas e Bárbara comigo até um barzinho da esquina.

– “É proibida a venda de cigarros e bebidas alcoólicas a menores de 18 anos”. – disse Bárbara assim que entramos no lugar, aparentemente lendo uma placa atrás do balcão.

– Eu juro que odeio essa maldita lei de venda de bebidas para menores! – afirmei. – Mas ela não é problema para nós.

– Eu acredito que não é totalmente eficaz, uma vez que hoje eu já bebi mais vodka do que minha mãe deve ter bebido a vida inteira. – observou Bárbara e eu ri. – Mas com certeza seria muito pior se não existisse.

– E por que não é problema? – perguntou Nicolas.

– O bar é simples pra caralho e mesmo assim está lotado, certo? – indaguei e eles acentiram. – E por qual tipo de pessoas?

– Jovens. – respondeu Bárbara. – Chutaria que média de 18 a 25 anos.

– Jovens em pé, bebendo suas cervejas, conversando ou jogando sinuca. – terminei apontando para uma mesa de sinuca dentro do bar. – É um bar frequentado por universitários, porque bares assim geralmente são baratos, o que ajuda no orçamento mensal dos bebuns que saem de segunda a segunda. E em bares frequentados por universitários, não se pede documento, simplesmente porque se sabe que boa parte da galera é menor, mas dá lucro. Adultos estariam sentados em algum bar chique, bebendo chopp, falando sobre suas vidas miseráveis, como se elas não fossem miseráveis.

– Você é a melhor pessoa que já pisou na Terra. – afirmou Nicolas e eu sorri, os guiando até o balcão. Um cara veio nos atender e eu pedi três doses de tequila. – Tequila? Você vai nos fazer beber tequila?

– Posso não ter experiência quando o assunto é bebida alcoólica, mas já ouvi o suficiente, para saber que eu não conseguirei beber esse negócio. – disse Bárbara.

– Sabe aquela parada de simplesmente não pensar? Mandar o líquido pra garganta, engolir e depois morrer? É exatamente isso que vocês tem que fazer. – expliquei, enquanto o cara servia três doses para a gente. – Mas eu to falando sério mesmo, deixa tequila na boca que tu vai cuspir tudo involuntariamente.

– Calouros? – perguntou o cara sorrindo, colocando sal e limão em cima do balcão.

– Sim. – menti. – Primeira vez que experimentarão a famosa tequila.

– Fica por conta da casa. – ele respondeu e todos nós abrimos largos sorrisos. – E boa sorte! – desejou para Bárbara e Nicolas, se retirando logo em seguida.

– É normal boa parte da galera só começar a beber quando entra na faculdade... – comecei a explicar. – E se você está num bar de universitários experimentando tequila pela primeira vez, com certeza acharão que você é calouro.

– Então um brinde a nossa tequila de graça? – disse Nicolas com receio pegando seu copo.

– To gostando de ver! – elogiei. – Mas não quer aprender a beber a tequila antes não?

– Ah, claro. – ele respondeu colocando o copo de volta no balcão completamente sem graça, fazendo com que eu e Bárbara ríssemos.

– Bom, vocês colocam o sal nessa curvinha da mão entre o polegar e o dedo indicador, lambem, viram a tequila e depois chupam o limão. – expliquei.

– O sal e o limão é uma tentativa falha de “despiorar” o gosto? – perguntou Bárbara fazendo aspas ao falar despiorar, por essa palavra não existir.

– Exatamente. – respondi colocando o sal na região onde indiquei e peguei meu copo. Eles imitaram minha ação e esperaram eu dar sinal de que poderíamos beber. – Estão preparados? – perguntei e os dois assentiram. – Então, um brinde a nossa tequila de graça e a noite mais maluca de todas. – dito isso, nós brindamos e viramos a dose. Enquanto eu chupava meu limão, vi os dois intercalarem tosses com caretas engraçadíssimas e buscas desesperadas por qualquer coisa que tirassem o gosto daquilo da boca deles. Eu ri com gosto.

– É horrível! – afirmou Nicolas com a cabeça apoiada no balcão.

– A pior coisa que já bebi na minha vida. – completou Bárbara ainda fazendo caretas.

– Pior que vodka pura. – continuou Nicolas.

– Muito pior! – concordou Bárbara e eu não conseguia parar de gargalhar.

