Pokémon Nova Geração: Aventuras Em Kanto!
1 Episódio 001: O Ovo Misterioso! O Desejo Ardente de Peter!
Notas iniciais
[Abertura: “The Biggest Dreamer” de Kouji Wada]
CENA 01-A: EXT. CIDADE DE PALLET – LABORATÓRIO DO PROF. CARVALHO – NOITE
É uma noite muito escura e densa. Há poucas nuvens no céu cravejado de estrelas cintilantes, junto de uma lua em fase crescente que resplandece sublime.
Conforme deixamos a imagem majestosa do céu da meia-noite, surge em nossa vista uma terra de planícies pastadas e suaves morros ondulados, com pequenos conjuntos florestais espaçados entre si, delimitados por grandes cercas de madeira.
E ao fim da imagem dessa terra, vemos um enorme prédio de arquitetura clássica, semelhante a um imponente castelo medieval feito de pedras polidas e talhadas. Este é o famoso laboratório do Professor Carvalho, que além de funcionar como seu laboratório de pesquisas, também atua como uma universidade regida pelo próprio Professor, assim como seu lar e de todos que trabalham com ele aqui.
CENA 01-B: EXT. FLORESTA/LABORAT. DO PROF. CARVALHO – CONTÍNUO
Uma extensa zona florestal circunda a área do laboratório, separada pelas cercas que delimitam a propriedade. E ocultos nas sombras projetadas pelas copas das árvores, duas figuras sombrias, dois homens na faixa dos quarenta anos, observam atentamente o prédio do laboratório.
Ambos usam longas vestes pretas que cobrem todo seu corpo, com o visual completado por luvas, botas e gorros também escuros. Um desses homens, alto e esguio, é Marv, que demonstra uma postura excessivamente confiante e firme em sua posição. Já o outro, baixo e com sobrepeso, é Harry que, diferente de seu colega, apresenta uma postura instável que não inspira determinação.
Enquanto o olhar de Marv para o laboratório é carregado com um brilho ambicioso e esperançoso, o de Harry evidencia que ele não está totalmente certo de suas ações subsequentes.
MARV: — Lá está, Harry, o famoso laboratório do Professor Carvalho, o maior especialista Pokémon da região de Kanto.
HARRY: — Uau! E... o que isso significa? — pergunta, desentendido da linha de raciocínio de seu colega.
MARV: — Francamente, Harry! Isso quer dizer que se há um lugar para se encontrar Pokémon valiosos, com certeza é lá. Se a gente conseguir colocar a mão em alguns... Hmm-hum, a gente vai estar com a vida feita, meu chapa!
HARRY: — Ah, saquei! Nesse caso, podemos acabar logo com isso? Eu estou com medo de pegarem a gente aqui.
MARV: — Relaxa, Harry! Confie em mim! Vai dar tudo certo. Vamos nessa!
INSERT: Quebra para o Título do Episódio.
TEXTO EM TELA: “O Ovo Misterioso! O Desejo Ardente de Peter!”
CORTA PARA:
CENA 02: EXT. LABORAT. DO PROF. CARVALHO – PRÉDIO DO LAB. – NOITE
Marv e Harry atravessam a floresta e cruzam os campos de pastos até alcançarem o prédio do laboratório. Eles o percorrem e encontram uma entrada, uma grande janela aberta a alguns metros do chão.
Decididos, Marv sobe nos ombros de Harry e estica os braços para alcançar a borda da janela. No entanto, domado por seu nervosismo, Harry se mexe muito e treme demais. Sua postura oscilante dificulta a tarefa de Marv em conseguir se equilibrar, fazendo-o se enfurecer com isso.
MARV: — Quer parar de balançar tanto!
HARRY: — Desculpa, Marv! É que eu estou um pouco nervoso.
MARV: — Apenas pare de se mexer tanto, por favor!
Seguindo o conselho de seu parceiro, Harry respira fundo e procura relaxar, contudo, seus músculos ainda tremulam, mesmo que não tão intensamente quanto antes. Mesmo com essa dificuldade, Marv se concentra e, então, consegue esticar seus braços o suficiente e alcança a borda da janela, segurando-a com firmeza.
Pegando impulso nos ombros de Harry e, em seguida, na parede do prédio, Marv consegue energia suficiente para se projetar para cima. Ainda que de forma desajeitada, ele consegue pular e entrar pela janela do laboratório.
MARV: — Consegui! — Exclama ele vitorioso enquanto se levanta.
Após se levantar, Marv se vira para fora e, esticando o corpo na borda da janela, se esforça para alcançar os braços erguidos de Harry em sua direção. Com o máximo de esforço e um pouco de dificuldade, Marv consegue puxá-lo para dentro do prédio; em parte graças ao impulso que Harry pegou ao pressionar os pés contra a parede. Porém, com a força que executaram nesta tarefa, ambos, Marv e Harry...
CENA 03: INT. LABORAT. DO PROF. CARVALHO – CORREDOR – CONTÍNUO
Se propulsionam desajeitadamente para dentro, como desejavam, em um tombo horrendo.
Após lamúrias e queixas pela dor que sentiram após caírem, os dois se levantam e, agora, seus olhos se voltam para o interior do laboratório. Porém, tudo o que ambos conseguem ver é a imagem de um longo corredor estreito preenchido por várias portas em cada lado, todas bem espaçadas entre si.
Diante da escuridão do lugar, eles sacam as lanternas que traziam presas nos cintos de suas calças. Após ligá-las, eles as apontam para o corredor e constatam que o tamanho dele era maior do que inicialmente previram.
HARRY: — Uau, que corredor grande! — comenta, impressionado com a vastidão do lugar.
MARV: — Vamos! Não temos tempo a perder — reprime, dando o primeiro passo.
Marv e Harry começam a andar pelo imenso corredor e o exploram. Uma a uma, eles verificam cada uma das portas do corredor. Eles alcançam a primeira porta e a abrem ansiosos, mas apenas encontram uma sala de aula vazia. Eles tentam uma segunda porta, porém, também é outra sala.
Após verificar mais algumas portas, se deparando com mais e mais salas de aula ou laboratórios de estudo, eles encontram uma porta diferente, mais rústica, e a abrem esperançosos, contudo, o que encontram é apenas um cômodo de almoxarifado com vassouras e materiais de limpeza.
MARV: — Mas que porcaria... Não tem nada aqui! — diz exasperado.
HARRY: — E aquela porta ali? — Ele aponta com o dedo ao falar.
Marv se vira na direção apontada pelo amigo e, de longe, vê uma porta dupla com um sensor de movimento em cima dela, logo compreendendo que se tratava de uma porta automática. Eles se aproximam apressados dela para ver melhor e, por consequência, o sensor de movimento se aciona e a porta se abre, revelando...
CENA 04: INT. LABORAT. DO PROF. CARVALHO — SALA DE POKÉBOLAS — CONTÍNUO
Uma sala ampla e repleta de maquinários de alta tecnologia espalhados por ela, algumas mesas e cadeiras com computadores montados, além de várias prateleiras metálicas repletas de pokébolas. Eles contemplam a vista do lugar com euforia.
