Pokémon Revolução

2 Piloto Parte I - A Ascensão do Fracassado


Ele correu sem parar, desviava das pessoas com a mesma agilidade que comia um pedaço de pão com salsicha de soja e terminava de colocar o seu casaco da academia. Estava atrasado, para variar, o problema era que não poderia se atrasar naquele dia. Sairia o resultado da academia dos novos treinadores, sonhava com sua credencial de treinador, assim como vários alunos, que se aglomeravam no salão principal da academia, esperando um dos três painéis soltarem as listas dos aprovados.

A Pokémon Academia de Treinadores do Amazonas, a PATA, se erguia num prédio de cinco andares, no terreno da entrada ficava a área recreativa, onde os futuros treinadores passavam boa parte do tempo jogando jogos de tabuleiros, discutindo sobre as criaturas fantásticas ou apenas colocando o papo em dia, antes das aulas. Foi por onde Tom Golding entrou, ele retirou sua bandana vermelha, antes que o segurança o parasse, já havia terminado de comer, sua jaqueta azul, com detalhes em amarelo e com o grande símbolo em formato de pata da academia no lado esquerdo do peito, já havia sido colocada.

O corredor de entrada dava acesso ao refeitório e as salas administrativas. Nos fundos da academia ficava a estufa, os criadouros Pokémon, as quadras esportivas de humanos, os criadouros de animais e os adorados ginásios de treinamento e competição. Os alunos disputavam por uma chance de pegar alguns dos pokémons da academia para irem treinar em batalhas, Tom era um dos que sempre estava presente, apesar de na maioria das vezes não ter autorização para tal, pois suas notas figuravam sempre entre as piores. Uma das razões dele ter reprovado duas vezes. Essa era sua terceira e última chance.

Se reprovasse mais uma vez, perderia sua vaga na academia, ficando impossibilitado de seguir carreira como treinador. Naquele ano se esforçou mais, mas suas notas não foram das melhores, tinha um grande problema de concentração, preferia estar presente em batalhas do que sentado numa cadeira ouvindo sobre elas.

O pior, na verdade, era o Exame Final do Treinador. O Exfit, onde ele faria a defesa de algum assunto referente ao mundo dos pokémons, para uma bancada de professores. No primeiro ano, ele ficou com o assunto sobre o DNA dos Pokémon de fogo, deixou tudo para cima da hora, o que causou numa vergonhosa apresentação de 10 minutos e sua primeira reprovação. Na segunda pegou um assunto ainda mais complexo, a anatomia dos Charizard Laranjões, uma das raças mais teimosas e difíceis de lidar, se tornando uma das poucas raças em que o treinamento não é aconselhado. Ele até fez a pesquisa, mas não a estudou, a apresentação foi preguiçosa e decorada, na hora das perguntas não soube responder quase nada. A terceira vez chegou com um assunto mais fácil, a história dos pokémons, com muito sacrifício, ele dominou o assunto, mas acabou ficando muito ansioso, o que atrapalhou na sua apresentação, se lembrava muito bem, tinha começado bem, mas quanto mais falava, mais ficava nervoso.

Ele entrou na sala e deu de cara com o Diretor Salgueiro, ele podia fazer parte da bancada, mas fazia anos que não se fazia presente, o que aumentou seu nervosismo. Fez as devidas apresentações iniciais e tratou de começar logo o assunto principal.

“... Então quando os dinossauros foram extintos por conta dos meteoros, foi quando deu início a revolução animal. Nos meteoros vieram seres com capacidade extraordinárias, acredito que o Mew estava presente entre eles, eu sei, desculpe, não é nada oficial, não existe nenhuma pesquisa cientifica comprovado a existência desse pokémon lendário, eu só acredito nisso, tudo bem? Tá, voltando. Esses seres do espaço começaram a se relacionar com alguns animais sobreviventes da terra, enquanto outros sofreram mutações, assim criando várias outras espécies, passando a dividir nosso planeta com humanos e outros animais irracionais... Por um longo período, os pokémons eram os predadores naturais dos humanos, dando início a batalhas sangrentas, onde os humanos estavam perdendo... Foram os vikings o primeiro povo a usar os próprios pokémons, na base da forca, para lutar contra outros pokémons... A humanidade usou de seus estudos dos pokémons para desenvolver nossa sociedade, o que muitos estudiosos dizem que nos fez avançar quinhentos anos... O lendário professor Carvalho descobriu sobre como os raios solares estavam afetando os pokémons, dando neles os curtos de energia, o que deixava eles tão selvagens. Pois tinham sobrecarga de energia, fazendo assim ficarem agressivos, doentes e com curta expectativa de vida... Então foi criado as Torres de Energia, elas tratavam de diminuir a radiação solar, tratando mais dos picos de energia, fazendo os pokémons deixarem de ser os predadores dos humanos... Mas eles ainda precisavam gastar suas energias acumuladas, foi quando perceberam que os pokémons domesticados usados em batalha tinham uma expectativa bem maior em comparação com os que eram usados em serviços domésticos... Então se tornou tradicional as batalhas pokémons, mas ainda assim os pokémons precisavam travar várias batalhas para se saciarem, o que após as Torres de Energia, não se tornaram tão frequentes. Uma das soluções foi tornar as batalhas pokémons um esporte. Foi efetivo, mas não o suficiente... Então foi criado as pokebolas, elas serviam para neutralizar a energia, impedindo que se acumulasse, deixando uma quantidade básica para ser gastada e com as torres de energia, não haveria mais curto... Assim nasceu a grande era dos treinadores...”

