"Não se atrasa, tá bom?"

– Eu não vou me atrasar, Luffy, eu estou acabando de fazer as minhas malas.

"Ótimo. Eu vou ligar pra Nami e pro Zoro, pra pedi–lhes que cuidem do Peter enquanto nós estamos no circo."

– Deixa aquele poodle se virar sozinho, vai ver ele adquire super-poderes. Se você ficar mimando demais, ele vai continuar inútil.

"Para com isso! Não sei porque você odeia o Peter, ele não fez nada."

– Nada, só me morde toda vez que eu vou na sua casa. Mas vai ser ótimo ir nesse circo, assim eu aproveito e fico bem longe desse vira-lata!

"Que seja. Não precisa levar muita roupa, eu não pretendo ficar mais de quatro dias lá."

– Tá bom.

"Mas também não significa que você tenha que levar pouca roupa, nunca se sabe, talvez a gente tenha que ficar por um tempo. Ah, e eu vou levar presunto."

– Tá...

"Ah, só mais uma coisa, leva roupa de frio. Acho que vai chover..."

– Tá bom, mãe.

"Não me chame assim."

Uma terrível tarde. As nuvens cinzentas percorriam o céu, impedindo a passagem de luz solar e, por este motivo, parecia ser mais tarde do que já era. Trafalgar estava em sua casa, junto com Penguin, fazendo as malas para ambos irem ao circo, investigar as crianças sequestradas, e terminando de falar com Luffy ao celular.

– Eu não gosto disso. – Comenta Penguin, assim que o outro desligou o celular.

– Não gosta do quê?

– De você viajar com o engravatado. Além disso a conversa de vocês é muito informal.

– Vai começar...

– Eu tenho direito de não gostar dessa situação.

– E eu tenho o direito de estar pouco me fudendo. – Law se vira para Penguin, segurando firmemente em seus ombros, o encarando. – Mudando de assunto, tem uma coisa que eu preciso te falar. É sério.

– O que houve?

– Sua namorada psicopata invadiu a minha casa hoje de manhã, dizendo que eu ia morrer em breve. Devo me preocupar?

– A Robin invadiu sua casa? CARA, COMO VOCÊ É SORTUDO!

– Que parte de "morrer em breve" você não entendeu..?

– Eu queria ter uma casa pra Robin me invadir..

– PENGUIN, FOCA! – Law começa a sacudi-lo pelo ombro. – Ela vai me matar. Eu sinto isso.

– Relaxa, Law-nii, a Robin gosta de mistérios. Ela deve ter dito "morrer" no sentido figurado, tipo renascer. Essas coisas de tarô, sabe?

– Então eu posso ficar tranquilo?

– Claro, a Robin é uma pessoa maravilhosa!

– Então tá, eu vou nessa, não quero me atrasar.

– Vou sentir saudades, as coisas sem você são chatas.

– Só tenta não transformar minha casa em um bordel na minha ausência, tá?

– Vou tentar!

(...)

Despediram-se e Law foi até a casa de Luffy para encontrá-lo, vestindo seu moletom amarelo e preto. Pegaram o carro, o mais novo foi dirigindo enquanto o outro distraía-se com uma caneta qualquer, visto que a viagem era longa e cansativa.

– Odeio circos. – Law comenta, divertindo-se com a caneta que parecia ser mais interessante do que o lugar que estavam indo.

– Você já foi em um?

– Não, não tinha essas coisas na minha cidade natal. E, mesmo se tivesse, eu duvido que o meu pai me levasse.

– Eu gosto de circos. Minha irmã me levava em um quase todo fim de semana, antes de você matá-la.

– Não acredito que você ainda não superou isso...

– Eu não vou brigar com você por isso, só tenta pelo menos parecer que gosta de circos. Você vai trabalhar em um de agora em diante, Torao.

– Luffy, todo mundo sabe que eu só aceitei esse negócio pra dormir com você.

– Que seja, mas pelo menos leva a sério. Ou finge.

Depois de conversarem mais um pouco, finalmente chegaram ao circo. Estava bem movimentado, cheio de atrações para crianças, tais como brinquedos e rodas gigantes. Um local bem grande e, no centro de tudo, havia uma grande lona indicando que as apresentações principais ocorreriam ali.

