Policial Sujo

42 Controle abusivo


— Torao!

— Luffy!

Um clima de extrema tensão. O castelo onde localizava-se a sede do submundo havia sido brutalmente invadido por um estranho garoto com chapéu de palha. Este seria somente algo passageiro, entretanto, se não fosse pelo fato do intruso possuir um amplo currículo já conhecido.

— Mas o que é tá acontecendo aqui?!

Ninguém estava sabendo ao certo o que dizer. Doflamingo, mais conhecido como Joker, estava mais impaciente do que seu costume, simplesmente pelo fato daquele garoto significar apenas uma palavra: problema.

— Luffy…

Monkey D. Luffy, atual Chefe de Comando da Scotland Yard, agora encontrava-se com o rosto coberto por lágrimas de extremo desespero e ansiedade. Não por estar sendo cercado e sendo segurado por vários guardas, mas sim, por reaver seu quase-noivo, o qual pensava que estava morto.

— To… rao?

Nada importava. Se era o líder do submundo ou qualquer outra pessoa que estava à sua frente, não fazia a mínima diferença para o garoto, que apenas encarava o outro moreno de pesadas olheiras que vestia o manto com o símbolo de seu atual cargo, “Corazón”. Este, também era marido de Doflamingo.

— E-Ei, Luffy! Lu–

— Calma aí, garoto! – Vendo que Trafalgar Law iria correndo na direção do mais novo, Drake foi obrigado a segurá-lo e impedi-lo.

— Argh, me larga! – Mas Law continuava a se debater para ir atrás de Luffy. – Me solta! Luffy!

— T-Torao!! – Em resposta, o garoto chamou seu nome de volta, tentando ir na direção do amado, mas fora segurado por inúmeros guardas.

— JÁ CHEGA! – Joker exclama com profunda raiva. – Eu não quero saber o que esse garoto veio fazer aqui, só joguem ele no calabouço de uma vez!

— Sim, senhor! – Os subordinados obedeceram, arrastando Luffy para fora. Penguin aproveitou a brecha para sair de fininho do castelo.

Ei, me soltem! Torao!! – Gritava, até que sua voz finalmente foi cessando-se conforme se distanciava daquele lugar.

— LUFFY! Aaargh, que saco, me solta! – Law gritava, ainda sendo segurado por Drake.

— Você tá maluco? – Que grita com ele, o encarando diretamente. – Não grita, não vai até ele, não faz nada!

— Do que você tá falando? É óbvio que e–

— Você não percebe? O Joker tá vendo! Ou já se esqueceu do que aconteceu com o Rosinante?

— …

Trafalgar cessou com sua crise de ansiedade. Parou e olhou em volta, observando Doflamingo, seu marido, que estava apenas de olho na sua reação em reencontrar Luffy, mostrando uma face de extrema fúria. Logo, lembrou-se da vez em que precisou matar seu amante, o qual também era irmão mais novo do loiro.

— Posso falar com você um segundo? – Doflamingo perguntou, com uma voz grave e intimidadora, andando na direção de Law. – Em particular.

— Claro. – Que responde o mais calmo e neutro possível. – Já adianto que eu não tive nada a ver com isso.

— Você eu até entendo que não teria como. Agora, e você? – Doflamingo encara Drake diretamente.

— Eu?

— Esse garoto, esse tal de “Luffy”, ele é seu subordinado na Yard, não é?

— Sim, mas…

— Então é sua responsabilidade mantê-lo longe do meu caminho! Como ele veio parar aqui?

— E-Eu não faço ideia! Eu nem me lembro de ter dito que ele poderia tirar férias.

— Mesmo as–

— Joker. – Contudo, Nico Robin logo aparece com um semblante neutro, porém sério, os interrompendo e trazendo Penguin, puxando-o por suas roupas. – Eu acho que ele pode te responder.

— … – Penguin revira seus olhos, querendo esconder seu rosto.

— Foi você? – Law pergunta surpreso.

— Ah, eu sabia! – Já Drake fica automaticamente com raiva e vai para cima do outro ruivo, o puxando pela gola da camisa e o obrigando a encará-lo. – Se tem alguém aqui com a capacidade de fazer uma merda tão grande, esse alguém é você!

— N-Nã-Nã, e-e-eu… q-que-quer dizer, e-eu…

— RESPONDE!

— T-Tá, talvez eu meio que possa ter meio que deixado o engravatado descobrir que aqui era aqui e talvez eu meio que não consegui impedi-lo de vir ao castelo e eu tamb–

— CHEGA! Eu juro que eu vou te bater até todos os seus ossos se quebrarem e você morrer de hemorragia interna engasgado no próprio sangue!

— D-Desculpa, e-eu não sei como isso foi acontecer, s-só não me bate, por favor!

— Ei, vocês dois, chega de briga! – Joker exclama impondo moral e fazendo os dois ruivos se separarem. – Penguin, foi você quem trouxe o Luffy pra cá?

— Não é bem assim... eu encontrei o engravatado em um restaurante, mas eu não sei como ele veio parar em Dressrosa.

— E como ele chegou aqui no castelo?

— Bom, nós dois pegamos um táxi e...

— Vocês dois pegaram um táxi juntos e você não impediu que ele chegasse até aqui?

— Ahn...

— Era tudo o que eu precisava ouvir. Guardas, tirem ele daqui!

— E-Ei, c-calma!

No mesmo segundo em que o Rei de Dressrosa deu a ordem, seus subordinados foram em direção a Penguin, que se debatia, e o seguraram pelo ombro, arrastando-o de modo brusco até o calabouço para ser preso e jogado na mesma cela onde Luffy estava.

— O que você pretende fazer pra resolver isso? – Em seguida, Doflamingo pergunta a Drake.

— Eu vou descobrir quem contou a ele desse lugar e dar um jeito dele nunca mais pisar ou falar com ninguém ligado à Yard.

— Ótimo, faça isso e me traga nomes. E quanto a você. – Depois, volta a falar com Law. – Vamos subir, eu ainda preciso que você responda à algumas perguntinhas.

Dito e feito, cada um seguiu com seus caminhos para solucionar os problemas relacionados ao garoto do chapéu de palha. Penguin estava preso, Drake foi com Robin até seu quarto e tanto Doflamingo quanto Law foram para os seus, terem uma conversa em particular.

Já estava de noite. No quarto em que ambos dividiam, Doflamingo colocou para si um copo de Whisky para ver se se acalmava, bebendo tudo de uma vez. Trafalgar ainda estava pensativo e ansioso, não sabendo o que fazer exatamente para contornar a situação.

— Eu só digo que eu não tive nada a ver com isso. – O moreno inicia a conversa.

— Eu sei que não. – E o outro se vira, após ter tomado sua bebida. – Você não arriscaria a vida daquele garoto o trazendo pra cá, eu só quero que você me responda algumas coisas. E seja sincero.

— E o que é?

— Primeiro, depois de tanto tempo, o que você ainda sente por esse garoto?

— Hã, o que você quer que eu diga? Que eu ainda o amo?

— Eu quero que você me diga a verdade, não importa qual seja.

— Eu estaria mentindo se dissesse que o Luffy não significa nada ou que eu já tenha esquecido dele, mas isso não significa que eu não sei diferenciar as coisas.

— E que “coisas” seriam essas?

— Eu não estou aqui por vontade própria, eu estou aqui pra pagar o preço das minhas escolhas há dezesseis anos atrás e eu não vou deixar a presença do Luffy me desviar disso.

— E o que você pretende fazer?

— Se eu tentar ficar do lado do Luffy vai ser que nem aconteceu com o Cora-san naquele dia, você vai mandar matar nós dois.

— Que bom que você sabe.

— Como você disse, eu nunca arriscaria a vida do Luffy o trazendo pra cá, então eu só quero que ele vá embora. Era mais fácil quando ele pensava que eu estava morto.

— Mas isso não será possível, infelizmente agora que ele sabe até da localização desse lugar eu não posso deixá-lo livre.

— Eu sei, e vai doer precisar ficar do seu lado.

— Quando você diz que vai “ficar ao meu lado”, o quão sério você está sendo? Se eu mandasse matar o Luffy e acabasse com tudo isso de uma vez, essa também seria a sua resposta?

— Não, não faria sentido eu aceitar essa sua decisão.

