Pokemon - Pink Ribbon

5 Capitulo 5 - Excursão ao Monte Lua e a Equipe Rocket


— Espera só. — Uzui comentou com sua irmã ao saírem do centro Pokemon ao pé do famoso Monte Lua, localizado nos confins da Rota 3. — O Monte Lua é cheio de Zubats. E sabe o que os Zubats fazem com treinadores despreparados? Eles atacam e sugam-lhes o sangue até a última gota!

— Para, seu idiota! — Kazumi gritou, cobrindo os ouvidos com as mãos e baixando-as logo em seguida, ruborizando levemente pelo gesto. — Até parece que essa sua historinha boba vai me assustar.

— Admita, irmãzinha. — O menino zombou, sabendo perfeitamente bem que sua irmã gêmea detestava ser chamada daquela forma. — Você está morrendo de medo.

— Cala a boca, Zuzu!

— Não me chama assim, Kazumi!

— Chamo, sim. Um apelido idiota para um babaca.

Os dois irmãos se encararam com raiva e seguiram o resto do caminho para a entrada do Monte Lua em absoluto, teimoso silêncio. Assim que adentraram a caverna, porém, o rapaz sentiu sua irmã chegar mais perto. Uzui nada disse, apenas riu consigo mesmo.

— Do que está rindo, seu babaca? — Kazumi rosnou, dando-lhe um forte soco no ombro esquerdo.

— Cala a boca e anda, sua medrosa. — Foi a resposta. — Senão vai ficar para trás e os Zubats vão ...

— Cala a boca!

O grito quase histérico da menina de cabelos negros fez Uzui cair na gargalhada, o que lhe ganhou em retaliação mais um par de socos. Kazumi foi esperta o bastante para tirar sua Charmeleon da Pokebola, permitindo que a Pokemon tipo Fogo caminhasse à frente e iluminasse o local com a chama da ponta de sua cauda.

— Sabe ... — Uzui disse depois de alguns minutos caminhando em silêncio por entre as rochas da enorme caverna. — Não são só Zubats que vivem aqui. Eu menti sobre isso.

— Que outros Pokemon vivem aqui?

— Awn ... Paras, Geodude, Clefairy ... Acho que tem Sandshrews vivendo aqui também ...

— Clefairy! — Kazumi exclamou, seus olhos se arregalando de surpresa e deleite. — Sério?! Aqueles Pokemon fofinhos vivem aqui?! Precisa me ajudar a achar um, Zu!

Uzui balançou a cabeça afirmativamente, sorrindo consigo mesmo. É claro que Kazumi iria querer tentar capturar um Clefairy. Aquele era um de seus Pokemon favoritos, afinal. Ela inclusive tinha uma Clefairy de pelúcia, seu brinquedo favorito desde que os dois eram bebês.

— Ei, olha! — O garoto apontou minutos depois. — Tem um ali!

— É meu!

E, dizendo isso, Kazumi e sua Charmeleon dispararam correndo na direção da Clefairy, assustando a Pokemon selvagem, que fugiu ainda mais para dentro da enorme caverna.

— Espera aí, Kazumi!

Mas a menina, como já era de se esperar, não lhe deu ouvidos, simplesmente continuou correndo. Uzui ficou parado por um longo segundo, considerando deixar sua irmã se virar sozinha. Momentos depois, com um suspiro de exasperação, disparou a correr atrás dela.

Encontrou-a parada em uma bifurcação, com as mãos nos joelhos, ofegando audivelmente.

— E aí, conseguiu?

— Não. — A menina respondeu entre arquejos. — Ele ... Fugiu.

Uzui revirou os olhos para sua irmã. Mesmo sendo sua gêmea, na maioria das vezes o garoto sentia-se como o mais velho.

— Viu para onde ele foi?

Kazumi meramente balançou a cabeça em resposta. Com mais um profundo suspiro, o menino de cabelos negros se pôs a observar o chão rochoso com cuidado. Não tardou a encontrar o que procurava: pegadas.

— Anda, sua idiota. — Uzui disse, estendendo uma das mãos para sua irmã. — Se ficar aí sentada, não vai capturar aquele Clefairy.

A menina mais uma vez assentiu em resposta, silenciosamente seguindo seu irmão. Eram raras aquelas ocasiões, em que permitia que ele assumisse o controle, e sempre o fazia de má vontade.

O caminho descendente que seguiam os levava cada vez mais para as profundezas do Monte Lua, e logo os gêmeos se viram mais escorregando do que andando de fato. Não tardaram a atingir um paredão de rocha sólida, um beco sem saída.

— Mas que droga! — Kazumi praguejou. — Aquele Clefairy nos enganou!