Adentraram a lona principal, encontrando um palco cheio palhaços, mágicos, trapezistas e outros integrantes do circo. Law e Luffy sentaram-se na plateia, junto com as pessoas normais, sendo que o mais velho estava com uma expressão de tédio profundo. Ao contrário do outro, que parecia uma pequena criança.

– Eu quero morrer. – Afirma o mais velho, sombriamente, cansado de assistir às apresentações infantis.

– Não é tão ruim assim. – Luffy interrompe. – Você podia tentar se divertir, pelo menos.

– A gente precisa mesmo assistir isso? Eu não tô vendo nenhuma criança.

– Sim, precisa.

Mesmo sendo contra a vontade de Law, ele sabia que precisaria passar por tais situações se quisesse dormir com Luffy, então simplesmente fechou os olhos e tentou se distrair em sua mente. No palco, o apresentador exclamava.

– Yosh, para próxima apresentação eu vou precisar de um voluntário do palco! – Assim que o apresentador disse, todas as crianças começaram um tumulto para serem escolhidas. – Quem vai querer vir?!

– ELE QUER! – Luffy se levanta, puxando o braço de Law e gritando bem alto, chamando a atenção de todo mundo.

– Hein?! – Law não gostou nenhum pouco. E, para piorar sua situação, o apresentador ficou o encarando como se já o tivesse visto antes.

– Ei, você com chapéu da vaquinha! – O homem exclama, apontando para Law e Luffy. – Vem aqui pro palco!

– Vaca..?

Depois de insistir para não ir e ter seu pedido negado, Law foi até o palco. Luffy estava rindo por seu plano ter funcionado, principalmente pelo companheiro estar com a pior cara possível, odiando toda situação. O circense pôs-se a apresentá-lo para platéia.

– Então filho, qual é o seu nome?

– Primeiro, não é uma vaca, é um leopardo das neves. E segundo, Trafalgar Law.

Trafalgar foi posto em uma cama de rodinhas que havia no palco. O apresentador pediu que ficasse bem parado, enquanto prendia as mãos e pés dele com algemas e seu corpo foi colocado em uma espécie de caixa. Ao lado dele, tinha uma mulher com uma serra na mão.

– Beleza, vamos serrar você ao meio!

– COMO É QUE É?

Todos da plateia ficaram encarando Law, principalmente Luffy. A mulher começou a serrar seu corpo, na altura de sua barriga e ele sentia uma agonia terrível, mas tentou simplesmente fechar os olhos e esquecer. Assim que ela terminou, suas pernas estavam separadas do torso.

– Tá feito! – O apresentador empurrou a parte da cama que haviam seus pés, até uma distância considerável. O corpo de Law estava totalmente dividido e seu tronco estava muito distante do resto do corpo, mas ele ainda conseguia mexê-los.

– D-DEVOLVE MEUS PÉS, AGORA! – Ele tentava falar, preso à cama, odiando estar naquela situação agonizante. – EU VOU TE PROCESSAR!

– Processar? Eu trabalho num circo, não tenho dinheiro pra isso! – Dizia, bem humorado. Todo mundo da plateia estava surpreso, mas Luffy quase tinha um ataque cardíaco de tanto rir, principalmente em ver a face de assustado que Trafalgar portava.

– D-Devolve meus pés... por favor... isso dá medo.

(...)

– "Devolve meus pés, eu vou te processar" HAHAHHAHAH!

Depois de Trafalgar ter conseguido suas pernas de volta, ambos voltaram a assistir o espetáculo até o final, mesmo sendo contra a vontade do maior. Assim que acabou, os dois sairam da lona principal, andando pelo circo e conversando. Luffy ainda estava morrendo de rir pelo que aconteceu anteriormente.

– Não teve graça nenhuma. – Law tenta acalmar o outro, que continuava a rir. Ele já estava odiando a situação mais do que nunca.

– Foi engraçado sim, é por isso que eu amo circos!

– Odeio circos.

– Antigamente você cortava as pessoas, agora você é que foi cortado. Bem feito! – Luffy continuava a rir.

– Para com isso, não ria de mim.

