Policial Sujo

47 A volta dos que já foram


Em tempos finais, as ruínas vão desfazendo-se gradativamente, de modo a caírem mais rápido ainda. É quando as marés, já insistentemente, terminam de bater nas duras rochas e formam os buracos. No local que estavam, inclusive, esses fenômenos naturais existiam. Tratava-se de um porto já abandonado, mas que acabaram de receber a visita de um submarino.

— Como você explica... o fato de todos esses papéis estarem em branco?

— Han?

Intrigados, Doflamingo, Law e Drake estavam devidamente algemados e, por tanto, não conseguiam mexer seus braços. Kaidou havia prendido os três, deixando o ruivo e o moreno completamente confusos por não esperarem isso dele. Luffy também havia surpreendido-se.

— Ei, Kaidou! – Por tanto, o garoto do chapéu de palha vai até ele indispor-se. – Por que você prendeu o Torao?

— Luffy, agora não é uma boa hora, eu ainda preciso entender o que tá havendo aqui.

Chocado, Kaidou, que até então pensara que seu plano estava dando perfeitamente certo, não conseguia pensar em nada direito. Ele e Drake haviam combinado de pegarem todos os documentos do submundo impressos para usarem contra Joker na Yard, porém, as caixas que o ruivo trazera de papeis estavam totalmente em branco.

— Por que diabos esses papéis estão em BRANCO? – Drake indaga furioso, ainda com as mãos atadas.

— Eu é que tenho que te perguntar isso! – Kaidou exclama na direção dele. – Você me fez acreditar em você e te dar uma segunda chance pra você me trazer um bando de papéis EM BRANCO?

— Hã? Em primeiro lugar, você é que me fez acreditar em você, seu manipulador! E eu tenho absoluta certeza que esses papéis não estavam em branco, eu mesmo vi! Eram todos contratos do submundo!

— Bom, não é o que tá parecendo aqui! – Lovato pega alguns papéis e joga na cara dele, com raiva. – Como você me explica isso?

— Como você me explica essas merdas de algemas que você pois nas minhas mãos? Vai se foder, tira isso de mim!

— Tá brincando? Depois disso eu é que não vou tirar nada de você, você vai pra prisão sem ter feito nada de bom!

— Hã? Você sabe como foi difícil conseguir essas merdas de documentos?

— Se eu quisesse papel em branco eu iria na droga de uma papelaria, idiota.

— Luffy, não me deixa voltar pra prisão. – Ao mesmo tempo, Law estava encostado nas grades, também algemado, com Luffy de frente pra ele. – É sério, eu não posso voltar praquele lugar, todo mundo me odeia. É perigoso.

— Eu não vou te deixar voltar, o Kaidou não pode estar falando sério. Me diz, o que você fez nesse último ano?

— Eu não fiz nada de acordo com a minha vontade, eu fui obrigado por esse canalha. – Responde, olhando de relance Doflamingo, que estava do seu lado.

— Tsc, agora vai ficar jogando a culpa pra cima de mim. – E este retruca.

— Óbvio, a culpa é toda sua. Você me fez voltar pro submundo!

— E se você tivesse ficado lá não ia precisar voltar pra prisão.

— Sinceramente, eu não sei o que é pior.

— Eu não vou te deixar voltar pra prisão, se você voltar não vai ter feito sentido eu ter te tirado de lá. – Luffy diz, pegando um alfinete em seu bolso. – Eu vou tirar essas algemas de você.

— Sério? – Law se vira, permitindo que o garoto conseguisse abri-la e soltá-lo, ficando instantaneamente mais tranquilo. – Ai, que ótimo. Eu já não sentia mais meus pulsos.

— Não vai fazer diferença você ser solto, você ainda vai voltar pra prisão. – Doflamingo o adverte. – Você é idiota? Não se troca um palácio por uma cadeia!

— Quem disse que eu vou preso? – Trafalgar retruca. – O Kaidou não pode fazer isso, eu digo que tudo foi culpa sua.

— Você ainda tá pagando os anos que foi preso, nem em liberdade condicional você tá, não tem chance nenhuma de você voltar a ficar livre.

— Luffy, diz que ele tá errado.

— Mas ele tem razão... eu não sei como vai ficar essa história. – O garoto diz. – Foi como o Drake falou, o mais sensato agora é você continuar dado como morto e fugir daqui.

— Tá falando sério?

— Não é uma lógica difícil, você pensou o quê? – Joker continua a resmungar. – Que ia só me colocar na prisão e voltar com a sua vidinha de merda ao lado desse pirralho?

— Não importa o que eu pensei, isso não vai ficar assim agora.

Ainda no mesmo local, Kaidou e Drake continuavam a discutir.

— Você é um incompetente!

— Eu quero é saber como caralhos essas merdas de papéis ficaram em branco de uma hora pra outra! – O ruivo já estava explodindo de raiva. – Isso é impossível! Eu vi, os guardas levaram todas as caixas pro submarino. Então como?!

— Quem mais tava com você?

— Ninguém, só o garoto e aquela... – Drake para um segundo para pensar e acaba analisando a frase que estava prestes a dizer, hesitando e pensando em todas as possibilidades. – Robin...

— Robin?

— Ela... ajudou a gente com o plano de levar os papéis pro submarino.

— Robin, aquela que fala um monte de coisas que ninguém consegue entender? Onde ela tá? Ela voltou com vocês?

— Não, não, ela disse que ia voltar, mas acabou ficando na ilha. E não foi só isso.

— O que mais?

— Ela foi na frente, mas depois que eu subi no laboratório de cima pra pegar os explosivos, eu não vi mais ela. Eu a perdi completamente de vista.

— V-Você perdeu essa mulher nada confiável de vista? Ela ao menos disse que tava do lado de vocês?!

— B-Bom, não com essas palavras...

— Eu não acredito nisso...