— Por quê?

— Porque eu vou ficar do seu lado justamente pra salvar a vida do Luffy.

— Isso não é “ficar ao meu lado”, isso só é só ser conveniente e se sacrificar por um merdinha qualquer.

— Não, isso é o que eu sempre fiz desde que cheguei aqui, ser forçado a ficar do seu lado mesmo te odiando! A diferença é que dessa vez eu vou ter um bom motivo.

— Tsc, eu ainda quero lembrar que acima de tudo você é meu marido e me deve obediência acima de tudo.

— E eu quero te lembrar que eu sempre disse que nunca seria um submisso a você! Você pode me obrigar a dormir com você, pode me obrigar a trabalhar no submundo, mas você nunca vai me obrigar a baixar a cabeça pras coisas que você faz.

— Hmpf, que seja. E o que você sugere, então? Libertar o garoto e fazê-lo prometer que nunca vai contar nada a ninguém?

— Não, eu tinha pensado em uma coisa muito melhor na verdade.

— O quê? Deixar o Luffy preso no calabouço pro resto da vida? Pf...

— Ahn...

— Sério que era esse o seu plano?

— … quando eu o conheci eu o prendi no meu porão, então...

— Seria como um bichinho de estimação preso numa gaiola, fufufu.

— Viu só? É uma ótima ideia! Desse jeito não tem risco dele contar pra ninguém e eu ainda vou poder vê-lo todo dia.

— Como se eu fosse deixar você fazer esse tipo de coisa.

— Por quê, qual é o problema? Vai ficar com ciuminhos?

— Chame do que quiser, eu não aceito nenhum tipo de traição e também nunca aceitarei.

— Que bobagem, essa sua monogamia é tão antiquada... nosso relacionamento nada mais é do que uma troca de interesses. – Law vai até o loiro e o abraça pelas costas, dizendo próximo aos seus ouvidos.

— E qual relacionamento não é?

— Você me ama?

— Por que a pergunta agora?

— Só quero saber se esse casamento tem um fundo de sentimentalismo ao invés de só negócios. – Em seguida, dá um pequeno beijo em sua bochecha para provocá-lo.

— O máximo de sentimentalismo que eu preciso é quando você está na minha cama.

— Oh, então isso foi um “não”?

— Se eu dissesse “sim”, o que você faria?

A mesma coisa que eu faria com qualquer outra resposta sua. – Sussurra, com o mesmo objetivo.

— Que é?

— Te ignorar completamente. – Law se afasta do abraço, indo para sua cama e deitando-se. – Não me importa o que você ache de mim, eu ainda vou ter asco de você.

— Hm, que seja, eu não esperaria menos de você. Já vai dormir sem nem visitar seu amiguinho lá embaixo?

— Eu não tenho nenhum “amiguinho” lá embaixo, eu só tenho o meu namorado que veio me fazer uma visita, mas eu sei que o meu marido ciumento e controlador não vai me deixar vê-lo, então eu vou dormir – Diz, se virando nos lençóis e pegando um livro qualquer pra se distrair.

— Tsc, você não toma mesmo jeito, hein.

Ao mesmo tempo em que os dois se resolviam, do outro lado do castelo, Robin e Drake conversavam no quarto do ruivo que, no momento, estava destilando toda sua raiva e fúria na pobre morena que pouco tinha a ver com a história.

— Mas que merda! – Batia os pés no chão e gritava, quase arrancando os fios laranjas de cabelo. – Eu devo ter feito realmente muitas coisas ruins na vida pra ter um karma tão bosta!

— Você de fato, fez. – Robin, entretanto, estava calma como de costume.

— Mas por que isso agora? Tava tudo dando certo! Tsc, sempre tem que ter um maldito ruivo pra estragar tudo.

— Você também o é.

— Foda-se o que eu sou ou deixo de ser, como é que esse garoto chegou aqui?!

— De táxi.

— Eu não aturei o choro dele por um ano completo pra isso. Fora que acaba com todos os meus planos, agora sim o Kaidou vai me matar, ele tem motivos.

— E de que planos exatamente você está falando?

— Tsc, eu ia te contar, mas nem adianta mais porque eu simplesmente não sei o que fazer.

— Oh, já está admitindo a derrota?

— Que derrota? Agora eu simplesmente tenho que descobrir quem trouxe o Luffy pra cá e matar o desgraçado! – Dito, Drake sai de seu quarto, descendo as escadas. Robin vai atrás.

— Você não tem nenhuma ideia de quem possa ter sido?

— Não, você tem?

— Não... pra mim também foi uma grande surpresa.

— Então vamos descobrir agora.

Nos subterrâneos do castelo, o calabouço era localizado. No momento, tanto Luffy como Penguin eram jogados em celas iguais pelos guardas, com o garoto estando muito mais impaciente e nervoso que qualquer outra pessoa no local.

— EI, ME TIREM DAQUI! – Luffy gritava enquanto se debruçava nas grades, tentando quebrá-las com as mãos. – Me soltem! Cadê o Mingo? E o Torao? Ele tava mesmo lá? Me tirem daqui, eu preciso falar com ele!

— A gente vai morrer... – Penguin, por outro lado, apenas estava sentado no cantinho da cela, isolado. – A gente vai muito morrer... o Mingo vai matar a gente...

— Ei, Penguin! – O moreno vai até ele. – O que tudo isso significa? Aquele... aquele que eu vi lá em cima, era realmente..?

— Acho que agora nem tem mais jeito, eu vou ter que te contar. – Se levanta, colocando uma de suas mãos no ombro de Luffy. – Engravatado...

— Ahn?

— O Law-nii forjou a própria morte pra que você não corresse riscos ou se envolvesse nesse lance do submundo.

— Então é verdade mesmo... – Luffy reage como se tivesse levado um choque de realidade. – Por um segundo eu achei que tivesse sido coisa da minha cabeça, mas era verdade...

— Só que agora essa proteção não vale nada e só piorou a minha situação, porque agora o Doflamingo vai mandar matar nós dois!

— O Torao tá mesmo vivo... – Sentia-se aliviado e não pensava em mais nada. – Que bom...

— Presta atenção no que eu tô dizendo! A gente precisa de um plano pra sair daqui vivos!

Oh, já estão armando um plano, é?

Uma mulher alta de longos cabelos ondulados verdes usando com uma blusa justa da mesma cor e olhos impactantes, surge, com um sorriso malicioso no rosto olhando fixamente os dois rapazes, do outro lado das grades.

— Hm? Estranho, acho que eu já te vi em algum lugar... – Luffy diz, observando-a.

— Meu nome é Monet, nós nos conhecemos no Circo, lembra?

— Ahn? Ah, tem razão, é verdade! Você era do submundo afinal.

— Sim, desde criança, eu fui àquele lugar só por pesquisas e pra te espionar, é claro.

— Pra me espionar?

— Afinal, você é o queridinho do Corazón.

— Eu não tava brincando quando disse que todo mundo aqui te conhecia, Luffy. – Penguin afirma. – Parece que o Drake espionava a vida do Law e a sua lá na Yard pra contar ao Mingo.

— Falando no Mingo, eu também achei uma coisa bem estranha... – O moreno diz.

— O quê?

— Eu não sei direito, quando eu o vi eu senti uma coisa diferente, sei lá. Era como se eu já tivesse visto ele antes.

— Ahn? Visto o Joker antes? Impossível...

— Eu não sei! Eu senti isso, não sei se era a voz ou a aparência, mas eu sinto que já vi esse tal de Fernando antes em algum lugar.

— Fernando? – Monet pergunta.

— Q-Quer dizer, Mingo.

— Acho que a presença do Law-nii tá confundindo seu cérebro, Luffy. – O ruivo volta a afirmar.

— Pode ser, eu não sei direito.

Tsc, que saco, esse castelo precisava de um elevador.

— São só cinco lances de escada, nem é tanto.

— É tanto se esses lances forem enormes!

No mesmo minuto, Robin e Drake chegaram ao subterrâneo do castelo onde Luffy e Penguin estavam presos. O garoto do chapéu de palha, que estava finalmente conseguindo se acalmar depois de tanto, volta a ficar nervoso com a presença do ruivo.

