Pokémon Pyro Max
429 PPMAX-401: O Escudo de Pallas
— Prefere um chá?
— Prefiro nada.
— Quanta gentileza — Yamashida pegou uma chaleira e pôs numa xícara. — Prefiro mesmo um bom chá preto.
Ele sentou à mesa e perguntou o motivo do encontro. Assim que ouviu acerca da demissão do almirante, ele fingiu surpresa. Fingiu, pois já sabia do conteúdo da conversa.
— Eu pensei que o seu pai seria a pessoa sentada nessa cadeira. Foi uma surpresa que a personagem terminou sendo a filha. Você tem muita coragem para vir aqui e me enfrentar. Nem os meus pais foram assim comigo. Naquela época eu já era uma criança prodígio.
— Vamos propor um acordo.
O pai de Victoria ficou surpreso. Mas antes de prosseguir a conversa, um segurança chegou a ele e cochichou algo.
— O almirante está fazendo algo fora do roteiro. Hoje é dia de celebrar! — Yamashida se levantou e pegou o controle remoto. O telão acendeu no canal. Titanic fazia uma entrevista coletiva.
...
Enquanto passava a coletiva, Jason e os outros permaneciam no salão de espera. A organizadora pegou um microfone e falou com todos.
— Quero mostrar a todos o troféu para o ganhador dos jogos. Tragam aqui.
Dois homens levaram algo sobre uma mesa com rodas. O objeto estava sob um pano preto.
— Apresento a todos o famoso Escudo de Pallas!
Ela retirou o pano e mostrou o objeto. O escudo era de tamanho médio, de ouro, com quatro pedras de safira, uma rubi no centro e cristais amarelos ao redor.

— Pesando 30 quilos, esse escudo foi esculpido por Pallas Aldine, o patrono dos jogos olímpicos da antiga Hokkaishin. Ele foi um dos guerreiros do velho mundo, ou seja, quando Hokkaishin não tinha esse nome. A história do nosso país disse que Pallas aprisionou os antigos governantes a lugares longíquos e abriu passagem para a libertação dos humanos. O verdadeiro escudo foi destruído e sobrou apenas a réplica feita por ele. O verdadeiro escudo era ainda mais antigo.
Um dos participantes perguntou como o escudo, mesmo sendo réplica, se tornou troféu dos jogos.
— O museu de White City doou o escudo. E resolvemos doar para o ganhador dos jogos deste ano.
A conversa era toda interessante. Jason, porém, não tinha aquilo em mente. Olhou a sua pokédex e viu uma segunda mensagem de Baron.
— Jason? — Luiza o interrompeu.
— Quê?
— Prestou atenção no que ela disse?
— Sim, ué?
Mas as palavras do garoto não foram suficientes para uma Luiza desconfiada.
Jason puxou Simon até um outro lugar e disse que iria ao banheiro com ele. O ruivo tentou não ir, mas foi arrastado pelo protagonista. Charmander e Ludicolo foram juntos.
— Ele tá escondendo algo — Luiza ficou para a palestra da organizadora.
Simon não tinha intenção de ajudar Jason em algo. Deixou bem claro em Permafrost quando resolveu partir. Jason acalmou o ânimo do amigo e disse que seria um favor muito fácil.
— Preciso do seu Zoroark.
— Lá vem...
...
Repórteres se aglomeraram na porta da base e viram o almirante caminhar até um púlpito.
— Obrigado por virem. Chamei vocês aqui para anunciar que a marinha está dando uma recompensa de 50 milhões a quem der a informação exata dessa pessoa — mostrou um cartaz com a foto de Zeitgeist. — Este homem entrou na base e assassinou mais de dez prisioneiros. Aqueles que invadiram a base subaquática. Soubemos que ele usa um Alakazam como meio de fuga. O pokémon utiliza o teletransporte para sair sem vestígio. E acreditamos que ele ainda esteja na cidade. Por favor cooperem.
— Ele matou aqueles blackers?
— Sim. Apesar das vítimas serem os criminosos da Black, creio que está acontecendo uma queima de arquivo. Alguém deve ter contratado o assassino para eliminar os blackers. E aposto que foi a mesma pessoa que permitiu a invasão à base.
— Há alguma chance da Equipe Black matar os próprios capangas?
— Claro. É por isso que estou iniciando essa caçada. Vamos prender o serial killer e forçá-lo a dizer o nome de quem o contratou.
— Almirante, a prefeitura sabe disso?
— Não. Sinto dizer que o prefeito não se interessou nesse caso e já tentou abafar. Mas não podemos passar pano para um crime dessa natureza. E não importa se isso afastará os turistas.
O prefeito assistiu aquilo incrédulo. Bateu com as duas mãos na mesa e praguejou. Ele precisava dar uma lição ao almirante.
...
Yamashida não se intimidou pelo que Titanic dissera. Não havia provas que ligassem o ricaço ao reverendo. Mas ele tinha consciência que Titanic era uma pedra no sapato.
— Seu pai é uma mosca incômoda.
— Papai...
— Ele acabou com o bom momento que a cidade passa hoje. Sinceramente... é caso de hospício. Então, o que deseja? Que acordo é esse que propõe?
— Não quero que demita o meu pai.
Yamashida voltou a sentar e riu sarcástico. Ele sabia que a possibilidade de aceitar tal acordo era impossível. No entanto, permaneceu calado a fim de ouvir o que a líder de ginásio tinha para falar.
— Em troca, digo onde a sua filha mais nova está.
O vilão mudou de semblante e ficou sério. Praticamente gritou, perguntando como ela saberia de tal.
— Fiz uma investigação própria.
Anthony não podia falar sobre as suas próprias investigações, pois todas eram feitas por blackers e por baixo dos panos.
— Serviço de quarto.
Um garçom entrou, carregando a mesa de alumínio e com um prato com uma grande tampa metálica.
— Deixe e saia — ordenou o vilão de forma seca.
O garçom tirou a tampa. Charmander apareceu e baforou contra o segurança ao lado. No corredor, Staravia atacou todos os seguranças. Uma pessoa entrou na suíte. Era Simon.
— O que significa isso? — Yamashida olhou para Rihanna.
De repente, uma pessoa saiu da parte de baixo da mesa. Jason. O garçom voltou a ser Zoroark.
...
Distrito dos Dragões
Passado algum tempo, Victoria recebeu uma mensagem de Rihanna. A campeã, antes bebendo e conversando descontraída, tomou um susto com o texto da líder de ginásio.
— O que houve?
— Jason... Jason resolveu enfrentar meu pai.
Era o pior cenário possível. Mesmo ela não tinha a força suficiente para intimidar Anthony Yamashida.
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