— Mas, pera... teve mais uma coisa nesse meio tempo. – Drake indaga a si mesmo, relembrando-se de tudo.

— O que teve?

— Ei, Kaidou. – Mas antes que pudesse concretizar uma ideia, Law aparece junto com Luffy. – Eu tava pensando.

— Como você se desalgemou? – Lovato questiona.

— Será que dá pra relevar toda essa história e me mandar pra algum país longe desse? Eu prometo que nunca mais faç–

— FOI VOCÊ! – Porém, antes que o moreno seguisse sua sentença, o ruivo exclama olhando nos olhos cinzentos despreocupados dele.

— Eu o quê?

— Foi você! Você trocou os documentos por essas merdas de papel em branco. Naquela hora, quando eu, você e o Luffy fomos ao laboratório, você sumiu do nada, e depois apareceu dizendo que tava com aquela mulher.

Mini lembranças

Ai! Por que você me puxou pra cá, sua louca? – Indagou o moreno, a mulher apenas fechou a porta e ficou com ele no cômodo sozinha.

Eu preciso falar com você. É sobre o Drake.

Pela primeira vez na vida eu queria ter ficado com ele só pra ir naquele laboratório e você me puxa pra esse quarto?!

Olha de novo onde estamos.

Isso aqui... que lugar é esse? É incrível como eu não conheço nada desse castelo.

Aqui é o depósito onde tudo é impresso, seria aqui que vocês pegariam os arquivos se esperassem horas na sala de vigilância pra imprimirem.

E por que você me trouxe pra cá? Parece uma papelaria, só tem um bando de papéis em branco.

Exatamente.

Pera, pera, deixa eu ver se entendi. Você quer que eu coloque tudo isso em caixas?

Fim das mini lembranças.

— Eu não sei do que você está falando. – Law diz, em frente a Kaidou, Drake e Luffy.

— Você trocou os papéis!

— Por que eu faria isso? Eu não tenho interesse neles.

— Isso é verdade? – Kaidou olha pra ele, decepcionado e surpreso. – Você fez mesmo isso?

— Bom, isso você pergunta pra ele, já que ele sempre se achou mais inteligente que eu. – Law dá as costas, se virando e andando com Luffy até a saída, com as mãos no bolso.

— … – Drake fica com tanto ódio resguardado com orgulho ferido que só consegue ranger os dentes enquanto olha pra ele, mas, escondido, aproveitando sua adrenalina, ele começa a tentar quebrar a corrente da algema com as mãos até conseguir. – EI, ESPERA AÍ! – E em seguida, vai correndo atrás do moreno.

— Ei, não quebra as algemas, essas coisas custam caro! – Kaidou vai até eles.

— Que que foi? – Até que Law é obrigado a parar.

— Vai à merda! – E tem sua camisa segurada pelo ruivo. – Não fode comigo, você conseguiu estragar o meu plano de mais de dez anos!

— Novamente, eu não sei do que você está falando.

— O Torao não tem culpa nenhuma se vocês perderam os documentos. – Luffy o defende.

— Você é cumplice dele, né? – Drake agora olha na direção do outro. – Tinha que ser!

— Luffy, você sabe o quão importante era pra Yard esses documentos? – Kaidou indaga.

— Eu não fiz nada! – Ele se defende.

— Quer saber? Sejamos positivos. – Lovato tenta se acalmar. – Se os arquivos foram trocados, os documentos originais ainda estão no castelo, é só dar um jeito de ir pegar.

— Não vai dar, um idiota homicida teve a brilhante ideia de explodir o castelo. – Trafalgar incrimina o outro.

— Você fez o quê? – E Kaidou olha para Drake. – Eu espero que ninguém tenha saido ferido depois disso.

— Ninguém saiu ferido, tava todo mundo fora do castelo, foi só pra acabar de uma forma drástica.

— Já posso sair daqui? Eu acho que vou pro aeroporto. – Law fala, sem se importar. – Eu não tenho mais ligações com a Yard ou com o submundo.

— Você não vai a lugar nenhum daqui! Nenhum de vocês.

Kaidou Lovato, já extremamente furioso com todos os presentes dali, principalmente por tanto Law como Drake nem estarem mais algemados, decide prosseguir seu plano. Ele pega, em seu bolso, um comunicador especial da Scotland Yard.

— O que você vai fazer com isso?

— Beleza, tudo certo. – Fala em seu comunicador. – Já pode liberar as viaturas.

No exato segundo em que Lovato, como Diretor da Yard, deu seu parecer, a polícia metropolitana de Londres, Scotland Yard, agiu. No mesmo instante, barulhos de alarmes de carros policiais surgiram parecendo próximos àquele local, e cada vez tinham seu volume aumentado.

— O que você fez? – Drake ficara assustado.

— Você vai ver.

Pouquíssimos segundos depois, mais de dez carros da Scotland Yard cercaram o porto, bem onde estavam localizados todos eles. Ao estacionarem, os policiais saíram de seus veículos, já com armas nas mãos, apontando tanto para Law, quanto para Drake. Ambos, apavorados no olhar.

— SCOTLAND YARD!

— SCOTLAND YARD, PONHAM AS MÃOS PRA CIMA! – Policiais armados gritaram, sem se importarem com quem estava presente na frente deles. Luffy ficou espantado, Law não sabia como reagir e Drake ainda possuía um misto de orgulho ferido, falsa autoestima e ódio resguardados, apenas conseguindo engolir seco.

— Q-Que isso?! – Luffy indaga, sem acreditar.

— Acho que... não vai rolar mais fugir de Londres. – Law fala.

— O que você... fez? – Drake continuava indignado.

— Scotland Yard! Ponham as mãos pra cima! – Mais carros chegavam e agora, além de todas as armas sendo apontadas direto para os três rapazes com o local cheio de policiais, Drake e Law tinham lasers de marcação em seus peitos, indicando que haviam atiradores à longa distância ali.