— Hã, é você! – Luffy volta a se debruçar nas grades. – Eu sabia, você faz parte do submundo e nem faz mais questão de esconder pra mim! O que você veio fazer nesse castelo?

— Hã? Eu que deveria estar te fazendo essa pergunta, garoto. – Drake responde. – Como você chegou até aqui?

— Eu vim de táxi com o Penguin.

— Que se dane o meio de transporte, eu quero saber como é que você soube da existência dessa droga de castelo!

— Hmpf, não é da sua conta.

— Como assim não é da minha conta? É óbvio que é da minha conta! Se existe uma coisa que é mais da minha conta, essa coisa certamente é essa. Eu quero nomes. NOMES. Quem é que eu tenho que cortar a cabeça fora?

— Eu não sei! E mesmo se eu soubesse, eu não diria a você.

— Como você pôde ter acesso à Dressrosa? Eu mesmo comprei essa ilha e mandei construir esse castelo, tudo planejado pra ninguém da Yard descobrir.

— Bom, parece que o seu disfarce caiu, não é? Agora eu sei que o Torao tá vivo.

— Foda-se o que você sabe, você não vai fazer nada com essa informação.

— Isso não importa, se o Torao tá vivo eu quero vê-lo! Ver ele e não você, então vai lá chamá-lo.

— Como se eu quisesse te ver... foi mal, mas ele tá conversando com o Joker.

— Então me tira daqui!

— Por que diabos eu faria um absurdo desses?

— Porque eu não gosto de celas e eu tô com fome.

— Hm, foda-se. – Drake vira de costas, apoiando nas celas e ignorando o garoto, pegando seu telefone. – Eu vou ligar pro Kaidou.

— Pro Kaidou?

— É, eu quero saber o que deu na cabeça dele pra te dar férias sem me avisar.

— Se bem que eu sempre achei estranho isso, o Kaidou é uma pessoa tão legal, mas ele anda com você...

Hm... alô?”— Kaidou atende ao telefone, sonolento.

— Kaidou! – E o ruivo gritava com ódio.

Ahn, o que você quer? São meia noite, eu durmo cedo, você sabe...”

— Que se dane o seu sono, o Luffy TÁ AQUI!

Hn, aqui aonde?”

— Como “aqui aonde”? Aqui em Dressrosa, porra, no castelo do submundo, mais especificamente na minha frente!

Han?”

— O que você tem a me dizer sobre isso?!

Para de usar drogas, tá fazendo você enlouquecer... o Luffy tá na Inglaterra.”

— Então fala com ele e me diz se eu tô enlouquecendo! – Drake passa seu telefone ao garoto.

— Oie, Kaidou! – Que responde amigavelmente.

HÃ? LUFFY?! O-O QUE... C-COMO VOCÊ FOI PARAR AÍ?!”

— Viu? Eu te disse! – O ruivo volta a pegar o telefone pra si. – Esse traste deu um jeito de vir pra Dressrosa me encher o saco!

M-Mas como assim? Tá, o Zoro disse que ele ia faltar ao trabalho, mas... m-mas isso não faz sentido! Como ele chegou aí?”

— Eu não sei! Mas eu quero te pedir permissão pra uma coisa, Kaidou.

O que é?”

— Posso matar esse garo–

CLARO QUE NÃO, seu psicopata!”

— Por quê?

Você precisa tirar o Luffy daí antes que se torne perigoso! O Joker já sabe dele?”

— Já, ele tá preso no calabouço.

Então ele também já sabe que o Law tá vivo?”

— Já sabe de tudo, é por isso que precisamos sacrificá-lo.

Ninguém vai sacrificar ninguém, você vai fazer exatamente o que eu disser. Enrole o Joker e consiga tirar o Luffy daí o mais seguro e rápido possível.”

— Como diabos eu vou fazer isso?

Sei lá, dê seu jeito. Amanhã nós nos falamos, agora eu não vou poder fazer nada daqui de casa.”

— Tá bom, então.

Posso confiar em você pelo menos uma vez na vida?”

— Do que você tá falando, Kaidou? Claro que sim. Alguma vez eu já te decepcionei?

Ahn...”

— Ok, não precisa responder.

Faça alguma coisa boa nessa vida, eu não quero ter que brigar com você de novo.”

— Você não vai precisar, relaxa. Beijos.

Até amanhã.”

— E agora, o que eu faço com você? – Drake pergunta ao garoto que ouvia sua conversa.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Depende.

— O Kaidou sabia que o Torao tava vivo? Ele sabe de todas as coisas do submundo?

— Foram duas perguntas, e sim, ele sabe de tudo. O Kaidou é a única pessoa nesse mundo que eu confio.

— Então ele também tá na Yard por espionagem? Ele é do submundo que nem você?

— Ow, calma lá, são várias perguntas. Não, o Kaidou é a pessoa mais sincera que eu já conheci, ele jamais faria parte do bando do Joker. Nossa relação é bem antiga até, ele sempre soube de mim.

Início do Flashback de Kaidou e Drake, parte três.

Assim que eu contei ao Kaidou que fazia parte do submundo, demorou bastante até ele se acostumar com a ideia. Ele sempre foi certinho demais, cheio de regras e frescuras que eu não entendo muito bem, mas no final ele percebeu que o melhor a fazer seria continuar comigo.

Então nós tínhamos uma rotina. Todo dia depois do trabalho ele ia lá em casa ler alguns papéis do submundo e até fazia o nosso jantar; nós conversávamos bastante também sobre assuntos pessoais pra passar o tempo.

— Então naquele dia ele invadiu a minha casa no meio da noite e cismou de ficar vendo desenhos ridículos comigo. – Disse. De alguma maneira, eu sempre acabava falando do Law.

— E você o expulsou?

— Nah, a minha mãe gostava dele então ele sempre acabava ficando.

— Você sempre fala nesse garoto, ele deve ser alguém bem importante pra você.

— Não, ele não é nada demais, eu nem percebo que falo dele na verdade.

— De qualquer maneira já tá ficando tarde, acho melhor lavar a louça agora. – Era sempre uma rotina, o Kaidou fazia o jantar e também tirava os pratos.

— Você não se importa mesmo de ficar fazendo o jantar sempre que vem aqui? É que é meio estranho, sei lá.

— Não, eu gosto de cozinhar. E você não sabe, não é?

— Não mesmo, detesto. Tava pensando em contratar alguma cozinheira particular pra mim.

— Não é uma má ideia, se você não quer mesmo aprender.

E a nossa relação seguiu assim por um bom tempo. Eu contava como era o submundo pra ele, ele cozinhava pra mim e depois nós dormíamos e íamos juntos pro trabalho na manhã seguinte. Era fácil fazer isso porque na época ele morava sozinho, sem aquele monte de gato que tem hoje em dia.

Só que depois de uns meses as coisas meio que ficaram mais complicadas…

Em outra noite, eu e o Kaidou voltamos juntos pra casa depois da Yard, como fazíamos habitualmente. Quando chegamos, estacionamos o carro e eu abri a porta de onde eu morava, entrando junto com o Kaidou e o Rex, o meu cachorro, na sala de estar.

— Então, mas não ia adiantar nada fazer outra coisa!

— Hahaha, mesmo assim eu nunca pensei que logo você faria uma coisa dessas. – Naquela época nós não brigávamos ou tínhamos DRs, então o Kaidou conseguia rir de tudo o que eu fazia.

— Chega uma hora em que um homem precisa se sacrificar pelo seu trabalho, não é? – Finalmente entramos e eu pude fechar a porta de casa.

— Eu tenho que admitir que você faz mesmo um bom trabalho na Yard, apesar de tudo.

Logo que eu fechei a porta, nós paramos imediatamente de conversar. O Kaidou me virou, me fazendo apoiar as costas na porta e abraçou a minha cintura, aproximando seu rosto do meu com um semblante feliz. Eu deixei que ele o fizesse e retribuí, puxando um pouco sua camisa para aproximá-lo.

Querido! Já voltou?

— Ah, já! – Só que dessa vez tinha outra pessoa em casa, na cozinha, então eu me afastei dele.

— Ahn? De quem é e essa voz?

Na mesma hora, uma mulher alta, cabelos longos loiros, pele branca, magra e de olhos azuis apareceu na nossa frente. Ela foi o começo dos meus problemas e talvez o pior erro da minha vida, principalmente em relação ao Kaidou.

