Policial Sujo
29 Quando o babado é forte, o ruivo desconfia!

Trafalgar P.O.V
Não importa quantas vezes você sonhe com um momento, quando ele enfim acontece, consegue superar todas as suas expectativas. Você até pode imaginar que será algo feliz, porém, quando esta mesma ocasião sai de seus pensamentos e se torna realidade, é quando você percebe que não dá para sequer ter uma noção do quão importante ela é para ti. Não sem antes ela acontecer de fato.
Quando o Luffy disse aquelas três palavras, naquela hora, eu percebi o quanto eu não tinha noção de nada. Por toda minha vida, desde a infância até a fase adulta, tudo que aprendi foi relacionado à ganância e arrogância. Acreditei por anos que ter alguém junto a mim somente atrapalharia em meus objetivos. Foram décadas de egocentrismo, onde somente importava-me comigo. Décadas que foram quebradas com uma simples frase.
Durante um momento, esqueci quem eu era, esqueci quem eu fui, esqueci o que acreditava, esqueci de tudo. Nós estamos aqui, juntos, no carro a caminho de casa e é somente isso que me basta. Fico olhando pela janela, mesmo sem de fato olhá-la. Minha mente está tão calma que nenhum pensamento passa através dela, somente sinto. Luffy está deitado com o rosto apoiado em meu ombro, nossas mãos estão juntas e nossas vozes cessaram em um silêncio profundo.
Luffy P.O.V
Nossa relação nunca foi simples, nem como as outras. Quando eu conheci o Torao, naquela época, sempre que eu olhava em seus olhos, somente conseguia ver ódio e ganância. Pra mim, ele era alguém frio, que não se importava com nada além de si, que usava outras pessoas como marionetes. Sem dúvidas, ele sempre foi o tipo de pessoa que eu mais detestava.
E foi enquanto eu era obrigado a viver no antigo apartamento dele como refém, que eu percebi que não era bem assim. Nossas duas realidades poderiam ser diferentes, nossos cargos também. Eu estava lá para prendê-lo por todos os crimes que cometera, ele estava lá para me impedir de fazê-lo. E mesmo assim, o Torao não agiu como os outros criminosos como eu pensei que agiria.
Quando ele me contou sua história, eu passei a enxergar um outro brilho em seus olhos, foi a primeira vez que ele estava sendo sincero consigo mesmo e comigo. Quando ele desistiu de tudo para salvar a minha vida, eu pude enxergar além desse brilho. Era uma cor nova, alguém totalmente além de tudo que eu conhecera. Foi quando eu percebi que ele não era a pessoa que eu pensei que fosse.
Mesmo assim, durante anos, mesmo sabendo que o amava, eu nunca lhe disse. Tentei usar esse sentimento para fazê-lo ser uma pessoa melhor até que ele merecesse saber que é amado por alguém, mas não é bem assim que funciona. Eu mesmo já não aguentava mais esconder, e já sabia que ele não aguentava mais esperar. Foi quando eu resolvi dizer e senti um grande alívio sair de dentro de mim. Uma sensação que eu não conhecia até então.
Nós dois estamos agora no carro que ele contratou para noite. Sem uma palavra, sem nem ao menos olhar para mim, o Torao ficou apenas olhando para fora da janela. Nós não dávamos as mãos há muito tempo, pelo menos não como agora, em tanta tranquilidade. As mãos dele costumavam ser frias, mas agora, por algum motivo, estavam tão quente e aconchegantes.
Não dissemos nem uma palavra até chegarmos em casa, ele apenas fazia carinho em minhas mãos e eu deitava em seu ombro. Quando chegamos, subimos de elevador até meu apartamento e eu fui pegar as chaves em meu bolso. Contudo, ele me virou, me fez encostar na porta e ficou de frente para mim, me olhando bem próximo e, mesmo em silêncio, eu conseguia ouvir seus pensamentos.
– Eu amo você, Luffy.
Ele me olhou e eu retribuí, já não conseguia mais tirar meus olhos dos seus. Acabei abrindo um pequeno sorriso no canto dos lábios e ele fez o mesmo, deixando escapar um ínfimo riso. Logo seu rosto abaixou-se até se aproximar de mim. Só paramos de nos olhar quando fechamos os olhos para sentir nossos lábios se cruzarem em um beijo.
Abracei seu pescoço e ele segurou minhas pernas, me levantando e me pegando no colo. Em seguida, tirou as chaves da minha mão e abriu a porta, me carregando para dentro. Só tivemos que nos separar mesmo quando o Peter apareceu, daí eu tive que sair do colo do Torao para acalmá-lo.
Luffy P.O.V off
– Grrrrr... – Peter, assim que viu os dois rapazes juntos, começou a rosnar com raiva para Trafalgar. – Rawr, rawr, rawr! – E latiu para afastá-lo de Luffy.
– Eu já tinha até esquecido da existência desse bicho... – Law comenta.
– Peter! – Luffy pega seu cachorro no colo. – Não precisa ficar com raiva do Torao hoje, tá bom?
– Rawr, rawr! – E quando Peter vê Luffy, fica abanando o rabo sorridente como se fosse o cachorro mais simpático do mundo.
– Acho que eu vou precisar fazer as pazes com essa cria do demônio, certo? – O médico diz, sem saber muito bem se queria ou não fazer aquilo.
– Isso é uma coisa que você deveria ter feito há séculos! – Luffy exclama. – Eu só queria que vocês se dessem bem, poxa.
– Então me dá ele aqui. – Trafalgar pega o animal nas mãos e fica o encarando. – Se o Luffy gosta de você, eu também vou tentar gostar, tá bom? Mesmo você sendo um Poodle inútil.
– Grrrr! – Porém, Peter, com raiva, começa a arranhar o rosto de Law.
– Ai, seu filho da puta! – O médico, em retribuição, larga o cachorro no chão e o faz cair daquela altura.
– Não faz isso! – Luffy fica com raiva. – Você jogou o Peter no chão!
– E daí? Ele me arranhou!
– Óbvio, você chamou ele de inútil!
– Porque ele é.
– Rawr, rawr! – E Peter contrataca, mordendo a perna de Law com força.
– Aaaaaaai, isso dói! – Ele fica tentando tirar o animal, balançando sua perna. – Desgruda de mim, filho do Adams! – E, com isso, Peter acaba voando pro outro lado da sala.