Não gostava de se lembrar, tinha estudado bastante, mas mesmo assim se atrapalhou na hora das perguntas. Estava com medo de não ter sido aprovado, se isso acontecesse poderia fazer um protesto na administração, mas não queria depender disso. Ele chegou no salão principal, onde todos os alunos se aglomeravam. A agitação revelou que o resultado havia acabado de sair, precisava vencer aquele mar de jovens sonhadores para chegar até os painéis.

Alguns gritavam de alegria, outros sofriam em silêncio a dura verdade de não ter sido aprovado, no meio deles, Tom lia a lista de aprovados com aflição, tinha terminado o primeiro painel e seu nome não estava presente. Logo saberia se estaria entre os que lamentavam ou os que comemoravam. Seu nome não estava no segundo painel. Antes de começar a ler o terceiro, deu uma hesitada, tudo iria se resumir naquele painel, se não encontrasse seu nome estaria tudo acabado. Ainda iria chutar o pau da barraca na administração como última alternativa, mas sabia que seria difícil de conseguir mais uma chance. Além de que sua vontade era ter a gratificação de ler seu nome entre os aprovados, principalmente quando ele apareceu no salão, seu antigo rival, o Max, O Forte.

Logo que entrou na academia, virou o centro das atenções por conta de sua família ser muito famosa entre os treinadores. O que atraiu inveja de outros alunos, entre eles estava o Max. Nos três anos de academia, sofreu bastante com as disputas com seu rival, pois Max acabou vencendo todas, se tornando o aluno número 1, e todo o alvoroço em cima do Tom foi morrendo. Passando a ser chamado de fracassado, o que para ele era bem melhor do que ter todos babando em sua volta.

Max estava cercado pelos alunos, sendo tietado por todos. Ele conseguiu ser aprovado no primeiro teste, conseguindo uma vaga no principal ginásio da cidade, integrando o time principal de defesa da Brasil Liga Pokémon de Defensores, a BrLP — Defensores. A cada conquista dele deixava o Tom mais revoltado, pois via a distância entre os dois crescerem. Mas iria ultrapassa-lo, tinha certeza disso, iria escolher os Defensores, assim que conseguisse sua credencial de treinador. Conseguiria também uma vaga no Ginásio Geovanni Vargas, o principal do Amazonas, fazendo parte dos 12 ginásios da Série A da BrLP. Por fim tomaria a vaga do Max no time principal, tudo naquele ano. Até que chegou ao final do terceiro painel.

Não encontrou seu nome.

***

No terraço da academia, o Diretor Salgueiro fumava um de seus charutos importados, observando a agitação da área recreativa com satisfação. Havia se tornado uma tradição ele se isolar quando saia os resultados. Gostava de ficar sozinho com seus pensamentos, vendo de longe a alegria daqueles jovens sonhadores. Talvez um novo fenômeno estivesse entre eles, gostaria de saber quem seria o novo Gold, ou quem fosse capaz de levar o ginásio da cidade a categoria ouro novamente, entrando na lista da Liga Continental. No fim não importava, estava satisfeito que a maioria estava se formando, obvio que havia os reprovados, uma das razões de se isolar era justamente para não ver a decepção no rosto dos alunos. É claro que tinhas os barraqueiros, aqueles que não aceitavam os resultados do exame, gostaria de que aquele semestre fosse diferente. Até escutar uma gritaria se aproximando.

A porta de acesso ao terraço foi aberta com um chute.

-Diretor! – Gritou um aluno.

-Minha nossa, olha aí um revoltado – Salgueiro apagou o charuto, limpou as mãos e se virou para o jovem que caminhava com certa agitação a sua direção.

-Então é aqui que você se esconde, não é? – O aluno viu as marcas do charuto na beirada – achei que fosse proibido fumar na academia. Então curte quebrar uma regra de vez em quando, hein, diretor? – O aluno olhou com sarcasmo para o diretor.

-Tira essa cara lavada de perto de mim – Resmungou o diretor – o que você quer, Tom? Não precisa falar, já sei. Não concorda com o resultado.

— Como eu iria concordar? Eu tô reprovado. Não só reprovado, como banido! Como eu posso me tornar um treinador se não posso mais tirar minha credencial?

-Nossa, é tão rigoroso assim? Nem me lembrava desse limite, faz tempo que alguém não reprova três vezes.

-Tu tá tirando uma com a minha cara? – Tom se jogou no chão, apoiou as mãos no piso e esticou as pernas – Eu não sei o que fiz de errado. Mas o senhor sabe, estava presente no meu Exame Final.

-Não posso compartilhar resultados dos alunos com os alunos.

-Tudo bem, no momento eu não sou mais aluno! Só um pobre coitado que nem pode se tornar um treinador. – Tom se deitou no chão. Ficou em posição de conchinha.

-Pelo amor de Deus, Tom. Se levanta daí – O diretor se ajoelhou diante do Tom – meu tempo vago tá acabando e ainda tenho um charuto pra fumar.