— Oh, oi! – E quando chegou, ela logo o cumprimentou.

— Ahn, oi. – Mas ele não deveria estar entendendo muita coisa.

— Foi mal pelo atraso, teve mais coisa pra fazer do que o costume. – Eu disse indo até ela. – A propósito, o nome dele é Kaidou, ele trabalha comigo lá na Yard.

— Ah sim, você mencionou. – Ela vai até Lovato e aperta sua mão, se apresentando. – Meu nome é Alana, prazer!

— Prazer, você é amiga do Drake?

— Ah não, esposa, nós nos casamos ontem e eu estou me mudando hoje.

— Oi?

Falando nisso, você já desfez as suas malas? – Perguntei já em outro cômodo, trocando de roupa.

— Sim, tá tudo no meu quarto!

Ótimo. E a comida?

— Eu vou colocar à mesa.

Bota pra três pessoas.

Na hora eu não entendi muito bem porquê o Kaidou tinha ficado tão chateado, aquilo parecia uma situação normal pra mim, mas ele logo veio no meu quarto tirar satisfações enquanto ela colocava o jantar na mesa. Ele parecia bem enfurecido pra ser sincero.

— O que aconteceu ali?

— Hm, o que aconteceu o quê?

— V-Você se casou?!

— Ah, eu não tinha te contado? Foi mal, eu devo ter esquecido.

— Como assim “esqueceu”? Como foi isso?

— Do jeito tradicional, eu dei um anel e ela assinou os papéis.

— M-Mas como? Tipo, nós estamos saindo há uns cinco meses e você nunca mencionou essa garota. Vocês estão juntos há quanto tempo?

— Ahn… deve ter umas vinte, por aí.

— Vinte o quê? Semanas? Meses?

— Horas.

— Vocês estão namorando há vinte horas e já casaram?

— Não, não teve namoro, nós nos conhecemos ontem mesmo, foi tudo na mesma hora.

— Hã? Você não pode se casar com alguém que você conheceu no mesmo dia!

— Por quê? É isso que eles fazem na Disney.

— Aqui não é a Disney!

— Calma, deixa eu te explicar direito.

Início do Flashback dentro do outro Flashback

Tudo começou quando o Joker sugeriu pra eu construir uma família de fachada pra que ninguém desconfiasse que eu trabalhava no submundo, e também eu não sabia cozinhar ou cuidar de uma casa, então precisava arrumar uma mulher de qualquer maneira.

Então eu comprei um anel de diamantes e fui ao bar mais elitista que eu conhecia na zona nobre da Inglaterra. Fiquei vendo as garotas, tinha que ser alguma apresentável que não parecesse uma vadia, que não usasse nada pra enganar a aparência tipo pintar o cabelo e se comportasse como uma mulher de verdade.

A Alana foi a primeira eu eu ví com essas características, ela estava no balcão junto com uma amiga e dava pra imaginar perfeitamente a mulher ideal pra apresentar aos outros, então eu fui até onde ela estava e me sentei ao seu lado.

— Oi.

— Oi. – Ela disse de volta.

— Meu nome é Diez Drake, eu tenho vinte e sete milhões, seiscentos e oitenta e cinco mil e trezentos euros na minha conta bancária. Se eu te der dez por cento desse valor agora, você se casa comigo?

— Ah, só dez por cento?

— Você tem noção de quanto é dez por cento desse valor? E você nem vai precisar disso, se aceitar eu te dou um cartão de crédito vinculado à uma das minhas contas.

— Você tá falando sério mesmo?

— Eu sempre falo sério.

— Amiga, não aceita. – A garota que estava junto com ela fala.

— Cara, é um cartão de crédito de vinte milhões… isso acabaria com todos os meus problemas!

— Você nem conhece esse cara, ele pode estar mentindo ou ser um psicopata!

— Ei, psicopata. – Ela se vira pra mim. – Tem como provar?

— Claro. – E eu pego meu celular, no aplicativo que mostrava meu saldo no banco.

— Wow, você tá falando sério mesmo!

— Eu já trouxe uma aliança revestida à ouro com detalhes em diamantes e os papéis do casamento, só assinar que o seu dinheiro tá na minha carteira.

Ele tem um anel de diamantes com ouro! – Alana exclama sussurrando com a amiga.

Menina não faz isso, você nem conhece esse cara, vai casar por dinheiro?

E qual o problema? É o que as princesas da Disney fazem.

Mas você não é uma delas! Além disso deve ter algum motivo pra esse cara te fazer essa proposta, nenhuma outra garota deve ter querido ficar com ele.

— Na verdade eu nunca tinha pensado em me casar até hoje à tarde.

— Hey. – Alana logo se vira pra mim de novo com um sorriso interessado. – Você parece novo, tem quantos anos?

— Vinte e um.

— Legal, eu tenho vinte. Você já trabalha? Pra ser tão rico assim…

— Sim, eu entrei na faculdade aos quinze e já me formei, trabalho na Scotland Yard.

— Você é policial?

— Aham.

— Viu, ele é policial. – Se vira pra amiga. – Policiais são boas pessoas, não são?

— Ahn, mais ou menos… – Que ainda estranhava a situação. – Isso tá muito estranho, e se ele for um daqueles caras que batem nas mulheres?

— Que bobagem! Não existe isso no século XXI.

— Ahn…

— Acho que eu vou aceitar.

— Ei, espera aí! – Logo, a amiga se vira pra mim. – Tem várias garotas aqui, por que você escolheu ela?

— Ela parece ter bons genes.

— B-Bons genes?!

— Ah, você quer de casar comigo pela minha genética? – Alana pergunta pra mim.

— Você tem alguma descendência?

— Não, que eu saiba todos os meus parentes são da Inglaterra.

— Sabe cozinhar?

— Sim, minha mãe é cozinheira, eu prático desde criança.

— Já é a mulher da minha vida. Assina os papéis e se muda pra minha casa amanhã, se a aliança não couber em você eu compro outra.

Fim do Flashback dentro do Flashback e voltando ao Flashback que estava acontecendo antes.

— Você se casou só porque ela sabia cozinhar?!

— Eu disse que contrataria uma cozinheira.

— Mas não uma esposa!

— Uma esposa tem mais vantagens, ela cozinha, limpa a casa e eu posso apresentar aos meus amigos.

— Hã? Não é isso que um casamento significa, você não pode comprar uma esposa.

— Posso sim, eu acabei de fazer.

— Ela tá mais pra uma mulher que te obedece por obrigação e cuida da sua casa.

— Ué, mas não é pra isso que uma esposa serve?

— Claro que não, em que século você vive?

— Isso não importa, vai, não precisa ficar com ciúmes. – Encostei Kaidou na parede do quarto e segurei sua cintura, beijando seu pescoço. – Nossa relação não precisa mudar, ela nem dorme no mesmo quarto que eu.

— Tá mais pra uma empregada com um anel…

— Pode chamar do que quiser, é só mais um casamento de aparências.

— Uma relação por interesses é errada.

— E qual relação não tem interesses? É sempre um elevando a autoestima e o ego do outro, troca de favores, conforto, conformismo, dinheiro, estima social…

— Você racionaliza demais os relacionamentos.

— E qual é o problema nisso? Eu não obriguei ninguém a casar comigo.

— Hm, e qual vai ser o próximo passo pra família falsa? Vai ter filhos também?

— Claro que não! Eu não tenho idade nem interesse em ser pai.

No dia seguinte, na Scotland Yard…

— Kaidou.

— Oi.

— A Alana tá grávida, eu vou ser pai.

Fim de todos os Flashbacks.

— E é isso, eu continuei casado por dez anos, mas a nossa relação não mudou. O Kaidou ia lá pra casa e eu contava tudo o que acontecia em relação ao Joker.

— Eu ainda não entendi como ele pôde ficar do seu lado depois de todos os assassinatos.

— Não que seja da sua conta, mas ele não teve muitas escolhas. Minha vez de perguntar, como você soube de Dressrosa?

— Ah, eu recebi uma carta, mas eu não sei de quem é.

— Uma carta?

— Aqui, estava com ele quando o revistaram. – Monet entrega a carta que continha um panfleto de Dressrosa, juntamente com o origami da Flor de Lily.

