Polissuco

4 Amor e ódio


Notas iniciais
Heey! Tudo bem com vocês?
Mil desculpas pela demora! Esse capítulo é mais centrado no ódio do Karkaroff pelo Sr. Malfoy
Espero que gostem!

A densa névoa que cercava o lago de Durmstrang não permitia que ninguém enxergasse dois metros a frente. As sombras das árvores se projetavam de um jeito sombrio no cascalho. A luz da lua dava um ar fantasmagórico àquela noite em especial.

Sentado à margem do lago estava Vítor Krum, seus pensamentos tão nebulosos quanto o lago. Aquela era a hora, ele sabia, mas não sabia o que fazer. Bem, já estava esperando Karkaroff há uma hora, tudo que podia fazer era rezar para que o diretor não aparecesse, mas ele sabia que Karkaroff não perderia a chance de conversar a sós com Krum.

“O que eu faço? Se eu disser que não, Karkaroff vai me considerar um amante dos trouxas e traidor do sangue, sabe-se lá o que ele e os comensais farão a mim e àqueles que amo. Se eu disser que sim eu estarei apoiando tudo aquilo que sempre fui contra e colocando em risco a vida dos trouxas. Eu não posso simplesmente ficar calado?” Quanto mais Krum pensava, mais confuso ficava.

Crack.

O barulho de um galho sendo quebrado acordou Vítor dos seus pensamentos. Que não seja Karkaroff, que não seja Karkaroff! Torceu o búlgaro, mas à medida que uma sombra se aproximava, ele tinha mais medo de que essa fosse a hora.

Krum soltou um suspiro de alívio ao ver o rosto pálido e comprido de Malfoy sob o luar.

-Esperando o Karkaroff? –Perguntou Malfoy, sua voz áspera de sono. Se o Vítor não está com a Granger ele provavelmente está esperando o Karkaroff, não custa nada arriscar! Pensou Malfoy.

–Si-Sim, como você sabe? –Perguntou Vítor, desconfiado.

–Eu... érr... Karkaroff pediu que eu lhe avisasse que ele está lhe esperando em seu esccritório. –À luz do luar era impossível ler a expressão do Malfoy, mas Krum não pôde deixar de perceber que havia algo de muito estranho nela.

Vítor apenas assentiu e seguiu Draco, que não podia acreditar que o Búlgaro fosse tão tolo!

Krum seguiu o Malfoy em direção à escola e quase tropeçou quando o loiro parou abruptamente.

–Droga!

–O que houve? –Perguntou Krum.

–Acho que minha varinha caiu no caminho! Você se importa em me ajudar?

–Não, claro que não! Hãã... Lumus!

Uma luz surgiu da ponta da varinha de Krum, que examinou o chão à sua volta. A alguns passos, jogada no chão, estava a varinha de Malfoy.

–Encontrei!

Vítor correu em direção à varinha, recolheu-a e devolveu ao seu dono.

Malfoy segurou o cabo da varinha e Krum soltou a ponta.

–Obrigado... hãã... ESTUPEFACA! –Disse Malfoy e o Krum cfoi lançado para longe e caiu inconsciente.

Malfoy mexeu no bolso do casaco desesperadamente, até encontrar o frasquinho de poção polissuco. Tampando a respiração, Draco bebeu toda a poção que restava no frasco.

Logo ele sentiu as mudanças no seu corpo, a estranha sensação de ser outra pessoa. O cabelo encurtando, os braços engrossando, o nariz esticando, oh, Merlin, eu realmente preciso sentir isso toda vez que eu me transformo?


***

Toc Toc Toc

–Pode entrar! –Gritou Karkaroff de dentro do escritório. Draco empurrou a grande porta de carvalho e entrou. –Oh, Krum! Eu esperava o encontrar no lago em cinco... –Ele parou e olhou para o relógio de bolso nas suas mãos — Aaah, eu perdi completamente a noção do tempo! Mil perdões, Vitor! Mas já que está aqui, por que não aproveita e senta?