-Meu tempo acabou, só me deixa morrer aqui.

-Que drama – o diretor ergueu a mão para o Tom – tudo bem, posso me arrepender disso, mas como diretor eu tenho o poder para mudar os resultados. Você reprovou por pouco, questão de décimos. Então vou aliviar pro teu lado.

Tom se levantou em um segundo. Estava empolgado com a possibilidade de conseguir a credencial.

-Sério, diretor Sal? Eu nunca te critiquei, quero dizer, nunca te critiquei hoje, bom... nunca te critiquei nesse terraço.

-Só pare de falar – o diretor ficou em pé, deu uma bufada, guardou o charuto e seguiu a direção da porta – vamos logo para a Sala dos Iniciais.

-Sala dos iniciais? Como assim?

-Seria uma burocracia muito grande colocar o teu nome na apresentação dos iniciais, vamos fazer tudo hoje, Algum problema?

-Não – na verdade, Tom queria mostrar para todo mundo a sua escolha, mas teria que esperar dois dias para isso, quanto antes começasse melhor.

-Ótimo, vamos começar sua jornada, aí vai poder pegar a estrada para bem longe de mim.

-Aí que se engana, eu não vou ser um Explorador, não sei porque pensou nisso. Eu vou ser um Defensor!

***

Tom seguiu o professor até a Sala dos Iniciais, passou pelo auditório, onde em dois dias os alunos aprovados estariam sentados, aguardando sua vez para ir até a sala onde escolheriam seu inicial, depois seguiriam até o palco para fazer o juramento do treinador e exibir o Pokémon escolhido. Só de pensar em ficar de frente para todo uma multidão lhe deu um frio na barriga, queria esfregar sua conquista na cara de todos, mas não queria ficar de frente para todos. No fim, estava feliz de como as coisas terminaram.

A lendária Mesa Triangular foi ligada, ela surgiu do piso, subindo lentamente. A mesa tem formato triangular, com uma forma circular em cada ponta, onde surgiriam as três pokebolas. Cada uma das pontas tinha um símbolo: A primeira pokebola a surgir foi a que tinha o símbolo da água, a segunda foi a que tinha o símbolo do fogo e a terceira tinha o símbolo da grama. Tom ficou de frente para a mesa, se permitiu demorar o tempo que achava necessário. Todos os treinadores passavam por essa decisão, estava feliz por estar ali, como vários lendários mestres pokémons, pronto para fazer sua escolha.

O diretor pegou uma pokebola da mesa, foi até a central de comando, atrás da Mesa Triangular, fazendo com que a mesa fosse guardada. Tom protestou, mas o diretor com um gesto de sua mãe fez com que se calasse.

-Eu não queria roubar também essa sensação mágica de escolher seu inicial – o diretor foi até outra mesa, tirando uma papelada de dentro – mas só tenho um Pokémon disponível. Não pense em reclamar, não antes de pegar a sua pokedex.

-Como não vou reclamar? E o que tem minha pokedex? E qual foi o Pokémon que você escolheu pra mim? E por que você escolheu pra mim?

-Tome – O diretor deu uma pokedex, guardada numa capa específica – não tem como você receber um novo modelo, elas ainda não chegaram. Coloque seu polegar na tela que eu irei validar as informações – o professor correu até um computador.

Tom retirou a pokedex da capa, ele fez cara feia, não poderia ser pior. Era um modelo bem antigo, estava ansioso para receber o novo modelo que a Rocket prometia revolucionar o mercado. Ela tinha tudo que era de melhor, principalmente com seu nome sistema de localização via satélite em tempo real, o que possibilitava encontrar pokémons em tempo real pelo mapa e ainda ter uma análise completa para saber a raridade do pokémon. A empresa prometeu um novo conceito de treinador, mas Tom não teria chances por conta de sua pokedex antiga.

-Eu não vou usar isso, quero a Pokedex R-19, não essa velharia, olha só esse modelo, um R1-32. – Tom estava transtornado, enquanto apontava a pokedex para o professor – olha isso aqui, como eu vou ser o melhor defensor e exibir essa velharia?

-CREDENCIAL ATIVADA, SEJA BEM VINDO TOM GOLDING. – Apitou a pokedex, com sua voz robótica feminina – COMPLETE SEU CADASTRO COM SEU ID FORNECIDO PELA SUA ACADEMIA FORMADORA, POR FAVOR.

-O que diaboa é isso? – Tom deixou a pokedex na mesa.

-Não tem mais jeito, já passei seus dados para o sistema dessa pokedex, não esqueça que está diante de sua credencial, nada mais – o professor a pegou – esse é um modelo único, possui dados que nenhum novo modelo será capaz de ter, deveria ficar agradecido. Além do que estou te fazendo um favor, não tenho acesso aos novos modelos. É isso ou nada.

-O nada parece mais legal – Tom pegou novamente a pokedex e começou a preencher o cadastro.

O diretor terminou as burocracias do cadastramento do Tom, imprimiu uma papelada, assim que o Tom terminou de preencher as informações, o diretor deu os papéis para ser assinado e deu a ele o juramento do treinador. Tom fez o juramente após alguns protestos.