— Essa flor...

— Você conhece não é? – Luffy questiona. – É a flor que o Torao gostava.

— Sim, eu conheço. Ela veio junto com a carta? Que estranho, nem sabia que aquele garoto ligava pra simbologia ainda.

— Acho que ele não liga muito, mas dessa flor ele gosta, então quando eu recebi essa carta é claro que eu vim pra cá! Foi um convite, quem me mandou isso sabia que o Torao tava vivo.

— Essa flor... me traz umas lembranças, nós a usamos muito juntos. Ele sempre teve problemas com a palavra “amizade”.

— Ele tem motivos pra isso, né?

— Sempre que ele começava a gostar muito de alguém, ou a pessoa morria, ou ia embora de algum jeito. Ou até mesmo resolvia fazer uma viagem de motocicleta pelo mundo, no final, a única coisa que sobrava era a flor.

— É por isso que ele não gosta de considerar os outros como amigos...

— Ele só me considerou como amigo depois de uns quatro anos. – Penguin afirma.

— E também era por isso que ele nunca deu nenhuma chance ao Kid, por medo. Mas enfim! Isso não importa agora.

— Você vai tentar descobrir quem me mandou a carta? – Luffy pergunta.

— “Tentar descobrir”? Como se eu já não soubesse muito bem quem foi!

— J-Já sabe?

— Lógico! Quem é a única pessoa viva no mundo que sabe da flor, do Law, do submundo e ainda gosta de você?

— Ahn...

Robin e todos os outros presentes ali ficam assistindo Drake pegar seu celular e ligar para uma terceira pessoa.

Alô?”

— GEORGE SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADO DO CARALHO, EU JURO QUE EU VOU ACABAR COM A SUA RAÇA ASSIM QUE EU POR OS PÉS NESSA MERDA DE INGLATERRA!

Ah, você finalmente descobriu, até que tava demorando. Como o Luffy está?”

— MORTO, ASSIM COMO VOCÊ!

Hmpf, eu sei que ele não tá.”

— Foda-se tudo, o meu maior arrependimento com certeza foi ter deixado você vivo!

Digo o mesmo, ninguém mandou ser tão descuidado e se sentir tão superior.”

— Cala boca, considere-se demitido da Yard e do resto do mundo!

Tá bom, manda um abraço ao Doffy e ao Law por mim.”

Após, o telefone foi desligado e o ruivo continuava ardendo em raiva.

— “George”? – Robin indagou, ouvindo a conversa.

— P-Pera aí, foi o George?! – Luffy fica surpreso. – Até ele sabe do submundo? Tá todo mundo infiltrado na Yard?!

— Quem é?

— Ele é um desgraçado que ficou no lugar do Law lá na Yard. – Drake explica. – E não, ele não é bem um infiltrado.

— Como esse sujeito sabe do submundo? – Nico continua com o questionário.

— É, como ele sabe do submundo? – Luffy faz o mesmo.

— Nunca ouvi falar. – Penguin também afirma. – Ele é quem?

— Tsc, como vocês são chatos! – Diez exclama impaciente. – O George trabalhava no submundo antigamente, mas ele mudou de lado e agora tá na Yard, é isso.

— Que época foi essa? – Robin insiste.

— Ele ficava junto comigo e com o Law, mas por muito pouco tempo, se você perguntar pro Law também ele não vai saber quem é.

— Hm.

— Espera aí... – Luffy murmura.

— Que foi agora?

— Quando eu vi o Mingo pela primeira vez eu tive um pressentimento de que já tinha conhecido ele antes, e agora que você mencionou o George...

— Ahn?

— Eles são bem parecidos.

— Parecidos? – A morena torna a questionar.

— Do que você tá falando? Eles não têm absolutamente nada em comum! Só porquê ambos são loiros?

— Drake. – Robin o chama, com um olhar desconfiado. – O que você fez dessa vez?

— Eu não fiz nada, que saco! De qualquer maneira eu não tenho nada mais pra fazer aqui, eu vou pro meu quarto.

— Hm, então tá. Eu também vou para o meu.

— Monet, vai ficar de vigia?

— Vou. – A de cabelos verdes responde, com um sorriso malicioso.

— Então tá.

Dito, cada um foi para seu canto. Luffy e Penguin continuaram nas celas, ambos em modo depressivo e com insônia, sendo vigiados por Monet. Drake também foi para seu quarto, descansar sua mente. Entretanto, antes de Robin fazer o mesmo, ela dá uma passada no dormitório de Doflamingo e Law.

[Sons de porta batendo]

— Pode entrar. – Joker diz, permitindo a entrada de Robin. Law continuava lendo seu livro na cama e mal se importou.

— Olá.

— Você tem alguma notícia, Robin?

— Só vim fazer uma pergunta. Por acaso tínhamos alguém com o nome George aqui?

— Huh, George?

— Há quinze ou dezesseis anos atrás.

— Não, ninguém com esse nome trabalhou pra mim. Por quê?

— Por nada, foi o que eu imaginei. – Ela sorri de modo a esconder alguma informação, mas logo se volta até Law. – Ei, Corazón.

— Hm?

— Você terá uma ótima surpresa daqui há uns dias.

— Ahn?

— Joker.

— Sim?

— Escolha melhor os seus subordinados, e lembre do nome de todos.

Após, a morena simplesmente sai do quarto.

— … tá. – Doflamingo se vira para Law. – Você entendeu alguma coisa?

— E desde quando eu entendo alguma coisa que essa garota fala?

— Então tá.

(…)

Na manhã do dia seguinte…

Trafalgar Law P.O.V

Que situação difícil eu fui me meter agora, tsc. Como se já não bastasse ter que aturar a visita daquele ruivo infernal agora o Luffy tá aqui também! Não que a presença dele seja ruim, mas qualquer coisa que eu faça pode colocar a vida dele em risco. O Doflamingo não vai me deixar nem ir até o calabouço e eu não sei bem o que ele planeja fazer ainda.

Pelo bem do Luffy, o melhor a fazer por enquanto é obedecer aquele marido idiota, mas eu ainda preciso dar um jeito de tirá-lo dessa ilha e colocá-lo em um lugar seguro. Beleza, como eu vou fazer isso? Eu preciso de um plano!

Estou pensando em tudo isso durante o meu banho, acordei há pouco. Ao terminar, coloquei a toalha em volta da minha cintura e retornei ao meu quarto, onde Doflamingo estava terminando de se vestir. Tentava falar com ele o mais normal e neutro possível.

— Eu vou reunir meus outros três comandantes pra uma reunião sobre o Luffy. – Ele me diz, sem eu ter perguntado nada.

— Hm.

— Não vai dizer nada?

— Não tenho nada pra dizer, eu só quero que o Luffy saia do país e a nossa vida volte a ser como era antes

— Não vá achando que isso será possível.

— Então faça ser.

Provavelmente ele estaria falando em se reunir com Trébol, Diamante, Pica e até Robin pra decidir de vez essa situação chata. Eu tenho medo de descer pra fazer uma visita ao Luffy e piorar de vez essa situação, então por hora é melhor só ganhar o máximo de tempo possível e arrumar um plano.

Trafalgar P.O.V off

Joker convocou os três generais de seu exército junto com Nico Robin e saiu de seu quarto, dirigindo-se até a sala de reuniões. No caminho, achou tanto a morena quanto Drake juntos no corredor do palácio, ambos parecendo terem saído de uma discussão recente.

— E aí. – Joker disse, olhando para o ruivo. – Descobriu como aquele garoto veio parar aqui?

— Não, ainda não. – E este responde mentindo. Robin ficou inata.

— Vamos à reunião? – E em seguida, ela perguntou.

— Sim, claro.

Nisso, tanto Nico quanto Doflamingo seguiram juntos na direção de onde ocorreria a reunião para decidir o que iriam fazer com o intruso de chapéu de palha. Drake aproveitou que estavam sozinhos e foi até o quarto de Law, encontrar-se com o garoto, que estava terminando de secar o cabelo.

— E aí!

— O que é que você quer? – Resmunga, com a toalha na cabeça.

— Como “o que eu quero”? O seu garoto irritante está acabando com a minha vida, eu tenho a obrigação de vir falar com você.

— O Luffy tá estragando a sua vida? Hm, talvez ele ter vindo pra cá não tenha sido tão ruim assim.