MARV: — Muito bom, Harry! — diz tocando o ombro do parceiro em um gesto amigável.
Marv corre ansioso até uma das prateleiras, pega uma das pokébolas sobre ela e a abre, contudo, ela se revela vazia. Ele a devolve para o lugar e pega outra pokébola, mas, para sua surpresa, ela também está vazia. Ele testa várias pokébolas uma atrás da outra, porém não há nada em nenhuma delas.
MARV: — Mas que porcaria! Essas malditas pokébolas não têm nada.
HARRY: — Ei, Marv, o que é aquilo? — Aponta o dedo novamente ao perguntar.
Marv olha na direção apontada por seu companheiro e, com auxílio de sua lanterna, percebe uma enorme máquina no canto da sala ao lado de algumas prateleiras, com uma cúpula de vidro que parecia estar guardando alguns objetos dentro.
MARV: — Vamos ver mais de perto!
Eles se aproximam da máquina e, à medida que chegam mais perto, Marv a olha atentamente e logo percebe do que se tratava. A máquina em questão é grande, quase como uma grande cápsula, e dentro da cúpula de vidro, luzes amareladas são direcionadas para o centro dela. No centro da cúpula, três cápsulas tecnológicas com armações de vidro expõem seu interior e é possível ver que, em cada uma delas, há um ovo de cor diferente: verde, azul e laranja.
HARRY: — O que é isso, Marv? — pergunta ainda confuso.
MARV: — É uma incubadora para chocar ovos de Pokémon.
HARRY: — Ovos de Pokémon?
MARV: — É, e eles são muito raros. Vamos levá-los, Harry! Eles devem valer uma nota preta. A gente tá rico, parceiro. A gente tá rico!
Marv começa a verificar a máquina, tateando-a até que encontra um botão escrito “Abrir”. Ele o aperta e a cúpula de vidro se retrai para os lados, liberando as cápsulas com os ovos. Marv pega a cápsula que contém o ovo laranja e a ergue para Harry, virando-se para ele.
MARV: — Pegue!
Harry assente e estende os braços em direção à cápsula erguida, no entanto, suas mãos trêmulas o atrapalham e falham no ato de segurá-la com firmeza. Sem querer, Harry deixa a cápsula com o ovo laranja escapar de suas mãos. Ela cai, cria um estalo alto que ecoa pela sala e, pela força da queda, rola sem rumo pelo chão até finalmente bater em uma prateleira, fazendo-a tremer toda e derrubar várias pokébolas no chão ao mesmo tempo.
MARV/HARRY: — Essa não!
Então, de repente... WHEEH! WHEEH! WHEEH! O som de uma sirene aguda soa por todos os lados, enquanto lâmpadas de luzes vermelhas pelo teto piscam freneticamente.
ALARME: — Alerta de invasão! Alerta de invasão! — Soa uma voz computadorizada.
MARV: — Harry, olha o que você fez!
HARRY: — Me desculpa! Foi sem querer! — responde constrangido e nervoso.
MARV: — Pegue o ovo, rápido!
Harry corre para pegar a cápsula com o ovo laranja caída no chão, enquanto Marv se vira para a incubadora e pega as outras duas. Eles correm de volta para...
CENA 05: INT. LABORAT. DO PROF. CARVALHO — CORREDOR — CONTÍNUO
O corredor por onde vieram, passando pela porta automática. Eles percebem que o corredor, agora, também se encontra iluminado pelas luzes vermelhas do sistema de alarme.
Passos ao longe são ouvidos e, ao se virarem, Marv e Harry veem dois guardas uniformizados correndo em sua direção, vindos do final do corredor. Um dos guardas saca da cintura uma arma de choque, um taser, e aponta para eles.
GUARDA 1: — Parados! — grita em posse da arma.
MARV: — Corre, Harry! Corre! — ordena às pressas e ambos disparam rumo à janela por onde entraram.
O guarda tenta atirar o taser contra eles ao se aproximar, mas seu disparo não consegue atingi-los. Aos poucos, Marv e Harry se aproximam da janela aberta, podendo vê-la ao longe. Contudo, Harry se vira para seu colega e o encara hesitante.
HARRY: — O que a gente faz, Marv?
MARV: — Só tem um jeito de sairmos daqui. Vamos pular!
HARRY: — O quê?!
MARV: — Pula, agora!
Quando finalmente alcançam a janela aberta, Harry fecha os olhos por conta de seu nervosismo e, mesmo hesitante, salta de forma desajeitada para fora dela. Marv o alcança logo em seguida e pula a janela determinado. Os dois guardas conseguem alcançá-los e chegam até a janela, porém, tudo o que veem é...
CENA 06: EXT. LABORAT. DO PROF. CARVALHO/FLORESTA – CONTÍNUO
Os dois ladrões caírem direto em cima de alguns arbustos em uma queda feia. Apesar de um pouco feridos, Marv e Harry se levantam enquanto ainda seguram as cápsulas com os ovos Pokémon em mãos.
HARRY: — Ai, isso foi loucura! — reclama ao se levantar.
MARV: — Prefere ser preso? — Ele o encara com uma expressão nada amistosa.
HARRY: — Er... não.
MARV: — Então, continue correndo. Não pare!
Agora já de pé totalmente, Marv e Harry correm em direção ao interior da floresta, desaparecendo em meio a escuridão dela.
Da janela aberta do laboratório, os dois guardas apenas os observam sumirem de vista, impotentes diante da situação.
GUARDA 1: — Voltem aqui, seus bandidos!
GUARDA 2: — Não adianta, eles já foram. Temos que chamar a polícia.
GUARDA 1: — Ai, o Professor Carvalho não vai gostar nada disso. — responde com uma expressão nada satisfeita.
CORTA PARA:
CENA 07: EXT. CIDADE DE PALLET – PARQUE CENTRAL MIDWOOD – PLAYGROUND – MANHÃ
O sol finalmente nasce e um novo dia começa na cidade de Pallet. No distrito Midwood, um dos maiores da cidade, há um enorme parque natural, o Parque Central Midwood, cujo verde das árvores e vegetação contrasta com o cinza urbano dos prédios em volta.
Além de muitas árvores, arbustos e canteiros de flores, o parque também tem suas áreas feitas pelo homem, como pequenos muros de pedra que delimitam os caminhos do parque, cercados simples que separam a grama das estradas de cascalho e asfalto, além de bancos para as pessoas se sentarem, áreas de recreação ou alimentação, e muitas estátuas e fontes d’água espalhadas pelo local.
Em uma área no centro do parque, há um grande playground para crianças, formado por vários brinquedos como balanços e gangorras, além de construções feitas de pedras coloridas como paredes e blocos. Uma dessas construções de pedras coloridas é uma torre quadrada com um relógio, com pequenos buracos quadrados no topo que se parecem com janelas. E, ao longe, é possível notar alguma coisa se mexendo por detrás delas.