– Para de comparar o meu cachorro com o seu tio maluco! – Luffy gita.
– Tsc, eu não tenho culpa se eles são iguaizinhos.
– Bom, fiquem aí brigando então, eu vou escovar meus dentes.
Luffy deixou os dois sozinhos e foi para o banheiro. Chegando lá, abriu a torneira, colocou um pouco de água na escova de dentes e pasta, inciando a higiene bucal. Não muito depois, Trafalgar chegou e abraçou o garoto por trás, dando um série de beijos em seu pescoço por quanto o outro escovava os dentes.
– Não fica chateado comigo, não. – Law diz, com voz baixa, abraçando Luffy forte e tendo-o completamente para si, enquanto percorria seus lábios por toda extensão do pescoço do menor.
– Eu não tô chateado. – Luffy responde, continuando a escovar os dentes e deixando o outro o beijar livremente. – Eu já me acostumei com a briga de vocês.
– Ótimo, porque eu não quero que nada estrague a nossa noite. – Law dá um último beijo em sua bochecha e pega sua escova de dentes, fazendo a mesma higiene que Luffy.
– Não se preocupa. – Luffy termina, bochecha e joga a água na pia. Em seguida, vira de frente para Law e abre um sorriso. – Nada vai estragar essa noite ótima que você me deu.
– Que eu te dei? – Law também termina de escovar os dentes e joga água em sua boca, olhando para o garoto em seguida e volta a abraçá-lo. – Foi você quem me deu o melhor presente do mundo, Luffy.
– Ah, eu não fiz nada demais. Foi você quem preparou tudo.
– Não fez nada demais, só me deu a noite mais maravilhosa que eu já tive. – Ele se abaixa e dá um longo beijo no garoto, que abraça suas costas para que ambos ficassem mais juntos ainda. – Obrigado.
– Mas não foi nada demais mesmo, eu só disse a verdade. – Luffy segura a nuca de Law e o aproxima, juntando seus lábios novamente. – Eu te amo.
– Você não sabe o quão feliz eu fico em ouvir isso...
– E você não sabe o quanto eu fico feliz em dizer.
Trafalgar P.O.V
Voltei a beijá-lo mais uma vez. Luffy abraçou meu pescoço e eu fiz o mesmo em sua cintura, porém, abaixei minhas mãos e segurei suas coxas, levantando-o e o fazendo sentar na pia. Não separamos nossos lábios, mas fui me desfazendo do kimono que ele usava, até deixá-lo de peito desnudo e, consequentemente, somente de cueca.
Luffy também realizou a mesma ação e logo estávamos juntos, somente com as roupas de baixo. Redirecionei meus beijos até seu ouvido, dando pequenas mordidas no lóbulo de sua orelha, o que o deixou arrepiado e o fez puxar levemente meus cabelos.
– Quer ir pro banho? – Perguntei, bem próximo a seus ouvidos por quanto dava leves beliscões em seus mamilos.
– Pode ser...
Retirei sua cueca e voltei a beijá-lo ao mesmo tempo em que tirava a minha. Logo o levantei pela perna novamente e me dirigi até o chuveiro, onde o coloquei no chão. Abri a água e esperei esquentar, colocando em uma temperatura boa o suficiente e o deixando debaixo d'água junto comigo.
Continuamos a nos beijar com a água caindo sobre nós; nossos corpos estavam bem juntos e minhas mãos pressionavam tanto as costas de Luffy como suas nádegas. Ele segurava em minha cintura e trocávamos beijos cada vez mais duradouros e longos, até eu pegar o sabonete ao meu lado.
Puis um pouco em minhas mãos e o tirei da água, começando a ensaboá-lo devagar por cada parte do corpo, indo das costas até as pernas e do peito até a virilha, fazendo questão de dar alguns leves chupões em seu pescoço. Deixei-o coberto de sabão e voltei a fazê-lo ficar debaixo d'água.
Em seguida, Luffy fez o mesmo comigo. Passou sabão em meu peito e correu seus dedos pelos meus braços e barriga, até chegar às partes baixas. Pôs mais sabão ainda em uma de suas mãos e começou a fazer movimentos de masturbação em mim enquanto beijava-me ainda com mais intensidade.
Voltei a ficar debaixo d'água e desci meus beijos até seu peito, dando chupões e pequenas mordidas em seus mamilos, abraçando-o para não me separar dele. Fui beijando todo seu corpo até ajoelhar-me, dando alguns chupões em sua virilha. Luffy segurou em meus cabelos e ficou acariciando-os, apoiei-me em suas nádegas e adentrei seu corpo com um de meus dedos, ao mesmo tempo em que puis seu membro em minha boca.
Comecei a chupá-lo e dar lambidas por sua glande, deixando o corpo enrijecer gradativamente. Ele soltou alguns pequenos gemidos abafados e afastou suas pernas, para que meu dedo pudesse adentrá-lo mais profundamente. Não tardou, logo seu membro já estava bem duro e batia um pouco em minha garganta, seus gemidos também foram ficando mais constantes.
Deslizei minha língua por todo seu membro, dando beijos pelo prepúcio e pela base, voltando a colocá-lo todo na boca em seguida. Apertei-o com minhas bochechas e fiz movimentos de vai-e-vem, os mesmos que fazia com meu dedo dentro de seu corpo. Luffy dava gemidos cada vez mais altos e abafados, até já não estar aguentando mais.
– Aaahn... e-eu já vou...
Desviei meu rosto mais abaixo e fui dando pequenas chupadas em seus testículos, até colocar ambos em minha boca e lambê-los. Luffy puxava seus cabelos e se masturbava, soltando mais gemidos ainda. Quando percebi que ele já iria gozar, voltei a colocar seu membro em minha boca e chupá-lo, apoiando minhas duas mãos em suas pernas. Logo senti seu líquido espirrando em minha garganta e só me separei quando ele terminou.
– Delicioso. – Disse, subindo e voltando a beijá-lo. Segurei bem seu rosto, firmemente, sentindo sua língua em conjunto com a minha. Ele me abraçou pela cintura.
– Vamos pro quarto...