— Não fala isso, foi péssimo, estragou todos os planos que eu tinha montado durante o ano inteiro.

— Que pena. E você descobriu como ele veio parar aqui?

— Sim, era sobre isso que eu queria falar, aliás…

— E como foi?

— Talvez, só talvez, a culpa pode ter sido um pouco minha.

— Nossa, você foi capaz de admitir isso?

— Eu tenho essa mania de fazer coisas arriscadas, eu achei que seria divertido colocar aquele idiota na mesma sala do Luffy, que isso deixaria ele irritado.

— Que idiota?

— Enfim, eu preciso que você não conte nada ao Joker.

— Mas eu nem sei de quem você tá falando.

— Continue sem saber. O que você pretende fazer?

— Não sei, só sei que eu não quero que aconteça o mesmo que aconteceu com o Cora-san.

— Então só faça o que o Joker disser, eu também vou fazer o máximo pra evitar que aquele garoto morra.

— Verdade?

— É, senão tem uma pessoa na Inglaterra que vai me matar.

— Então eu posso mesmo acreditar que você vai me ajudar a tirar o Luffy daqui?

— Oh, você tá me pedindo ajuda? Achei que me odiasse. Tá admitindo que não consegue fazer nada sem mim?

— Argh, como você é chato, eu não preciso da sua ajuda pra absolutamente nada.

— Ótimo, porque eu não estava afim de me juntar a você.

— Então ficamos por isso.

— Cada um mantendo aquele garoto vivo por seus próprios interesses.

— Ótimo.

(...)

Um tempo depois, a reunião havia sido encerrada. Doflamingo já tinha em mente uma ideia do que fazer com Luffy e andava pelos corredores com um sorriso malicioso estampado no rosto, até chegar ao seu quarto, onde Law estava sozinho, passando o tempo.

— Já decidi o que eu vou fazer com aquele garoto.

— E eu posso saber o que é? – Trafalgar pergunta, desconfiado.

— Eu vou testar o quão obediente você pode ser por obrigação, como você me disse ontem.

— O que você quer que eu faça? Eu não vou matar o Luffy.

— Quem falou em matar? Eu só quero que você “prepare” ele pra mim.

— “Preparar”?

— Você quer ir lá embaixo vê-lo?

— Bom… sim, mas…

— Então faça exatamente o que eu disser, fufufu.

Doflamingo contou com todas as palavras fortes e diretas que conhecia seu plano com Luffy. Trafalgar ficou completamente enauseado e pálido, com olhos arregalados e um imenso frio percorrendo suas espinhas pelo medo, misturado com o ódio que sentia ao ver o sorriso sádico asqueroso daquele que chamava de marido.

Mesmo assim, tremendo as pernas e suando frio, ele decidiu fazer pois não via outra saída. Desceu todas as escadas, indo em direção ao calabouço, já com um arrependimento imenso correndo por seu sangue e um asco de si mesmo misturado com insegurança.

— Fiz mais uma canastra limpa. – Luffy afirma, ele e Penguin estavam jogando cartas, sentados no chão da cela.

— Até que você é bom nisso pra um engravatado.

— E você é péssimo pra alguém que estava roubando um velinho cego em jogos de azar.

— I-Isso não é v-verdade, olha! – Ele joga todas as suas cartas na mesa. – Eu bati!

— Você não pode bater sem canastras limpas, fora que você tem bem menos pontos que o Luffy. – Monet diz, observando o jogo deles.

— … droga.

Não demorou muito, logo, ambos ouviram alguém descer as escadas.

— L-Law-nii! – O ruivo exclamou, levantando-se.

— Torao! – Luffy fez o mesmo, extremamente ansioso.

Trafalgar havia chegado ao local onde Penguin e Luffy estavam, tentando parecer o mais sério possível, mas ao mesmo tempo, fraquejando por dentro com vontade de chorar e acabar com tudo ali mesmo. Ele vai se aproximando das grades cada vez mais hesitante, olhando bem no fundo dos olhos de seu garoto.

Lágrimas de euforia corriam pelos olhos de Luffy mais uma vez, que já estava se debruçando nas grades para rever o amado. Corazón o encarava tentando ser forte, feliz ao revê-lo e ao mesmo tempo com raiva dele estar ali, à sua frente. Queria abraçá-lo e fugir consigo para bem longe dali, mas sabia que não seria possível.

— Monet, as chaves por favor.

— Aqui estão. – Ela as entrega e Law as usa para abrir a porta da cela.

— Torao!! – No mesmo segundo, Luffy sai detrás das grades e corre na direção do outro, pulando e se jogando em seus braços, escondendo seu rosto no peito de Trafalgar e chorando em suas roupas, sentindo o cheiro que não sentia há muito tempo.

— Não encoste em mim.

Entretano, contrariando o momento mágico do reencontro, tudo que o moreno faz é empurrar o garoto de modo grosseiro e voltar a trancar a porta da cela. Penguin, que continuava lá dentro, ficou apenas observando o amigo e estranhando seu modo de agir.

— Han?

— Vem comigo. – Nisso, ele friamente segura o punho do chapéu de palha e o arrasta até as escadarias.

— E-Ei, tá machucando! Pra onde você tá me levando?!

— O Joker quer te ver.

— Hã? Mas eu não quero ver ele!

— Não ligo.

— Por que você tá falando assim comigo? Você não ficou feliz em me ver?

— Não.

— Mas...

— Cala boca, fica quieto até chegarmos lá.

Mesmo não entendendo, Luffy obedeceu ao que o outro disse e ficou calado, sendo arrastado pelo braço até um dos quartos do terceiro andar do castelo, onde localizava-se o laboratório. Lá era uma sala pequena e bem refrigerada, mas haviam vários armários com remédios e outras drogas, além de uma mesa, aparelhos químicos e uma cama estilo hospital.

— Fica quietinho aí e faça tudo o que eu disser. – Law fala com o semblante sério, de costas para o garoto, pegando um dos medicamentos.

— O que você vai fazer? Por que você me trouxe pra cá?

— Você vai ver.

— Eu não quero ver nada, eu quero que você me diga! Por que você tá me tratando assim agora? A gente não se vê há um ano!

— Já mandei ficar calado.

— Por quê? O Mingo tá ouvindo a gente?

— Não.

— Então me diz alguma coisa!

— … – Continua calado, de costas.

— Ei, Torao! – Então o garoto o vira.

E quando Luffy o vira, Trafalgar é obrigado a olhar diretamente pra ele. Era fácil fingir-se de forte estando de costas, mas vendo alguém que amava tanto tão próximo, ele apenas ficou se sentindo pior do que já estava, com uma face completamente acabada.

— Torao…

— Não me chame assim. – Resolve afastar Luffy mais uma vez, terminando o que estava fazendo.

— Por quê?

— Pronto, acabei. – E agora estava segurando um copo com um conteúdo transparente dentro. – Eu preciso que você beba isso.

— O que é isso?

— Diamorfina líquida.

— Hã? Eu não, você matou a minha irmã com isso!

— Luffy, isso tem uma década, supera…

— Tá, mesmo assim eu não vou beber.

— Não foi um pedido, só bebe logo.

— Pra quê?

— Vai fazer com que você não sinta dores.

— Dor? Por que eu sentiria dor?

— Não faz perguntas, só… bebe.

— Não.

— Tsc, teimoso, isso pode salvar a sua vida!

— Se eu tomar você volta pra Inglaterra comigo?

— Como se eu pudesse fazer isso…

— Então não. – Luffy vai mais além, empurrando Law na mesa do laboratório e abraçando sua cintura, olhando diretamente para ele. – Só se você me disser o que é.

— E-Ei, calma… – Mas ele apenas vira seu rosto, tentando afastar o menor. – Não fica tão perto…

— Por quê? – Insiste, abracando-o ainda mais. – Você não gosta mais de mim?

— Não é isso…

— É o que então?

— É… complicado, Luffy.

— Complicado? Eu fiquei um ano inteiro achando que você tava morto e agora que eu sei de tudo você nem fala comigo! Isso é complicado.

— Eu não queria que nada disso acontecesse, tá bom? Não fala como se eu tivesse escolha.

— Tem câmeras aqui?

— Não.