Malfoy, ou melhor, Krum assentiu e seguiu o professor até o andar de cima do escritório. Draco nunca havia visitado o segundo andar do escritório do diretor, e qualquer um que o visitasse não teria dúvidas de que pertencia a um bruxo das trevas. Caldeirões cheios de poções coloridas e borbulhates estavam espalhados pela sala, vários livros de artes das trevas espalhados pelo chão, as paredes eram de tijolos negros e no centro da sala havia uma mesa de mogno com uma cadeira de ossos em cada ponta. A sala era muito mal iluminada, uma fumaça roxa e um cheiro de podridão, resultado da magia negra, tomavam conta do lugar.

–Sente-se. –Disse Karkaroff com sua voz rouca enquanto sentava em um lado da mesa. Draco sentou-se do outro. -Então, Krum, qual é a sua resposta para a minha proposta?

–Eu pensei que o senhor não estivesse com pressa, diretor.

–E não tinha. Mas Lucius deixou escapar que o garoto vai voltar para a Inglaterra no fim do mês para visitar a família e os amigos, e eu temo que essa visita o convença a voltar para Hogwarts.

–Eu não estou entendendo. Onde eu entro nessa história, senhor?

–Aaah, Krum, meu caro Krum, tudo o que precisa fazer é convencer o garoto Malfoy a permanecer em Durmstrang!

–Mas eu nem sou aluno de Durmstrang! –Malfoy deixou escapar. Por um segundo ele havia esquecido que era Vítor Krum e agora sabia que estava encrencado.

–Sabe, eu posso estar ficando velho, mas a minha memória ainda funciona perfeitamente. –Comentou Karkaroff. Malfoy olhou confuso para ele, sobre o que esse cara ‘tá falando? –Eu sei perfeitamente que o senhor concluiu o curso de Durmstrang, Sr. Krum, mas o senhor vai continuar na escola. Não como aluno, como professor!

Draco suspirou de alívio ao perceber que Karkaroff entendera tudo errado. Estava prestes a aceitar a proposta de Karkaroff quando lembrou que um “sim” poderia mudar completamente a vida de Krum. E se não for isso que ele quer? Pensou Draco, eu posso arruinar a vida do Krum sem saber!

–A proposta parece tentadora, diretor, mas com toda essa coisa do quadribol eu vou precisar de um tempo para pensar. –Respondeu Draco, feliz por não ter mudado nada na vida do Krum sem sua permissão. Espera, mas por que eu me importo? A vida é dele, ele que deveria lidar com as consequências! Pensou Draco, por que eu estou me importando com os outros? O que está acontecendo comigo?

–Sim, sim, claro! Leve o tempo que quiser! Falando em tempo... Então, o que você acha da proposta que te fiz antes? Preciso da resposta antes que o menino Malfoy volte para a Inglaterra!

–Ah, sim, antes de lhe dar uma resposta concreta eu queria lhe perguntar, se isso não for intromissão de minha parte, qual é o motivo dessa raiva pelo senhor Malfoy?

–Eu imaginei que fosse me perguntar isso Vítor. Bem, o motivo de minha raiva é algo que eu desprezo, em que eu deixei de acreditar há muito tempo, é o amor.

Draco não podia acreditar no que acabara de ouvir.

–Amor?? O senhor ama o senhor Malfoy?? –Ele não conseguiu conter o espanto em sua voz. Karkaroff riu.

–Não, não, você entendeu tudo errado! O motivo para eu odiá-lo é o amor, mas isso não quer dizer que eu o ame. Sim, a linha entre o amor e o ódio é tênue, mas o ódio que eu sinto por Lucius é bem diferente do que eu sentia de Narcissa.

–Narcissa?

–Sim, a Sra. Malfoy. Eu costumava a odiá-la quando morava na Inglaterra. Ela tinha aquele jeito de sabichona e se preocupava com todos, andava com grifinórios e lufanos, não sei, eu simplesmente achava seu jeito inadequado para uma puro-sangue e por isso passei a odiá-la. E eu passei boa parte da minha vida a odiando e julgando por ser diferente dos padrões, nós sempre discutíamos sobre as companhias que ela escolhia, e eu continuei odiando até que seu casamento com Lucius foi anunciado.