Desliguei o chuveiro e nós dois saímos do box, pegando a toalha para nos secarmos. Ao finalizarmos, fomos juntos para o quarto, nos beijando durante todo o percurso, sem nos importar se esbarrávamos ou não em algo. Assim que chegamos, empurrei Luffy na cama e caí por cima dele, o beijando e segurando seu peito. Ele me abraçava pelo pescoço e retribuía o beijo.
Ficamos rolando na cama enquanto nos beijávamos, somente parávamos para apreciar o rosto um do outro, mas logo continuávamos ainda mais. Luffy ficou por cima de mim, mas logo desceu até minhas partes baixas e virou, ficando em posição contrário a mim, em modo de meia-nove.
Ele segurou meu membro e o pôs na boca, dando algumas lambidas e chupadas entorno da glande. Segurei seus quadris e os elevei até perto de mim, até aproximar sua entrada de meus lábios. Usei bastante saliva para lubrificá-lo e adentrei minha língua dentro de si, deixando-o arrepiado. Conseguia também sentir o céu de sua boca batendo em meu membro e sua saliva entorno de mim, o que me deixava facilmente excitado.
Já estava bem duro e conseguia sentir que Luffy já estava bem lubrificado também, até conseguia entrar com dois dedos facilmente. Chamei-o para vir e ele deitou em cima de mim mais uma vez, me beijando. Virei na cama e subi por cima dele, beijando seu pescoço e indo até seus ouvidos, sussurrando para si.
– Fica de quatro pra mim, Luffy...
Deu para sentir que havia ficado arrepiado quando ele me puxou pela nuca e voltou a me beijar, mas logo fez o que eu pedi. Ficou de costas para mim e abracei seu corpo, dando mais beijos em seu pescoço. Luffy segurou na cabeceira da cama e empinou o quadril até ficar com as costas bem curvadas e à minha altura. Apoiei-me em seu ombro e ajeitei meu membro dentro de si, entrando devagar.
– Aaaahnn..!
Ele soltou um longo gemido quando entrei, e eu soltei o mesmo, na mesma altura. Esperei ele se acostumar e logo inciei as estocadas lentamente, sentindo cada milimetro de seu corpo. Nossas vozes saíam juntas, sem precisar fazer qualquer tipo de esforço. Gradativamente ia aumentando a intensidade, até estar em um ritmo elevado.
Seu corpo de costas para mim era ótimo, uma vez que sua coluna ficava bem flexionada e seus quadris mais visíveis. Consegui ir com meu rosto até seu pescoço e soltei gemidos na altura de seus ouvidos, o que deixava-o mais excitado ainda. Apoiei uma das mãos na cabeceira da cama e a outra usei para masturbá-lo.
Fui dando estocadas mais rápidas ainda, até a voz dele sair totalmente falhada. O masturbava no mesmo ritmo e mordia o lóbulo de sua orelha, até quase estar gozando, mas não tardou muito. Logo senti Luffy se desfazendo em minhas mãos e fui atrás, dentro dele. Nossas vozes ainda estavam abafadas e nossos batimentos cardíacos acelerados, mas acabamos caindo na cama, juntos, deitados.
– Luffy... – Dizia, em frente a ele. Nossos rostos estavam próximos e nossas respirações pesadas, esperando acalmar-se com o tempo. Lambi meus dedos que estavam com seu gozo para limpá-los e, logo em seguida, dei-lhe um último beijo calmo.
– Eu te amo. – Ele me disse as mesmas palavras que eu nunca cansaria de ouvir, com um leve sorriso no rosto e olhos brilhantes.
– Eu também te amo. – Respondi, com o mesmo leve sorriso. Ficamos nos olhando até ele abraçar meu peito e deitar-se abaixo de meu rosto, quase adormecendo.
– Eu não sabia que era tão bom falar isso... se eu soubesse já teria te dito há muito tempo.
– Você foi a primeira pessoa que eu amei de verdade. – O abracei ainda mais e fechei meus olhos, somente sentindo seu cheiro. – E eu nunca imaginei o quão bom seria ouvir isso de você.
(…)
No dia seguinte, os dois rapazes ainda estavam estavam adormecendo juntos, totalmente nus. Luffy foi o primeiro a acordar como sempre, visto que o sono do outro era o mais pesado possível, e resolveu fazer o mesmo de sempre: tentar acordá-lo, dando pequenas cutucadas em suas bochechas a fim de irritá-lo.
– Acorda...
– Hmfds... – Contudo, Law apenas soltava barulhos estranhos e incompreensíveis.
– Sabe, eu nunca vou me acostumar com essa sua mania de falar enquanto dorme... – Continuou apertando as bochechas do outro.
– Hmm.. arf...
– Acorda logo... – Cutucava insistentemente.
– Paa co izzo... eu dão gozto de... ruivos...
– Eu não sou ruivo.
– Aahn... sai...
– Quer que eu saia? Mas eu tô na minha casa. – Não parava de cutucar o pobre dorminhoco.
– Zai, eo dão... gozto de ruivos...
– Então por que ficou com o Penguin?
– Penguin.... aff... – Law fez uma cara de extremo desgosto, mas pelo menos começou a acordar. – Han..?
– Bom dia.
– Ahn.. Luffy?
– Oi.
– Ah, oi... – Trafalgar se sentou na cama e coçou seus olhos, espreguiçando-se. – Bom dia...
– Teve outro pesadelo?
– Não, até que não. – Ele, após acordar um pouco, dá um beijo de bom dia no garoto. – Só sonhos normais com ruivos idiotas.
– Então tá. – Luffy senta na cama e se prepara para sair. – Eu vou tomar banho.
– Ahn... tá bom... – Law estava muito sonolento ainda e não parava de coçar os olhos. Parecia que iria dormir ali mesmo de novo, de tanto que estava cansado.
– Quer ir comigo?
– Opa, claro. – Mas logo despertou e saiu da cama em um pulo. – S-Sério?
– Sim, por que não?
– Ah, é que você sempre negou...
– Mas agora é diferente, nós estamos namorando, certo?
– E-Estamos?! – Ele ficou surpreso.
– Você esqueceu da noite passada..?
– Não, é que... – Law praticamente se jogou na cama e abraçou o garoto por trás. – Eu nunca pensei que ouviria você dizer isso tão naturalmente.