— Que merda é essa! – O ruivo exclama, gritando com o maior ódio que conseguia. – Vocês ficaram loucos? Vocês sabem com quem vocês estão lidando, seus bandos de imprestáveis? Eu sou o chefe de vocês!

— Não, não é. – Kaidou o interrompe. – Você agora é só mais um procurado, como qualquer outro.

— Hã, tá de sacanagem, você não pode fazer isso! Eu sou o Chefe-Diretor da Yard!

— Você não é nada, nunca foi e nunca vai ser chefe de qualquer coisa que preste, garoto.

— Eu sou sim, cala a boca!

— Não é, eu sou o Chefe-Diretor da Scotland Yard, você é só o meu vice. Eu continuo sendo o seu chefe.

— Não, você é meu vice, eu sou o Chefe-Diretor.

— Hã? Você não é nada, nem mais meu vice eu te considero!

— Óbvio que você não me considera seu vice, porque eu sou o seu chefe! Eu é que não tenho mais que te considerar o meu vice.

— Qual é o seu problema, você viveu tanto a mentira que tá pensando que ela é verdade?

— Do que vocês estão falando? – Luffy indaga, preocupado com o que estava ocorrendo.

— É, isso lá é hora de brigar! Tem gente apontando arma pra nós. – Law faz o mesmo.

— EI, VOCÊS! – Drake fica na frente de Law e de Kaidou. – Abaixem essas merdas de armas, vocês querem ser demitidos?!

— Para de agir como se eles ainda fossem os seus subordinados! – Kaidou o interrompe. – Eu deixei você fingir que era chefe da Yard pra não ferir esse seu ego insuportável, mas nos papeis você nunca foi.

Mini lembranças

Antigamente, bem antigamente, na época em que ainda estávamos juntos, você todo dia pedia pra ser o Chefe-Diretor. Era um saco.

Por que você não quer ser o Chefe da Yard?!

Eu já disse, eu não gosto da ideia de ser chefe de alguém.

Então deixa eu ficar no seu lugar, Kaidou.

Não!

Por quê?!

O antigo Chefe-Diretor tinha abandonado o cargo, eu não queria virar o atual porque eu nunca quis ter esses títulos elevados. Eu pretendia por outra pessoa, mas como você era um ser irritante e disse que usaria isso pra conseguir mais confiança no submundo, eu acabei te deixando.

Mas depois que eu descobri que você era um assassino e fugiu da Yard, eu tive que pegar o seu cargo. Quando o Vergo morreu e você precisou mandar o Law pro submundo, você voltou a me implorar pra te deixar como chefe de novo.

Ah vai, todo mundo na Yard confia em mim.

Você é um assassino, eu não vou te deixar ser chefe de absolutamente nada.

Eu não mato ninguém desde a Alana!

Não me importo.

Por favor.

Não.

Por favorzinho.

Não.

Por favooor.

Não!

Então, como você ficava muito chato quando queria alguma coisa, eu deixei você dizer que era o chefe da Yard, mas nos contratos você sempre foi um subordinado como qualquer outro.

Fim das lembranças

— Então para de dizer que é chefe de alguém aqui!

Por mais que tentassem argumentar para se justificar, Trafalgar Law e Diez Drake ainda estavam na mira dos mais de vinte agentes especiais da Scotland Yard, todos armados, que continuavam a mirar neles aguardando uma ordem oficial de Kaidou.

— Eu não ligo pro que você diga, eu sou e pronto!

— Será que dá pra vocês pararem de brigar? – Law se enfurece. – Não vê que a gente tá com um problema sério aqui?

— Você tá com um problema sério, o único lugar que eu vou é pra minha casa, prisão é o caralho.

— Cala boca 'vice', aceita que você perdeu.

— Hã? Eu não perdi porra nenhuma!

Ademais, novos carros da Scotland Yard chegavam, deixando todos ali mais aflitos ainda. Enquanto discutiam, armas continuavam sendo apontadas para os dois, permitindo que Luffy ficasse preocupado com o que aconteceria com o namorando. Entretanto, o foco do garoto mudou quando o último carro estacionou.

— Luffy! – De dentro dele, saíram três pessoas. Zoro, Nami e Boa Hancock.

— Nami! Zoro! – O garoto exclamou, mas não saiu do lugar. Logo, os três vieram em sua direção.

E quando foram na direção do garoto, perceberam que Trafalgar realmente estava vivo e ao lado dele. O ex-médico e até então Corazón também se surpreendeu, ficando com os olhos nostálgicos ao ver os três que não tinha contato há mais de um ano.

— Trafalgar? – Zoro foi o primeiro a comentar, com espanto, enquanto as outras duas tamparam a boca com as mãos. – Então você tá mesmo.. v-vivo?!

— Yo. – Ele responde apenas levantando a mão e abrindo um curto sorriso no canto dos lábios.

— Laaw! – Nami exclama, com um grande sorriso e brilho nos olhos devido a emoção, pulando em cima do moreno e o abraçando. – É verdade, você tá vivo mesmo! Eu quase não acreditei!

— Ruivinha! – Ele retribui o abraço, segurando ela e dando um beijo na bochecha. – Bom te ver de novo.

— Isso é... verdade mesmo? – Hancock ainda estava em choque, não sabendo o que dizer ali. – Eu podia jurar que era mentira.

— Vocês sabiam que o Torao tava vivo? – Luffy indaga.

— A gente soube hoje. – Zoro responde.

— É, o George comentou... – A morena volta a falar. – Mas eu não acreditei mesmo que fosse possível.

— George?

— Hancock. – Law a chama, olhando pra ela após soltar Nami, com um olhar sério.

— Trafalgar Law. – E ela, engolindo orgulho responde, não querendo hesitar.

— Eu espero que você não tenha feito nada com o Luffy durante a minha ausência.