– Que que ta rolando aqui? – perguntou uma voz, me fazendo olhar para o lado. Era Leticia acompanhada de Heitor.

– Vocês vão se pegar ou não? – a pergunta simplesmente saltou da minha boca e eu percebi que talvez, só talvez, o álcool já estivesse fazendo efeito, porque eu nunca seria tão inconveniente sóbria. Leticia me olhou com uma cara muito feia, me repreendendo com o olhar. – Bárbara e Nicolas experimentando tequila pela primeira vez. – remendei tentando concertar a situação.

– Pelo visto eles não gostaram muito... – disse Leticia olhando para eles.

– Não. – os dois responderam juntos.

– Então deixa eu apresentar para vocês a melhor bebida do universo? – pediu Heitor e todos concordamos. Ele chamou um garçom e apareceu o mesmo cara que nos serviu as tequilas, então o ouvi pedindo cinco shots de Jagger.

– O que diabos é Jagger? – perguntei.

– Já disse, a melhor bebida do universo. – ele respondeu.

O cara nos serviu cinco shots e Heitor disse que deveríamos virar. Eu estava receosa, porque nunca tinha experimentado aquela coisa, mas resolvi confiar. E quando virei, descobri meu novo vício. O amor da minha vida, com quem eu provavelmente me casaria, caso fosse possível se casar com uma garrafa de bebida.

– Essa coisa é maravilhosa! – afirmei.

– Como não sabíamos da existência disso? – perguntou Leticia.

– Não sei, mas sinto como se tivesse finalmente descoberto a razão de viver. – respondi e Heitor riu. Bárbara e Nicolas estavam se entreolhando. – Que foi?

– Com certeza é melhor que vodka pura... – disse Bárbara.

– E tequila. – completou Nicolas.

– Mas com certeza também não é maravilhoso. – terminou Bárbara.

– Isso é porque vocês não estão acostumados a beber. – disse Leticia. – Quando você chega a se acostumar com o gosto horrível da vodka ou da tequila, beber algo que tenha o gosto realmente bom, é com certeza maravilhoso.

– Por isso, vou querer mais um disso aqui. – afirmei. E acabou que todos nós, viramos mais duas doses cada um. O que estava faltando para eu ficar alegre, se é que me entendem.

– Quanto será que é a garrafa disso? – perguntou Leticia enquanto saíamos do bar.

– Não sei, mas não tenho dinheiro pra mais nada. – respondi sincera, porque quando fomos pagar a conta, tive que pagar minha parte em cartão por meu dinheiro ter se esgotado.

Enquanto voltávamos para a porta da boate, vi Gustavo e Carol conversando e ao lado deles uma rodinha com Caio, Renan, Rafella, Luiza e Gabriela. Um pouco mais afastados Gabriel, Amanda e Bruno conversando com uma galera que nunca vi na vida. Como sou julgada por popular pela Bárbara, mas com certeza não me sinto tal, resolvi que deveríamos nos aproximar da rodinha de Caio.

– Nada do Henrique? – perguntou Heitor ao nos juntarmos com o pessoal.

– Ele demorou pra conseguir entrar, porque a fila tava grande. – explicou Luiza. – Mas a qualquer momento, pode acontecer.

– Isso vai ser hilário! – comentou Caio.

– Já podíamos ir decidindo meu desafio. – sugeriu Luiza. – Eu serei a próxima.

– Boa ideia! – disse Renan. – Vou chamar o resto do pessoal.

Primeiro Renan chamou Gustavo e Carol, depois seguiu até Amanda e os meninos. Eu observei ela conversando com a galera que não conheço e por um instante, desejei ser ela. Queria ser tão sociável quanto Amanda, fazer amizades com a mesma facilidade que ela e me sentir confortável perto de estranhos. Resolvi prestar atenção em outra coisa, antes que acabasse ficando mal e percebi que Nicolas e Bárbara estavam em uma conversa muito animada. Animada até demais. Eles simplesmente não paravam de rir, então eu sorri, porque: Nicolas e Bárbara estavam oficialmente bêbados.

– Será que o Henrique não vai achar ruim de decidirmos sem ele? – perguntou Gustavo chamando minha atenção para a roda. Foi quando percebi que já estava todo mundo ali.

– Acho que não. – respondeu Gabriel. – Gira isso logo, Luiza.