– Não precisa ficar assim... – Luffy abre um sorriso e segura a mão dele. – Nós ainda temos uma vida inteira juntos pela frente.
– Tem razão. – Ele abre o mesmo sorriso e dá um beijo nos cabelos do outro.
– Então vamos?
– Vamos.
(…)
Os dois rapazes tomaram banho matinal juntos e, logo em seguida, Law foi fazer o café da manhã do amado. Entretanto, acabou recebendo uma mensagem e foi verificar quem era, ficando preocupado assim que percebeu que se tratava de um SMS de Penguin, o que o deixou meio hesitante em abrir, mas acabou o fazendo. Porém, quando leu a mensagem, ficou mais confuso ainda.
“EU SINTO MUITO POR VOCÊ!!” – E várias carinhas tristes do lado.
– Huh? – Law não entendeu nada do que leu.
– O que houve? – Luffy pergunta, vendo sua reação. – Aconteceu alguma coisa?
– Não, nada... que eu saiba. – E ele resolve responder a mensagem.
“Do que você tá falando?”
“Eu sei que eu sempre fui contra o seu namoro, mas eu realmente sinto muito!”
“Hã?”
“Eu te disse que engravatados eram sádicos...”
“Mas do que diabos você tá falando?”
“Do seu término com o Luffy! Mesmo eu não gostando muito, no fundo, bem no fundo, mas bem no fundo mesmo, eu até achei que vocês ficavam bonitinhos juntos.”
“Oi? Espera aí, você tá pensando que o Luffy terminou comigo?”
“Eu sei que é difícil pra você, mas não se preocupa que eu não vou te julgar!”
“O Luffy aceitou o meu pedido.”
“Ain, você ainda tem essas esperanças? Não se iluda, Law-nii.”
“Não é esperança, é a realidade!”
“Existirão outros engravatados pra você, relaxa.”
“Hã?”
“Eu já falei com o Brad e ele disse que vai te ajudar. Nós vamos fazer uma noite de solteiros em uma Rave! Que tal?”
“Penguin, eu não sou solteiro, o Luffy aceitou meu pedido!"
“Pera... ele aceitou?”
“Você achou que ele fosse me dar um fora? Mas que belo amigo você é, hein.”
“De verdade mesmo? Ele disse sim?!”
“Inclusive eu estou fazendo o café da manhã NA CASA DELE e você está atrapalhando. Tchau.”
Trafalgar colocou seu celular no modo vibratório para não ser mais incomodado e voltou a fazer os preparativos do café da manhã, tanto dele como de Luffy e até mesmo de Peter. Após finalizado, sentaram-se juntos na mesa e o menor não pôde deixar de perguntar.
– Quem era no telefone?
– Ninguém importante.
– Era o Penguin?
– Luffy...
– Pode falar, eu não vou ficar chateado.
– Tá, era ele. Eu disse que nós dois estávamos namorando oficialmente.
– Hm... tá bom.
– Ficou com ciúmes, foi?
– Não, eu não.
– Você nunca muda... – Law dá um beijo na bochecha do garoto. – Relaxa, principalmente agora, eu só quero você na minha vida.
Os dois jovens continuaram a realizar o café da manhã e, ao terminarem, foram até o banheiro escovar os dentes. Se dirigiram até o quarto em seguida para se vestirem, irem à Yard e terem o seu primeiro dia como casal oficial. Ao finalizar as preparações, o médico resolve questionar.
– Então... agora nós vamos morar juntos, certos? – Law pergunta, com os olhos brilhantes.
– Não. – Mas é negado bruscamente. – De onde você tirou isso?
– Ahn? E-Ei, p-pera aí... – Ele fica indignado. – Como assim “não”?
– Não tipo... não?
– Por quê? Nós não estamos namorando?
– Sim, estamos.
– Então por quê?!
– Que eu saiba, namorados não moram juntos. Só pessoas casadas.
– M-Mas, m-mas–
– Nós não somos casados.
– Mas e os meus privilégios como namorado?!
– Nós acabamos de tomar banho juntos.
– M-Mesmo assim, por que eu não posso morar contigo? S-Se você quiser eu até levo o vira-lata pra passear!
– Não importa, você não vai morar comigo.
– Por quê?!
– Porque nós não somos casados.
– Então qual é a lógica em namoramos?
– Ah, você quer terminar comigo?
– NÃO! Por tudo que há de mais sagrado, não!
– Então não reclama. – O garoto dá as costas e ameaça sair do quarto.
– M-Mas eu só... quero viver com você pra sempre...
– Ah, mas nós podemos conviver pra sempre.
– Então eu posso vir morar aqui?
– Não.
– Mas por quê?!
– Porque nós... – Luffy, enfim, sai do quarto, mas antes de fechar a porta, olha para trás de relance e bem no fundo dos olhos de Law. – Não somos casados. – E fecha a porta, sem mais nem menos.
– Ahn...
Law ficou terrivelmente perplexo. Não conseguiu parar de encarar a porta fechada e somente conseguia relembrar todos os momentos em que falhou completamente, e quando exatamente deixou de iludir para se tornar iludido. Chegou a conclusão de que em nenhum momento de sua vida foi tão otário como agora. Mesmo assim, nosso médico ingênuo e apaixonado seguiu Luffy e aceitou sua decisão, sofrendo calado. Gente como a gente.
(...)
Ambos foram juntos à Scotland Yard, no carro de Luffy. Pela primeira vez, Law não estava emburrado ou de mau humor por precisar acordar de manhã e ir em um lugar onde julgava chato, simplesmente por ser o primeiro dia deles como casal oficial. Entretanto, como coisas estranhas sempre acontecem na vida do pobre médico, o lugar não estava igual.
– Huh?
Assim que chegaram na Central de Polícia Metropolitana, teoricamente tudo estava normal, as mesmas pessoas, mesmas cadeiras, tudo. Contudo, havia uma pequena diferença notável. Quando Law e Luffy apareceram juntos, todos os agentes começaram a encará-los de relance, tentando não serem notados, como se estivessem pensando alguma coisa em conjunto.
Alguns até mesmo viravam-se uns para os outros e cochichavam, rindo baixo e discretamente. Teve gente que virou o rosto para que ambos não notassem, mas outros nem conseguiam esconder as gargalhadas atrás das mãos. Era como se um grande boato estivesse rondando por aquele lugar.