– Bom, deixa isso pra lá. Agora nós precisamos dar uma volta pelo circo e procurar pelas crianças sequestradas.

E-Ei, você..! – Foi só Luffy acabar de falar que uma voz surgiu. Era o apresentador, correndo em direção a eles, com uma face preocupada. Assim que chegou perto, segurou o ombro de Law.

– Posso ajudar? – Disse sarcasticamente, já que odiava tal pessoa.

– Trafalgar Law, certo? Posso falar com você em particular?

– Por que em particular? Tudo o que você precisa falar comigo, você pode dizer na frente do Luffy. Eu não tenho nada a esconder dele.

– T-Tem certeza..?

– Nós já nos conhecemos? Eu não me lembro de ter te visto.

– N-Não, nós nunca nos vimos antes. Foi o seu moletom que me chamou a atenção, na verdade. – O homem segura a roupa que Law vestia, olhando bem de perto.

– Meu moletom? – Ele não entende nada. – Quer que eu te diga onde eu comprei?

– Não é a roupa, é o símbolo. Tem outra pessoa usando o mesmo símbolo aqui.

– Símbolo? – Indaga Luffy. – Parando pra pensar, todas as roupas do Torao têm esse símbolo. É alguma coisa especial?

– Não é nada. – Confirma Law. – É só o símbolo da minha família, nada demais, e também é impossível outra pessoa estar usando esse símbolo.

– N-Não, eu tenho certeza! O dono daqui usa esse mesmo símbolo, então eu pensei que você fosse uma pessoa especial. Vocês são da mesma família?

– Como eu te disse, é impossível, você deve estar se confundindo. Todo mundo da minha família já morreu.

– Vamos até lá. – Afirma Luffy.

– Por quê? É perda de tempo.

– Se tem alguém da sua família aqui, então eu quero saber.

– Tsc...

– Ah, eu esqueci de me apresentar! – O homem exclama. – Podem me chamar de Puppet, aqui no circo nós não usamos nomes reais, só pseudônimos.

(...)

Depois de Puppet se apresentar, os três foram encontrar com a tal pessoa. Em uma pequena casa que havia no próprio circo, existia um escritório onde o chefe do local ficava, e era lá onde eles estavam indo, sendo levados pelo apresentador.

– Ei, Diamante! – Do outro lado da porta do escritório, Puppet batia, chamando pelo dono do circo, que usava como pseudônimo o nome de "Diamante". Law já começou a suspeitar de quem estava lá e não gostou nenhum pouco, mas tentou disfarçar.

Puppet, o que você quer? – O tal dono do circo gritava, com sua voz fina e infantil. Law já estava quase morrendo por dentro.

– Eu trouxe visitas! Posso entrar?

Claro que não! Eu sou uma pessoa ocupadíssima, não tenho tempo pra subalternos.

– M-Mas é importante...

Se é tão importante, você deve marcar hora antes de vir falar comigo. Agora vai embora, eu estou no meio do meu sono de beleza.

– Mas...

PUPPET, QUEM É A PRINCESA DESSE LUGAR?

– Você...

Então não desobedeça minhas ordens. Xô, vaza daqui!!

– Viu só, a princesa não quer nos receber. – Afirma Law. – Vamos embora daqui, estamos perdendo tempo, Luffy.

Espera... essa voz... é aquele gótico do Law que tá aí?

– Droga...

ENTREM AQUI, A-GO-RA!

Finalmente, as portas abriram-se. Sentado em uma cadeira giratória, existia um homem loiro com um chapéu branco com o mesmo símbolo do de Law, suéter verde e um pequeno short jeans, calçando um salto alto.

– Dellinger, que bom te ver. – Disse o mais sarcástico possível, odiando a situação cada vez mais.

– Laaaaaaaaaaaaw! – O garoto corre em direção ao moreno, pulando em cima dele e dando-lhe um abraço super apertado.

– Afasta...

– Caramba, quanto tempo! – Dellinger se afastou, lançando seu sorriso satírico. – Você tá mais emo do que nunca.

– E você está mais... "Dellinger".

– Puppet, sai daqui, eu preciso conversar com o Law.

– T-Tá.