-Bom, está tudo finalizado. Minha nossa, você me deu uma bela de uma enxaqueca.

-Beleza, não está tudo finalizado, você ainda tem algo meu. Então que tal me entregar?

-Ah, verdade. Me desculpe. Aqui estou seu inicial. Só tinha esse disponível, não acho que será um problema.

E não era. Estava justamente com o inicial que queria.

***

Ele correu até sua casa, feliz por finalmente ser um treinador Pokémon. Passou pela padaria onde sempre comprava seu pão francês, exibiu sua pokedex e continuou seu caminho. Viu uma vizinha indo para o intervalo do trabalho, ele gritou para ela que seria o futuro líder do Ginásio Vargas, ela não respondeu, nem havia o entendido para falar a verdade. Mas Tom não se importava, só queria colocar sua felicidade para fora.

Tentou se conter ao chegar em sua casa, abriu o portão de ferro com cautela, não queria chamar atenção de sua mãe, pretendia fazer uma surpresa para ela com sua credencial e seu Pokémon. Mas o Warz o entregou com seus latidos, Tom ainda tentou fazer com que se calasse, mas não teve jeito. Seu amigo de quatro patas pulou em cima dele, como se tivesse parabenizando pela sua conquista.

-Calma, campeão – Tom foi recebendo o carinho do Warz enquanto tentava se aproximar da porta de sua casa – você quer conhecer seu novo amigo? Ele é um pokémon! Você sempre se deu bem com os pokémons, não é verdade?

Tom entrou na sua casa, não havia sinal de ninguém até ouvir um barulho vindo da cozinha. Imaginou ser sua mãe, ele correu com sua pokedex e sua pokebola em mãos. Não foi sua mãe que encontrou na cozinha, mas sim o mestre explorador Pokémon, membro da elite dos 6 do Brasil e do continente sul-americano. Também irmão do Tom, Mike Golding, o Relâmpago Dourado.

Mike continuou a tomar seu café, sem embolsar nenhuma reação com seu irmão que não via há anos, desde que começou sua jornada. Tom deixou sua pokedex cair, quase fez o mesmo com sua pokebola, mas conseguiu segurar firme. Os dois nunca foram muito amigos, a diferença de idade contribuiu para isso. A razão principal era como Mike era focado em seus treinamentos, passava maior parte longe treinando, mesmo quando seu irmão caçula implorava para ir com ele treinar, não permitia com a justificativa de que não era local para crianças. Agora que Tom estava com seus dezessete anos, atrasado quase dois anos para sua jornada, a última pessoa que gostaria de encontrar no momento era seu irmão. Desejava que o encontro fosse feito numa batalha oficial.

-Que surpresa, não esperava que fosse conseguir afinal – Mike limpou a boca com um lenço de papel – bom, antes tarde do que nunca, não é o que dizem?

-Não vem com essa não, acha que vou aceitar seu deboche por causa de fazer parte da elite? Grandes merda!

-Sério? Imagino que vai entrar na elite bem rápido, não é? – Mike parecia se divertir com a explosão do irmão.

-Claro que não, estarei ocupado tornando o Ginásio Vargas o melhor do mundo!

-Um Defensor? Entendi – Mike se levantou da mesa, levando sua louca até a pia – é melhor assim, pelo menos não vai envergonhar a família como um explorador.

-Ora seu... Você se acha melhor do que eu? Mas você não é. Eu posso te derrotar agora mesmo!

-Eu aceito.

— O quê? – Tom ficou espantado, tinha falado da boca para fora, apesar de estar numa discussão com seu irmão, também estava diante de um dos melhores do mundo. Enfrentar um membro da elite em sua primeira batalha Pokémon era algo surreal.

***

Eles foram até o antigo parque municipal da cidade, há anos estava fechado após um surto de beedrills ter atacado vários frequentadores. Os Guardiões travaram uma guerra árdua contra os pokémons que haviam se multiplicado aos montes, sem que ninguém percebesse. Conseguiram controlar e capturar todos os beedrills, mas uma criança morreu após receber a picada de dezoito beedrills. Na época os veterinários vieram a público informar a causa da morte, mesmo que tenha levada uma quantidade elevada de ferroada, o veneno não seria suficiente para sua morte, devido aos pokémons viverem numa região cercada pelas torres de energia, o que diminua ainda mais o poder de seus ataques. A morte foi por não ter tomado nenhuma das vacinas correspondentes aos possíveis ataques venenosos, inclusive havia sido constatado que não tinha tomado nenhuma dose das vacinas contra-ataques de pokémons. A declaração gerou polêmica por tentarem tirar a responsabilidade do parque e jogar tudo para cima dos pais. O que deu início a uma extensa batalha jurídica, culminando no fechamento do parque municipal.

O parque agora servia de lar para vários pokémons selvagens por ser perto da área florestal e também era palco para batalhas pokémons não oficiais. Algumas denúncias relatavam que ali, à noite, acontecia batalhas clandestinas, onde os pokémons lutavam até a morte, uma prática proibida no mundo todo. Mesmo sendo crime é uma prática bem popular no submundo, sustentado por ricaços, traficantes e pessoas que nunca tiraram suas credenciais ou por algum motivo haviam sido banidos da Federação Internacional de Treinadores de Pokémon, a FITP. Mike era um forte ativista contra as batalhas ilegais, estava ciente das denúncias, mas aquele parque lhe trazia doces lembranças de sua infância, pois era onde treinou por bastante tempo. Seria um palco perfeito para travar a primeira batalha quase oficial do seu irmão.