Entregaram a garrafa vazia para Luiza e como tinha que ser, ela a colocou no chão e girou. Então como se o destino quisesse me deixar um pouquinho mais feliz, a garrafa indicou que Leticia seria a pessoa a desafiá-la. Porque então, Leticia olhou para o bar do qual saímos e lançou o seguinte desafio:

– Me desculpe, Luiza, mas eu te desafio a fazer algo realmente fora da lei. Te desafio a entrar naquele bar e roubar uma garrafa de Jagger. – o que se ouviu em seguida foi basicamente um “WOW” dito por todos em conjunto. Enquanto eu gargalhei pela ideia magnífica que ela teve.

– Como eu vou fazer isso? – perguntou Luiza com cara de quem terminaria a noite ligando pros pais da cadeia.

– Quando o Henrique executar a missão dele vai rolar a maior baderna, porque a galera provavelmente vai sair gritando “incêndio” ou coisa do tipo, o que vai atrair a atenção do povo do bar. – disse Leticia. – Essa é a sua chance.

– Meu Deus! – exclamou Luiza. – Eu não quero ser presa!

– Boa sorte, amiga! – desejou Gabi e antes mesmo que alguém pudesse fazer mais um comentário, uma galera começou a sair gritando pela portaria principal da boate. O que não deu a Luiza a possibilidade de pensar se ela toparia ou não.

– É agora, Luiza! – gritou Bruno. – Eu filmo. – ele avisou e os dois saíram em disparada até o bar.

Duas portas foram abertas do nada e eu deduzi que seria a saída de emergência da boate. Então o que se seguiu, me fez rir pra caralho. Um bando de patricinhas, saindo correndo, gritando desesperadas, com os cabelos molhados e a maquiagem borrada, porque aparentemente o alarme de incêndio acionou dispositivos de água no teto. Eu olhei para o pessoal e eles estavam rindo tanto quanto eu, enquanto éramos praticamente atropelados pela galera, por não seguirmos o fluxo da multidão e sim ficarmos parados rindo, com olhos arregalados, sem acreditar que Henrique tinha conseguido.

De repente vimos Henrique sair correndo no meio da multidão e tudo que ele fez foi gritar “corram para os carros”. Então nós obedecemos, porque afinal, não queríamos ver o que aconteceria quando descobrissem que foi apenas uma pegadinha de mal gosto de alguns adolescentes bêbados. Enquanto eu corria, vi Bárbara ao meu lado mal conseguindo me acompanhar de tanto rir e comecei a gargalhar mais ainda.

Nos encontramos todos em frente aos carros e o único que conseguia dizer algo era Henrique, que repetia sem parar coisas como “puta que pariu”, “não acredito que fiz isso”, “que noite insana”, “meu deus” e nós ríamos. Até que de repente, Bruno e Luiza apareceram correndo segurando garrafas de bebidas na mão. Isso foi o estopim para que as risadas se transformassem em gargalhadas altíssimas. Gabriel e Gustavo chegaram a se jogar no chão parar rir.

Eu juro que demorou muito para que conseguíssemos voltar ao normal e nessa altura, já estavam todos sentados na calçada, tentando recuperar o fôlego ou assim como eu, sentindo até dor na barriga.

– Essa é a noite mais louca da minha vida! – gritou Renan.

– Feliz aniversário! – respondi e o pessoal riu novamente.

– Como você conseguiu, Henrique? – indagou Bárbara e Henrique começou a contar a história.

– Quando eu entrei na boate, a primeira coisa que fiz foi procurar pelo alarme e realmente estava onde o Caio disse. Mas não dava pra eu acionar aquela porra sem os barmans verem, porque eu seria o único ali do lado e obviamente o principal suspeito. Até que vi uma guria que conheço da faculdade e tive uma ideia genial. Eu beijei a mina, levei ela até o balcão, encostei ela lá e disfarçadamente, bati a mão no negócio. Afinal, ninguém desconfiaria de um cara que ta pegando uma mina.

– Genial mesmo! – concordou Bruno.

– Esse é meu irmão! – disse Gabriel puxando a cabeça dele e dando um beijo no topo dela, enquanto Henrique tentava se desvencilhar chamando ele de viado. Eu sorri vendo a cena.

– Agora me explica uma coisa... – disse Leticia chamando a atenção para ela. – Como vocês conseguiram? – ela perguntou à Luiza e Bruno que voltaram com garrafas de bebidas.

