Polo Preta

1 Capítulo 1 - Polo Preta


Notas iniciais
Espero que gostem, escrevi ontem, qualquer erro de português me avisem por favor.

Beijos da B

Aqueles olhos invadiam minha mente sempre que tinham a oportunidade. Sempre que eles brotam em minha mente eu sorrio, mesmo que internamente.

Como eu os conheci? Vou explicar. Eu sou Rose Weasley, tenho 18 anos e estou no primeiro ano de engenharia, na verdade acabei de passar para o segundo semestre. Enfim a tão desejadas férias de verão chegaram.

Decidi que faria algo diferente dessa vez. Resolvi trabalhar. Não olhem isso como uma perda de tempo. Eu estava trabalhando em uma linda livraria que se localizava dentro de um shopping, perfeita em minha opinião. Para mim, não existia nada melhor do que estar no meio de tantas histórias.

Serão os três meses das férias trabalhando, mas eu não me importava.

Era um trabalho realmente simples; organizar os livros que foram tirados de seus lugares e informar e tirar qualquer dúvida que um freguês venha a ter.

Um mês já havia se passado desde quando comecei, a livraria se encontrava cada vez mais cheia, dezembro a todo vapor e com ela trouxe uma pessoa. Sim, o dono dos olhos que ficaram cravados em minha mente. Era segunda-feira de tarde quando ele adentrou no recinto, vestia uma camisa polo preta, jeans e segurava algo, que logo identifiquei ser um pode de yoguberry. Ele andava vagarosamente, como se fizesse o reconhecimento do local. Mas eu estava enganada, ele já sabia aonde se encontrava cada estante de livros. Pegou um de sua preferência e olhou para o segundo andar a procura de algo. Logo começou a andar em direção ao seu alvo, uma das várias poltronas que haviam no local. Ficou lendo por aproximadamente por 45 minutos, assim colocando o livro e o recipiente de lado e deixando a livraria.

Assim que o menino da polo preta saiu, eu caminhei em direção a poltrona onde ele havia se acomodado a poucos minutos atrás. Logo peguei o recipiente e levei a lixeira mais próxima, percebi que ele gostava de morango, manga e kiwi, pois era esse o resto que estava no pote, voltei em busca do livro que ele anteriormente lia, deixei escapar um tímido sorriso, ele estava lendo um livro de suspense. Guardei o livro e rodeio o local como de costume. Aquela foi a primeira vez que eu vi o menino da polo preta.

Era terça-feira de manhã e eu já me encontrava entre as montanhas de letras. Passei quase toda tarde arrumando a sessão dos livros infantis, assim que termine, lá estava ele, o menino da polo preta, do cabelo loiro e curto, mas não tão curto, dessa vez sem o yoguberry, mas com um suco, que aparentava ser de laranja devida sua coloração, constatei que ele lia o mesmo livro de ontem. Por impulso olho em meu relógio e vejo que ele marca 17:30h em ponto. Volto aos meus afazeres, mas sem deixar que ele saísse de meu campo de visão. Vejo ele se levantar e intuitivamente olho pela segunda vez o relógio, eram 18:00h quando ele foi embora naquela terça. Repito o mesmo ato de ontem, fui na mesma poltrona, ri ao constatar que que dessa vez ele teve o cuidado de “esconder” o livro entre os outros que ficavam ao lado do pequeno sofá. Resolvi que deixaria o livro ali, ri mais uma vez ao perceber que com aquele ato, ele voltaria amanhã. Peguei o copo que ele deixou no criado mudo ao lado dos livros, laranja como parecia.

Quarta-feira as 17:00h em ponto eu olhei para porta, lá estava, o menino da polo preta, sorrio para mim mesma e sigo seus passos com o olhar. Ele pegou o livro e sorriu ao constar que estava no mesmo local onde havia deixado anteriormente. Fiz uma nota mental; ele tem um belo sorriso. Ás 17:15h ele se levantou e ainda com o livro nas mãos, foi até a cafeteria que se encontrava dentro da livraria, esperou um pouco e logo voltou para já então conhecida poltrona, mas dessa vez na companhia de um líquido amarelo. Fiz mais uma nota mental, suco preferido; laranja. E como se já era de esperar ás 18:00h ele se levantou e deixou o recinto, mas não sem antes “esconder” o livro.

Com uma pontualidade de dar inveja a qualquer britânico, lá estava ele, 17:00h de quarta-feira, vestindo sua blusa polo preta, indo em direção a cafeteria e pegando mais uma vez o suco de laranja e logo se encaminhou para sua rotineira leitura. Só naquele dia então, eu percebi a coe de seus olhos, azuis. O observei mais atentamente e conclui. Não, não eram azuis: era cinza. Cinza como um céu que anunciava uma tempestade. Naquele dia, me dei por satisfeita só por descobrir a cor de seus olhos e nem percebi quando ele foi embora.