Assim que o apresentador se retirou, Dellinger voltou a sentar-se em sua cadeira, ficando de frente para Law e Luffy. O loiro parecia estar radiante de tanta felicidade, contrastando com o moreno, que pensava em formas de cometer suicídio naquele momento.

– Me conta TUDO! Eu achei que você tava preso, você fugiu?

– O Kid ficou no meu lugar. Dellinger, me diz, que merda você tá fazendo em um circo?

– Esse é um lugar que eu nunca pensei que fôssemos nos encontrar! Eu mesmo montei esse circo há uns anos atrás. Legal, né?

– Não.

– E quem é esse garotinho com você? – Dellinger vira-se para Luffy.

– Eu? Eu sou Luffy. Você é amigo do Torao?

– Ele é meu irmão mais novo. – Afirma o moreno.

– Irmão..? Vocês não se parecem nenhum pouco.

– Ele é adotado.

– Sério?

– É verdade. – Confirma Dellinger. – Mas a gente não se vê há mais de dez anos, eu nem sabia que ele tinha saído da prisão. Aliás, você ainda tem raiva de mim, Law?

– Por que eu teria raiva de você?

– Ahn, você não sabe?

– Não faço ideia do que você esteja falando. Você fez alguma coisa contra mim?

– Vamos deixar o passado pra lá! – Dellinger bate as mãos na mesa, desviando o assunto. – Então, o que vocês vieram fazer aqui?

– Nós já estamos de saída. – Law fala, mas logo é impedido por Luffy.

– Por quê? Acabamos de chegar, vamos ficar mais um pouco. Eu quero saber mais sobre o seu "irmão".

– TIVE UMA IDEIA! – Dellinger exclama. – Por que você não vem trabalhar aqui, Law?

– Perfeito! – Afirma Luffy.

– Eu tenho cara de quem trabalha em circo?

– Na verdade você tem cara de cantor de Black Veil Brides.

– Como..?

– Mas falando sério, você PRECISA vir trabalhar aqui! Faz tempo que a gente não se vê, precisamos relembrar o passado, certo?

– Não acho que seja uma boa ideia...

– Nós vamos trabalhar aqui, sim. – Luffy olha para o outro com um olhar sério, decidido em aceitar a proposta de Dellinger. – Eu também posso, né?

– Claro, quanto mais, melhor!

– Argh, isso não vai dar certo... – Murmura.

– Não é tão ruim, Law. Ou você está com inveja de que agora a princesa sou eu, e não você? – Os cabelos loiros são jogados para os lados, gabando-se.

– Quando eu fui a princesa de alguma coisa..?

– Deixa pra lá. Eu vou apresentá-los pra todo pessoal do circo, e depois vou ver exatamente onde vocês podem trabalhar, tudo bem? Se não gostarem, podem ir embora.

– Perfeito!

(…)

Por mais que Law não gostasse nada da situação, acabaram conseguindo o emprego no circo. Já estava bem tarde e, assim que terminassem o jantar, Dellinger disse que ficaria encarregado de dar-lhes algum trabalho.

No presente momento, Luffy e Law estavam sentados em uma grande mesa, cheia de comidas e outras pessoas, todas circenses. Cada um tinha um prato que poderia usar para botar qualquer tipo de comida, o que gerava briga às vezes, pois um comia mais do que o outro.

– Você vai comer isso? – Falando em briga por comida, existia um garoto lá bem novo. Um pequeno ruivo, de cabelos alaranjados, falava com boca cheia e pegava comida do prato dos outros, sem esperar pela permissão.

– Ei, não toca na minha carne! – Luffy exclama, ao ver o tal garoto pegar sua comida. Suas roupas brancas estavam rasgadas e bem sujas, como se fosse um mendigo ou um desleixado.

– D-Desculpa... – Ele fica com rostinho de choro e arrependimento, com uma carne na boca.

– T-Tudo bem, não se preocupa. – Luffy acaba cedendo ao ver a face do garoto. Law estava bebendo um suco de laranja, ignorando ambos.

– É que a comida daqui é muito boa, então eu fico com fome fácil.

– Isso é verdade. Você é novo aqui? Parece tão jovem...

– Ah, eu cheguei hoje de manhã. Eu tenho quinze anos, aliás, e você?