– Perai... – gritei, finalmente observando de fato os dois. Eles não estavam com apenas uma garrafa de Jagger e sim com duas cada. – Vocês roubaram quatro garrafas de Jagger?

– Como assim? – perguntou Henrique confuso e Gabriel explicou para ele que já tínhamos desafiado Luiza e que ela realizou seu desafio se aproveitando do dele. Depois Luiza começou a contar a história.

– Acabou sendo mais fácil do que eu imaginei. – contou Luiza. – Quando começou a gritaria, todo mundo saiu do bar para ver o que estava acontecendo. Até que uma galera de dentro do bar comentou “parece que é incêndio” e os donos do bar “incêndio?”, ai saíram correndo também para ver. Não ficou ninguém lá dentro, aí eu passei pra trás do balcão e peguei a garrafa, mas quando ia sair o Bruno gritou: “larga de ser trouxa e pega mais, não tem ninguém vendo”. Então pegamos quatro garrafas e saímos correndo.

– Acho que uma galera viu, mas não eram nada do bar. Só gente da multidão mesmo. – completou Bruno.

– Vocês são os melhores! – afirmei.

– E vamos começar a beber esse negócio logo. – ordenou Carol tomando uma garrafa da Luiza e abrindo.

– Jagger é bom, mas pra tomar em dose. Até porque é forte. – avisou Heitor. — Mas vamos lá!

Carol deu o primeiro gole e passou a garrafa para Gustavo ao seu lado, que bebeu e repetiu sua ação. Enquanto a garrafa rodava, Nicolas perguntou quem seria o próximo e Amanda achava que era ela. Bruno conferiu na lista que anotou em seu celular e realmente era, então para não perdermos tempo, foi a vez de Amanda girar a garrafa. E quando a garrafa parou, a ponta estava apontada para Carol, que abriu um largo sorriso.

– Querida Amanda, veremos se você tem habilidade para atuação... – disse Carol. – Eu te desafio a fingir ser amante de algum cara que esteja acompanhado da namorada.

– Puta que pariu, Carol! – exclamou Gabriel rindo.

– Você não tem amor no coração? – indaguei brincando.

– Isso vai ser fichinha pra mim. – garantiu Amanda. – Só precisarei de uma pequena ajudinha.

– Eu topo! – disse levantando a mão.

– Eu sinto que se alguém dissesse que precisa de um voluntário pra pular na frente de um carro, você aceitaria. – disse Nicolas e todos riram.

Amanda explicou o plano, que decidimos fazer em algum barzinho mais afastado, por causa do caos que deveria estar na rua da boate e arredores, além de que alguém poderia ter visto ou desconfiar das duas coisas que aprontamos em minutos. Andamos até vermos um bar que parecia um restaurante e estava cheio, na esquina do outro lado da rua. Amanda disse que poderia ser ali mesmo, então eu e Gabriel que se voluntariou a ir comigo, atravessamos a rua em direção ao estabelecimento, procurando pelas vítimas.

– Tem um casal ali. – mostrou Gabriel apontando disfarçadamente para uma mesa com um cara e uma garota. – Estão usando alianças, então temos certeza de que são mesmo um casal.

– Sabe a melhor parte? – fiz uma pergunta retórica andando até uma mesa do lado deles. – É que a mesa ao lado está vazia.

Eu e Gabriel sentamos-nos à mesa ao lado do casal e logo um garçom apareceu nos trazendo o cardápio. Sentamos juntos no mesmo lado da mesa para que eu pudesse filmar melhor quando o show começasse. O que Amanda queria era basicamente apenas que conseguíssemos alguma informação do cara, que ela fingiria ser a amante, para que parecesse real.

– Não podemos demorar ou teremos que pedir algo. Vou fazer logo minha parte. – avisou Gabriel e então, ele virou para o lado como se estivesse observando o local e encarou o cara como se o reconhecesse de algum lugar. O cara olhou de volta para ele. – Mano, qual seu nome? – perguntou Gabriel.

– Marcelo Lopes, por que?

– Eu acho que te conheço de algum lugar, mas não faço ideia de onde. – respondeu Gabriel fingindo tentar lembrar.