Eles se posicionaram na extremidade ao leste do parque, onde havia uma arena improvisada, cercada por árvores. Se olhasse com atenção para as árvores do lado direito, era possível ver as cercas de ferro deterioradas. Uma parte estava totalmente destruída, Tom imaginou se havia sido um animal selvagem, um Pokémon selvagem ou algum humano que tivesse feito aquilo. Deixou o pensamento de lado, precisava manter o foco em sua primeira batalha. Estava nervoso, precisou travar uma batalha contra si mesmo para manter o controle, não poderia se deixar dominar pelo nervosismo, seu irmão já era um adversário difícil suficiente. Não precisava lidar com seus problemas de ansiedade em um momento como aquele.

Mike tirou de seu bolso um objeto em formato estranho, Tom reconheceu o que era: um incenso. Um item extremamente raro e perigoso. Apenas treinadores rankings altos tinham autorização para usar esse item, pois atraia todo tipo de Pokémon próximo, usar em uma floresta poderia atrair também todo tipo de perigo. Era um privilégio estar diante de um incenso, mesmo sendo um modelo básico, mas não fazia ideia o motivo para seu irmão estar com o item.

-Pela sua cara você sabe o que é isso – Mike sorriu – Acha mesmo que eu iria lutar com você usando os meus melhores? Nada disso, faremos algo divertido. – Mike jogou o incenso bem a sua frente.

-O que pretende?

-Cadê seu Pokémon? Estou curioso para saber qual foi sua escolha.

Tom hesitou, estava achando que seu irmão só queria faze-lo de trouxa. Provaria a ele que tinha talento, não era bom em leitura, em aprender sobre anatomia dos pokémons, seu talento estava na hora da ação, mesmo com suas crises de ansiedade que o atrapalhavam bastante quando batalhava na academia. Pegou sua única pokebola e a lançou.

Uma luz avermelhada foi tomando forma, se solidificou num Pokémon com escamas lisas, com uma coloração vermelha alaranjada, a ponta de sua calda queimava com intensidade. A criatura olhou para todos os lados, viu seu treinador alguns metros atrás, ambos se encararam, como se tivessem fazendo um voto de lealdade.

-Então foi esse – Mike parecia satisfeito – alguém obrigou você a essa escolha?

-Ninguém me obrigou a nada, esse era o único disponível.

-É porque é a pior raça de charmander para se treinar.

Tom sabia bem disso, estudou sobre o charmander alaranjado em sua segunda tentativa de passar no exame. Apesar de que ter uma raça difícil de treinar parecia um desafio a altura para alguém que almejava estar entre os melhores. Principalmente por seu charizard favorito também ser um alaranjado.

-Que seja! Faça logo sua escolha.

-Calma. Já está vindo. – Mike olhou para o meio das árvores, um pokémon inseto surgiu entre o matagal ao redor de uma árvore. Era um Weedle. – Ótimo, um Pokémon do tipo inseto. Antes de começarmos gostaria de propor algo.

-Desembucha logo, vovô.

-Se eu vencer você vai desistir dessa vida de treinador Defensor, será fim de carreira para você – ao notar como seu irmão mais novo ficou assustado, Mike debochou – se não quiser, podemos ir embora agora mesmo.

Era uma aposta alta demais, batalhar contra alguém da elite já era algo fora do normal, mas vencer era uma tarefa quase impossível. Sabia que não tinha chance de vitória, também sabia que sua teimosia não iria permitir que desistisse.

-Por mim não tem problema nenhum, camarada – debochou – mas quando eu ganhar o que tem pra me oferecer?

Mike tirou do bolso um pequeno objeto de vidro, algo brilhava em seu interior. Tom não soube dizer o que era, apesar de ter a certeza de que já viu na televisão aquele objeto.

-Isso daqui é uma incubadora. Ela funciona basicamente como uma pokebola, caso não saiba – Mike guardou a incubadora no bolso novamente – eu a ganhei na Nigéria, após ajudar numa investigação de tráfico de pokémons do tipo fantasma. É um bem raro que está aqui, deve nascer em três a quatro semanas.

-Isso parece ser bem foda – Tom tinha ficado bastante entusiasmado com a possibilidade de ganhar um pokémon raro, imaginou ser algum pré-histórico, ou talvez algum poderoso psíquico, daqueles que sua captura é de alta periculosidade. Porém, não parecia ser uma troca equivalente – mas só vai me oferecer isso pela minha carreira?

-Eu também vou abandonar todas as competições desse ano e me tornar seu treinador.

A proposta de início irritou ao Tom, pensou em debochar da proposta, mas tinha que admitir o talento do seu irmão, ter alguém do nível dele como treinador particular iria fazer sua carreira decolar. Talvez até se entendessem, quem sabe.

-Temos um trato. Então vamos começar. Qual pokémon vai escolher?

-Está bem na sua frente – Mike pegou uma pokebola e a arremessou no Weedle, que se movia aleatoriamente. A pokebola acertou bem num ponto de energia, fazendo o Weedle ser capturado de primeira, não houve nenhuma resistência.