— Vocês disseram que foi o George que contou sobre o Torao? – Luffy volta a questionar, confuso. – Pensando bem, o Drake falou com ele algumas vezes lá no submundo.

— A gente não entendeu muito bem, ele disse isso pra todas as unidades da Yard antes de virmos. – Zoro completa.

— E onde ele tá agora?

Ao mesmo tempo em que acontecia um reencontro entre os amigos de Luffy que trabalharam tanto tempo ao lado de Trafalgar, aproveitando que as atenções estavam bem longe dele, Doflamingo, que continuava algemados e preso às grades do porto, aproveitou o momento para quebrar suas algemas sem ser percebido.

— Me solta!

— Você não vai a lugar nenhum!

— Eu não quero saber! – E Drake continuava tentando fugir, dessa vez ele simplesmente tentou correr, mas Kaidou o estava segurando. – Me larga, eu vou embora daqui!

— Eu já disse, você não vai sair daqui! – Por mais que tentasse o segurar, o ruivo se debatia pra sair e fugir.

— Eu vou sim, você não manda em mim! – Tentando usar suas forças para escapar do moreno.

— Não vai, para com isso! – Kaidou acaba sendo obrigado a pegá-lo no colo pelas pernas, imobilizando-o completamente.

— Me solta! – Mas isso só faz com que o ruivo acabasse dando vários socos nas costas de Kaidou e continuasse se debatendo, dessa vez com as pernas, dando chutes nos ar pra conseguir sair.

— Que coisa patética. – Law comenta.

— O George veio com a gente, ele deve estar no carro. – Zoro diz, conversando com Luffy.

— Eu preciso falar com ele! Eu quero entender porque ele conhecia tanta gente do submundo.

— Eu também não entendi, parece que ele sempre soube que o Trafalgar estava vivo.

— Quem é essa pessoa? – Law indaga, com a sobrancelha arqueada. – Eu nunca tinha ouvido falar até ontem.

— Me solta! – Depois de muita insistência, Drake consegue fugir dos braços de Kaidou. – Tsc, você é muito chato, insuportavelmente chato.

— Você merece que eu faça coisa muito pior.

— Do que vocês estão falando? – Em seguida, o ruivo volta a prestar atenção na conversa deles. – Vocês disseram que o George tá aqui?

— Quem é esse? – Torna a perguntar pra ele. – É alguém que eu conheci antigamente?

— Ele deu a entender como se já te conhecesse. – Nami responde.

— É, vocês se conhecem. – Drake afirma. – Acho que não tem muitos motivos a mais pra esconder...

— Esconder o quê?

— Ei. – Em seguida, ele se vira de frente pro moreno. – Você ainda me odeia depois de tudo?

— Você ainda pergunta isso? Eu achei que tivesse deixado bem claro.

— Pois é, mas você vai me odiar muito mais agora.

— Não acho que seja possível.

— Mas é. Há muito tempo eu fiz uma coisa contra você que acabou te deixando bem... traumatizado.

— Drake, tudo o que você fez me deixou com algum trauma.

— Mas essa é especial porque não envolve você, e sim uma pessoa que você gostava.

— Como assim?

— Eu preciso te dizer. – Mesmo com praticamente todos os policias da Scotland ali, Drake não se importava e continuava conversando com Law. – Tudo o que eu fiz na minha vida foi pra te atingir, e eu também já menti algumas vezes por isso.

— Para de dizer o que eu já sei, me diz logo o que que tá acontecendo. Quem é esse “George”?

— George é um nome falso.

— Então quem ele é?!

— Você vai saber quando o vir, só tenta não ficar com mais raiva de mim ainda.

— Mas do que diabos...

Doflamingo, aproveitando que não era o centro das atenções, finalmente conseguiu se desprender das algemas. Vendo que não havia outra alternativa para fugir dali, e sabendo que seria preso caso ficasse, ele tirou seus sapatos e começou a correr em direção ao mar do porto.

Estava na ponte que ligava o final da terra, onde os barcos ficavam atracados, com o começo do mar. Correndo sem olhar pra trás, ele realmente acreditava que conseguiria fugir. Até porque, naquele momento, ninguém o viu, ninguém estava prestando atenção nele. Todos os policiais continuavam de olho em Drake e Trafalgar, que estavam junto com Kaidou.

— EI!

Entretanto, havia um único agente da Yard que não estava próximo aos demais. Ele, também em pé, em cima da ponte, apenas exclamou na direção do loiro descalço, com uma arma apontada pra ele. Doflamingo, que estava de costas para este agente, correndo em direção ao mar, hesitou. Ficou parado, mas não se virou.

— Hm? – E mesmo parado e de costas, sentiu uma presença estranha que o impedira de realizar qualquer movimento. Seu cérebro ficou processando o tom daquela voz e, aos poucos, seu nariz começou a sentir o cheiro da fumaça do cigarro que o agente tragava.

— Aonde você pensa que vai.. Doflamingo?

— Como assim? Do que diabos você tá falando? – Ao mesmo tempo, Trafalgar continuava indagando a Drake o que estava acontecendo ali.

— Eu já te disse. Você vai ver. – E o ruivo continuava dizendo normalmente, sem o menor traço de preocupação.

— Eu vou ver o caralho, me conta logo o que tá acontecendo! – Law grita, indo na direção dele e ficando mais perto, aflito. – Me diz! O que você tá querendo dizer com tudo isso?

— Você tá ficando apreensivo.

— Óbvio que eu tô ficando apreensivo! – Estava ofegante e agoniado ao mesmo tempo. Tentava se acalmar para conseguir pensar direito, mas sua mente estava inquieta. – Me diz... quem é essa pessoa?

— Eu já disse, você conhece.

— Então me fala quem é! – Agarra a roupa de Drake, gritando com ele impaciente. – Me diz! O que vai acontecer quando eu vir esse tal de George?