Sexta e sábado fora como eu esperava, de 17h às 18h, cabelo loiro, suco de laranja, olhos cinza, polo preta e sua habitual poltrona com o livro. Naquele dia, percebi novas expressões, sorri ao perceber que ele fazia uma cara descontente ao ler, mas que minutos depois se desfez ao passar das páginas. Nota mental, ler aquele livro.

Minha surpresa veio no domingo, ou melhor dizendo, não veio. Naquele domingo foi a primeira vez que eu senti o tempo para, o dia não passava. Ele não deixou seus rastros. Nunca desejei tanto uma segunda.

Para meu alívio lá estava, até então apelidado por mim, o menino da polo preta, seguindo todo seu roteiro, percebi que o livro estava em suas últimas páginas. Nesse mesmo dia ele saiu ás 18:15h pois ele concluiu o livro.

Janeiro bateu na porta, um mês que eu prestava atenção nele. Polo preta, cabelo loiro, mas já não estava mais curto, já havia perdido o corte, eu amei! Suco de laranja de todos os dias, o quarto livro e suas belas tempestades, que se chamava olhos. Um mês foi o suficiente para perceber suas expressões e algumas manias, como a cada cinco minutos passar a mão esquerda no cabelo, enviesar a sobrancelha toda vez que ler algo que o descontenta, suspirar longamente toda vez ao se levantar e deixar o copo vazio de suco ao lado da poltrona. Mas não foi preciso um mês para constar que ele trabalhava em uma das centenas de lojas que havia no shopping. Eu apenas não sabia qual, muitas lojas usavam polo preta como uniforme, até mesmo eu usava. Aaaaah a polo preta que já estava ficando surrada devido ao uso.

Era o segundo sábado de janeiro, faltavam apenas mais dois sábados para o fim do meu contrato e depois eu não estaria mais trabalhando ali. Talvez no próximo verão.

Mas aquele sábado, o segundo sábado de janeiro vai ficar gravado para sempre em minha memória. Foi naquele dia, bem na hora dele ir embora, que o cinza do seu olhar encontrou com o azul brilhante do meu, e automaticamente trocamos um tímido e discreto sorriso, e lá se foi ele mais uma vez. Como de costume fui até a poltrona, nela seu cheiro já havia se tornado dono do local, um cheiro amadeirado que se misturava com o suco. Peguei o copo e fui em direção a lixeira, mas não sem antes perceber que ele havia deixado algo para trás. Observei, ri mentalmente e mordi meus lábios tentando disfarçar o sorriso. Ele não é mais o menino da polo preta, ele é Scorpius Malfoy, tem 19 anos e daqui a 3 meses completara 20. Como eu sei isso? Ele deixou cair a identidade.

Aquele sábado foi o melhor e o mais triste, depois daquele sábado, nunca mais vi Scorpius Malfoy. Como de costume ele não apareceu no domingo, mas o resto da semana foi diferente dos outros, ele não apareceu e assim se sucedeu pelas duas semanas que me restaram ali. Em meu último dia de trabalho, deixei sua identidade com minha gerente. Ele não a procurou em duas semanas.

Três meses se passaram e eu voltei na livraria na esperança de encontrar o menino dos olhos nublados, não tive sucesso. A gerente comentou que uma semana depois que eu sai, ele voltou em busca de sua identidade, alegando que no dia que a perdeu, foi seu último dia de trabalho de férias e que naquele mesmo dia foi ao encontro dos avós na cidade vizinha, só podendo ir naquela semana.

Um ano se passou, e eu ainda passo na livraria pelo menos três vezes ao mês no mesmo horário que eu costumava encontra-lo, na esperança de revê-lo.

Um ano se passou e eu nunca mais encontrei Scorpius Malfoy, o menino da polo preta, do suco de laranja, do livro. O menino dos olhos que anunciavam que havia uma tempestade a caminho. Olhos enigmáticos, que eu queria ter decifrado. Nunca mais tive notícias suas, nunca vou saber interpreta nosso breve olhar.

Eu amei o desconhecido, mas agora acho que está na hora de esquece-lo ou guardar em uma parte especial de meu coração.

Eu amei, amo e nem sei mais quanto tempo vou amar Scorpius Malfoy.

Notas finais
Gostaram?
Aceito qualquer tipo de crítica.
Aproveitem e leiam minha outra fic.

Beijos da B e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!