Polissuco

16 Um Natal diferente


Notas iniciais
Eu sei, dessa vez eu bati o recorde de demora para postar, mas a culpa é toda do Rick Riordan (MEU DEUS HoH ASDFGHSDFG), Dan Brown, Orphan Black e TVD que me distraiam e tomavam meu tempo.
Esse capítulo é meio sem graça, mas foi gostosinho de escrever, eu queria fugir um pouco do romance secreto com a Hermione e lembrar um pouco da importância da família e amigos.

Mansão Malfoy, 25 de Dezembro de 1996,

-Bom dia filho. –Sussurrou Narcisa Malfoy no ouvido do filho, que abria os olhos lentamente, incomodado pela luminosidade do quarto.

Tudo o que Draco queria era dormir. Era a primeira noite do ano em que não tinha pesadelos, e ele queria aproveitar cada segundo. Ele reuniu todas as suas forças para falar, com a voz sonolenta:

-Mãe, eu não posso—

-Shhhhh –Interrompeu a mãe, e só então o garoto percebeu que havia falado alto demais, estava com muito sono para controlar a voz. –Desculpe, você não pode dormir mais, ele quer falar com você.

À menção dele, Draco sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não precisava que sua mãe o explicasse, o seu tom nervoso havia deixado bem claro a quem ela se referia.

Nossa, que ótimo presente de Natal, pensou Draco, amargo.

Ele levantou da cama e foi ao banheiro. Se é para conversar com o Lorde das Trevas, que pelo menos eu esteja apresentável. Ignorando o desejo de ir conversar com Voldemort vestindo pijamas, Draco separou uma de suas melhores roupas e entrou na banheira cheia d’água fervendo.

Quando saiu do banheiro, ainda abotoando a camisa, encontrou sua mãe ainda sentada na cama, com uma postura ereta e um olhar nervoso.

Ao ver o filho, Narcisa apressou-se em ajudá-lo a abotoar a camisa.

-Mãe, eu sei abotoar! Não preciso disso! –Reclamou o menino.

-Seu pai é 25 anos mais velho que você e ainda precisa de ajuda, bem precisava... –Ao mencionar Lúcio, uma sombra de tristeza passou pelos olhos de Narcisa. Draco a abraçou.

-Tudo bem, mamãe, ele vai ficar bem. –Sussurrou o menino, lembrando do pai que estava sofrendo em Askaban. –Além disso, eu sou bem diferente do papai, eu sei abotoar a camisa.

Narcisa sorriu e beijou a testa do filho.

-É melhor você ir logo, não vai querer deixar o Lorde das Trevas esperando, vai?

Draco lhe lançou um sorriso seco e seguiu escada a baixo, onde sabia que Voldemort o aguardava. Uma estranha sensação lhe invadiu a cabeça, e ele demorou alguns segundos para perceber que havia alguém ali. Ele bloqueou os pensamentos o mais rápido o possível, como a sua tia Bellatriz o ensinara.

-Nunca abaixe a guarda, querido, não vai querer que o Lorde das Trevas descubra sobre a sua namorada da Grifinória. –Disse uma voz debochada no fim do corredor mal iluminado. Bellatriz Lestrange surgiu das sombras, seus cabelos esvoaçantes mais armados do que nunca. –Ela é puro-sangue, pelo menos?

-Sim, claro que é! –Mentiu Draco e agradeceu mentalmente à tia por lhe ensinar a mentir tão bem. –E ela não é minha namorada!

-Ah, eu percebi pelo jeito que a língua explorava a sua boca.

Draco sentiu o rosto enrubescer, não sabia o que responder.

-Como eu sei que isso não vai durar muito, eu não vou brigar com você nem lhe dedurar, mas juízo, baixinho. –Continuou a tia e então desapareceu.

Uma estranha raiva tomou conta de Draco e ele se perguntou o porquê. Sua tia estava certa, aquilo com Hermione não duraria muito, por mais que um gostasse do outro aquilo não duraria mais de alguns meses. Então por que ele estava com raiva? Será que ele queria que durasse? Draco nunca havia pensado naquilo que havia entre eles como uma relação, e pensar assim só tornava tudo muito mais complicado.

Ele afastou o pensamento e desceu as escadas, concentrado em tornar sua mente impenetrável. Não seria nada legal se o Lorde das Trevas descobrisse a opinião de Draco sobre ele.

Uma figura encapuzada estava sentada ao lado da lareira, e Draco podia dizer, apenas pelo frio que a criatura emanava, que aquele era Lorde Voldemort.

-Então, Draco, como andam nossos planos? –Ecoou a voz profunda e rouca do Lorde das Trevas em sua mente.