CENA 08-A: INT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD – TORRE DO RELÓGIO – MANHÃ
Dentro da torre do relógio, que pode ser acessada por uma entrada em um buraco por baixo da parede da frente, há um espaço oco com um piso superior, acessado por uma pequena escada de pedra. E nesse piso, sentadas sobre um lençol que forra o chão de pedra, há três crianças trajadas com roupas casuais que estão brincando com um jogo de cartas Pokémon.
Uma dessas crianças é Peter Weinstein, um garoto de onze anos de feições miúdas e simpáticas, cabelo castanho claro desgrenhado e caído de lado, e brilhantes olhos cor de mel. Ele se veste com um jeans azul, camiseta preta e um casaco vermelho com detalhes pretos. As outras crianças são Mike e Timmy, também de onze anos e colegas de escola de Peter. Mike é o mais alto do grupo, com um cabelo loiro escuro moldado em gel, olhos azuis e roupas estilosas com estampas visualmente dinâmicas. Já Timmy é o menor e o mais encolhido e tímido em termos de postura, com um rosto redondo e feições rosadas, cabelo e olhos escuros, e grandes óculos retangulares.
Enquanto Timmy se senta mais no canto ao lado das mochilas escolares dos três, Peter e Mike estão sentados um de frente para o outro. No espaço entre eles, o chão está repleto de cartas de um Card Game de Batalhas Pokémon. Do seu lado do campo, Mike tem uma carta de Vileplume, Pokémon do tipo Grama e Veneno de corpo azul e uma flor vermelha no topo da cabeça. Já Peter tem do seu lado uma carta de Charmeleon, Pokémon de Fogo semelhante à um lagarto bípede de pele vermelha e com uma chama que queima na ponta da cauda.
Mike encara as cartas com um semblante confiante e convencido, enquanto Peter tem uma expressão preocupada. Já Timmy encara ambos com curiosidade e expectativa. Colocando a mão sobre seu baralho, Peter saca uma carta e a leva até a altura do rosto. Ao encarar a carta, um sorriso confiante preenche sua face e a euforia parece dominá-lo. Sua reação faz com que Mike se preocupe, enquanto a curiosidade de Timmy só aumenta. Com um movimento determinado, Peter lança a carta sobre o campo do jogo e fala com euforia para os amigos:
PETER: — Beleza! Com essa carta de evolução, meu Charmeleon pode evoluir para Charizard e, com isso, eu derroto seu Vileplume!
Mike e Timmy ficam completamente surpresos com o movimento de Peter.
MIKE: — Eu não acredito nisso!
Peter retira a carta de Charmeleon do campo e, misturando-a ao seu baralho, ele procura pela carta de Charizard, Pokémon Fogo e Voador em forma de dragão ocidental. Quando a encontra, Peter coloca a carta do novo Pokémon em campo e depois embaralha o restante das cartas, devolvendo-as à sua posição inicial.
Ainda abalado e desacreditado, Mike encara as novas cartas em campo com uma expressão pasma enquanto esfrega o cabelo com as mãos, bagunçando-o em um gesto irritado. Ele está completamente surpreso, pessimamente surpreso, e o choque da derrota ainda domina sua face. Já Timmy não pode esconder a cara de espanto e excitação com a reviravolta no jogo, encarando as cartas com um semblante atordoado pelo resultado.
TIMMY: — Caramba, que sorte! — comenta enquanto ajeita os óculos.
PETER: — Foi mesmo muita sorte — responde com um largo sorriso animado.
Irritado, Mike cruza os braços contra o peito, vira o rosto para lado e, com os olhos fechados e um semblante arrogante, diz:
MIKE: — Hum, se fosse uma batalha Pokémon de verdade, você não teria nenhuma chance contra mim.
PETER: — Uma batalha... de verdade?! — murmura. Ele olha para o teto e seus olhos brilham em uma expressão animada. Sua mente, então, devaneia e o leva para um sonho acordado no qual...
TRANSIÇÃO PARA:
CENA 09-A: EXT. ESTÁDIO DE BATALHA POKÉMON — NOITE (SONHO DE PETER)
Estamos em um imenso estádio de batalha Pokémon à noite, cujas arquibancadas estão repletas de pessoas de todas as idades que gritam a plenos pulmões por toda arena em sons indistinguíveis. Em cada um dos lados do campo de batalha, Peter e Mike, usando estilosas roupas de Treinadores Pokémon, se encaram excitados.
Mike mexe no bolso da calça e pega uma pequena pokébola. Ele aperta o botão dela, aumentando-a de tamanho até caber em seu palmo e a arremessa em direção ao campo. A pokébola se abre no meio do ar e um feixe de luz branca sai de dentro dela em direção ao campo, materializando-se na forma de Vileplume, que assume uma postura de combate.
Sem esconder sua excitação, Peter responde da mesma forma, sacando uma pokébola acoplada ao cinto de sua calça. Ele a expande até o tamanho de sua mão e a lança em direção ao campo. Quando a pokébola se abre, o feixe de luz branca ganha forma sobre o terreno e, então, um grande e imponente Charizard surge rugindo ferozmente, cuspindo fogo em uma demonstração de seu golpe Flamethrower. A excitação de Peter se eleva às alturas enquanto a plateia vibra completamente animada.
VOLTA PARA:
CENA 08-B: INT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — TORRE DO RELÓGIO — MANHÃ
Ainda com os olhos fixos no teto, Peter se mantém preso em seu sonho com uma expressão completamente avoada. Timmy o encara preocupado enquanto Mike se aproxima, passando a mão na frente do rosto dele e tentando chamar sua atenção. Contudo, Peter continua disperso da realidade, sem reagir à mão agitada de Mike em sua frente.
MIKE: — Ótimo. Ele tá sonhando de novo! — murmura irritado.
TIMMY: — Ai, ele sempre faz isso — responde constrangido.
De repente, um som grave de sinos é ouvido ao longe. O som é familiar para os garotos, que se desesperam e começam a pegar suas mochilas.
MIKE: — Essa não! É o sinal da escola.
TIMMY: — Nós vamos nos atrasar!
Mike encosta em Peter e o cutuca várias vezes para chamar sua atenção.
MIKE: — Vambora, Peter! — Mas nada. Ele permanece imóvel, preso em seu sonho. — Ah, deixa ele aí. Vambora, Timmy!
Mike pega suas cartas de batalha e as guarda de qualquer jeito em sua mochila. Ele salta para o chão acompanhado de Timmy, que desce pela escada. Ambos passam pela abertura por baixo da parede e correm na direção das badaladas do sino, deixando Peter para trás.
TRANSIÇÃO PARA:
CENA 09-B: EXT. ESTÁDIO DE BATALHA POKÉMON — NOITE (SONHO DE PETER)
O grito da plateia ainda domina toda a arena, mostrando como ela está emocionada pela batalha que se segue. Enquanto isso, Charizard voa por toda a imensidão do estádio, desviando de esferas de energia verde que são disparadas por Vileplume, preso ao solo. Peter não esconde o sorriso de felicidade e excitação ao ver seu Pokémon desviar de todos os ataques adversários sem seus comandos.