– Eu também cheguei hoje, junto com ele. – Aponta para Law. – E tenho vinte e sete.

– Legal. Qual é o seu nome?

– Pode me chamar de Luffy. E você?

– Peter Lewis. MEU DEUS! ISSO É PRESUNTO DEFUMADO?

– Pera, quê? – Luffy começa a olhar torto para o garoto, pois o nome nome chama a sua atenção. Law fica com os olhos arregalados, bebendo seu suco de forma inconsciente, enquanto o encarava.

– Presunto defumado, sabe? Presunto de rico!

– N-Não, o seu nome. Você é o Peter? – Luffy continuava surpreso, mas Law estava pálido, suando frio, bebendo seu suco e encarando o garoto.

– Você me conhece?

– M-Mais ou menos, eu conheci um Peter Lewis, só que não pode ser você.

– Ah, eu tenho um irmão gêmeo chamado Peter Lewis, só que ele morreu com oito anos. – Ele vira-se para outra pessoa. – Você vai comer isso?

– EI, ALGUÉM ME AJUDA, ESSE HOMEM TÁ TENDO UM INFARTE! – Uma pessoa qualquer gritava, batendo nas costas de Law, que estava engasgado com o suco, quase morrendo.

– Luffy, ajuda seu amigo, ele tá morrend– Peter tentou falar, mas foi impedido quando Law puxa sua camisa branca, gritando com ele.

– VOCÊ É O POODLE?

– Ahn.. Poodle..?

– Torao, solta ele. – Luffy tenta acalmar o companheiro, o obrigando a soltar Peter.

– Mas Luffy, o Poodle adquiriu forma humana só pra me assombrar! Eu não posso me preocupar?

– Por que você tá me chamando de poodle, Torao? – Indaga o ruivo.

– NUNCA, JAMAIS, NA SUA VIDA INTEIRA, OUSE ME CHAMAR POR ESTE APELIDO, TENDO ESTE CABELO RUIVO E USANDO ESSE NOME.

– L-Luffy, o Torao tá me dando medo... – Peter falava botando duas carnes na boca, por estar nervoso.

– Ele disse..... de novo......

– Torao, se acalma. – Luffy bota as mãos nos ombros dele. – Ele não é o poodle, só tem o mesmo nome.

– Mas o irmão dele é o poodle original. Eu lembro que o Kid me disse uma vez, sobre ele ter morrido com oito anos.

– Tá, mas isso não vem ao caso, não culpe ele. – Law tenta se acalmar, pensando que Luffy tinha razão. Ele começa a observar Peter, que não parava de comer como um louco.

– Você é tão esfomeado quanto a sua versão canina, sabia?

– É que de onde eu venho não tem muita comida, e a que tem, é um lixo. Então eu tô aproveitando.

– Cansou de comer ração e agora tá apreciando a culinária humana?

– Sim, a comida dos humanos é mais gostosa.

– Luffy, eu estou conversando com um cachorro.

– Eu tô vendo...

(…)

Assim que todos terminaram o jantar, os dois rapazes foram até a lona principal, onde ocorriam os espetáculos. Lá, eles encontraram Dellinger, que iria decidir o papel de ambos no circo. Law e Luffy estavam um do lado de outro e o loiro estava conversando com o mais velho.

– Então Law, qual é a sua especialidade?

– Assassinato.

– Beleza, você pode ser o cara que atira facas.

– Ótimo, posso testar no Luffy?

– Claro, fique à vontade.

– Pera, quê? – Luffy não gostou nenhum pouco da conversa.

Antes que o garoto pudesse reclamar e odiar a situação, ele foi amarrado em uma parede. Seus braços estavam abertos, como uma cruz, e ele totalmente imobilizado. Dellinger deu a Law um pote cheio de facas.

– Oh, isso vai ser divertido. – Law lança um olhar assassino.

– SOCORRO, EU VOU MORRER! – Luffy tenta se debater para sair, mas sem sucesso. Dellinger só ria.

– Olha, essa faca é bem afiada. – Ele brincava com o objeto pontiagudo. – Se eu acertar qualquer parte sua, Luffy, as coisas não vão ficar boas.