-Vão bem, senhor, só preciso ter certeza de que o armário consiga transportar tantos comensais ao mesmo tempo. –Respondeu o menino, esforçando-se para soar o mais confiante o possível, o que é meio difícil quando se está na frente do maior bruxo das trevas de todos os tempos.

-E o Hidromel? Pensei que tentaria envenenar o hidromel!

-Sim, mi lorde, eu envenenei o hidromel, só precisamos esperar para que Slughorn presenteie o diretor.

-Se está tudo certo com o hidromel, por que você se preocupa com o armário? –Questionou o lorde das Trevas, dessa vez em voz alta.

-É sempre bom ter uma segunda opção, senhor.

-Você não me parece muito confiante, jovem Malfoy. –A mão pálida e fria de Lorde Voldemort saiu de baixo da sua capa e segurou o queixo de Draco, forçando-o a olhar para frente. Draco não pôde afastar a sensação de que aquele homem emanava uma sensação de morte, de vazio. –Sabe, eu decidi que não vou matar seus pais, caso você fracasse.

-Não vai? –Draco levantou o olhar, cheio de esperança. Não conseguia acreditar que Voldemort podia ter sentimentos como pena ou entender o valor de algo tão nobre como amor e família.

-Não. –Um estranho sorriso iluminou o rosto ofídico do bruxo. Draco não sabia que o Lorde das Trevas conseguia sorris, ele parecia malvado demais para isso. –Em vez disso, eu vou lhe matar. Assim você pode sofrer no inferno enquanto vê seus pais vivos, sofrendo a sua morte, sem poder fazer nada.

Draco sentiu o corpo inundar em ódio, mas sabia que esmurrar o Lorde das Trevas seria a mesma coisa que pedir pra morrer lenta e dolorosamente. Invés disso, ele respirou fundo e cerrou os punhos, controlando-se ao máximo para não voar no pescoço de Lorde Voldemort.

-Acho que não tenho mais nada para falar. Você vai completar a missão, entendido?

-Sim, senhor.

O Lorde das trevas, então, desapareceu em uma nuvem negra, deixando apenas a sensação de morte e tristeza para trás.

Draco correu para o quarto e se jogou na cama, afundando o rosto nos caros travesseiros. Ele não chorou, nem gritou, nem tentou quebrar nada, ele apenas tentou refletir sobre a sua atual situação. Mas sua mente estava bagunçada demais para pensar com clareza.

A maioria das pessoas estaria almoçando com a família, cantando canções de Natal e trocando presentes, mas na mansão Malfoy era bem diferente. Draco era filho único, seu pai estava preso, sua mãe estava em depressão, sua tia Bellatriz estava em algum lugar torturando trouxas, sua tia Andrômeda e sua prima Ninfadora Tonks, que simpatizavam com os trouxas, não eram mais bem-vindas naquela casa e seus primos Sirius e Romulus estavam mortos. Para Draco a única função do Natal era lembrá-lo comoa sua família estava despedaçada, como ele era solitário.

Um pio fez com que Draco levantasse o rosto dos travesseiros, para dar de cara com uma grande coruja marrom que bicava levemente o vidro da sua janela. Ele abriu a janela e deixou a coruja entrar.

No pé da ave estava amarrado um embrulho vermelho cintilante e um bilhete que diza:

“Draco,

Eu sei que você provavelmente já tem uma dessas, mas quando eu a vi eu só lembrei de você! Epero que você goste!

Tenha um ótimo Natal,

Astorialinda Grengrass.”

Ele sorriu ao reconhecer a caligrafia arredondada da menina e se amaldiçoou mentalmente por não ter lhe comprado nada.

No embrulho estava uma miniatura de uma Nimbus 2001, a vassoura de Draco e, como a menina previra, ele já tinha. Mas mesmo assim ele decidiu não trocar o presente, ele achava que se fizesse isso o presente perderia todo o valor sentimental, se é que havia algum. Ele botou a vassourinha na cabeceira e procurou a carteira. Estava decidido, esse seria um Natal diferente. Esse seria um Natal solidário, não solitário.

***

Ainda era cedo, mas o céu já estava escurecendo quando Draco chegou à mansão Greengrass. Ele passou o dia procurando presentes para as irmãs Greengrass, o que foi um desafio, visto que ele não tinha a mínima ideia do que garotas gostariam de ganhar.

Ele tocou o pequeno sino na entrada majestosa da mansão, e logo as pesadas portas de eucalipto se abriram. Para a surpresa de Draco, quem abriu a porta não foi uma das três irmãs, ou um elfo doméstico, atrás da grande porta estava o ídolo Búlgaro de quadribol, Vítor Krum.