— Anda, vamos voltar. Aposto que podemos encontrar outro Clefairy no caminho.

Num gesto de frustração, Kazumi chutou a parede rochosa da caverna, sem dar ouvido à exclamação de advertência de Uzui. Uma chuva de pedriscos caiu do teto, bloqueando o caminho pelo qual os gêmeos haviam vindo.

— Que droga, Kazumi! — Uzui quase gritou. — Olha só o que você fez!

— Eu ... Eu ... Sinto muito. — Os olhos azuis da menina estavam enormes, arregalados de medo. — Podemos achar outro caminho?

— Vamos ver. — Foi a resposta, enquanto o garoto tirava um mapa da mochila que trazia nas costas. — IceFire, me dê uma mãozinha aqui.

A Charmeleon assentiu e se aproximou do garoto, iluminando o mapa com a chama de sua cauda. Uzui estudou o objeto por um longo tempo, em absoluto silêncio.

— E aí? — Kazumi exigiu, fincando as mãos nos quadris numa atitude impaciente.

— Não tem jeito. — O menino respondeu. — Vamos precisar de ajuda. O problema é que saímos muito tarde do centro Pokemon. A essa hora, ninguém mais vai passar por aqui. Vamos ter que esperar até amanhã de manhã.

A garota de cabelos negros ia protestar, mas um mero olhar de seu irmão gêmeo a fez calar-se. Raramente via Uzui com tanta raiva, e achou melhor simplesmente anuir.

Com um pouco de sorte encontraram alguns gravetos, na certa trazidos por Pokemon selvagens, e conseguiram montar uma pequena fogueira graças à chama de IceFire. Os gêmeos se acomodaram em frente ao fogo, cada qual enrolado em um cobertor e comendo um sanduíche preparado mais cedo naquele dia.

— Eu não quero ficar aqui. — Kazumi choramingou. — E se aparecerem Zubats?

— Bom, a culpa por estarmos nessa situação é toda sua. — Uzui rebateu com frieza.

IceFire, para tranquilizar sua treinadora, deu uma olhada nos arredores, satisfeita ao não ver nenhum sinal de Zubats selvagens naquela parte da caverna. Só então Kazumi colocou sua fiel parceira de volta na Pokebola e enrodilhou-se em seu saco de dormir.

A menina tentou fechar os olhos apenas para abri-los novamente poucos segundos depois. Cada mínimo ruído ecoava pela caverna, amplificado e tornado ainda mais assustador. Dessa inquietação a menina foi subitamente distraída por um Pokemon aproximando-se timidamente do fogo.

— Clefairy?!

A pequenina Pokemon cor de rosa soltou um arquejo de medo, seus olhos negros e redondos como contas hesitando entre o túnel por onde havia vindo e a fogueira à sua frente.

— O que faz aqui? — Kazumi inquiriu, sentando-se lentamente, tomando cuidado para não assustar a Pokemon selvagem. — Também não gosta do escuro?

Clefairy assentiu, relaxando ao não perceber nenhum movimento hostil da menina humana. A pequena criatura aproximou-se ainda mais do fogo, suspirando de contentamento.

— Você está com frio. — A menina notou. — Aposto que está com fome também. Se perdeu dos seus amigos, não é?

Mais uma vez a Pokemon assentiu, parecendo devastadoramente entristecida.

— Nós também. — Kazumi revelou, indicando a si mesma e Uzui com um gesto da mão. — Eu tenho comida Pokemon aqui. Pode comer, se quiser.

A menina kantoniana estendeu a mão para sua mochila e tirou de lá a lata onde guardava a comida Pokemon. Os olhos de Clefairy se arregalaram de surpresa.

— Sim, pode comer. — A morena repetiu, abrindo um pequeno sorriso. — Eu tenho um cobertor extra, também. Você pode dormir aqui se quiser, assim não vai precisar ficar sozinha.

Com um sorriso agradecido, a Pokemon Fada aceitou a oferta. Em pouco tempo estava bem alimentada e enrolada em um cobertor, olhando satisfeita para a pequena fogueira improvisada. Kazumi encarava o teto, esperando o sono chegar, quando sentiu uma mão minúscula tocar seu ombro.

— O que foi? — A menina inquiriu. — Qual é o problema, Clefairy?

Para sua extrema surpresa, a pequenina Pokemon cor de rosa lançou os bracinhos ao redor de seu pescoço num abraço apertado. Kazumi levou alguns segundos, mas enfim retribuiu o gesto. Rindo baixinho, a menina abriu o saco de dormir e permitiu que Clefairy se aninhasse contra seu peito.

A Pokemon Fada era surpreendentemente macia, quase como se fosse de pelúcia, e foi abraçada à sua nova amiga que Kazumi finalmente conseguiu pegar no sono.