“Todos sabiam que o casamento era arranjado. Um exemplo de puro sangue como Lucius nunca se casaria com alguém como Narcisa a não ser que fosse um casamento arranjado. Mas mesmo sabendo que o casamento era arranjado eu fiquei com raiva de ver Narcissa nos braços de outro homem, só assim eu percebi o quanto ela era incrível e como eu a amava. Eu corri atrás dela, claro, disse que a amava e que ainda dava tempo de cancelar o casamento, mas ela disse que não correspondia e jurou que o casamento não era arranjado, que ela amava Lucius independente de ele ser um comensal da morte e que o apoiaria sempre.

“Devastado, eu passei a me perguntar o que Lucius tinha que eu não tinha, a resposta era simples: ele era um comensal da morte e eu não. Eu me alistei o mais rápido que pude para ser um dos seguidores do lorde das trevas, e assim surgiu minha paixão pela magia negra. Eu tentei mostrar a Narcisa que eu era melhor do que o Lucius, mas ela simplesmente falou que continuava o amando. Eu fiquei furioso, o que Lucius fez que eu não fiz? Por que todos, até mesmo Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, sempre preferiram o Lucius? Todas as glórias da minha vida, tudo o que eu amava, foi tirado por Lucius Malfoy. Agora você entende porque eu o odeio?”

Draco ainda estava digerindo a história. É possível amar alguém que se odeia? Será que meu pai tem ideia da dor que causou ao Karkaroff? Será que meus pais realmente se amam? E se Karkaroff fosse meu pai, eu estaria aqui? Pensou Malfoy, que examinava distraidamente as próprias mãos. Foi quando percebeu que seus dedos estavam desbotando, o efeito da poção estava acabando.

Desesperado para sair o mais rápido o possível da sala, Malfoy bateu três vezes na mesa e disse:

–Acho que tem alguém na porta.

–Às duas horas da manhã? Vou ver quem é, um minutinho. –E sumiu escada a baixo.

Aproveitando que Karkaroff não estava lá, Malfoy pulou da grande janela e mentalizou um feitiço para amenizar a queda, então começou a correr. Mas não correu muito porque deu de cara com um Vítor Krum assustado, um Vítor Krum de verdade.

–Sim, sou eu, Draco Malfoy. Sim, eu te estuporei. Sim, eu estava fingindo que era você. Mas eu juro que foi por uma boa causa! Depois eu te explico tudo, antes eu preciso que você vá para o segundo andar da sala de Karkaroff e finja que esteve lá o tempo todo! Por favor, faça isso pra mim! Eu juro que lhe explico tudo mais tarde! –Falou Malfoy, sem fôlego.

–Sem problemas, cara. Espera aí, Draco Malfoy está pedindo ajuda a alguém? E ainda está pedindo “por favor”? Nossa, que honra a minha! –Zombou Krum.

–Ei, eu sou educado! Eu peço “por favor”!

–Sim, você é educado. Mas é orgulhoso demais para pedir qualquer coisa, então não tem a chance de pedir “por favor”.

–Tá, tá, isso pouco importa! Agora você vai fazer o que eu pedi? –Disse Draco, impacientemente.

–Você vai me explicar tudo depois?

–Sim.

–Você jura que foi por uma boa causa?

–Sim.

–Eu estou encrencado?

–Não.

Então Krum aparatou no segundo andar do escritório de Karkaroff.

Draco ficou onde estava, a brisa noturna soprando seus cabelos prateados.

Sim, a linha entre o amor e o ódio é tênue.O vento sussurrava as palavras ditas por Karakaroff, juntamente com as de Gwen, tradições foram feitas para serem quebradas.

Malfoy não sabia o que aquelas palavras queriam dizer ou qual era sua importância, ele só sabia que não conseguia tirá-las da cabeça.

Notas finais
Ta aí! Um capítulo novinho pra vocês!
Então, gostaram? Não? Por que? Me contem o que acharam do capítulo ;)