MIKE: — Agora, Vileplume, Solarbeam!
Do topo de sua cabeça, Vileplume se concentra e acumula energia, formando uma esfera de luz branca que aumenta de tamanho a cada instante. Quando finalmente carrega o ataque, ele dispara um intenso feixe de energia em direção a Charizard, que agora plana sobre o campo, próximo ao solo.
PETER: — Charizard, desvie e ataque com Mega Punch!
Sem hesitação, Charizard gira o corpo em torno de seu próprio eixo e se impulsiona para o lado, desviando do poderoso ataque adversário. Com um bater de asas violento, ele dispara em alta velocidade contra Vileplume, que mal tem tempo de reagir. O punho direito de Charizard é envolvido por um manto de energia rosado e, com um poderoso golpe, ele desfere um potente soco no rosto de Vileplume que, pela magnitude do ataque, é arremessado violentamente contra os muros que cercam o campo de batalha. Uma nuvem de poeira cobre o Pokémon Grama e Veneno por um tempo, mas quando ela se dissipa, todos conseguem ver Vileplume desmaiado sobre o campo.
JUIZ DA PARTIDA (Fora de Tela): — Vileplume está fora de combate. A vitória é de Charizard! O vencedor da batalha é Peter! — E a plateia vibra emocionada.
PETER: — Beleza! — grita eufórico, pulando e comemorando de seu lado do campo.
Após a batalha, Charizard voa de volta para Peter e pousa perto dele, estendendo seus braços para ele em um gesto para chamá-lo para um abraço, o qual Peter não hesita em responder, correndo até o Pokémon e pulando para se jogar em seus braços, contudo...
VOLTA PARA:
CENA 08-C: INT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — TORRE DO RELÓGIO — MANHÃ
POW! Peter dá de cara contra o chão frio e duro do piso superior da torre do relógio, se machucando um pouco no processo. Ele havia se deixado levar por suas fantasias sem se dar conta, se jogando contra o chão quando se imaginou abraçar Charizard. Gemendo com um pouco de dor, ele se levanta, mas ao olhar a sua volta, finalmente percebe que agora se encontra só na torre do relógio. Ele olha para os lados à procura dos amigos.
PETER: — Para onde eles... — Mas antes que pudesse completar seu pensamento, as badaladas dos sinos da escola soam outra vez, fazendo com que Peter se desespere.
Ele se aproxima de uma das janelas da torre e consegue ver, de longe, Mike e Timmy já atravessando o parque, correndo em direção à escola próxima dali, a qual Peter só consegue visualizar o topo do prédio acima das árvores do parque.
Os sinos da escola tocam mais uma vez. Completamente desesperado, Peter pega sua mochila e a abre para guardar suas cartas. Contudo, ele a deixa pendurada na beirada do piso superior e, devido ao seu nervosismo, acaba a derrubando do alto da torre, fazendo-a cair junto de seus pertences, que se espalham pelo chão com a queda.
PETER: — Essa não!
Peter salta até o chão e começa a juntar suas cartas e materiais escolares, guardando-os na mochila. Contudo, ao se deparar com a carta de Charizard, ele a encara por um longo tempo com um sorriso bobo no rosto, se lembrando de seu sonho. Porém, ele se apressa novamente com uma última badalada dos sinos a soar.
PETER: — Caramba, eu vou me atrasar!
Ele guarda a carta de Charizard no bolso da calça, joga o restante dos seus pertences dentro da mochila de qualquer jeito e, finalmente, passa pela entrada por baixo da torre, saindo do playground e correndo em direção à escola.
CORTA PARA:
CENA 10: INT. LABORAT. DO PROF. CARVALHO — HALL DE ENTRADA — DIA
O hall de entrada do laboratório do Professor Carvalho é um amplo cômodo com móveis e um design luxuoso, combinando o branco das paredes com os tons escuros dos objetos pelo lugar. Além de assentos fixos na parede, poltronas e mesinha de centro, há também uma mesa receptora com duas funcionárias a trabalhar. Há um fluxo considerável de pessoas pelo lugar: alunos, professores e demais funcionários que passam por ali.
De frente para a mesa receptora, de costas para ela, os dois guardas presentes na noite anterior se encontram ainda uniformizados, de frente para uma figura com um longo casaco sobretudo de tom bege. A figura, um homem na casa dos cinquenta anos, cabelos e bigodes escuros meio grisalhos, além de óculos quadrados, é um membro da força policial de Pallet, o Detetive Stern, que encara os guardas com um semblante sério, anotando os depoimentos que recolhia deles em um bloco de notas que segura com uma das mãos.
GUARDA 1: — E foi isso o que aconteceu. O alarme disparou e quando a gente foi verificar, os dois já tinham saído da sala com os ovos em mãos.
DET. STERN: — Entendido — responde em um tom neutro. — Vocês se lembram de mais alguma coisa? Algum detalhe ou nome, talvez?
GUARDA 2: — Bem... Eu lembro que um deles era alto e magro, e o outro era mais baixo e gordo.
GUARDA 1: — E eu os ouvi falarem os nomes. Acho que era... Marv e Harry.
GUARDA 2: — Isso. Marv era o mais alto e Harry era o menor.
DET. STERN: — Certo. Essas informações já vão me ajudar.
DESCONHECIDO (Fora de Tela): — Não se preocupe, Detetive Stern! — É a voz rouca de um homem idoso que fala por detrás do policial.
Os dois guardas se surpreendem com a pessoa que falou, que se encontra atrás do Detetive Stern. Ele, por sua vez, se vira e dá de cara com um homem acima dos sessenta anos que acaba de entrar no prédio, com cabelos embranquecidos e uma barba rala, além de roupas sociais casuais e um longo jaleco branco. No entanto, apesar da idade avançada, o homem tem um largo sorriso e um brilho nos olhos que o dá um ar quase jovial. O Detetive Stern sabe muito bem de quem se trata esse homem.
DET. STERN: — Professor Carvalho! Por que diz isso? — pergunta levemente intrigado.
PROF. CARVALHO: — Eu já estou ciente do que aconteceu, mas não se preocupe. Os ovos roubados estavam dentro de cápsulas incubadoras e eu havia colocado um chip em cada uma delas.
DET. STERN: — Chip?! Que tipo de chip, Professor?
PROF. CARVALHO: — Os ovos roubados... Eles eram os ovos dos Pokémon iniciais de Kanto: Bulbasaur, Charmander e Squirtle. Eu estava os preparando para a nova classe de Treinadores Pokémon que iria aprovar em breve.
DET. STERN: — E o que isso tem a ver com os chips, Professor?