– Por que essas pessoas tão olhando pra gente? – Law pergunta, andando em direção à sala de reuniões. – E por que alguns estão rindo?
– Sei lá... – Luffy responde e vai o seguindo, notando que, conforme os dois andavam, os demais os seguiam com o olhar.
– Law! Luffy! – Kaidou Lovato, o atual Diretor da Yard chega, com um semblante triste e olhos repletos de lágrimas. O mais estranho é que ele, do nada, abraça Law com força. – Aaah, garoto! Eu sinto muito por você, de verdade!
– E-Ei, me larga! – Law fica assustado com o abraço repentino. – Que que tá acontecendo aqui?!
– Não precisa se fazer de forte. – Kaidou continua o abraçando e chorando em seu ombro. – Eu sei que deve ser muito difícil, mas as esperanças são as últimas que morrem! Se precisar de ajuda pode contar comigo, tá bom?
– Do que você tá falando?
– Luffy! – Kaidou finalmente se separa do abraço e vai até o garoto, com um pouco de raiva dessa vez. – Eu não admito esse tipo de sadismo aqui!
– Sadismo? – O garoto pergunta confuso. – C-Como assim?
– Antes eu achava que você era uma pessoa gentil, mas agora eu não tenho mais essa certeza. Da próxima vez um simples “não, obrigado” resolve, tá bom?
– M-Mas do que você tá falando?
– Vocês ainda não viram o vídeo?
– Vídeo? – Law e Luffy perguntam juntos. – Que vídeo?!
– Bom, acho melhor vocês descobrirem por si mesmos, eu preciso fazer uma ligação. Beijos! – E assim, Kaidou se retira.
– De que vídeo você acha que ele tava falando? – Luffy pergunta, andando até a sala de reuniões.
– Vai saber... será que vazou alguma coisa nossa? – Law responde, indo junto com ele.
– V-Vazar? P-Pera aí... você filmou alguma coisa?!
– Eu não.
– Torao...
– É-É melhor a gente ver do que eles estão falando ainda de tirarmos conclusões precipitadas.
Dito isto, ambos seguiram até a sala de reuniões enquanto recebiam olhares e baixas risadas escondidas durante todo percurso. Entretanto, ao abrirem a porta, notaram uma cena bem estranha que fez os dois rapazes levarem um enorme susto. Lá dentro estavam Roronoa Zoro, Nami e Boa Hancock.
– HAHAHAHAHAHAHAHAHA! – E, por incrível que pareça, o de cabelos verdes estava chorando de tanto rir e quase tendo um ataque cardíaco. – HAHAHAHA! – Chegava a tossir de tanto rir.
– BOTA DE NOVO! – Boa Hancock estava na mesma. Apesar de ser uma mulher séria, também tinha lágrimas de risos. – Bota de novo essa parte, eu não me canso de assistir a isto!
– Vocês dois, parem com isso... – Nami resmunga, já entediada. – A gente já viu isso milhares de vezes...
– O que tá acontecendo aqui? – Law pergunta, com o cenho franzido. Tudo o que via eram os três sentados, olhando fixamente para um computador. Luffy ficou assustado.
– Huh? – Os três finalmente notaram a presença de Law e Luffy e tiraram os olhos do vídeo.
– Opa, os astros da internet chegaram! – Zoro exclama.
– LUFFY! – Hancock pula entusiasmada e vai direto para os braços do moreno, abraçando-o e quase lhe arrancando o ar. – Eu sabia, eu sabia, eu sabia, eu sabia! Eu sabia que você só tinha olhos pra mim! Agora a Inglaterra toda sabe que nós somos um casal!
– D-Do que você tá falando? – Luffy diz, tentando se afastar do abraço. – Ei, me larga!
– Ei, tira as mãos dele! – Trafalgar acaba os afastando, mas a morena resolve o atacar.
– Ora, ora, ora. – Hancock sorri diabolicamente. – Parece que ontem à noite tivemos a confirmação da nossa disputa por amor, Trafalgar. Se bem que o resultado já era o esperado.
– Pois é, tivemos. Posso saber por que você está tão feliz?
– Se antes era gratificante ver o Luffy se desaproximar de ti, imagina agora que a Inglaterra inteira sabe o quanto você é patético! Por que eu não estaria feliz?
– Hã, mas do que caralhos vocês estão falando? – Trafalgar fica com raiva. – Que merda de vídeo é esse?
– Alguém filmou o encontro de vocês dois ontem à noite e jogou no PieceTube o fora que o Luffy te deu. – Nami explica.
– Como é que é? – Law e Luffy questionam juntos.
– Hahahaha, e é o melhor vídeo do mundo! – Zoro exclama e vai até o médico. – Eu preciso te agradecer, Trafalgar, eu nunca tinha rido tanto na minha vida!
– D-Desculpa, gente! – Nami vai até os dois rapazes também. – Eu tentei fazê-los parar com a babaquice, mas é impossível. Eu sinto muito por você, Trafalgar!
– Para com isso, Nami. – Hancock intervém.
– É, você também riu! – Zoro a incrimina.
– E-Eu só ri uma vez. – A ruiva faz biquinho. – Mas vocês dois já estão passando dos limites!
– Gente... – Luffy tenta parar de falar, mas é subitamente ignorado.
– É impossível parar! – Hancock grita. – Hahahaha, não tem nada melhor que ver o Trafalgar levando fora pela internet dessa maneira tão... patética! Hahahaha!
– Hahahaha, a melhor parte é quando o Luffy diz “não” aí o Trafalgar fica se arrastando no chão e implorando! Patético! Hahahahaha! – Zoro estava morrendo de rir.
– … – Law ficou encarando os dois e desejando que morressem. – Podem rir à vontade, idiotas...
– P-Pera, eles só botaram na internet o “não”? – Luffy questiona.
– O “NÃO” é a melhor parte! – Afirma Hancock. – Eu não me canso de ouvir o Luffy dizer “Não, não, não e não!”
– E aí, como é ser humilhado na internet, Trafalgar? – Zoro pergunta, abraçando outro pelo ombro. – É bem patético, não é?
– Quantas visualizações tem essa porra?!
– Incríveis novecentas mil, tudo isso em menos de um dia! Daqui há pouco chega a um milhão!