— Você vai ficar com vontade de me matar.

— Vontade de te matar eu já tenho desde que eu me conheço por gente, fala logo! – Ele tremia os pulsos e não conseguia pensar direito. – Quem ele é?

— Por que toda essa ansiedade pra descobrir quem ele é? Ele pode não ser ninguém importante.

— Então me diz logo! – Law volta a balançá-lo pela camisa. Luffy e os outros que assistiam a cena não entendiam o porquê de tanta preocupação. – Por que todo esse mistério? Por que você não me diz logo quem é?

— Porque eu acho que você já sabe.

— Eu não sei! – O ódio dele só aumentava. – Por que você acha que eu sei? Eu não faço ideia de quem seja!

— Sim, você faz.

— Por que você acha que eu faço?

— Porque se você não soubesse quem é, você não estaria tão ansioso assim.

— … – Continuou a olhá-lo trêmulo sem saber o que dizer, apenas respirando pela boca devido à ansiedade.

— Ali. – Até que Drake aponta para trás. – Ele tá ali fazendo o que eu deveria estar fazendo agora.

Law se virou para olhar. Do outro lado, um dos agentes continuava apontando a arma para Doflamingo, que continuava de costas.

— Se vira, devagar. Tem uma arma comigo. – O agente diz, com um cigarro na boca e de modo sério. Donquixote continuava imóvel, mas hesitante.

— Essa voz...

— Meu nome é George Noah, eu sou um agente especial da Scotland Yard, meu código é 01746.

— Entendi... agora eu entendi porquê conseguiram imitar a minha voz em Dressrosa.

— Eu já disse. Coloque as mãos na cabeça e se vire, você não tem mais pra onde fugir daqui. – George continuava dizendo, com pulso firme, ainda que embora seu coração palpitasse forte e sua voz ficasse cada vez mais baixa. – Você perdeu... já é o fim.

— Só me diz mais uma coisa...

— Hm?

— O que vai acontecer, exatamente, se eu me virar agora?

— Você vai pra prisão de segurança máxima de Londres.

— Não foi isso que eu perguntei. Eu quis dizer... – Ele, sem o seu sorriso sádico de costume, fecha seus olhos e pergunta. – Quem eu vou ver quando eu me virar?

— … – Sem respostas.

— Eu ia ficar muito triste, se quando eu me virasse... – Doflamingo, enfim, coloca as mãos em sua cabeça. Aos poucos, o sorriso que já era sua marca se abre em seu rosto, mesmo que fosse menor e mais calmo. Ele, por fim, começa a se virar. – Eu visse meu próprio irmão mais novo apontando uma arma pra mim.

Joker termina de se virar, ficando cara-a-cara com quem jamais pensou que reencontraria de novo. Um agente alto, loiro de olhos azuis com um semblante sério, porém hesitante, no rosto juntamente com uma arma em suas mãos e um cigarro em sua boca. Típico de seu irmão mais novo, o qual, por anos, pensou que estava morto.

— Aquele ali... – E Law, afastado, possuía fortes batidas em seu peito, tremendo os lábios ofegantes.

— O que, não tá reconhecendo sem a maquiagem? – O ruivo comenta, ao lado dele.

— Eu... te odeio... – Sem mais conseguir aguentar a fadiga, Trafalgar acaba desmoronando em lágrimas. – Eu te odeio... eu te odeio... – Tampando a boca com suas próprias mãos, gaguejando. – Nossa, você não tem noção do quanto eu te odeio... você é o maior desgraçado filho da puta... que existe...

— É, talvez eu seja mesmo.

— Han? – Luffy e os demais se perguntam. – O que tá acontecendo?

— Donquixote Doflamingo, Joker. – Entretanto, George continuava firme, apontando a mesma arma pro irmão. – Como agente especial da Yard, eu–

— CORAAAA-SAAAAAAAAAANNNNNNNNNNNNN!!!

A ameça a Doflamingo, por sua vez, precisou ser detida quando Trafalgar Law abandonou completamente seu lado frio e racional para ir correndo até a mesma ponte em que os dois irmãos estavam para, finalmente, pular em cima de Donquixote Rosinante, agora conhecido pelo pseudônimo George Noah, com lágrimas cobrindo seus olhos.

— Wah! Pft... – Porém, ao ser brutalmente atacado com um abraço repentino banhado de emoções, esta mesma pessoa acabou deixando tanto seu cigarro quanto sua arma caírem e foi junto, sendo jogado em direção ao chão.

— EI! – Ao mesmo tempo, os policiais da Scotland Yard já ficaram atentos e apontaram suas armas na direção de Trafalgar que, na visão deles, havia acabado de pular em cima de um agente federal e desarmá-lo.

— Ei, ei, abaixem as armas! – Kaidou reagiu instantaneamente, dando ordem aos seus subordinados. – Abaixem as armas, tá tudo bem! Ele não vai fazer nada demais!

— Cora-san..! – Law tampouco se importou, apenas continuou jogado no chão, abraçando Rosinante e escondendo seu rosto levemente corado nas roupas dele, voltando a sentir o cheiro que não sentia há anos.

— Law... – Ao se acalmar, o loiro fez o mesmo. Sentou-se, abraçando o moreno com um sorriso em seu rosto, olhos fechados e aroma de cigarro, relembrando a última vez em que estiveram juntos daquele modo, que foi até mesmo antes de Law completar dezoito anos.

— Cora-san.. – Ele tremia a voz e não conseguia conter o choro. – Eu achei que nunca mais iria te ver... – Em seguida, olha diretamente nos olhos azuis do antigo Corazón, que brilhavam em contraste com o cinza claro dos seus.

— Não fala isso. – Rosinante, que já lacrimejava como o outro, segura seu rosto, o olhando bem de perto. – Eu sempre esperei o dia em que poderia vir te encontrar de novo.