Tom ficou maravilhado, havia aprendido na academia sobre os pontos de energia, haviam sete em cada pokémon. Jogar uma pokebola num desses pontos aumentavam a chances de captura por conta de o raio da pokebola neutralizar uma grande porcentagem de energia. Cada ponto neutralizava uma porcentagem maior, seu irmão aparentemente acertou o de maior porcentagem. Apesar de parecer fácil, na prática era bem difícil, poucos conseguiam acertar essas pequenas áreas, principalmente em um pokémom pequeno como o Weedle, apenas uma minoria conseguia. Mike fazia parte dessa minoria.

Na aula de Adestramento I, Tom aprendeu sobre a comunicação com os pokémons. Após capturar um dos monstrinhos de bolso era preciso um período de adestramento básico. Há um pouco mais de uma década, foi inventado um novo software no sistema das pokebolas em que o adestramento já era feito no momento da captura, mas apenas nos comandos básicos. Teria apenas os ataques básicos disponíveis, com uma porcentagem mínima de seu charmander – ainda mais tendo em mãos a pior raça de charmander para se treinar – não ter aprendido algum comando. Agora era tarde, entraria na batalha correndo um alto risco, totalmente às cegas. Tudo isso por conta de seu orgulho, não podia estar mais feliz.

-Weedle, vai! – Gritou Mike – estou dando início a nossa batalha pokémon não oficial!

-Charmander, ataque brasa! – O Charmander reconheceu o comando de voz, mas não atacou. – Ataque brasa no Weedle! – Dessa vez respondeu o comando de seu treinador, atacando rajadas de brasa que saíram de sua boca. Indo de encontro com o Weedle.

Mike não ordenou nenhum ataque, até a brasa do charmander estar bem próximo. Parecia que ele sabia bem o tempo de ataque do adversário, assim como sabia o tempo de resposta do sem recém-capturado pokémon.

-Picada Venenosa, Weedle, a sua direita! – o ataque brasa tocou o chão, o Weedle já estava longe, parando a uma curta distância do charmander.

Charmander ainda estava finalizando seu ataque, tudo havia durado menos de dois segundos. Tom percebeu a diferença do tempo dos ataques, seu irmão já havia percebido bem antes. A Picada Venenosa perdia para o Ataque Brasa, mas seu irmão usou o tempo de ataque para se colocar em vantagem. Realmente estava diante de alguém da Elite, a diferença era gritante.

-Picada Venenosa mais uma vez, Weedle. No tórax a direita!

-Esquiva charmander!

O charmander ainda tentou desviar da picada, mas não teve velocidade suficiente. O ataque acertou um dos pontos de energia, o que levou o pokémon do Tom ao locaute. A batalha estava finalizada, após todo seu esforço, sua carreira como treinador estava acabada. Não se tratava de uma batalha oficial, ninguém saberia da derrota e muito menos da aposta dos dois. Poderia deixar de lado a aposta e continuar sua carreira como defensor, mas tinha seu orgulho em jogo, iria cumprir sua promessa.

-Não se trata apenas de usar o ataque mais forte, você deve conhecer tudo sobre os pokémons para saber montar estratégias em combate. Eu simplesmente combinei o tempo de cada ataque para me colocar em vantagem, isso significa que você deve treinar seu charmander para ele ter uma resposta mais rápida em seus ataques, assim como você deve ler mais para saber como contra-atacar. Terá bastante tempo agora que deixará sua carreira de treinador defensor de lado. – Mike sorriu.

-Seu... – Tom pensou em explodir com seu irmão. Mas não mudaria sua derrota, só a pioraria – boa vitória – só restava o reconhecimento.

A euforia da batalha deixou quem um estrondo passasse despercebido, mas foi ficando mais forte e mais frequente, o que chamou a atenção do Mike. Quando Tom se deu conta de que algo se aproximava em velocidade, já era tarde demais, a criatura de um pouco mais de dois metros de altura surgiu pelo mesmo caminho do Weedle. Uma árvore tombou para o lado com o choque causado pelo pokémon selvagem, era um Nindoqueen, Tom reconheceu.

A nindoqueen ficou a poucos metros do charmander, Tom sentiu o odor da criatura, provavelmente vinha do forte veneno de seu chifre. Seu charmander já estava envenenado pela batalha contra o Weedle, se fosse envenenado por um pokémon selvagem daquele porte, poderia vir a óbito. Tom não ia permitir que nada acontecesse com seu companheiro. Ele se jogou diante do charmander, a movimentação atiçou a nindoqueen, que se lançou ao ataque.

Antes que sofresse a fúria da nindoqueen, um blastoise da casca dourada a golpeou, fazendo com que o pokémon selvagem fosse arremessada para longe. Tom viu seu irmão tomando a dianteiro, sentiu uma mão tocando em sua mochila, pensou em reagir, mesmo se sentindo impotente. Preferiu ficar quieto e admirar aquele blastoise, o inicial do seu irmão, estava entre os melhores do mundo.

-Uma nindoqueen acabou sendo atraída pelo incenso – Mike estava apreensivo – o que a Guarda está fazendo que deixou um pokémon desse porte se aproximar tanto da cidade?