PROF. CARVALHO: — É minha obrigação garantir que os novos Treinadores aprovados recebam Pokémon saudáveis e bem cuidados, por isso eu havia colocado os ovos em cápsulas de incubação. Mas, além disso, eu havia colocado os chips para garantir a verificação da saúde e eclosão dos ovos, ver dados como temperatura e detectar os batimentos cardíacos. Contudo, além de ajudar na emissão de dados sobre a saúde dos ovos, os chips também podem fornecer a localização das cápsulas e...
O Professor Carvalho se interrompe para abrir o jaleco e apanhar algo no bolso lateral. Ele pega um pequeno aparelho, um tablet, e o estende para entregá-lo ao Detetive Stern, que não hesita em pegá-lo.
Ao apanhar o tablet, o Detetive Stern percebe que a tela do aparelho já se encontra ligada e, nela, é possível ver um programa aberto mostrando o mapa da cidade, com três pontos vermelhos piscando em uma determinada localização nele.
PROF. CARVALHO: — Com esse tablet, nós podemos localizar os ovos roubados.
DET. STERN: — Isso é... brilhante! — Ele tenta manter o tom neutro, mas não esconde o entusiasmo com a nova informação. — Isso será de grande ajuda para a polícia.
PROF. CARVALHO: — Eu sei, mas, por favor, Detetive Stern, seja rápido! De acordo com os últimos dados emitidos pelos chips, os ovos estão quase prestes a eclodir. Eu preciso garantir que os Pokémon tenham um nascimento tranquilo e saudável para os novos Treinadores.
DET. STERN: — Não se preocupe, Professor! Iremos agir rápido e você terá seus ovos de volta. E... — O Detetive se interrompe para olhar a tela do tablet novamente. — De acordo com isso, eu já sei onde eles estão.
Após verificar a localização no aparelho com precisão, o Detetive Stern guarda o tablet em um dos bolsos do seu sobretudo e apanha o rádio da polícia para falar.
DET. STERN: — Atenção, todas as unidades! Precisamos montar um cerco fechado rápido e silencioso ao armazém abandonado da velha fábrica de fertilizantes no sul da cidade. Os suspeitos do roubo aos ovos Pokémon estão localizados lá. — Ele guarda o rádio e se vira para o Professor. — Não se preocupe, Professor Carvalho! Vou trazer seus ovos Pokémon em breve!
PROF. CARVALHO: — Eu conto com o senhor. Até breve, Detetive Stern!
DET. STERN: — Até, Professor!
E com pressa, Detetive Stern corre até a saída do laboratório.
CORTA PARA:
VOLTA PARA:
CENA 11-A: INT. ESCOLA DE PETER — CORREDOR/SALA DE AULA — DIA
Em uma das salas de aula da imensa escola pública onde Peter estuda, uma professora, a Srta. Harrington, uma mulher alta e esguia na faixa dos trinta anos e com o cabelo amarrado em coque, escreve no quadro negro com calma. Atrás dela, os seus vários alunos a acompanham em silêncio, escrevendo em seus cadernos.
Contudo, do lado de fora da sala, no longo corredor da escola, Peter está parado de pé ao lado da porta de sua sala. Espiando pela vidraça da porta, ele observa sua professora e os alunos escrevendo em silêncio e suspira chateado. No entanto, o movimento de sua cabeça chama a atenção da Srta. Harrington, que o espia por um olhar de canto.
SRTA. HARRINGTON: — Peter, está refletindo sobre seu atraso? — pergunta com a voz alta e clara, em um tom severo.
PETER: — Sim, Professora! — responde nervoso, pego de surpresa pelo chamado dela. Sua resposta apavorada desperta a risada de seus colegas, que riem alto dele, constrangendo-o.
SRTA. HARRINGTON: — Silêncio! Isso é para todos vocês aprenderem que atrasos não são tolerados! Continue refletindo, Peter!
PETER: — Si-sim, senhora, Professora! — O jeito tímido e acovardado de Peter responder impede que seus colegas obedeçam, caindo na gargalhada.
Sentindo-se completamente envergonhado, Peter se vira para a frente e passa a contemplar a enorme janela à sua frente, no corredor. O dia lá fora está calmo, com um céu azul limpo e com nuvens brancas. Maravilhado com essa vista, Peter mexe no bolso da calça por acaso e percebe a carta que havia guardado nela. Ele a pega e se encanta com o desenho de Charizard na carta. Ele olha para fora novamente e encara o céu com os olhos brilhando e um sorriso bobo e alegre.
PETER: — Acho que seria tão bom poder voar nas costas de um Charizard sob esse céu azul cheio de nuvens!
E ao dizer essas palavras, Peter fecha os olhos por um instante.
TRANSIÇÃO PARA:
CENA 12: EXT. CÉU — DIA (SONHO DE PETER)
Um grande e imponente Charizard cruza o céu claro em alta velocidade, passando pelas nuvens e fazendo enormes piruetas e manobras ao voar. E em suas costas, com auxílio de uma cela de montar, Peter se segura firme no Pokémon para não cair. Ele massageia o pescoço do Pokémon de fogo, que o encara rapidamente com um leve sorriso e brilho nos olhos.
PETER: — Muito bom, Charizard! — E o Pokémon apenas assente com a cabeça.
Se elevando ainda mais, Charizard sobe e se aproxima de uma imensa nuvem. Peter resolve se arriscar e estende os braços para o lado, sentindo o vento cortar seu corpo. Sem hesitar, Charizard mergulha dentro da nuvem e, ao atravessá-la, ele e Peter saem um pouco úmidos dela, com Peter sem esconder a felicidade que se estampa em seu rosto.
VOLTA PARA:
CENA 11-B: INT. ESCOLA DE PETER — CORREDOR/SALA DE AULA — DIA
Ao abrir os olhos novamente, Peter ainda se encontra em pé ao lado da porta de sua sala, encarando o céu pela janela à sua frente. Movido pela emoção do seu sonho, ele se agacha e se senta, se escorando na parede. Ele abre sua mochila e retira seu caderno e alguns lápis de cor. Colocando a carta de Charizard sobre a perna direita esticada, ele a encara e começa a desenhar um Charizard em seu caderno, se inspirando na arte da carta.
Quando finalmente está terminando seu desenho, a porta ao seu lado se abre, mas Peter não dá atenção ao ranger da porta e, muito menos, aos passos dados em sua direção, continuando a se concentrar em sua tarefa.
DESCONHECIDO (Fora de Tela): — Belo desenho! O que é isso? — pergunta a pessoa que parou de frente para ele.
PETER: — Ora, é um Charizard! — responde com os olhos fixos no desenho. — Você não sabe reconhecer um quando...
Mas quando Peter levanta a cabeça para encarar a pessoa à sua frente, uma sensação de pânico toma completamente seu corpo. A pessoa à sua frente é a Srta. Harrington, que o encara com uma expressão severa e furiosa, enquanto cruza os braços contra o peito. A imagem da professora assusta Peter momentaneamente, que se levanta apressado, derrubando suas coisas no chão.
PETER: — Professora, me des-desculpa! Eu...