— … – O irmão mais velho de George, Doflamingo, apenas sentiu um enorme peso em seu peito em reaver o irmão que havia mandado matar, vivo, bem à sua frente, agora como policial e prestes a prendê-lo. Notou que ali, realmente, não havia mais saídas para si.

— Por que o Trafalgar tá abraçando o George? – Zoro indagou, estranhando. As outras duas também ficaram na mesma.

— O que tá acontecendo? – Luffy também perguntou. – De onde o Torao conhece o George?

— O nome dele não é George. – Drake afirma, um pouco mais calmo.

— Como assim? – E o moreno continua confuso, olhando para o namorado, que continuava caído e em choro.

— O nome dele de verdade é Donquixote Rosinante, ele é... irmão do Doflamingo. O antigo Corazón.

Mini lembranças

Donquixote Rosinante, há catorze anos, foi morto depois de levar três tiros no peito por Trafalgar Law, coagido por Drake. Na época, tanto o loiro quanto Law foram caçados por Joker por traição, precisando pagar com pena de morte.

Acorda.

Entretanto, Rosinante tampouco havia morrido com os três tiros. Antes de Law chegar na cena, Drake havia armado tudo. Colocou um colete à prova de balas com alguns sacos de sangue falso no peito para que, quando o moreno atirasse, imitasse de fato uma morte. Corazón também foi amordaçado para não contar o plano, e drogado, para que caísse no sono ao ser atingido por um impacto forte.

Ahn..? – Após dar os três tiros, Drake obrigou Law a fugir do quarto onde estavam. Foi parecido como quando armaram a morte do moreno. Quando ele saiu, Rosinante voltou a acordar.

Todo mundo acha que você tá morto agora, inclusive o seu irmão e o Law.

Por que você me deixou viver?

Você pode ser útil pra mim algum dia, mas lembre-se que se você não me obedecer, seu irmão vai descobrir e mandar te matar de novo.

O que você quer?

Eu vou te dar um nome falso, e preciso que você entre na mesma faculdade que eu.

Hã.. pra quê?

Eu preciso que você entre na Scotland Yard, você pode ser útil pra mim lá dentro.

Yard?

Você não gosta do seu irmão, não é?

Fim das lembranças

— O George é irmão do Joker?! – Todos ali se espantaram.

— Pera, pera... o George é aquele namorado do Torao que morreu? – Luffy continua surpreso.

— Mais ou menos isso.

— EI! – Mas essa história toda não foi motivo para um grupo de policiais da Yard deixar de irem até Trafalgar, que continuava abraçando, na visão deles, um agente especial. – Solta ele, marginal!

— Hã? Me larga! – Law reagiu quando tiraram ele de perto de Corazón, o levantando e pegando seus braços.

— Você também! – Outros policiais foram até as costas de Doflamingo e voltaram a algemá-lo. – Achou que ia fugir?

— Calma, não precisam agir assim com ele... – Rosinante fala para seus amigos, impedindo que voltem a algemar Law. – Eu o conheço, nós só estávamos matando as saudades.

— De qualquer maneira, precisamos levá-los até o Kaidou. – Disseram, levando tanto Law quanto Doflamingo para o mesmo lugar onde estavam.

— Não dá nem pra acreditar nisso... – Luffy continua comentando. – A gente ficou um ano com o irmão do Mingo sem nem saber quem era.

— Viu? Eu não sou um assassino. – Drake fala, tentando livrar sua culpa com Kaidou.

— Você é sim! Você queria matar todo mundo lá do submundo e depois atirou na Monet!

— Ah, você fez isso? – Lovato segue falando. – Muito bom saber.

— Hã, eu não fiz isso sozinho! O Law também atirou na Monet e o Luffy me ajudou a esconder as bombas no castelo, por que é que só eu recebo a culpa?

— Eu não te ajudei a esconder as bombas. – Luffy o interrompe.

— Ajudou sim, não adianta mentir.

— Não, eu fui o único a ser contra essa ideia! Eu só fingi que te ajudava porque depois o Torao disse que a Robin ia impedir que o castelo explodisse.

— Oi? Como é que é?

Mini lembranças

Depois de chamar Law para um outro cômodo a fim de falar com ele a sós, Robin fez duas coisas: a primeira foi dizer que iria colocar um bilhete amigável na porta do cofre, ordenando que os guardas do castelo fossem pegar os papéis, que estavam em branco, no cômodo que estavam ao invés de levar os documentos importantes que estavam dentro do cofre.

A segunda coisa foi garantir para Trafalgar que, enquanto eles espalhavam as dinamites pelo castelo, ela iria ir pegando um a um, e colocando de volta em um grande saco para, depois, antes de tudo explodir, ela mesma jogar todos os explosivos no mar, onde não iriam causar estrago algum.

Tem certeza que a Robin vai fazer isso? – Luffy perguntou quando ele e Law estavam juntos. – Ela é confiável?

Não é, mas alguma coisa me diz que ela tem motivos pra isso. É melhor ajudarmos o rei dos idiotas pra ganharmos tempo.

Então tá.

Fim das lembranças

— É por isso que deu pra sentir o impacto da explosão quando já estávamos no submarino. – Luffy termina de explicar.

— O QUÊ? – Drake ficou em choque com o que ouviu. – Aquela... filha da puta... desgraçada...

— Mas você tinha intenções de matar as pessoas colocando as dinamites, então isso continua sendo crime.

— Certas pessoas não aprendem mesmo a lição... – Lovato murmura.

— Kaidou Lovato. – Os agentes da Yard chegam com Law, Doflamingo e Rosinante. – O que vamos fazer com esses dois?

— Ah, o Law pode deixar aqui, eu ainda preciso falar com ele. Podem levar o Doflamingo.