-Charmander, volte – Tom se deu conta que seu pokémon estava envenenado. Os iniciais são todos vacinados, mas quando sofrem ataques diretos precisam tomar antídotos para não sofrerem com o veneno.

-Eu coloquei o antídoto em sua bolsa. Deixa que eu cuido daqui. Farei a função de um guardião – Mike sorriu para seu irmão – Chega a ser nostálgico, eu comecei escolhendo a Guarda, mas acabei trocando para o explorador, era onde estava meu coração.

-Trocou? – Tom se deu conta de que ainda tinha esperanças – eu preciso ir.

-Sem problemas, irmão.

Tom ficou surpreso por ter sido chamado de irmão, ficou contente com isso. Aquela batalha o deixou mais próximo do Mike, gostaria de ficar para ver o desfecho daquela batalha, mas tinha coisas importantes para fazer. Deu as costas ao irmão prometendo a si mesmo que na próxima vez que batalhassem sairia vencedor.

-Hey – gritou Mike, enquanto batalhava com a nindoqueem – só um verdadeiro treinador coloca sua vida em risco para proteger seu companheiro pokémon. Você é um verdadeiro treinador, Tom. Não se desperdice.

Não esperava que a batalha tivesse aquele desfecho, sabia que não tinha chances de vitória, isso era óbvio. Mas o seu irmão havia o reconhecido como um treinador, agora precisava manter vivo suas chances de continuar sendo um treinador. Sua carreira como defensor havia acabado, o que não significava o fim para sua carreira de treinador.

***

Tom desceu do ônibus fadigado, havia corrido bastante para pegá-lo quando o viu se aproximando da parada. Se o perdesse teria que esperar mais de uma hora para o próximo, pensou em ir andando, estaria dando início a sua jornada, estava ciente que nem sempre teria algum transporte a sua disposição. O que era uma das razões por ter escolhido ser um defensor, teria suas mordomias garantidas enquanto buscava realizar seus sonhos. Agora teria que se virar de qualquer jeito, não havia feito nenhum planejamento. Mesmo assim estava bastante entusiasmado, como nunca havia ficado antes, pensou na possibilidade que esse era seu sonho. Não seria nenhuma surpresa, seu jogo favorito era o de realidade virtual sobre jornada de um explorador. Agora estaria dando início a sua jornada como treinador explorador, só precisava encontrar o diretor Salgueiro. Não o encontrou na academia, descobriu que tinha ido para sua fazenda, próximo dos limites da cidade. Era onde Tom havia acabado de chegar.

A faixada da entrada estava escrito “Fazenda o Canto do Salgueiro”, um dos centros de criação pokémon mais famosos do mundo. O diretor era conhecido nos quatro cantos do planeta, ele havia nascido em São Paulo, fez de Manaus a sua cidade por conta da aproximação da Floresta Amazônica, o local com a maior quantidade de espécies de pokémon do mundo. Tornando o estado do Amazonas numa das capitais mundiais dos treinadores. Uma das paradas mais famosas de quem visitava o estado e a cidade era a fazenda. Mas já havia fechado, Tom viu os últimos visitantes saindo pelo portão principal, não sabia se conseguiria entrar, todas as entradas estavam com seguranças. Não sabia o número do diretor e esperar até o outro dia não era uma opção. Iniciaria sua jornada naquele dia mesmo, só pisaria em sua casa como um treinador renomado. Assim como seu irmão.

Tom fez a única coisa que pensou no momento.

-DIRETOR SALGUEIRO!

Ele gritou com todas as suas forcas. Gritou mais uma vez e mais uma vez. Até que um grupo de seguranças se aproximou, prontos a enxotá-lo dali. Pra sua sorte, Salgueiro apareceu, com uma expressão cansada. Tom preferiu não irritar o diretor, havia dado sorte, não queria abusar.

Os dois foram até o casarão principal da fazenda, seguiram até o escritório. No caminho Tom viu várias fotos com diversas celebridades, inclusive líderes de estado. Tom suspeitou que o diretor era um homem com uma importância maior do que imaginava, não fazia ideia como um homem daquele tinha tempo para alguém como ele.

-Então depois de tudo isso decidiu que a única maneira de continuar sendo um treinador é trocando o defensor, pois você apostou sua carreira como treinador defensor, mas nada impende de você ser um treinador explorador. É isso?

-Exato! Eu só preciso trocar, na verdade, eu só preciso que você troque para mim – Tom se ajeitou na cadeira, que parecia ser cara demais para se poder relaxar. Ele ficou bastante desconfortável.

-Minha nossa! Se queria tanto acabar com sua carreira de defensor deveria apenas ter escolhido logo virar um explorador. Pouparia bastante trabalho. Trocas levam em torno de duas semanas.

-Duas semanas? Eu não tenho duas semanas – Tom tenta se acalmar – na verdade eu tenho duas semanas, só que eu quero iniciar minha carreira agora. Meu irmão está lá em casa. Só quero encontra-lo novamente quando for pra derrota-lo!
-Esse drama todo não é bom para minha enxaqueca, minha nossa — o diretor se levantou de sua cadeira – sorte sua que sou o diretor, tenho um certo poder que vai me permitir agilizar isso. Preciso que me entregue a sua pokedex. Nesse tempo porque não vai até a Área 42? Eles certamente estão com saudades de você.