– T-Torao, por favor, não fala essas coisas...

– Mas é verdade. E eu devo te alertar, minha mira é PÉSSIMA.

– ALGUÉM ME TIRA DAQUI, ELE VAI ME MAT–

Antes que o menor pudesse gritar por ajuda, a primeira faca foi atirada. As mãos de Law pareciam bem firmes, como se ele tivesse certeza do que estava fazendo, e seus olhos miravam para o rosto de Luffy, o olhando bem nos olhos. A faca, de fato, era afiada, tanto é que fez logo um furo.

– Droga, errei. – Disse na maior calma possível.

– ERROU? VOCÊ TAVA MIRANDO EM MIM?! – A faca pegou há três centímetros de distância do olho esquerdo de Luffy, perfurando a madeira. Este, ficou extremamente assustado.

– Sim, estava. Você é muito irritante e só me dá trabalho, então eu resolvi te matar aqui, Luffy.

– C-Como..?

A segunda faca é atirada, obrigando o garoto a fechar os olhos e chorar mentalmente. Dessa vez, o alvo foi seu olho direito que, por poucos milímetros de distância não foi acertado. Luffy já tremia, implorando para sair dali.

– Que saco, você não morre por nada.

– P-Para de querer me matar!

– Não.

E assim, as facas foram atiradas, sempre com um sorriso demoníaco e perigoso. Uma delas pegou acima da testa, outra pegou ao lado do coração, outra foi em direção às suas partes baixas, mas nenhuma acertou o garoto de fato, o que fez Law ficar chateado.

– Que saco, não acertei nenhuma! Eu sou péssimo nisso. – Dellinger desamarra Luffy, que vai em direção a Law, segurando seu moletom com raiva.

– Você é um assassino! Como você pode fazer isso comigo?

– Vai saber, me deu vontade de te matar. Só isso.

– Seu monstro! Você ainda admite? Eu tenho sorte que as suas mãos não obedeceram as intenções do seu cérebro de psicopata!

– Não se preocupa, Luffy. – Law se abaixa, indo em direção ao rosto do outro, dando-lhe um beijo na bochecha e falando próximo aos seus ouvidos. – Hoje à noite eu dou uma lição em você.

– Então, vamos continuar! – Exclama Dellinger, separando ambos. – Vocês dois são hilários juntos, então o Luffy pode ser o alvo oficial do Law.

– P-Pera, é sério isso? – Luffy resmunga. – Então eu vou precisar deixar esse psicopata jogar facas em mim ao vivo?!

– Sim, é isso aí.

– E se eu morrer?!

– Morte dá audiência.

– Eu estou começando a gostar de circos. – Afirma Law.

– Então, escutem bem o que vocês dois vão fazer. Os dois vão até o camarim escolher as roupas que vão usar ao vivo e fazerem as maquiagens, tudo bem? Depois disso eu vou escolher o pseudônimo de vocês.

– Eu vou precisar fazer maquiagem? – Indaga Law. – Eu não sei fazer essas coisas.

– Se vira, gato!

(…)

Contra a vontade de Law mais uma vez, ambos foram até o camarim. Não era um lugar muito espaçoso, só tinha um espelho e algumas roupas. Luffy sentou-se em um banquinho e o mais velho começou a imaginar o que faria em seu rosto.

– Você já maquiou alguém antes? – Indaga o garoto do chapéu de palha.

– Não, e não faço ideia de como vou fazer isso.

– Não precisa fazer nada muito chamativo, só faz o que vier na sua mente.

– Tá bom, eu vou tentar.

Law inspirou fundo, pensando em algo. Pegando um lápis de olho verde, ele desenhou quatro triângulos de cabeça para baixo no olho esquerdo de Luffy; e depois, pegando um batom vermelho, ele traçou um sorriso que ia de orelha a orelha, fazendo alguns riscos no canto da boca.

– Não ficou muito pesada? – Indaga Luffy, olhando-se no espelho.

– Não gostou?

– Gostei sim, você é melhor nisso do que eu imaginei.

– Na verdade eu copiei de uma pessoa aí.

– Que tipo de pessoa usa essa maquiagem..?