— Seu filho da puta... – Antes de ir, Joker continua resmungando na direção do ruivo. – Você conseguiu desrespeitar todas as minhas ordens! Você, sem dúvidas, é o pior subordinado que eu já tive na minha vida!

— Já acabou? – E ele finge não se importar. – Eu não te devo mais satisfações.

— Naquele dia eu te dei três ordens simples: matar o Law, o meu irmão e a droga do Adams! Você só conseguiu fazer as duas coisas!

— Pois é... sobre o Adams...

— Você é o maior filho da puta que já surgiu nesse mundo! – Doflamingo grita, sendo arrastado pelos agentes da Yard até o carro da policia. – Desgraçado, eu espero que você morra da pior forma possível!

— Eu já ouvi esse discurso tantas vezes...

— Eu não acredito que você tá mesmo vivo depois disso tudo. – Law continua surpreso, falando com Rosinante. – Em pensar que eu só comecei toda essa história como médico por sua causa... e que você virou agente da Yard.

— Você começou isso por minha causa? Eu não gostei de saber que você tinha virado um assassino.

— Longa história... mas é mesmo incrível, você trabalhou com o Luffy nesse último ano?

— Drake achou que seria uma boa ideia me por no seu lugar.

— Eu não fazia ideia de que o George podia ser a mesma pessoa que o Torao me contou... – Luffy murmura. – Mas até que faz sentido agora ele ter imitado a voz do Doflamingo lá no submundo.

Mini e últimas lembranças

Depois que Drake, Law e Luffy já haviam conseguido sair do castelo, ainda não poderiam chegar ao submarino por terem pessoas demais vigiando o transporte de fuga. Primeiro, Robin lançou um sinalizador no ar, para chamar a atenção dos subordinados.

Um sinalizador. – Doflamingo comenta. – Alguém deve ter achado eles, vai lá procurar, Trébol.

Behehehe, entendido!

Pouco tempo depois de Trébol ter ido, Robin também ligou para Rosinante.

Oi? Robin? Lembro sim, por quê?”

Você consegue imitar a voz do Trébol?

Mas vocês cismaram que eu sei imitar vozes...”

Só tenta, por favor, é importante.

Depois que Rosinante acertou o tom da voz de um dos guardas de Doflamingo, ele, fingindo ser Trébol, pediu pra Joker o encontrá-lo no mesmo lugar onde o sinalizador foi lançado.

Vamos lá! – E Joker, junto com o restante dos subordinados, foi. – Espera aí... vão indo sem mim.

Porém, ao se lembrar que sua voz já foi imitada antes, ele percebeu que talvez não tenha sido uma boa ideia deixar o submarino. E quando voltou, sem ninguém, notou que Law, Drake e Luffy haviam surgido.

Fim das últimas lembranças

— Foi assim que eles conseguiram trazer o Doffy, eu acho. – Rosinante explica.

— Então tá tudo explicado. – Drake afirma. – Tsc, eu odeio essa mulher.

— Eu ainda não acredito que você deixou os documentos importantes escaparem. – Kaidou estava decepcionado. – Mas isso é tudo! Agora tanto você como o Law vão direto pra prisão.

Como assim tem uma mulher tentando invadir esse lugar?

Isso que você tá dizendo não faz o menor sentido. Que mulher?

Uma mulher disse que quer entrar aqui? Hã?

Ela tá com um cavalo?

— Huh?

Porém, pouco antes de Kaidou tomar sua decisão final sobre Law e Drake, eles notaram que os demais policiais estavam agindo estranho. Primeiro, aqueles que estavam atentos, apontando armas para eles, se viraram de costas e começaram a olhar a direção da entrada do porto.

Alguns dos agentes receberam um aviso em seus comunicadores que alguém estava tentando chegar até onde eles estavam, invadindo uma área tomada pela policia. Parece que tratava-se de uma mulher civil.

— Chefe-Diretor, Kaidou. – Um dos agentes foi até ele.

— O que houve?

— Tem uma mulher vindo pra cá.

— Uma mulher? Diz que ela não pode vir pra cá.

— Não dá... já tentamos.

— Por que não dá?

— Porque ela tá montada em um cavalo.

— Montada em um cavalo? Impossível. – Eis que Kaidou pega um pequeno binóculo que tinha guardado em seu paletó e começa a olhar a área para onde todos estavam apontando. – Nossa, é verdade... tem um cavalo vindo pra cá.

— Um cavalo? Impossível, deixa eu ver isso. – Drake pega o binóculo de Kaidou, tirando das mãos do outro sem pedir.

— Não pegue as coisas sem pedir.

— Eu já vi aquele cavalo antes... – Ele comenta, instigado, ainda com o binóculo.

— Você conhece o cavalo?

— Parece um pouco com o cavalo que invadia o meu quintal quando eu era adolescente.

— Hã, deixa eu ver isso aqui. – Eis que Law faz o mesmo, tomando o binóculo das mãos do ruivo e levando um susto. – HÃ, É A JUREMA!

— Hã, aquele cavalo demoníaco que age com GPS automático? – Drake volta a pegar o binóculo. – Impossível!

— É sim, idiota, eu sei reconhecer ela. E não é um cavalo, a Jurema é uma água!

— Do que vocês estão falando? – Luffy, Hancock, Zoro e Nami indagam.

— Vocês conhecem um cavalo em comum? – Lovato também estranha.

— Impossível ser esse bicho, ela já era adulta quando ela te levava pra faculdade, eu lembro. – O ruivo continuou teimando.

— Ela não era, não, ela tinha a mesma idade do Kid. Deve estar com uns... trinta e quatro agora.

— Hã, quanto tempo cavalos vivem?!

— Jurema não é a égua da sua mãe? – Rosinante pergunta.

— É sim...

— Espera aí, não pode ser. – Diez fica preocupado.

Ei, senhora, você não pode vir pra cá! É área policial!

Eu posso sim, meu bebê está lá, eu preciso ir entregar o agasalho dele.