SRTA. HARRINGTON: — Peter, sabia que você não estava refletindo de verdade sobre o seu atraso.
PETER: — Não. Eu... Eu, quero dizer...
SRTA. HARRINGTON: — Sem desculpas, mocinho! Quero você depois da aula comigo para escrever uma redação sobre bom comportamento. Eu fui clara?
PETER: — Si-sim, senhora, Professora! — responde ele envergonhado, com o rosto completamente vermelho. E como se não bastasse, sua turma inteira volta a gargalhar dele, aumentando a sua sensação de vergonha e o deixando com o rosto ainda mais ruborizado.
TRANSIÇÃO PARA:
CENA 13: INT. ESCOLA DE PETER — SALA DE AULA — DIA
Horas mais tarde, quando as aulas já haviam acabado, Peter é o único aluno a permanecer na sala de aula na companhia da Srta. Harrington. Ele está sentado em sua carteira ao lado da janela, enquanto sua professora está trabalhando em sua mesa. Sobre a carteira, Peter está com seu lápis, borracha e um caderno aberto em uma página em branco, com apenas três palavras escritas.
Olhando pela janela, ele vê seus colegas indo embora e deixando a escola, com somente os alunos das equipes de esporte a permanecer nas áreas de treino. Suspirando, ele encara a Srta. Harrington em sua mesa corrigindo algumas redações, mas seu olhar não escapa da atenção dela, que o encara antes de falar.
SRTA. HARRINGTON: — Algum problema?
PETER: — Não, senhora, Professora!
SRTA. HARRINGTON: — Ótimo. Escreva sua redação em até uma página e você poderá ir. A não ser, claro, que prefira ficar até de noite comigo. — Havia um leve tom de deboche na voz dela, na intenção de provocá-lo.
E suspirando de forma dramática, Peter encara sua redação ainda em branco.
PETER: — Por que eu não matei aula logo de uma vez? — murmura ele para si mesmo, finalmente se concentrando e começando a escrever sua redação.
CORTA PARA:
CENA 14: EXT. FÁBRICA DE FERTILIZANTE — ARMAZÉM ABANDONADO — DIA
Ao sul da cidade de Pallet, nos limites entre a zona urbana e rural onde se localiza boa parte das indústrias da cidade, há uma antiga e abandonada fábrica de fertilizantes, cujo teto se encontra quase todo desmanchado, com algumas empilhadeiras gastas largadas ao lado de pilhas de sacos de fertilizantes fétidos e outros tipos de entulho. De frente para a fábrica, o prédio do armazém também se encontra em estado lastimável, com os tetos e janelas quebrados, paredes manchadas e cheias de poeira.
Aos poucos, várias viaturas policiais chegam ao local em silêncio absoluto e com as sirenes desligadas. Vários policiais uniformizados com o emblema da polícia de Pallet saltam dos veículos, armados e usando coletes. O Detetive Stern também salta de uma das viaturas, mas portando apenas sua arma. Ele se vira para os policiais, que se aglomeram em volta dele.
DET. STERN: — Espalhem-se e cerquem o local! Eles devem estar lá dentro — diz apontando para o prédio do armazém. E seguindo suas ordens, os policiais se espalham e cercam o prédio do armazém.
CENA 15: INT. FÁBRICA DE FERTILIZANTES — ARMAZÉM ABANDONADO — CONTÍNUO
Já no interior do armazém, a vista não era muito diferente do lado de fora. Há entulhos, sacos de fertilizantes, tábuas de madeira e alguns maquinários espalhados pelo lugar. Poeira, manchas nas paredes e teias de aranha completam o visual abandonado do lugar, além de um odor desagradável que o permeia todo. Frestas de luz do sol invadem o lugar pelo teto quebrado e as janelas estilhaçadas.
Para nossa surpresa, Marv e Harry se encontram presentes no armazém, embaixo de um dos buracos do teto, iluminados pelo brilho do sol que invade o lugar. Harry segura em mãos uma filmadora e a aponta para Marv, que se encontra parado em pé, de costas para uma mesa improvisada com sacos de fertilizantes e uma tábua de madeira. E sobre a mesa improvisada, estão as cápsulas roubadas contendo os ovos do laboratório do Professor Carvalho.
HARRY: — Por que estamos fazendo isso mesmo? — pergunta enquanto ajusta a filmadora para começar a gravar.
MARV: — Ora, essa! Nós temos que anunciar os ovos para os possíveis compradores de forma discreta. Não queremos que alguém roube a nossa mercadoria que custamos roubar.
HARRY: — Ah, sim!
MARV: — Agora, cale a boca e me filma! Vou jogar esse vídeo no mercado negro para ver se a gente arruma alguém para comprar esses ovos logo.
HARRY: — Tá bom! Vou começar! — Ele aperta "play" para iniciar a gravação.
MARV: — Boa tarde, caros... — Mas mal Marv começa a falar quando, de repente...
BHOOOM! O som rompante de madeira se partindo e vidros estilhaçados soa alto pelo armazém, assustando os dois ladrões. Vários policiais entram pelos buracos e portas, além de saltarem as janelas. Em uma fração de segundo, Marv e Harry se encontram cercados por todos os lados por vários policiais, que apontam suas armas para eles. Da porta da frente, o Detetive Stern aparece e se aproxima deles.
DET. STERN: — Mãos ao alto! Vocês estão presos! — grita apontando a arma para eles.
Harry, que deixou a filmadora cair quando se assustou com a entrada abrupta dos policiais, não hesita em acatar as ordens do Detetive Stern e levanta as mãos para o alto para se render. Porém, Marv se mantém calmo e, lentamente, vai se aproximando das cápsulas dos ovos.
MARV: — Hum, nos acharam. — diz com ironia. — Hey, Harry, vê se fica calmo e tenta não soltar nenhum pum.
HARRY: — Como é que é? — Se vira para ele confuso.
MARV: — Eu disse para você não soltar nenhum pum — responde com uma piscadela para ele.
HARRY: — Ah, entendi! — E sua feição confusa se esclarece.
Finalmente compreendo as palavras do parceiro, Harry mexe no bolso da calça e saca uma pokébola. Ele aperta o botão dela para expandi-la até o tamanho do palmo e a arremessa no ar. A pokébola se abre e um feixe de luz branca sai de dentro dela, se materializando no meio do ar, ganhando a forma do Pokémon a se libertar.
HARRY: — Vai, Koffing!
E, então, surge um Pokémon de corpo redondo, parecido com uma rocha roxa cheia de poros por onde sai uma fumaça escura, com um desenho de caveira no centro do corpo.
KOFFING: — Koffing!
HARRY: — Agora, Koffing, Smokescreen!
E com um pequeno esforço, Koffing inspira fundo e libera de seus poros uma grossa e densa camada de fumaça negra que cobre todo o interior do armazém. A fumaça tem um cheiro podre e afeta os policiais ao ponto de fazê-los tossir e sentir irritações nos olhos e narizes.