-Krum? –Perguntou o Malfoy, surpreso.

-Malfoy? Resolveu me visitar? Entra ai cara!

Draco entrou, pedindo licença, o que foi meio inútil, visto que não havia ninguém na sala fora Krum.

-Vamos para o quintal, as meninas estão tomando chá. –Disse Vítor, revirando os olhos. –Britânicos.

Draco riu e seguiu o amigo até os fundos da casa, onde tenda decorada com pisca-piscas cobria uma fonte congelada, uma grande mesa e o que seria uma horta no resto do ano. Astoria, Daphne e Gwen estavam sentadas á mesa, tomando chá e rindo. Draco ficava impressionado com como Astoria e Gwen se davam bem com Daphne, que era o oposto completo das irmãs. Ele nunca ia entender essas coisas, ele nunca teve um irmão.

-Dracoooo! –Gritou Astoria e antes que o loiro pudesse fazer qualquer coisa, a amiga já estava lhe dando um abraço de urso. –Você recebeu meu presente?

-Aham, eu adorei! Obrigada, Tori! –Respondeu o menino, retribuindo o abraço.

-Você não tinha uma igual, tinha?

-Não! –Mentiu o menino, como já estava acostumado a fazer.

Draco cumprimentou Daphne meio constrangido, já que passaram quase um ano namorando, o recorde do Malfoy. Então se dirigiu a Gwen, que o aguardava de braços abertos e com um sorriso no rosto. Ele abraçou a amiga e só então percebeu o quanto sentiu sua falta.

-Por que vocês não sentam? Vão querer chá? –Ofereceu Gwen.

Draco e Krum se sentaram, Draco ao lado de Astoria e Krum ao lado de Gwen. Enquanto Draco aceitou o chá com todo prazer, Krum recusou com uma careta e começou a reclamar dos costumes Britânicos.

O loiro entregou os presentes Às meninas e pediu desculpas pra Krum por não ter lhe comprado nada. As irmãs agradeceram sinceramente e Draco ficou feliz de ver que um Natal sem tristeza ou solidão não era um mito.

Eles conversaram e riram por um bom tempo, até que Draco lembrou da pergunta que queria fazer desde que chegara à mansão:

-Desculpa a pergunta, Vítor, mas o que você está fazendo aqui?

-Você não sabia? Eu e a Gwen estamos juntos! Tudo graças a você! –Respondeu o Krum, empolgado.

-Graças a mim?

-Sim, a você! Desde aquele dia em que eu fui te buscar na casa dela na Bulgária nós começamos a conversar e voila, estamos juntos!

-Nossa, cara, felicidades! –Desejou o Malfoy, ele realmente queria que os dois fossem muito felizes juntos. –Vocês estão morando aqui ou na Bulgária?

-Por enquanto nós estamos aqui, mas eu não quero ficar nem cá nem lá, tudo o que eu vejo é magia das trevas, em ambos os países. Eu recebi uma proposta de um time de quadribol da Alemanha, mas a Gwen quer ir pro Mediterrâneo, Itália, talvez.

-Malta é a melhor opção. –Argumentou Gwen com a boca cheia de cookies.

-Eu não sei, eu só sei que nós temos que decidir isso antes do casamento. -Disse Krum.

-Casamento? Mas vocês se conheceram há pouco mais de um ano!

-É, casamento. –Respondeu Gwen, como se aquilo fosse óbvio. –Nesses tempos de trevas nunca se sabe o que vai acontecer no dia seguinte, Draco, nós precisamos aproveitar o máximo possível.

-Uau, não se esqueçam de me convidar. – Comentou Draco.

-Desculpe, mas eu não vou convidar perdedores cobertos de neve. –Respondeu Krum.

-Hã? –Perguntou Malfoy, confuso, bem a tempo de ser atingido por uma bola de neve nas costas.

Todos na mesa riram, e, em vingança, Malfoy lançou uma bola de neve em cada um. Em menos de um minuto os cinco já estavam em uma intensa guerra de bolas de neve. Mesas eram usadas como barreiras, a fonte como esconderijo e o belo jardim da senhora Greengrass, coberto de neve, era pisoteado pelos guerreiros.

Draco percebeu que nunca estivera tão errado. O Natal era mais que o nascimento de cristo. O Natal representa união, traz esperança, renova a alma.

Notas finais
Eu sei que eu disse que a Gwen não apareceria outra vez, mas eu gosto tanto dela que eu decidi colocá-la em mais alguns capítulos.
Sabe, eu adoraria saber o que vocês estão achando da fic até agora, como ela podia melhorar.
Bom, acho que é isso, até o próximo capítulo!