– Fora as comunidades que fizeram no Onekut. – Hancock fala. – Eu já entrei em todas!
– Hã? – Law fica com raiva. – Fizeram comunidade também?
– As melhores são. – Zoro diz. – “Ajudem Law a arranjar um marido”, “Você fica patético assim – Oficial”, “O que não fazer durante um pedido de casamento”, “Como recusar um pedido de casamento com classe” e “Mais um soldado morto pela friendzone”.
– Mas, gente... – Luffy tenta falar.
– Parem com isso, já deu! – Law se irrita. – O Luffy aceitou a porra do pedido, seus inúteis!
– Huh? – Os três resmungam.
– Aqui. – Law levanta o braço do garoto e mostra a aliança em seu dedo. Todos ficam em choque.
Um minuto de silêncio.
Mais um minuto porque o choque foi grande.
Ok, é o último, eu juro.
– … hein? – Hancock e Roronoa Zoro quebraram a cara.
– Eu e o Torao estamos namorando. – Luffy afirma.
– Jura? Ai meu Deus! – Nami fica eufórica e corre para abraçar os dois rapazes. – Eu sabia! Eu sabia que vocês iam acabar juntos, eu sempre soube!
– … hein? – Os outros ainda estavam em choque.
– E aí, Hancock. – Law vai até a mulher e lança-lhe um olhar e sorriso assassino. – Você ia dizendo alguma coisa?
– E-Eu... nã, q-quer dizer... Luffy! – A morena vai até o garoto tirar satisfações. – I-Isso é... verdade mesmo?
– Sim, nós estamos namorando.
– Agora deixa eu ver essa merda de vídeo!
Trafalgar vai, com raiva, até o computador para finalmente visualizar o vídeo que continha milhares de comentários e compartilhamentos. O título era: “Trafalgar Law tenta pedir outro garoto em casamento e é humilhado em público!” e tinha a descrição: “Ninguém mandou ser otário.”
Tudo foi filmado, desde o momento em que se ajoelhou, até a hora em que Luffy diz uma série de “nãos”, que é quando o vídeo acaba. Dava para ver perfeitamente o desespero do pobre médico, que rastejava no chão e gritava, tentava se casar à força, entre outros. Inclusive o momento em que o chapéu de palha o chama de “patético” vira ícone das redes sociais. Além do vídeo propriamente dito, existiam outros milhares de Remixes.
– Não acredito... – Law assistia indignado. – Cortaram a parte em que o Luffy aceita o pedido.
– Agora todo mundo acha que nós estamos separados. – O garoto confirma.
– Mas que merda! – Ele se revolta. – Quem enviou essa porra? Dá pra saber?
– Dá pra saber o nome do canal do Piecetube. – Luffy fala, lendo. – Aqui diz que foi um tal de “Dory_X” que enviou.
– FILHO DA PUTA! – Law grita e bate na mesa. – Não cansa de estragar o relacionamento dos outros, não?
– Você sabe quem é esse?
– Não faço a menor ideia.
– … sério?
– Quer saber? Isso não importa. – O médico se levanta e fica olhando para os outros três, segurando a mão de Luffy. – Nós dois estamos NAMORANDO oficialmente e não vai ser um vídeo de merda que vai estragar o melhor dia da minha vida!
– I-I-Isso é impossível! – Hancock diz, em desespero. – I-Isso não pode estar acontecendo... é verdade mesmo, Luffy?
– É. – Ele afirma normalmente.
– Urrrrrgh! – E a morena se retira dali.
– Bem feito. – Law comemora a saída dela. – E você, Verdinho? Não vai nos dar os parabéns?
– Hmpf. – Ele suspira. – O vídeo vai continuar sendo engraçado.
– Pode rir à vontade, ele vai continuar sendo falso.
– Aliás, falando em falsidade... o ministério da Justiça viu o seu vídeo e quer saber como um presidiário envia dez quilos de carne por correio pra um policial.
– O amor ultrapassa os limites da justiça.
– Aham...
(…)
– Você é muito imaturo...
“Não adianta ficar me xingando, eu vi que você entrou nas comunidades que fizeram.”
Do outro lado da Scotland Yard, na sala do Chefe-Diretor, enquanto Trafalgar e Luffy comemoravam o primeiro dia deles como casal oficial junto com os amigos, Kaidou fazia uma ligação. Ele estava falando no celular com o mesmo ruivo que gravou o vídeo pelo celular, querendo tirar satisfações do caso.
– Eu disse pra você não atrapalhar o relacionamento deles, poxa! E eu entrei nelas pra defendê-los.
“Relaxa, relaxa. Mas me diz, o Law já viu o vídeo? O que ele achou?”
– Ele disse que você tem essa mania de estragar o relacionamento dos outros.
“Mas que menino rancoroso...”
– Posso saber o que você vai fazer agora?
"Você cismou que eu quero separá-los, né? Mas eu não preciso fazer nada, Kaidou, o Luffy é inteligente. Eu dou dois dias pra eles terminarem."
– Para de jogar praga no relacionamento dos outros! Mas que irritante, arruma coisa útil pra fazer!
"Você fala como se eu gostasse de fazer isso..."
– Bom, como eu já percebi que é impossível te pedir pra ter um pouco de amor no coração, pelo menos me diz. Tá fazendo o que agora?
“Dirigindo.”
– Não dirija enquanto fala no celular, é ilegal.
“É Bluetooth, relaxa. Você é muito esquentadinho, Kaidou.”
– Óbvio, você me dá motivos! Tudo culpa do seu mapa astral, que é o pior que eu já vi. Escorpião com ascendente e um monte de outras coisas em Áries, até os astros te odeiam.
“Eu não faço ideia do que você esteja falando, mas eu preciso ir. Tchau, beijos!”
– Não faz besteira...
Após desligado o celular, Kaidou, como não tinha nada mais para fazer, foi passear pela Yard e arrumar conversa com algum de seus amigos. Ele, então, pegou um café e logo avistou Trafalgar e Luffy, que estavam sentados em uma mesa qualquer, juntos, conversando amigavelmente.
– Oi, meninos! – Ele chegou já fazendo um arco-íris com a mão e distribuindo amor. – Eu soube que o vídeo é falso e tudo mais, fico feliz por vocês dois terem ficado juntos.