– Um idiota desengonçado. – Law esboça um pequeno sorriso, como se tivesse tendo boas lembranças e, a seguir, dá um leve beijo em Luffy.

– Não faz isso, vai borrar a maquiagem. – Ele vira o rosto corado, desviando o olhar.

– Foi mal, eu acabei deixando minha mente falar mais alto. Vocês dois são mais parecidos do que eu imaginava.

– Ei, não jogue seu fetiche pelos outros em cima de mim..

– Não é fetiche, é saudade. Não precisa ficar com ciúmes de alguém que já morreu, Luffy.

– Eu não tô com ciúmes.

– Claro que não. – Law dá mais um sorriso, beijando o garoto com mais vontade. – Não se preocupa, você é a única pessoa que eu amo.

– Me ama tanto que quase me matou há dez minutos atrás.

– Luffy, por favor. Por que eu te mataria agora? Eu ainda nem dormi com você.

– Ah, você não vai dormir comigo. Você vai passar a noite inteira me convencendo sobre esse lance do Dellinger ser seu IRMÃO! É sério, você mentia melhor no passado.

– Acredite se quiser, ele é meu irmão sim. Meu pai o adotou pra ficar no meu lugar quando eu fui sequestrado.

– Eu tenho certeza que é mentira, mas tudo bem. Já sabemos quem é o culpado pelo sequestro das crianças.

– Que exagero...

– A gente discute mais tarde. Por hora, eu vou fazer a sua maquiagem e nós voltamos pra lá.

– Oh, vai fazer o que em mim?

– Seu rosto me dá medo, então eu vou tentar te deixar fofo pras crianças não se assustarem.

– Você é tão gentil...

Law sentou-se no mesmo banquinho que Luffy estava anteriormente, e o garoto pegou o lápis de olho branco e preto. Em sua bochecha direita, ele desenhou dois corações, um com cada cor. Abaixo do olho esquerdo ele também fez um desenho com lápis roxo.

– Pronto, acabei.

– Você fez corações em mim? – Indagou, olhando-se no espelho.

– Não sei porquê, mas olhar pra você me fez lembrar de corações.

– Awn, isso foi uma declaração de amor?

– Claro que não.

(...)

Law estava estranhamente um pouco mais feliz, mesmo o dia tendo sido péssimo para ele. Deixando isso de lado, ambos vestiram uma roupa qualquer para finalmente saírem do camarim e irem encontrar Dellinger. Voltando ao palco principal, o loiro estava lá junto com Peter.

– Ah não, o Poodle tá aqui também? – Indaga Law.

– MEU DEUS, NÃO ACREDITO! – Dellinger põe a mão na boca e deixa um sorriso em seu rosto. – Law, você fez a maquiagem do Luffy do jeito que eu estava imaginando. Você é muito previsível!

– Mais uma palavra e você é um homem morto.

– Por que você tem essa mania de me chamar de poodle, Torao? – Indaga Peter, indo em direção a ele com passos calmos.

– Eu já não mandei você não me chamar assim, pulguento?

– Em primeiro lugar, eu te chamo como eu quiser. E em segundo... – Peter agarra o moletom dele, fazendo seu rosto abaixar e apontando um canivete em direção ao seu pescoço. – Se você continuar me tratando como cachorro, o único homem morto aqui será você.

– Como é que é?

– Eu não gosto de garotinho rebelde que se sente superior só por ser mais velho. – O ruivo lança seus olhos laranjas em direção ao moreno. Sua personalidade era diferente de quando ele estava jantando.

– Ei, ei, não briguem. – Luffy interfere, fazendo ambos se afastarem.

– Luffy, o Poodle tá achando que é gente. Tá cheio de marra pra cima de mim.

– Claro, você fica provocando ele!

– Ah, agora a culpa é minha?

– O Luffy me entende! – Peter dá um abraço no garoto. – Já gostei de você.

– Eu também gostei de você. – Luffy faz cafune em seus cabelos alaranjados. – Eu gosto de todo mundo que enfrenta o monstro do Torao.

– Formou-se um complô contra a minha pessoa... – Resmunga o mais velho.

– Então, já que vocês vão todos dormir aqui, vamos escolher o quarto que cada um vai ficar! – Exclama Dellinger. – Vocês vão ficar em duplas.