— Anda, sua Slowpoke. Acorda!

A voz fez Kazumi entreabrir os olhos, sentindo suas pálpebras ainda pesadas de sono. A menina encarou Uzui, seu irmão gêmeo, com irritação.

— Vá se ferrar, Uzui. — Ela resmungou. — E me deixe dormir.

— Tá, que seja. — Uzui rebateu. — Fique aqui com os Zubats, então.

A menção aos morcegos pokemon fez Kazumi imediatamente sentar-se em seu saco de dormir, completamente alerta. O menino de cabelos negros, que a encarava de braços cruzados, abriu um sorriso malicioso.

— Cale essa boca. — Kazumi rosnou enquanto se punha de pé, esfregando os olhos com as costas das mãos. — É sério, Uzui, não se atreva.

Uzui respondeu meramente com uma risada, adorando ver o constrangimento de sua irmã. Kazumi o fuzilou com os olhos antes de se ajoelhar e sacudir delicadamente a Clefairy ainda adormecida.

— Ei, garota. — A morena disse. — Hora de acordar. Já é de manhã. Não quer ir encontrar seus amigos?

A Pokemon Fada deu um longo bocejo e se pôs de pé, lançando um sorriso para a menina de cabelos negros enquanto assentia.

— De onde esse Clefairy veio? — Uzui inquiriu.

— Sei lá. — Kazumi respondeu, dando de ombros enquanto se ocupava em dobrar e guardar seu saco de dormir em sua mochila. — Ela apareceu aqui ontem. A coitadinha estava com frio, então deixei ela ficar.

— Sortuda. — O menino acusou jocosamente. — Andem logo, vamos ver se conseguimos alguma ajuda pra remover aquelas pedras.

Os gêmeos e a Clefairy desgarrada se puseram a caminhar até atingirem a bifurcação. Um caminhante não tardou a passar, um homem robusto na casa dos trinta anos.

— Ora, ora. — Ele disse ao notar as duas crianças. — O que vocês dois estão fazendo aqui?

— Estávamos indo para Cerulean, senhor. — Uzui respondeu educadamente. — Mas nos perdemos, e o teto desabou.

— Bom, garoto, nisso meu parceiro e eu podemos ajudar.

De um bolso lateral da enorme mochila em suas costas o homem tirou uma pokebola. O dispositivo continha um Onix, que em questão de segundos reduziu as rochas bloqueando o caminho a nada mais do que poeira usando sua poderosa cauda.

— Muito obrigada, senhor.

— Não foi nada, garoto. — O homem respondeu, sua densa barba tremendo enquanto ele sorria. — É melhor você e a mocinha aí tomarem cuidado para não sair do caminho. Sigam reto por esse túnel e ficarão bem.

Mais uma vez os gêmeos agradeceram, declinando da oferta do caminhante para acompanhá-los até a saída da caverna. Os dois acenaram em despedida enquanto seguiam pelo caminho que ele havia indicado.

Após a bifurcação, o túnel seguia reto até uma formação rochosa, onde havia sido instalada uma escada de corda. Os degraus de madeira tinham uma aparência instável, e Kazumi os encarou com desconfiança.

— Não acredito que temos que descer por essa coisa.

— Parece que sim. — Uzui respondeu. — Me lembro de ter lido que a rocha em alguns pontos do Monte Lua é dura demais para ser quebrada, então tiveram que cavar túneis por baixo.

— Que sorte a nossa.

— Pare de reclamar. — O garoto exclamou impacientemente. — Ande logo, vamos descer.

— Pode ir na frente.

Uzui suspirou com enfado ao ouvir aquilo, mas foi o que fez. Nem bem os pés do garoto tocaram o chão, algo o derrubou violentamente. Erguendo os olhos, o garoto viu que um Golbat o havia atacado.

— Ora, ora. — Uma voz feminina disse. — Olhe só o que temos aqui. Um pirralho bisbilhoteiro.

Uzui olhou na direção da voz para se ver encarado por um par de penetrantes olhos castanho-claros. Os olhos pertenciam a uma mulher. A desconhecida usava um vestido negro com um R vermelho bordado no peito, assim como luvas e botas brancas. Seus cabelos, de um ruivo flamejante e cortados em estilo chanel na altura do queixo, eram protegidos por uma boina negra.

— Esse Golbat é seu?

— Claro que sim, docinho. — A mulher respondeu manhosamente. — De quem mais seria?

— Ótimo, então mande esse morcego horroroso sair de cima de mim!

Ao ouvir aquelas palavras, as garras de Golbat apertaram ainda mais os ombros do garoto, e os olhos da mulher desconhecida se estreitaram.