DET. STERN: — Coff, coff! Cuidado, isso é... Um truque! Coff, coff, não deixem que eles escapem!
Enquanto os policiais e o Detetive se deixam distrair pela cortina de fumaça do Pokémon Venenoso dos ladrões, Marv aproveita essa distração para pegar as cápsulas com os ovos Pokémon. Após tirá-las de cima da mesa improvisada, ele chuta os sacos e a tábua com força para longe e, em um instante, uma escotilha se revela por baixo da montanha de sacos de fertilizantes.
Harry e Koffing se aproximam dele. Marv entrega duas cápsulas para ele e puxa a porta da escotilha, revelando uma escada que desce para um fundo escuro. A vista daquela passagem surpreende Harry.
HARRY: — Aonde esse túnel leva mesmo?
MARV: — Ao canal de esgoto da cidade. Eu trabalhei aqui antes de fecharem a fábrica, e foi por causa dessas irregularidades de despejarem produtos tóxicos direto no esgoto que a fábrica fechou.
HARRY: — Agora entendi por que você quis vir para cá.
MARV: — Vamos, depressa! Antes que nos peguem.
HARRY: — Certo. — Acena a cabeça em concordância.
Segurando duas cápsulas de forma desajeitada, Marv começa a descer as escadas o mais depressa que consegue. Harry saca a pokébola de seu Koffing e o retorna para dentro, antes de pegar sua cápsula e descer a escada também, fechando a escotilha antes de ir mais fundo.
Aos poucos, a cortina de fumaça produzida por Koffing começa a se dissipar e a visibilidade dos policiais retorna devagar. No entanto, quando finalmente conseguem ter uma boa visão do lugar, eles percebem que Marv e Harry já desapareceram.
POLICIAL 1: — Como eles fugiram sem percebemos? — pergunta intrigado.
POLICIAL 2: — Vejam! — Aponta com o dedo.
O Detetive Stern e os policiais olham para a direção apontada pelo colega que havia respondido. Ele aponta para a porta da escotilha usada por Marv e Harry em sua fuga, e todos ficam completamente pasmos com isso.
POLICIAL 1: — Parece um alçapão.
DET. STERN: — Não, está mais para uma escotilha. Essa fábrica despejava produtos ilegalmente pelo canal de esgoto da cidade. Eles deviam conhecer bem esse lugar para terem fugido assim com tanta facilidade, mas não se preocupem.
E diante da situação, o Detetive Stern abre o sobretudo e tira do bolso lateral o tablet que havia sido dado a ele pelo Professor Carvalho. Ele liga o aparelho no software de rastreamento e monitora a movimentação das cápsulas dos ovos. Ele percebe que a movimentação de Marv e Harry está indo em direção ao norte da cidade e, movendo o mapa, ele nota a saída do túnel pluvial próxima ao Parque Central Midwood, percebendo que é o local de saída da rota de fuga deles.
DET. STERN: — De acordo com os chips nas cápsulas, eles estão indo rumo ao norte da cidade. Podemos pegá-los em um perímetro próximo ao Parque Central Midwood. Há uma saída do túnel pluvial próximo dali. Eles devem subir por lá para voltarem à superfície.
POLICIAL 1: — Entendido, senhor!
Detetive Stern guarda o tablet no sobretudo e pega o rádio da polícia.
DET. STERN: — Atenção, todas as unidades. Suspeitos dos ovos subindo a rede de esgoto rumo a saída do túnel pluvial. Precisamos estabelecer um perímetro próximo ao Parque Central Midwood para pegá-los a tempo. — E então guarda o rádio novamente. — Vamos! Precisamos alcançá-los!
POLICIAL 1/POLICIAL 2: — Sim, Senhor! — responde alguns policiais em uníssono. E então todos correm para fora do armazém.
CORTA PARA:
CENA 16: EXT. PARQUE CENTRAL MIDWOOD — JARDIM — DIA
As áreas de jardim do parque Midwood são compostas por várias árvores e arbustos altos e, em meio à sombra das vegetações, Marv e Harry descansam sob algumas árvores. Eles estão bastante suados e um pouco ofegantes, mas ainda mantém as cápsulas com os ovos Pokémon com eles.
HARRY: — Será que já despistamos a polícia, Marv? — pergunta enquanto recupera o fôlego.
MARV: — Eu acho... Eu acho que sim.
De repente, um pequeno ruído em um volume e frequência baixa, quase inaudível, soa aos poucos, próximo de Marv. O som chama sua atenção e ele se concentra para identificá-lo e reconhecer sua origem. Quando finalmente consegue identificar de onde o som vinha, uma expressão atônita preenche a face de Marv, que encara as cápsulas dos ovos apavorado.
Ele pega uma das cápsulas, a que contém o ovo laranja, e a aproxima do rosto para vê-la melhor. Ele encara bem o ovo no interior da cápsula e percebe algo na ponta do ovo que chama sua atenção. Um pequeno chip em um minúsculo aparelho.
Ele remove a tampa da cápsula e retira o ovo de dentro dela. Ele pega o aparelho na ponta do ovo para examiná-lo melhor e, ao virá-lo, percebe que há uma pequena luz vermelha piscante atrás do aparelho. Isso é o suficiente para aumentar a sensação crescente de pânico que ele estava sentindo.
MARV: — Essa não! — exclama atônito.
HARRY: — O que foi, Marv? — pergunta assustado.
MARV: — Os ovos... Eles tinham um chip conectados a eles o tempo todo. Era por isso que eles nos encontraram com tanta facilidade.
HARRY: — Se eles estão nos rastreando pelos chips, quer dizer que...
MARV: — Quer dizer que eles sabem que estamos aqui no parque e devem estar se encaminhando para cá agora.
HARRY: — Mas o que nós vamos fazer? — O pavor de Harry aumenta.
MARV: — Eu não sei. Eu...
Marv olha para o chip em sua mão com uma expressão pensativa por um longo tempo, até que, por fim, sua expressão se altera. Sua mente estala com um lampejo de ideia que passa por ele rapidamente.
MARV: — Já sei! Primeiro, vamos tirar os ovos de dentro das cápsulas. — E ao dizer isso, Marv pega cada um dos ovos, um a um, retirando-os de suas cápsulas e removendo seus chips. — Agora, a gente coloca os chips dentro de cada cápsula. — Remontando-as, Marv coloca os chips dentro delas antes de lacrá-las. — Pronto! Agora eles estão rastreando as cápsulas, mas sem os ovos.
HARRY: — E agora? — pergunta, ainda confuso e sem entender o raciocínio do colega.
MARV: — É muito simples, Harry! Vamos esconder os ovos por aqui nesse parque e usar os chips nas cápsulas para enganar a polícia. Se jogarmos as cápsulas no córrego que deságua no rio aqui perto, eles vão seguir as cápsulas por engano, e a gente volta para cá depois para buscarmos os ovos.
HARRY: — Brilhante, Marv! — Ele se alegra com o plano dele.