– Não seria do colégio? – intrometeu a garota sorrindo simpática e por um breve momento até senti dó do seu relacionamento que acabaria em minutos. – O Dom Bosco tem muitas turmas, podemos já ter nos esbarrado por lá.

– Ah, vocês estudam no Dom Bosco? Com certeza é isso então! Nós também! – disse Gabriel. – Eu sou o Rodrigo e essa é minha namorada Isadora.

– Olá! – cumprimentei acenando e eles responderam.

– Essa aqui é minha namorada, Laura. – Marcelo apresentou a garota.

– Amor, não vamos atrapalhar eles. – disse para Gabriel, fingindo não querer incomodar.

Gabriel se virou de volta para mim, pegou o cardápio e fingiu estar escolhendo algo. Eu aproveitei para mandar por mensagem tudo que descobrimos sobre o cara para Amanda. Mandei o nome dele, o nome dela e que eles estudam no Dom Bosco. Esperava ser o suficiente. Logo em seguida coloquei meu celular na câmera de vídeo e tentei segurar minha vontade de rir, quando Gabriel me mostrou que ela estava atravessando a rua acompanhada de Leticia.

As duas se aproximaram e fingiram estar escolhendo um lugar para sentar e então Amanda fez a mesma coisa que o Gabriel, olhou para Marcelo e fingiu estar o reconhecendo. Nesse momento Gabriel abaixou o cardápio, eu comecei a gravar e Amanda com a maior cara de brava do mundo, começou o seu show.

– Marcelo? – ela chamou com o tom de voz alterado. O cara olhou para ela e claro, não a reconheceu, mas ela não deixou que ele dissesse nada. – Dá pra você me explicar o que ta acontecendo aqui?

– Oi? – disse Marcelo confuso. – Quem é você?

– O que? – gritou Amanda. – Então eu te encontro num bar com uma vagabunda e você finge que não me conhece? Quem é essa vagabunda?

– Opa! Eu não sou vagabunda e sou a namorada dele! – respondeu a garota completamente irritada.

– Namorada? Não querida, eu sou a namorada dele! Dá pra você explicar pra ela, Marcelo Lopes?

– Como você sabe meu nome? – perguntou Marcelo completamente perdido.

– O que ta acontecendo aqui, Marcelo? – perguntou Laura, a verdadeira namorada do cara, com um olhar furioso.

– Eu não faço ideia de quem seja ela! – ele respondeu.

– Seu idiota! – xingou Amanda e acertou um tapa na cara dele. Minha boca se abriu num verdadeiro “O” de tão perplexa que fiquei. O cara levantou da mesa abruptamente e vi Gabriel se preparar para levantar caso ele fizesse qualquer coisa com ela, mas o cara não fez e quando olhei para Amanda, ela fingia estar prestes a chorar. – Você é a Laura? Você é a vadia com quem ele começou a ficar há algum tempo?

– Quem é você? O que você ta fazendo? E como sabe quem é a gente? – Marcelo disparou a perguntar tão confuso, que parecia realmente não saber o que fazer.

– Me responde, garota! – gritou Amanda para Laura, ignorando completamente as perguntas de Marcelo. – É claro que é você, né! Esse desgraçado está namorando comigo há quase um ano e pelo visto não só comigo. Então é isso, Marcelo? Você diz que me ama e me trai com uma vagabunda qualquer? – ela perguntou olhando de volta para o cara.

– Eu não sou vagabunda! – Laura gritou se levantando, aparentemente muito nervosa.

– É sim, sua vagabunda! – rebateu Amanda. – E todas aquelas coisas que você me dizia, Marcelo? Era tudo mentira? Você dizia as mesmas coisas pra ela? Sobre uma vida inteira juntos?

– O que ela ta dizendo é verdade? Você ta me enganado durante todo esse tempo? – perguntou Laura começando a chorar.

– Você conheceu ela no Dom Bosco? – remendou Amanda e o tal Marcelo olhava de uma para a outra, com os olhos arregalados, a boca aberta e parecendo querer se matar ali mesmo. Eu quase senti pena de Laura, se não fosse pelo fato de que o Marcelo me fazia querer chorar de tanto rir, com sua cara de “eu não sei o que fazer”.

– Isso só pode ser um pesadelo! – exclamou Marcelo e se voltou de volta para Amanda. – Quem é você? – perguntou segurando o braço dela.