— Algum microfone? Escuta?

— Não…

— Então o que te impede de ficar comigo agora?

— É que, se eu fizer isso…

— Hm?

— Eu não vou ter coragem de fazer o que o Doflamingo me pediu.

— E o que ele pediu?

— Sinto muito, Luffy, me perdoa.

Law pega o copo que era uma mistura de GHB com Diamorfina, duas drogas analgésicas e estimulantes, e coloca tudo em sua boca de uma vez. Em seguida, levanta o queixo do garoto que já estava totalmente hipnotizado e por fim, o beija.

Depois de exatos doze meses sem se verem, agora o lábio de ambos finalmente se encontraram em um beijo demorado e com toques bastante pessoais e fortes; por um segundo parecia que todo o corpo do garoto cabia nas mãos de Law, e vice-versa.

Porém, ao mesmo tempo, Corazón jogou todo o conteúdo que havia bebido na boca de Luffy, que engoliu tudo sem escolhas. Em seguida, Trafalgar também aproveitou para despir o peito de seu amado, retirando sua camiseta.

— Eu achei que nunca mais fosse te beijar de novo… – O mais novo diz ao se separar, um pouco tonto pela droga.

— Foi como eu pensei… muito mais difícil agora.

Em seguida, Law retira uma algema que estava presa à sua calça e pega o braço do garoto, prendendo-o na mesa. Luffy fica ainda mais confuso e ansioso do que já estava.

— Por que você me prendeu aqui?

— O efeito deve vir em uns dez minutos, é bem rápido.

— O que vai acontecer?

— Só… me perdoa, tá bom?

— Torao?

Com uma imensa dor batendo em seu coração e o sufocando completamente, Trafalgar saiu do laboratório, trancando a porta e deixando o garoto preso sem entender nada. Ele mesmo não aguentou o que estava fazendo e encostou na parede do corredor, com a mente pesada.

Quero ver o nível da sua obediência por mim, fufufu.”

Com a voz assombrosa de seu marido perfurando sua mente com um profundo eco, ele acabou se arrastando pela parede, caindo até sentar no chão, olhando pra baixo com as pernas juntas, tendo pesadelos mesmo estando acordado.

Agora você vai prepará-lo pra mim… eu quero ver o que esse garoto tem de tão especial.”

— Para…

Qual é o problema? Fufufu, dá alguma coisa pra ele beber, eu prometo que não vou machucá-lo muito.”

— Cala boca… maldito…

Era assim quando você era criança, lembra? Tão bonitinho… conseguia fazer de tudo por dinheiro.”

— Desgraçado…

O quê, não foi você quem dizia que a monogamia era ultrapassada?”

— Cala boca… para com isso…

Eu garanto que se você não fizer, as coisas serão bem piores. E depois disso o Luffy vai passar a te odiar, não é? Vai ser melhor assim, fufufu.”

— Não… isso não é verdade…

As risadas loucamente maliciosas e sádicas arranhavam as entranhas do médico e queimavam sua garganta com as vozes que continuavam a ecoar em sua cabeça. Trafalgar sentia-se culpado por ter obedecido a Doflamingo e percebeu o quão inútil era por não conseguir fazer nada para evitar.

E desse jeito ficou, tentando engolir o choro, jogado no chão do corredor, arrancando seus próprios cabelos em desespero. Eis que, aumentando ainda mais o seu azar, Drake aparece no mesmo corredor e logo o vê, tomando um susto com sua visão.

— Nossa, pelo visto alguém entrou em depressão profunda.

— … – Quando o ouviu, sentado no chão, Law lançou-lhe o olhar mais emburrado que conseguia.

— Que carinha feia, o que aconteceu agora?

— Não é da sua conta, vai embora e me deixa em paz.

— Hm, ainda com esse papo? Entenda uma coisa, tudo é da minha conta.

— Só vai embora, eu não tô com humor pra te aturar agora.

— Como se eu me importasse com isso. – Drake para na frente dele. – Levanta daí, tá parecendo um merdinha qualquer derrotado pela vida.

— Foda-se, talvez eu seja mesmo… que diferença faz?

— Não, aqui dentro você é o Corazón, então trate de se comportar como tal!

— Hã? Cuida da sua vida.

— Minha vida se resume a cuidar da sua, então levanta daí e para de viadagem.

— Que saco, você só piora a droga da situação! – Trafalgar enfim se levanta com raiva e segura a camisa do ruivo, o empurrando até a parede do outro lado que estava, o jogando contra ela. – É tão difícil assim me deixar em paz por um segundo?!

— Sim, é complicadíssimo.

— Por quê? – E continua segurando na camisa, o empurrando e o prensando contra parede, praticamente cuspindo enquanto gritava. – Por que você se sente tão superior a mim? Por que você me trata como se eu fosse uma criança?

— Porque eu sou, e porque você é.

— Vai se foder! – Grita furioso, jogando toda sua raiva contra ele. – Eu já tô tentando resolver isso tudo sozinho e você consegue tornar as coisas mais difíceis, mas que saco! Só me deixa em paz, só isso!

— Não tô afim.

— Então vai à merda! Você me odeia, não é? Então me odeie como uma pessoa normal e não olha mais na minha cara, não fala comigo e finge que eu não existo!

— Ei, o que aconteceu agora? Você tá tão nervosinho.

— Não te interessa, nada te interessa, a culpa disso tudo estar acontecendo é sua! Foi você que fazia esse tipo de coisa comigo, era você quem fazia eu fazer esse tipo de coisa!

— Han, do que você tá falando?

— Só… argh, que saco! Eu tô com tanto ódio de você que eu não tô conseguindo falar coisa com coisa!

— Mas o que eu fiz dessa vez?

— Não foi o que você fez, foi o que você me fez fazer indiretamente porque você é um idiota que estragou a minha vida e eu te odeio por isso!

— Quanto ódio no coração…

— Para com isso, para de não levar a sério as coisas que eu digo! – Começa a o bater contra parede e a gritar mais alto. – Que raiva, só vai embora e some da minha vida pra sempre!

— Ei, para com esse ataque, já tá passando dos limites.

— FODA-SE OS LIMITES! Quem ultrapassa os limites é você que fica toda hora fazendo essas coisas pra me deixar mais irritado ainda e fazer com que eu–

Já não aguento mais ouvir os gritos que o mais novo dava, Drake decide segurar os braços dele e usar sua própria força para virá-lo, fazendo com que seja Law quem ficasse prensado contra parede. Em seguida, para calá-lo de vez, o ruivo segura sua nuca e o puxa, fazendo suas testas se encostarem uma na outra.

Por curtos segundos, tendo as mãos de Diez presas à seu pescoço e com a aproximação de seu rosto contra o dele, Law acabou cessando sua voz, somente respirando pela boca devido à exaustão e falta de ar que a ansiedade lhe proporcionava. Isso foi o bastante para escorrer um singelo líquido de seus lábios.

— Já tá mais calmo? – Drake pergunta baixo, o encarando o mais próximo que conseguia.

— …

— O que é isso escorrendo da sua boca?

— Saliva. Nunca viu?

O ruivo, então, pega um de seus dedos e passa nos lábios de Law, colocando em sua própria boca em seguida para provar o gosto.

— Você deve ter tomado muito Boa Noite Cinderela na vida pra estar com a saliva desse gosto, hein.

— … se isso aconteceu, a culpa é toda sua.

— O lance com o Luffy mexeu tanto com você pra você tomar GHB por vontade própria?

— O Doflamingo sabe que não pode deixar a chave do laboratório comigo.

— Não faz esse tipo de coisa, te deixa frágil.

— Cuida da sua vida. – Law o empurra e sai andando pelo corredor, ignorando a presença do ruivo e o deixando de lado.

Drake esperou Corazón sair de seu campo de visão e aproveitou para pegar uma chave mestra que tinha escondido, a qual abria todas as portas do castelo. Estava desconfiado com a atitude do moreno, então resolveu entrar no laboratório sozinho.

— Q-Que isso?! – Mas ao entrar, simplesmente encontrou Luffy sem camisa, suando e preso na mesa com uma algema, completamente tonto e desnorteado.

— A-Ahn..? Dra… ke? É você..?

— Luffy, como você veio parar aqui? Foi você que tomou o Boa Noite Cinderela?