– O Torao não quer me dizer quem fez o vídeo. – Luffy faz biquinho.
– Porque eu não sei. – Law responde. – Mas independente de haver ou não um vídeo, nada disso vai estragar o meu bom humor. Hoje nada pode dar errado!
– Eu tô gostando dessa sua positividade! – Kaidou afaga os cabelos do médico. – O amor deixa as pessoas mais bonitas, sabia?
– Eu ainda acho que isso não vai durar muito. – Quem diz é Zoro, que se aproximou dos três junto com Nami.
– Para de falar essas coisas! – A ruiva dá um tapa na cabeça dele. – É a primeira vez que o Luffy se apaixona, você deveria ficar feliz por ele!
– Ai, eu tô feliz por ele, eu só não confio no Trafalgar.
– Relaxa, Verdinho. – Law se defende. – Eu vou fazer o possível pra fazer o Luffy feliz. – E se aproxima para dar um beijo no cabelo do garoto.
– Tomara, porque se você fizer alg... uma...
– Han? O que é isso?
De repente, todas as pessoas que estavam na Yard levaram um susto! Em um telão enorme que dava para ser visto por todos de uma só vez, um vídeo começou a rodar no meio do nada e chamou a atenção dos milhares de agentes que estavam ali. Kaidou, Luffy, Law, Zoro, Nami e Hancock estavam terrivelmente perplexos.
Em meio à Central de Polícia, um singelo vídeo apareceu no volume máximo pra todo mundo ver. Se passava em um festival japonês onde um certo rapaz pedia outro em casamento. Contudo, uma parte inédita fora mostrada, coisa que ninguém além de Law e Luffy tinha visto ainda. Simplesmente o vídeo exibia Trafalgar chorando e levantando o braço do garoto, dando um enorme grito heroico como se fosse dono do mundo.
“ESCUTEM AQUI TODOS VOCÊS” – E toda a Yard via aquilo – “A PARTIR DE HOJE, O LUFFY É OFICIALMENTE MEEEEEEEEUU!!”
Depois do grito, o vídeo foi retirado e todos olhavam a cena constrangidos.
– Eita... – Roronoa comentou.
– N-Nossa... – Nami se surpreendeu.
– … – Law e Luffy esconderam seus rostos em seus chapéus e estavam até bem vermelhos.
– I-Isso é... i-isso é um ultraje! – Hancock fica com raiva. – Aargh! – E rasga os papéis mais próximos de onde estava.
– Certas pessoas não sabem quando parar de brincar... – Kaidou resmunga para si mesmo, mas logo volta a falar com uma voz alta e gritante. – Tudo bem, nada aconteceu aqui! Vamos voltar para os nossos afazeres e esquecer isso!
(…)
Um longo tempo se passou, já era quase hora do almoço. Como era de se esperar, Trafalgar iria para casa de Luffy preparar sua refeição, então estava esperando o moreno acabar o que tinha que fazer e, enquanto esperava, Boa Hancock decidiu ir tirar satisfações consigo.
– Você vai estragar a cabeça do Luffy! – A morena exclama.
– Pode ficar falando o quanto quiser. – Porém, Law não ligava, estava com sua cabeça deitada nos braços e com as pernas na mesa, totalmente relaxado. – Chora mais.
– Eu não consigo entender como você modificou a mente do Luffy para fazê-lo gostar de assassinos. Urrghh!
– Hancock, pode falar o que quiser, mas saiba que eu estou esperando o MEU namorado pra ir à casa do MEU namorado, cozinhar pro MEU namorado e pro pseudo-cachorro do MEU namorado porque o MEU namorado gosta da MINHA comida e também gosta de MIM porquê, adivinha, ele é MEU.
– Q-Quer saber? Eu não ligo! Eu vou almoçar e não preciso da sua presença. Tchau! – E assim, a morena se retira dali. Law fica se sentindo vitorioso por um tempo, até Luffy aparecer.
– Oi, cheguei. Vamos?
– Eu só estava te esperando. – Trafalgar se levanta com um leve sorriso e abraça Luffy, levantando seu queixo e o beijando.
– Não faz isso aqui... – Porém, Luffy vira seu rosto constrangido.
– Qual o problema? Tá todo mundo falando da gente mesmo, esses invejosos.
– Mesmo assim, não é legal fazer esse tipo de coisa aqui. Bom, vamos pra casa.
Luffy segurou a mão de Law e ambos se prepararam para deixar o prédio da Yard, porém, antes que pudessem fazê-lo, uma terceira pessoa surgiu e os fez ficar parados no mesmo lugar. Se tratava de um homem alto, com cabelos grisalhos e bem forte, que carregava consigo uma carta.
– Ah, vocês estão aí.
– S-Smoyan?! – Law levou um susto ao vê-lo.
– Yo, Trafalgar. Luffy.
– Oi. – Luffy o cumprimenta. – Você é um dos seguranças da prisão, certo?
– Pois é, eu vim falar com os dois, principalmente com o Trafalgar.
– Comigo, é? – Law fica mais descontraído. – Deixa eu adivinhar, você viu o vídeo do fora que eu levei do Luffy e veio porque sentiu a minha falta?
– Não.
– Então o que aconteceu?
– Muitas coisas aconteceram. – Smoker dá um longo suspiro exaustivo. – Mesmo longe da prisão, você ainda consegue deixar as coisas por lá agitadas. Só me dá trabalho, é um saco.
– Tipo..?
– Seu amigo Eustass Kid. Quando você ainda tava lá era menos pior, mas desde que você saiu, todo dia ele arruma confusão.
– Olha, o que o Kid faz ou deixa de fazer não é problema meu, nós não temos mais nenhuma ligação.
– Pois é... mas ele não pensa assim.
– Você veio aqui só pra me falar sobre o comportamento do Kid? Foi mal, mas isso não me int–
– Você acha que eu viria aqui pra fofocar com ex-prisioneiro? Não.
– Veio por que então? Desembucha de uma vez.
– Toma. – Smoker entrega uma carta pro outro.
– Huh, o que é isso?
– Eu vou resumir. Aconteceu uma briga hoje, eu não sei os maiores detalhes, mas ele tava pior do que nunca.
– E eu com isso? Que carta é essa, é alguma carta de amor? Se for eu não tenho interesse.