– Eu fico com o Luffy! – Gritam Peter e Law ao mesmo tempo.

– Hã? Quem vai ficar com o Luffy sou eu! – Afirma Law.

– Nem pensar, ele gosta muito mais de mim. – Peter dá a língua.

– Vai se foder, vira-lata!

– Vai você, Torao!

– Parem de brigar! – Dellinger interfere. – Eu sou a princesa desse lugar, eu decido com quem cada um vai dormir.

– Ótimo, agora seja um bom irmão mais novo e diga pro Poodle ir dormir na carrocinha.

– Quem vai dormir com o Luffy será o Peter.

– QUÊ?!

– ISSO!! – Ambos, Peter e Luffy dão as mãos, comemorando.

– Haha, se fudeu! – O ruivo aponta para Law, que fica mais irritado ainda.

– EU EXIJO OS MEUS ADVOGADOS, ISSO É UM ABSURDO! Por que você fez isso, Dellinger, vingança pessoal?

– Não é isso, eu não guardo rancor. O circo é um local pra você fazer novas amizades, e como você já conhece o Luffy, não faria sentido vocês dormirem juntos.

– Vai à merda! E com quem eu vou dormir então, com você?

– Claro que não, se eu dormir com você vou pegar essa sua emice contagiosa. Além de vocês três, outra pessoa entrou hoje.

– E cade essa quarta pessoa, posso saber?

– Ele chegou há pouco tempo e pediu por uma entrada triunfal.

– Então é só mais um idiota...

As luzes do palco principal se apagaram, criando um breu eterno. Luzes coloridas em formas de feixes de luz apareceram, tambores foram rufados. Peter e Luffy estava ansiosos para quem apareceria, mas Law estava de braços cruzados, imaginando formas de invadir a casa de Luffy durante a noite.

– Senhora e senhores, o nosso convidado especial! Um homem de extremo valor, que só usa roupas caras e bebe vinho de qualidade. Ele, que nem precisa de um pseudônimo, pois o próprio nome é um apelido...

– Espera... não pode ser... – Law resmunga, assustado.

– … Com vocês, usando um chapéu que esconde tanto seus olhos como seu cabelo ruivo, o nosso querido... PENGUIN!

– Yo! – Ele apareceu, fazendo um V com as mãos.

– Não, não, não, não, não.... NÃO! – Law disse baixinho para ninguém ouvir, mas sua mente estava gritando de raiva.

– Então, ficamos combinados. Luffy e Peter vão dormir juntos e Law vai ficar com Penguin.

– Eu quero cometer suicídio. Não, eu vou cometer suicídio.

O mais velho tentou se acalmar, desviando sua mente de certos assuntos. Os quatro ficaram um do lado do outro, em fileira, pois agora seria hora de Dellinger dar a eles pseudônimos que seriam usados no circo.

– Muito bem, vamos começar por você. – Ele aponta para Penguin. – Seu nome já é um apelido, então vai ficar assim mesmo.

– Beleza!

– Agora você. – Aponta pra Peter. – Você é bem jovem, sua pele é delicada. Você vai ser o Doll!

– Não é meio feminino..?

– Relaxa, o circo não tem essas coisas. Agora você! – Aponta para Luffy. – Seu sorriso é lindo, então vai ser Smile!

– Mas que porra de nome tendencioso é esse? – Interfere Law.

– Eu gostei. – Luffy fala, só para contrariar.

– Agora você, meu querido irmão mais velho. O seu nome é o mais especial possível!

– Especial..?

– Law, lembre-se, um nome é tudo para uma pessoa. Quando você recebe um, trate de dar valor a ele e não fique querendo mudar seu destino toda hora.

– Que merda de palavras são essas?

– Não abandone seu nome, nunca mais.

– Dellinger, não estou gostando do rumo dessa conversa.

– Seu nome será....! – Os tambures são rufados novamente.

– … Você não teria coragem...

– … Corazón.

Notas finais
Todo mundo, inclusive o Torao, me matando em 3....... 2........ 1....... Law e Luffy? Que nada, o protagonista dessa história sempre foi o Poodle! ~ Já aviso: o arco Circus será bem longo.