— Ahn, o Torao… ele tinha dito que o Mingo viria, mas… veio você…

— Que o Joker viria?

— É, eu não sei direito… o que tá acontecendo… mas eu tô com um mal pressentimento...

— Tsc, agora eu entendi porque aquele garoto tava assim… – Drake pega seu celular e liga imediatamente para Nico Robin.

Oi.”

— Robin, sem perguntas, só distraía o Joker o máximo de tempo possível e não deixe ele vir pro laboratório!

(...)

De volta ao calabouço, agora somente Monet e Penguin estavam lá, mas por pouco tempo. Logo, uma terceira pessoa chegou já aos gritos e com muita raiva no coração, disseminando todo o ódio que continha dentro de si.

— PENGUIN, SEU DESGRAÇADO!

Trafalgar havia descido todas as escadas e ido até o subterrâneo, voltando a pegar as chaves com a Monet e partindo logo para cima do ruivo, o levantando pela camisa e o arremessando contra a parede.

— H-Han? Q-Quê? Onde?! Q-Que que eu fiz?!

— Você simplesmente ferrou com tudo trazendo o Luffy pra cá!

— M-Mas eu nã–

— Não quero saber! – Bate suas costas contra parede. – Você tem alguma ideia do que você fez?

— E-Eu…

— Antes do Luffy chegar tava tudo ótimo, eu tava já acostumado a viver como capacho do Doflamingo, mas você conseguiu estragar tudo!

— D-Desculpa!

— Eu não quero saber de desculpas! Agora… agora você tem alguma noção… do que acabou de acontecer?

— O quê? O que aconteceu com o engravatado?

— Ele… – Law começa a fraquejar. – O Doflamingo, ele…

— Ahn?

— Ele vai… com o Luffy… – E seus olhos até ficam molhados. – O Doflamingo me obrigou a…

— A fazer o quê?

— A algemar e… fazê-lo beber… – Nisso, o moreno acaba se lembrando que pôde beijar seu amado e não resiste, começa a soltar algumas lágrimas de sofrimento. – Penguin…

— O que aconteceu?

— Desculpa. – Law não resiste e fecha os olhos, com a voz falhada, escondendo seu rosto atrás do ombro do ruivo e o abraçando. – Eu sou um merda…

— Não fala isso… – Que retribui.

— Eu sei que eu deveria estar chateado… eu sei que eu não devia ficar feliz com isso porque é muito egoísmo, mas… quando eu vi o Luffy aqui…

— Ahn?

— Eu achei que eu nunca mais fosse vê-lo de novo ou tocá-lo de novo, então mesmo que tenha sido uma coisa ruim… obrigado por isso.

Ficou um tempo abraçado com o amigo pensando no bem estar de Luffy e completamente arrependido de tudo, até que um outro ruivo chegou no local.

VOCÊ!— E Drake chegou com raiva, gritando e indo até Trafalgar, afastando ele de Penguin e o levantando pela camisa. – O que você pensa que tá fazendo? Você ficou maluco!

— Hã? Eu já mandei cuidar da sua vida, não piora a situação mais do que já tá rui–

— CALA BOCA, PORRA!

Destilando sua fúria, o ruivo acaba dando um enorme tapa no rosto do outro, deixando marca.

— Ai! Por que voc–

— Pra ver se você toma vergonha na cara e para de ficar aí chorando sem fazer nada!

— Eu já disse, isso não é da sua conta!

— O que não é da minha conta? – Empurra ele contra a parede, o fazendo bater a cabeça no cimento. – Responde! Que merda deu em você pra fazer isso?

— Quem é você pra vir ficar me dando lição de moral? Foi você que–

— Foda-se o que eu fiz no passado ou o que eu faço atualmente, não era pra você ser desse jeito! Você deu GHB pro Luffy e praticamente entregou ele pro Doflamingo!

— Eu…

— Responde! O que você planejava? Fazer uma merda dessas, chorar, implorar perdão e depois fingir que tá tido bem?

— E daí? Como se você se importasse com o que acontece comigo e com o Luffy.

— Eu não me importo, mas você não deveria ser assim, porra, você consegue imaginar o que o seu maridinho tá fazendo agora?

— Cala boca, não fala isso!

— Graças a você ele deve estar rindo tendo aquela criança toda dopada e um marido tão obediente como você.

— P-Para com isso, eu sei o que tá acontecendo, não precisa falar…

— E você não tá fazendo nada além de chorar pra impedir, tsc, covarde de merda.

— O que você sugere que eu faça? Se eu fizer qualquer coisa ele vai matar o Luffy!

— Então a solução pra isso é permitir que o Doflamingo foda com o garoto e fique tudo por isso mesmo?

— …

— Tsc, você é um inútil mesmo.

Drake levanta o corpo de Law e o deita em seu ombro, segurando suas pernas de modo que o moreno seja arrastado para onde o outro bem entender.

— Hã? Ei, o que você tá fazendo? Me põe no chão!

— Não. – Drake começa a andar com Law para fora do calabouço.

— Que merda é essa? – Que fica se estabanado para tentar sair dali. – Me larga agora!

— Não.

— P-Pra onde você tá me levando, maldito?

— Pro meu quarto.

— Hãan? P-Para com isso! – Se debate mais ainda, fazendo de tudo para sair dali e voltar ao chão, sem êxito. – M-Me solta agora!

— Já disse que não, para de se mexer, tá pesando.

— O caralho! Isso é uma piada? Por que você tá me arrastando por aí?!

— Eu vou te levar pro meu quarto e te dar uma lição pra você deixar de ser otário.

— Hã? Não tem graça, me solta, me deixa sair daqui!

— Qual é o problema? É só pra relembrar os bons tempos, você vai gostar.

— Gostar o caralho, me solta, seu escroto! Eu odeio você!

E assim continua. Trafalgar se debatia durante o percusso inteiro, mas o ruivo pouco se importava, apenas seguiu viagem levando Law no ombro até chegar na porta de seu quarto, finalmente o colocando no chão.

— Que foi? É basicamente o que você fez em relação ao Luffy e ao Doflamingo, bebê.

— I-Isso não tem graça, sai da minha frente! – Law tenta empurrá-lo, novamente sem êxito.

— Deixa de choro, entra logo aí, tá me fazendo perder tempo.

— Eu não quero entrar no seu quarto idiota!

— Poxa, que cruel, eu achei tanto que você fosse gostar. Pelo visto você não sabe mesmo aproveitar uma situação de ouro.

— Q-Que situação de ouro? Isso é só…

Drake finalmente abre a porta de seu quarto, fazendo o médico ficar instantaneamente sem voz e pasmo. Na cama do ruivo estava Luffy sem camisa, com as mãos presas na cabeceira pela algema.

— Torao..?

— Ahn? Por que o Luffy..?

— Você tem cinco minutos. – Drake diz. – Não quero saber, depois desse tempo eu vou arrombar essa porta e eu não ligo pra como vocês estejam.

— Pera, mas… se o Luffy tá aqui… e o Doflamingo?

— Eu quero deixar bem claro que eu não ligo pra nenhum de vocês, eu fiz isso só porque eu prometi ao Kaidou que o garoto ficaria bem.

— V-Você vai me deixar ficar com o Luffy sozinho no seu quarto..?

— Só por cinco minutos, as chaves da algema dele est–

— Obrigado! – Ficou tão feliz que se deixou levar e abraçou o ruivo que tanto odiava. – Obrigado, obrigado, obrigado!

— Q-Que isso, m-me solta!

— Obrigadooo! – Abraça ainda mais forte. – Foi a melhor coisa que já fizeram por mim, ainda mais vindo de você!

— P-Para, não fala como se eu tivesse feito isso por você, eu não tô nem aí pra você, agora me solta, seu invasivo!

— Tem razão. – Enfim se afasta. – Tem um Luffy na minha cama, eu não deveria estar te abraçando.

— Você tem cinco minutos.

Notas finais
Todos estão com saudades dos lemons de Lawlu, certo? ( ͡° ͜ʖ ͡°) Próximo capítulo começam os planos para o arco Dressrosa!! Objetivo: fazer com que Luffy chegue a salvo na Inglaterra e acabar com esse casamento de merda de uma vez. (Vinsmoke curtiu isso) u_u O que esperam? :333