– Não, é uma carta de despedida.
– Desped–
– Encontraram o Eustass na cela dele, enforcado. Foi suicídio.
– Han?
– Ele morreu.
Trafalgar ficou encarando Smoker por um tempo, como se estivesse processando a informação. Luffy também ficou sentido e observou bem o outro, a fim de saber qual seria sua reação. Ambos, Kid e Law, se conheciam há vinte e um anos e, mesmo não se falando por um tempo, tinham uma história juntos.
– Eu sinto muito, Torao. – Luffy diz, com pesar.
– Eu ia mandar a notícia por telefone, mas como era horário de almoço e tinha uma carta eu resolvi trazer pessoalmente. – Smoker diz. – Mas pelo que eu soube, o Eustass morreu com um sorriso, como se estivesse feliz.
– Ele... se matou? – Law volta a si. – Nossa, eu não esperava por essa.
– Bom, eu só vim aqui pra isso mesmo. Sinto muito pelo seu amigo. – Smoker se despede e vai embora. – Até mais.
– Tchau. – Law e Luffy respondem juntos.
– Como você se sente? – O mais novo pergunta.
– Não sei direito. Eu não falo com o Kid há uns três anos e também já tinha mandado ele se matar diversas vezes, mas sei lá, quando acontece é totalmente diferente.
– É normal, vocês se conhecem há muito tempo e já moraram juntos. Mesmo eu não gostando do Eustass eu sei que vocês sempre foram amigos.
– É... ele foi uma boa pessoa. Bom, é isso, vamos pra sua casa almoçar. – Law diz, mais tranquilo.
– Tá tudo bem mesmo? Quer dizer, se você estiver triste eu vou entender e tudo mais.
– Ah Luffy, como eu disse, nós não nos víamos há três anos e ele fez coisas horríveis comigo na prisão. Eu não tenho mais ligações com ele, isso não fez diferença nenhuma.
– Sério?
– Sério.
– E você pretende ir ao enterro dele, pelo menos?
– Nah, não precisa. Além disso, a maioria dos amigos dele não gostavam de mim, então se eu for lá eu não vou ser bem vindo. Vai ter muita gente que me odeia.
– Você é tão frio... ele salvou sua vida e você não dá a mínima.
– Não é bem assim, vai... o Smoyan disse que ele morreu feliz, certo?
– Vai pelo menos ler a carta que ele escreveu?
– Sei lá, eu tô com medo de ser uma carta muito melosa e depressiva.
– Lê logo...
– T-Tá.
"Ao garoto debaixo da macieira que conheci, todo reservado e perdido em pensamentos ruins e vingativos, sem nenhuma esperança de crescer e se tornar aquilo que é hoje. Você foi capaz de vencer o que lhe foi imposto quando criança e se tornou um adulto consciente e que sabe o que quer. Você venceu seu destino. Foi uma honra tê-lo seguido até aqui e foi uma honra morrer por ti. Obrigado por tudo."
– Ok, eu estava certo, muito depressiva.
– Dá pra perceber que ele gostava mesmo de você, eu nunca entendi como você não dava valor a isso.
– Ah... não é bem assim, a gente se dava bem antigamente. Mas vamos deixar esse assunto triste de lado e ir almoçar, pode ser?
– Tá bom, vamos.
– Ei, espera aí! – Contudo, antes que os dois jovens pudessem sair finalmente da Yard, Zoro aparece. – Ufa, que bom, eu achei que vocês já tinham ido embora.
– Sempre tem um pra atrapalhar... – Law resmunga. – O que é dessa vez?
– Heh, foi mal, acho que eu vou atrapalhar o almoço de vocês. Já souberam do Eustass?
– Já. – Respondem em coro.
– Ótimo, isso facilita. Trafalgar...
– O quê?
– Tem uma pessoa no telefone da Yard querendo falar contigo. É uma mulher.
– Huh, uma mulher querendo falar comigo? – Ele fica confuso. – Quem?
– Essa é a parte curiosa. Ela disse que é a sua mãe.
– Mãe? – Ambos perguntam em coro.
– Ahn? – Luffy fica confuso. – Mãe do Torao?
– Oi? – Law fica pálido e muito mais em choque do que com a morte de Eustass. – C-C-Como assim?
– Eu não sei direito. – Zoro responde. – Eu fui ligar pra família do Eustass pra avisar a eles e tudo mais, aí apareceu essa mulher dizendo ser a sua mãe.
– Hã? EI, ESPERA AÍ! – Trafalgar fica com raiva e parte pra cima de Zoro, segurando sua camisa. – Por que caralhos você fez uma porra dessas?!
– C-Calma! Fiz o quê?
– Você contou pros pais do Kid que a gente tinha sido preso?!
– Claro que eu contei, eu tive que avisar à família sobre a morte dele! Aliás, outra curiosidade, eles não faziam ideia do que eu tava falando.
– Óbvio! Eles não sabiam que nós éramos assassinos, muito menos que tínhamos sido presos!
– Bom, a culpa não é minha.
– Que história é essa de mãe? – Luffy pergunta, com os cenhos franzidos. – Você me disse que a sua mãe tinha morrido.
– Minha mãe... – Law volta a se aborrecer e aperta a camisa de Roronoa com mais força. – Ei! Por tudo que há de mais sagrado, você disse pra ela que eu morri, certo?
– Não, eu disse que você tava trabalhando na Yard.
– O QUÊ? Meu Deus... o dia tava tão bom... só tragédias...
– Será que dá pra você me explicar essa história? – Luffy já fica com raiva.
– VOCÊ! – Mas é subitamente ignorado, uma vez que Law ainda estava com ódio de Zoro. – Você contou pra minha mãe que eu sou um assassino? Que tipo de monstro você é? Isso lá é coisa que se conte!
– Como eu ia saber que ela era sua mãe?!
– Ai, não... – Law se lamenta. – É a única coisa que eu queria evitar...
– Torao! – Luffy exclama. – Quem é essa?!
– Ah, ela é a segunda pessoa da minha lista de “Pessoas que eu nunca mataria”.
– Eu sinto muito por ela descobrir que você não era o filho perfeito. – Roronoa diz. – Mas ela tá te esperando no telefone, quer que eu diga que você não vai atender?
– Não! Você já fez merda demais. Eu vou atender.
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