Que bebê?!

Uma mãe sempre sabe onde seu filho vai e quando ele sai sem casaco.

— O que tá acontecendo aqui? – Lovato indaga.

— Não tá dando pra impedir, o cavalo é muito forte, ela disse que tá procurando um 'bebê'.

— Um bebê?

— O bebê dela.

— Que bebê? Não tem nenhum bebê aqui.

— Eu sabia! É a minha mãe! – Law exclama, surpreso.

— Não, não, não pode ser... – E o outro fica com medo. – Essa não...

— Sua mãe? Como ela sabia que você estaria aqui? – Luffy indaga. – Aliás, ela sabe que você tá vivo?

— Eu não sei se ela sabe.

— Mãe? – Kaidou estranha. – O Law tem mãe?

Até que, sem esperar mais, a égua que todos comentaram finalmente chega até onde os policiais e Kaidou estavam, permitindo obrigatoriamente a entrada tanto de uma mulher, que a guiava, quanto de um homem que tampouco foi notado devido sua estatura baixa e magra demais.

Ela era uma senhora já idosa, alta e grande, com óculos bem redondos escondendo seus olhos, cabelo afro que antes era ruivo, mas que já estava grisalho e um vestido, usando uma bolsa pequena. Acompanhada dela, também estava um senhor, de óculos menores, bigode e igualmente um cabelo ruivo grisalho.

— Mãe! – Ao vê-la, Law exclama, correndo até ela.

— Traffy! – E ela abre os braços para recebê-lo.

— Argh, vai começar. – O pai de Kid, que estava acompanhado dela, resmunga, olhando para o lado. Ele portava somente uma bengala que usava para conseguir se apoiar no chão. – Eu disse que nós não deveríamos ter vindo.

— E-E-Espera aí... e-eles são...

Ao mesmo tempo em que Law reencontrava sua família adotiva, Kaidou fica instantaneamente paralisado. Acontece que tanto ele quanto Drake já conheciam bem tanto a mãe de Law como também seu segredo apavorante. Eles não puderam conter o medo.

— Oi! – E ao vê-los, ela os cumprimentou com um simpático sorriso sem dentes.

— Waaaaaaah! – Mas os dois, Drake e Kaidou, gritaram de pavor, afastando-se e se abraçando.

— Q-Que que essa mulher... – Lovato estava confuso. – P-Por que ela tá aqui? E-Eu achei que você tinha matado ela!

— Eu também achava isso...

— P-Por que ela tá aqui?

— Porque ela é a mãe do Law, eu tinha esquecido completamente disso.

— Oi? Como é que é?

— Ela é a mãe do Kid, na verdade...

— Traffy, eu já disse que você não pode sair sem um agasalho. – Ela retira de sua bolsa, um casaco feito por ela mesma. – Aqui na Inglaterra faz frio, já é de noite e você ainda está numa área com mar.

— Foi mal, eu não prestei atenção nisso.

— Tsc, é claro que você não prestou atenção! – Nisso, o pai do Kid começa a bater na cabeça de Law com a bengala. – Você nunca presta atenção em nada! – Bate de novo. – Já ficou anos sem falar com a gente e depois quer se fingir de morto! – Bate de novo. – Você é um idiota! Aborrescente! – Bate de novo.

— Tsc, velhote inútil...

— Luffy! Rossy! – Ela também vai até os dois rapazes, cumprimentando-os. – Quanto tempo eu não os vejo.

— Oie. – E ambos a cumprimentam igualmente sorrindo.

— Querem biscoitos? – Ela retira também, de sua pequena bolsa, uma forma com alguns biscoitos.

— P-Por que essa mulher tá aqui? – Kaidou estava apavorado. – E-Eu achei que eu nunca mais a veria... e agora você me diz que ela é a mãe do Law?!

— É uma longa história.

No mesmo segundo, parando de prestar um pouco a atenção no casal de senhores que havia chegado, todos foram obrigados a olhar para o céu. Estranhamente, o azul escuro da atmosfera tinha sido substituído por um negro graças a vários corvos, do nada, estarem voando acima deles, em bandos. Diversos desses pássaros negros passavam por ali, permitindo um mistério no ar.

— Por que aqui tá cheio...

— De corvos? – Os agentes comentaram, olhando pro céu.

— Que lindos... – Nami também comenta.

— Que estranho. – E zoro faz o mesmo.

— Não deveriam ter corvos nessa região. – Boa Hancock estranha.

— Corvos? – E tanto Kaidou como Drake param de tremer pra olharem pro céu.

— Oi. – Mas são obrigados a voltarem a olhar pra frente quando ela, a mãe de Law, apareceu próximo a eles.

— Wah! – Obrigando-os a levarem um susto. – Q-Que que v-você quer?

— Eu soube que vão levar o Traffy... – Ela estava com o mesmo sorriso de boca fechada. – É que eu não o vejo há muito tempo, e como mãe eu não quero deixar meu bebê longe de mim de novo.

— Claro...

— Então pra mim seria muito melhor se ele viesse pra casa comigo.

— N-Nós vamos ver como isso será possível. – Kaidou responde.

— Eu tenho certeza que sim, obrigada.

Notas finais
Curiosidades inúteis sobre o autor que vos fala! Eu pintei o meu cabelo de ruivo :P fora que eu tenho o mesmo signo/ascendente/lua/vênus que o Drake. Podemos dizer que esse capítulo foi dividido em duas partes: as lembranças, que foram algumas respostas do capítulo anterior, com o que acontecerá com eles, que será dado no último capítulo! Sim, o próximo capítulo é oficialmente O ÚLTIMO!!! O que acharam até agora? Responderam as perguntas de vocês? Acertaram as respostas? :P Fiquem atentos! Quem irá morrer? Quem irá viver? Descubram no próximo e último capítulo de Policial Sujo.