– Opa cara, não encosta na garota! – intrometeu Gabriel se levantando e Marcelo a soltou, então olhou para Gabriel desesperado.

– Eu juro que eu não sei quem é essa louca, mas ela vai destruir meu relacionamento.

– Marcelo, eu te amo! – disse Amanda. – Como você pode fazer isso comigo? E ainda por cima, como você consegue fingir que não me conhece e que nada do que eu digo é verdade? Depois você vai aparecer na minha casa de madrugada, me pedindo desculpa, inventando que tem consideração o suficiente por essa daí para não humilhá-la na frente de um bar inteiro? – perguntou apontando para Laura. – Porque é típico de você fazer isso.

– Pra mim já deu! Eu vou embora. – avisou Laura e aí então, o Marcelo desesperou de vez. Ele colocou as duas mãos na cabeça e disparou a falar.

– Não, amor! Não! Me escuta! Eu juro que não sei o que ta acontecendo aqui, isso deve ser uma pegadinha. Eu juro que não tenho outra, Laura. Nós estamos juntos há onze meses e você sabe que eu te amo mais que tudo.

– Marcelo... Você ama ela mais do que me ama? – insistiu Amanda, quando eu achava que ela iria parar. – Escuta... – ela pediu fazendo ele olhar para ela. – Eu te amo. Se você disser a verdade pra ela, mandá-la ir embora daqui, eu posso pensar em te perdoar. Faz isso por nós! – dito isso, Amanda beijou o cara. Eu quase deixei meu celular cair de tão perplexa que fiquei. Ele se afastou rapidamente dela, mas já era tarde, a namorada do cara saiu andando e ele foi correndo atrás dela.

– Essa é a nossa deixa. – disse Gabriel e me levantei. Ele colocou um guardanapo em cima da mesa do casal que provavelmente acabamos de arruinar o relacionamento e saímos andando, sendo observados pelos olhares curiosos de todos do bar que haviam visto a cena, inclusive funcionários. Assim que viramos a esquina, disparamos a rir.

– Isso foi demais, Amanda! – elogiou Gabriel. – Você chorando foi épico!

– Eu não sei quando fiquei mais chocada, quando você deu um tapa no cara ou quando beijou ele. – contei.

– Larga tudo e vira atriz, Amanda! – ordenou Leticia. – Você filmou tudo, Isa?

– Óbvio que sim!

Assim que atravessamos a rua, Carol perguntou gritando: “eu to ficando louca ou você beijou o cara?”. Foi então que contamos tudo para eles, que riam sem parar. Foram tantas coisas seguidas, que decidimos voltar para a festa de Renan e respirar um pouco, beber um pouco – mesmo que não tivéssemos parado de beber em momento algum -, assistir os vídeos e comentar as loucuras.

Durante o caminho, nós não parávamos de comentar sobre o Marcelo e seu desespero, ou sobre a quantidade de vezes que Amanda chamou a coitada da Laura de vagabunda e em como parecia que Laura voaria no pescoço de Amanda a qualquer momento. Aliás, uma coisa que teve concordância geral, foi que Amanda teve sorte de não apanhar de nenhum dos dois. Enquanto eu dirigia, Amanda pegou meu celular para mandar o vídeo no grupo, o que ela disse que Henrique e Luiza haviam acabado de fazer.

Assim que chegamos, Renan nos levou até o fundo da casa, onde havia um mini parquinho, com um balanço e um brinquedo de girar. Nos sentamos no gramado e começamos a assistir os vídeos dos cinco desafios já realizados na noite. Me arrisco a dizer que rimos mais vendo os vídeos, do que realizando os tais desafios. Porque sem a adrenalina no corpo, podíamos perceber o quanto era tudo maluco demais e me desculpem os indivíduos de boa fé, mas não senti peso na consciência por nada, porque todos esses desafios e toda essa loucura está tornando a minha noite épica.

Foram apenas cinco desafios e parecia que havíamos cometido loucuras o suficiente para a vida inteira. Ainda faltavam onze e os próximos seriam Bárbara e Nicolas. Os dois que estavam atirados na grama ao meu lado, dividindo o fim de uma garrafa de Jagger e rindo de algum assunto no qual preferi não me intrometer. De repente, o que Gabriel disse sobre eles ficarem, não me parecia mais tão bizarro.