-Certamente – Tom ficou apreensivo de repente.

Ele seguiu até a área 42. Gostava do caminho, entrou num carrinho elétrico e seguiu para as Áreas dos Treinadores, onde os mais importantes treinadores afiliados ao SAL, a Sociedade América-Latina de treinadores pokémon, guardavam seus pokémons. A SAL comandava uma rede internacional de clínicas pokémon, também tratava de assuntos sociais da causa pokémon no mundo todo, por isso contava com uma enorme lista de associadas. Seu irmão tinha a Área 63 para ele, havia apenas quinze áreas disponíveis, Tom nunca pensou em ter uma para si. Até agora.

Chegou na Área 42 com uma emoção que não sabia de onde vinha, apesar de desconfiar que o motivo era por se tratar da primeira visita aos pokémons de seu pai desde que conseguiu sua credencial. Antes de todos os seus planos mudarem, seus planos era que viveria com todos os seus pokémons em sua casa, sabia que gastaria uma grana, principalmente pelas taxas municipais e federais para manter os monstrinhos de bolso em uma área residencial. Sua mãe, uma ex-treinadora, agora veterinária-chefe do Centro Pokémon – SAL SUL, sempre reclamava de que iria ter muito trabalho e custos, com rações e concertos de possíveis danos causados. Tom não importava com os gastos, pois imaginava que teria dinheiro de sobra, principalmente quando se tornasse o líder de ginásio. Só que agora que estava se tornando um explorador, teria que se filiar a SAL e tentar uma vaga em uma das Áreas disponíveis, ou pagar um dos Albergues Pokémon, não era caro, mas seria uma despesa fixa todo o mês.

Os pokémons estavam dormindo, não quis incomodá-los, deixaria para fazer uma visita quando se tornasse um mestre. Ele seguiu o corredor, passou pelos dormitórios dos mais variados tipos. Chegando até a área de descanso, onde o mais forte Charizard repousava. Era o lendário Charizard de seu pai, a escolha dele como inicial. Após a morte de seu pai, a FITP elegeu o Andrômeda, o charizard alaranjado de seu pai como o mais forte de todos os tempos. Ele sorriu por estar com um charmander da mesma raça, prometeu a si mesmo que iria superar o seu pai, assim como seu inicial iria superar o lendário Andrômeda.

O professor surgiu ao lado do Tom, os dois ficaram por alguns segundos em silêncio, admirando a beleza daquela criatura do fogo.

-Está tudo resolvido. Posso providenciar um quarto de hóspedes para você – O diretor entregou a pokedex – amanhã poderá partir a hora que quiser.

-Obrigado pela oferta, mas é a hora de partir – Tom guardou sua pokedex, estava mais empolgado do que nunca – minha jornada começa hoje mesmo, Sal. Valeu por tudo.

-Eu imaginei – o diretor compartilhava do entusiasmo do Tom – nesse caso gostaria que você levasse essa escultura em pedra de uma Masterball com você. – o professor pegou uma sacola que havia deixado no chão e tirou uma pequena caixa de dentro — É algo muito importante, antes de se dirigir ao primeiro ginásio, levando em consideração que você tem juízo e não vai desafiar o Ginásio Vargas agora.

-Não se preocupe. Já bati minha cota de imprudência esse mês. Pretendo ir para Belém.

-Ótimo, mas antes quero que vá até um centro de pesquisa na floresta amazônica – o diretor entregou a caixa.

-Eu não sou entregador, sou um explorador. Qual é? – Apesar do protesto, Tom guardou a caixa em sua bolsa.

-Antes de choramingar, eu darei a você uma Área para guardar seus pokémons. Tá bom assim? – Os dois apertaram as mãos. – Maravilha, tomei a liberdade de colocar a localização exata na sua pokedex. Não vai esquecer, é muito importante. Quando pensar em deixar pra depois, eu sei que você vai pensar isso, não se escute, escute a mim e siga até o seu objetivo.

-Saquei – Tom fez cara de paisagem, seguiu até a saída da Área 42.

-Estou falando sério – o diretor viu o Tom partir, até que se lembrou de um presente que tinha – espere! Tome. – o diretor jogou uma cápsula nas mãos do Tom.

-O que é isso?

-É uma bicicleta elétrica. Elas são bem úteis e fáceis de guardar. É claro, se você as manter nas cápsulas.

-Valeu! Você acabou de salvar minha vida. – Tom se lembrou de toda a ajuda do diretor, se lamentou por ter dado tanto trabalho durante seu período na academia, no fim ele foi um grande amigo.

-Mais uma coisa. Eu deixei em aberto a sua parte de registro. Você pode colocar o que você quiser como seu nome de treinador, a sua credencial vai ser sua identidade também.

-Jura? Posso usar o que eu quiser.

-Claro, é uma regalia que estou dando para você.

-Que foda! – Tom pegou sua pokedex e fez seu registro.

-Vai fazer isso agora? Não vai nem pensar um pouco?

-Não preciso. A partir de hoje sou Tom Red! – Tom abriu a porta, fez sinal de paz para o professor – agora se me da licença, vou iniciar a minha jornada!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.