— Você é uma gracinha. — Ela disse. — Mas precisa aprender boas maneiras. Golbat, use Corte Aéreo!

— Ah, não, você não vai! — Kazumi rosnou. — Ninguém machuca o meu irmão a não ser eu, sua lesada!

— Outra pirralha mal educada. — A mulher ruiva suspirou dramaticamente. — Presa Venenosa nela, Golbat.

— Clefairy, use Metrônomo! — A jovem treinadora de Cinnabar ordenou. — Fire, Brasa!

A Charmeleon, sendo mais rápida, foi a primeira a atingir o Pokemon Morcego com brasas que queimaram-lhe a fina membrana das asas. Clefairy então seguiu usando Metrônomo. De seu dedo erguido que balançava no ar saiu uma faísca de eletricidade, que logo transformou-se em um poderoso ataque Trovão.

Uzui, tendo se recuperado e já de pé, entrou na luta com seu Squirtle. O Jato d'Água lançado pelo Pokemon Tartaruguinha acertou o morcego direto no peito, lançando-o violentamente contra a parede rochosa da caverna.

— Mas que droga! Golbat, retorne! — A mulher ruiva exclamou, colocando seu Pokemon de volta na Pokebola enquanto lançava um olhar de puro ódio para os gêmeos. — Não pensem que vou esquecer disso, pirralhos.

E, com essas palavras, a mulher misteriosa desapareceu correndo pelo túnel. Kazumi soltou um grito de vitória, enquanto Clefairy dava um pequeno salto para bater a mão na sua em um cumprimento.

— Você foram demais! — A menina exclamou para suas duas Pokemon. Botaram aquela lesada pra correr!

— Nada mal, Zumi. — Uzui elogiou. — E obrigada por me ajudar.

— De nada. — Foi a resposta. — Você se machucou?

— Não. Eu estou bem.

— Ótimo.

Sorrindo, a menina acertou o topo da cabeça de seu irmão gêmeo com um tapa.

— Ouch! — O garoto exclamou. — Isso doeu, sua maluca!

— Essa era a ideia. — Kazumi rebateu. — Anda logo, vamos dar o fora antes que apareçam outros esquisitões.

— Essa é a primeira boa ideia que você já teve.

— Cale essa boca.

Os dois gêmeos continuaram a caminhar pelo túnel inferior, que seguia reto. Mais uma vez atingiram uma formação rochosa onde estava apoiada uma escada de corda. Kazumi suspirou com enfado, mas dessa vez não protestou.

Mal puseram os pés no túnel superior, os gêmeos foram cercados pela mesma mulher de antes, desta vez acompanhada por um homem de cabelos castanhos vestido num conjunto de calça e camisa que espelhava o seu.

— Mas que diabos vocês querem? — Kazumi rosnou. — Ainda não tiveram o bastante?

— Eu disse que lhe ensinaria uma lição, pirralhinha. — A mulher ruiva respondeu, seu tom quase um ronronar. — Quem mexe com a Equipe Rocket sempre sai perdendo, cedo ou tarde.

— Equipe de lesados, é o que vocês são!

— Ora, sua ...

Uzui e Kazumi não deram à dupla nem tempo de enviar seus Pokemon. Squirtle atingiu-lhes os pés com Jato d'Água, fazendo ambos perderem o equilíbrio. IceFire seguiu imediatamente, continuando o ataque com Garra Furiosa para não dar-lhes tempo de se recuperar. Assim que a Charmeleon recuou, Clefairy usou Metrônomo mais uma vez, disparando um poderoso Tri-Ataque que atingiu o teto e fez deslizar mais uma onda de pedras.

— Kazumi, cuidado!

A advertência foi proferida a tempo, fazendo com que Kazumi conseguisse sair do caminho antes que um pedregulho maior do que os outros caísse, bloqueando o túnel completamente.

— Valeu. — A menina disse com um sorriso. — Parece que demos um jeito naqueles esquisitões de novo.

— Parece que sim. — Uzui concordou. — Mas o que diabos é essa tal de Equipe Rocket?

— Eu também queria saber. — Foi a resposta. — Anda, estou vendo luz ali na frente. Deve ser a saída.

— Até que enfim!

Os gêmeos e seus Pokemon correram na direção da luz, que realmente era a saída da caverna. Para surpresa de Kazumi, Clefairy os seguiu.

— É sério? — A menina inquiriu. — Quer vir com a gente? Não prefere ficar e encontrar seus amigos?

A Pokemon Fada acenou em negativa, saltando agilmente e empoleirando-se no ombro de Kazumi. A menina acariciou-lhe o topo da cabeça, sem conseguir conter um enorme sorriso.

Com mais uma adição no time, os gêmeos enfim se puseram a caminho da cidade de Cerulean.