Pra variar eu me perdi em pensamentos e quando voltei para realidade, vi Leticia se afastando com Heitor e não consegui segurar uma risada. Renan não estava mais ali, então deduzi que estaria participando de sua própria festa por pelo menos alguns minutos. E vi Bruno e Luiza conversando isolados em um canto, é claro que mais uma vez tive que dar risada. O resto do pessoal estava conversando e ao olhar para Gabriel, pra variar também me perdi no que seria nunca-me-canso-de-ficar-olhando-para-ele.

Estiquei minhas pernas e coloquei meus braços para traz, sustentando meu corpo sobre eles. Assim passei minutos até que Gabriel percebesse que estava sendo observado e se levantasse, para então andar em minha direção trazendo uma garrafa na mão e depois se jogar na grama com a cabeça em meu colo.

– Eu vou mandar fazer um pôster gigante meu pra você colar no teto do seu quarto e ficar me observando todas as noites. – zombou Gabriel.

– Dois, por favor. – pedi entrando na brincadeira. – Um pra casa da minha mãe e um pra casa do meu pai.

Ele deu uma risada e me entregou a garrafa que estava segurando, na qual dei um gole. Ouvimos gargalhadas e olhamos ao mesmo tempo para Nicolas e Bárbara, responsáveis por elas.

– Eu devia ter apostado. – disse Gabriel e eu entendi o que ele quis dizer. Estava insinuando que de fato, rolaria alguma coisa.

– Tímidos demais pra isso. – rebati. – Mas também passou pela minha cabeça.

– Sabe o que esse lugar me lembrou?

– O que?

– O jardim da casa de sua avó. – disse Gabriel e eu sorri instantaneamente. – Só precisa trocar o escorregador pelo brinquedo de girar que não sei o nome.

– Eu te beijaria agora. – afirmei.

– Você sempre me beijaria. – rebateu Gabriel se sentando, então olhou para mim e piscou. Depois se levantou, ordenou que eu também levantasse e o seguisse. – Quem ta afim de ver o mundo girar? – ele perguntou quando passamos pelo pessoal e percebi o que iríamos fazer, quando chegamos até o brinquedo de girar.

Nós nos sentamos no brinquedo e não demorou para que o pessoal se aproximasse. Carol se sentou no banco ao lado de Gabriel, enquanto Gustavo se negou a fazer o mesmo. E foi Bárbara e Nicolas que preencheram os assentos restantes. Bruno anunciou que iria rodar, senti o impacto do brinquedo começando a girar e me segurei. O vento jogou meus cabelos para a direção contrária e fechei meus olhos, o som das risadas de meus amigos preencheram o ambiente, me trazendo de volta minha sensação preferida, a sensação de viver. Eu definitivamente amo viver. Sorri e timidamente meu sorriso se transformou em uma gargalhada.

– Para! Chega! – ouvi Gustavo ordenar. – Eles vão vomitar!

Senti o brinquedo perder a velocidade lentamente até parar de uma vez, então abri os olhos e enxerguei os rostos de Nicolas, Bárbara, Carol e Gabriel. Somos cinco bêbados, sentados em um brinquedo, rindo juntos por nenhum motivo aparente. Um garoto começando a viver, uma garota tentando recuperar sua vida, uma outra garota que parece ter como objetivo de vida ser feliz e um cara marcado pela vida. Somos cinco pessoas completamente diferentes, sentados em um brinquedo, rindo juntos aparentemente pelo mesmo motivo: a vida. A vida só tem uma diferença comparada a um brinquedo de girar, ela não para. E a gente só tem duas opções: aproveitar cada giro ou girar sem motivos.

– Vamos girar de novo? – pediu Nicolas animado.

– Por que? – indaguei e mesmo que tenha sido uma pergunta desconexa, ele respondeu.

– Porque eu estou feliz.

– Gira! – ordenei ao Bruno. Felicidade é sempre um bom motivo para girar.

Notas finais
Como não me canso de agradecer, gostaria de agradecê-los por ainda estarem lendo e por absolutamente tudo, inclusive as palavras de apoio na nota de esclarecimento que postei. Eu pretendia responder cada comentário, mas tive que apagar a nota pra postar o capítulo novo e todos os comentários sumiram :( Eu juro que li tudo e juro que foi MUITO importante pra mim! Por isso quero até contar que já estou bem melhor. Vocês são uns anjos na minha vida! Beijos de amor e luz da K.