MARV: — Obrigado! Agora, pegue! — Ele estende as mãos para entregar o ovo laranja para Harry, que o pega com cuidado. — Esconda esse ovo em algum lugar! Eu vou esconder os outros dois por aqui.
HARRY: — Certo! — Ele acena a cabeça em concordância.
ENA 17-A: EXT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — PLAYGROUND — CONTÍNUO
Marv e Harry se levantam e começam a andar pelo parque. À medida que procuram alguns esconderijos para os ovos, eles se aproximam do playground do parque. Marv consegue encontrar uma árvore com um largo buraco em seu tronco e esconde um de seus ovos nela. Ele olha para frente, notando os brinquedos do parque.
MARV: — Por que não esconde o seu perto do playground? — Sugere à Harry.
HARRY: — Tá bom — responde em concordância.
Enquanto Marv procura um esconderijo para o outro ovo, Harry se afasta e se aproxima do playground. Ele olha para todos os lados à procura de um bom esconderijo em meio aos brinquedos e construtos do playground, mas não encontra nada que o agrade.
HARRY: — Onde será que posso colocar esse ovo? — pergunta para si mesmo.
É então que, ao continuar com a sua procura, Harry se depara com a torre do relógio de pedras coloridas. Ele encara a torre com atenção e percebe as janelas quadradas. Ao se aproximar um pouco mais dela, ele percebe que há um tipo de cômodo interior dentro da torre e, inspecionando-a com atenção, ele nota a entrada por baixo da parede com o relógio.
CENA 18: INT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — TORRE DO RELÓGIO — CONTÍNUO
Engatinhando, Harry consegue se espremer para dentro da torre e, uma vez lá dentro, consegue ficar de pé dentro dela, apesar de seu volume corporal limitar sua movimentação no espaço dentro dela.
HARRY: — Legal! Meio pequeno para mim, mas serve.
Olhando bem para o interior da torre, Harry percebe o piso superior e, apoiando-se nas pedras que funcionam como uma escada, ele o alcança. Percebendo como o espaço nesse piso é grande o suficiente para manter o ovo, ele estica os braços e o posiciona bem fundo no espaço oco da torre.
HARRY: — Pronto — murmura.
Com seu trabalho concluído, Harry se vira e se engatinha para fora da torre.
CENA 17-B: EXT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — PLAYGROUND — CONTÍNUO
Depois de sair de dentro dela, ele se levanta e, bem na hora, Marv retorna para perto dele, notando sua saída de dentro da torre.
MARV: — O que você estava fazendo aí dentro?
HARRY: — Aqui dentro é oco, mas tem um tipo de piso superior dentro. Eu coloquei o ovo aqui.
MARV: — Tem certeza de que foi uma boa ideia esconder o ovo aí? — pergunta intrigado.
HARRY: — Tenho. Lá dentro é muito pequeno. Só uma criança caberia ali. Dei sorte por ser baixinho — Ele tenta passar confiança ao falar.
MARV: — Nesse caso, então, ótimo. Agora vamos! Precisamos pegar as cápsulas com os chips para despistar a polícia — fala com determinação.
HARRY: — Tá bom. — Ele acena em concordância e, então, os dois correm para onde haviam deixado as cápsulas, para buscá-las e continuarem com o seu plano.
CORTA PARA:
CENA 19: EXT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — PLAYGROUND — ENTARDECER
Tendo se passado algumas horas, o dia já está quase perto do fim e o sol se põe no horizonte, pintando o céu com uma mescla de laranja e rosa. Cruzando o Parque Central Midwood com uma enorme pressa, Peter corre por ele em direção ao playground. Sua euforia é visível em seu semblante, mas quando ele finalmente alcança o playground, uma expressão desapontada toma seu rosto.
Peter nota que o parque está ocupado apenas por crianças de idade menor que a dele, acompanhadas apenas dos pais. Não há nenhum amigo conhecido ou mesmo alguém da sua idade presente ali.
PETER: — Achei que fosse encontrar o pessoal aqui depois da escola — murmura para si mesmo, entristecido. Ele encara a torre do relógio. — Será que eles estão lá dentro?
Peter começa a andar lentamente rumo à torre. Há um pouco de esperança visível em seu olhar enquanto se aproxima.
CENA 20: INT. PRQ. CENTRAL MIDWOOD — TORRE DO RELÓGIO — CONTÍNUO
Ele atravessa a passagem por baixo da parede do relógio, mas, ao entrar, outra expressão de decepção o atinge. Não há ninguém dentro da torre.
Entristecido, Peter sobe a escada de pedra até o piso superior, no entanto, ele é tomado pela surpresa ao notar algo ali. Ele percebe a presença do ovo Pokémon laranja deixado ali por Harry horas atrás e não consegue esconder o espanto e o choque diante do ovo Pokémon.
PETER: — O que... O que é isso? — Ele mal consegue falar de tão pasmo que ficou.
Peter sobe completamente no piso superior e se senta sobre ele. Ele agarra o ovo Pokémon e o analisa com cuidado.
PETER: — Parece um... — Ele examina o ovo mais um pouco. É então que sua expressão se altera e se torna completamente animada. Um largo sorriso se forma em sua boca e é inegável a euforia e o entusiasmo que o toma, sensações percebidas em seu semblante completamente alegre. — É sim. É um ovo de Pokémon!
Peter sorri animadamente, um sorriso tão grande que mal parece caber em sua boca. Seus olhos brilham de felicidade e ele ergue o ovo no ar de tanta emoção. Ele abraça o ovo e, então, se vira para olhar pela janela. O céu lá fora começa a ganhar pequenos tons escuros da noite que se aproxima, mas há, ainda, o laranja do sol poente.
PETER: — Eu não acredito. Isso é um sinal. É sim. Os meus sonhos... O Meu sonho... — Ele mal consegue falar de tanta alegria enquanto encara o céu com um sorriso.
Continua no próximo episódio...
[Encerramento: “My Tomorrow” de AiM]
NO PRÓXIMO EPISÓDIO de “Pokémon Nova Geração: Aventuras Em Kanto!”:
PETER: — Espera, quem será que deixou esse ovo aqui? Seja quem for, essa pessoa deve tê-lo escondido aqui para buscá-lo depois. Tenho que levar esse ovo escondido para casa para que ninguém o ache.
ROSALIE: — Peter, o que está escondendo nessa caixa?
PETER: — Não é nada mãe, só uns materiais para um trabalho da escola.
ROSALIE: — Deixe-me ver!
PETER: — Não precisa, mãe.
* * * * *
MARV: — Harry, cadê o ovo que você escondeu?
HARRY: — Marv, acho que alguém levou.
MARV: — O QUÊ? Como isso aconteceu?
HARRY: — Deve ter sido uma criança. Só uma conseguiria entrar ali.
MARV: — Então, vamos achá-la!
Não percam o próximo episódio de “Pokémon Nova Geração: Aventuras Em Kanto!”
“Sonhos Ameaçados! O Nascimento de Charmander!”
É agora que a aventura começa!
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