Pokémon - Versão Yurmin
1 Yurmin - You're mine
Um tempo antes do natal, em 1989, eu, um dos melhores jogadores de Pokémon mundo — intitulado assim por conhecer todos os mapas, e todos os segredos do game que acabara de ser lançado, resolvi andar um pouco pelas ruas mais movimentas da cidade, sendo estas repletas de lojas, cujas, se encontravam abertas até a noite, pois atraiam muitos clientes em busca do presente perfeito para o Natal.
Em frente à uma grande loja, que remetia aos shoppings atuais, havia uma loja em que já era freguês: Esta, vendia jogos originais para os nossos tão amados GameBoys, e na vitrine, um cartucho prendeu toda minha atenção: O Pokémon Blue, cujo, já havia zerado e após dei à um amigo que não encontrava o game à venda. Novamente, entrei na loja, e joguei conversa fora com o vendedor que já havia se tornado meu amigo. Ele disse que havia recebido aquele cartucho à alguns tempos, mas todos que jogaram, eram vítimas de mudanças de comportamento repentinos e seus pais acabam fazendo devolução do produto. Como não acreditava nesse tipo de coisa, levei.
Pedi ao empacotador que embrulhasse o cartucho, pois abriria apenas no natal. Dito e feito.
Dias depois, na manhã do tão esperado dia, o natal, abri o pacote.
Como minha mãe quem havia dado o dinheiro para comprar, corri mostrar à ela meu novo jogo — O sorriso estampado em meu rosto, mostrava a alegria que tinha em poder jogar de novo aquilo que me deixou reconhecido pelo mundo todo. Eu já era um profissional, mesmo que adolescente.
Recordo que naquele dia, estava tão animado que parecia até ser meu primeiro jogo do Pokémon (risos), eu gostava de me aventurar naquele universo.
E o tempo passava, minha bravura transformava-me cada dia mais em uma estrela: Eu não era mais um simples jogador de Pokémon, pois minha mente já havia se organizado diante daquele jogo, eu vivia do meu GameBoy.
Como inicial, escolhi Charmander, e como de costume, meu rival escolheu o tipo água — Squirtle. Mas eu vencia, vencia sempre. Minhas habilidades para jogar eram incríveis. Mesmo com simples sprites — o que chamam hoje de gráficos, eu me viciava.
E ali, o tempo passou, até que comprei um lançamento recente: O GameBoy Advance, coisa que um profissional como eu, devia ter. Eu queria aumentar minhas habilidades em Pokémon.
Minha mãe reclamava de todo o tempo que gastava naquilo, mas eu não ligava, Pokémon, havia se tornado minha vida, meu sangue. Eu participava de torneios pela região, mas vencia sempre. Resolvi então, criar um "cantinho" na internet, para postar todas minhas táticas no jogo. E em 10 dias, meu site já estourava, e um jogador me deu um conselho, treinar mais caso quisesse passá-lo, o que acabou tirando toda minha atenção da vida. Este jogador, se chamava Yurmin, o melhor do mundo, perdia apenas pra ele.
Com tanto conhecimento sobre o jogo e suas "hacks" — modificações que iam fácil ao mercado, meu cantinho tinha sempre resenhas e coisas diferentes para contar à meu tão adorado público, mas o melhor, Yurmin, sempre me enviava e-mails, pois conversar por comentários não era coisa dele.
Dias se passavam e Yurmin finalmente tentou me derrubar — ou, o que eu pensava: Enviou à mim um link, que dizia "Let's play?", mas não abri, era provavelmente um vírus.
O tempo passou, e aquele cara sumiu, o que enchia os jornais do mundo todo de notícias, aliás, ele era uma figura, e se algo do tipo acontecesse comigo, creio que fariam o mesmo. Com boatos de sequestro, e de que o mesmo sumira na mesma noite em que me mandou aquele e-mail, pensei: "Poxa, aquele link, aquele link... Poderia ser talvez uma mensagem do acontecido". Eu abri, aliás, compraria um computador novo daqui uns dias, e se fosse vírus — o que já estava fora de meus conceitos, não teria importância.
A imagem escureceu, e foi se distorcendo de pouco à pouco. Ele havia me enviado uma hack de Pokémon.
"Pokémon Yurmin version" apareceu na tela — ao invés de Crystal version, acompanhado da sombra de um Suicune — elemento da versão original, e, incrivelmente, aquela hack contia o nome, o apelido que sua imagem de melhor jogador ganhara pelo mundo graças à seu nick, como já dito: Yurmin. Eu sentia sua falta, e acabei me emocionando com aquela introdução.
O jogo era em inglês, mas a língua não era problema. Comecei o jogo, não havia nada de anormal, depois do diálogo com minha "mãe" — característica de qualquer jogo, fui ao laboratório e a seleção do inicial não possuía nada de diferente: Escolhi o cyndaquil. Atravessei a mata, e como já previa, um campo de batalha se abriu com um Pokémon selvagem.
Nada de anormal, até que ataquei, mas... apenas meu pokémon atacava — A primeira coisa estranha a acontecer, mas de uma hack não se espera por menos: Yurmin não passava de uma versão modificada de Crystal.
Continuei a jogar, apenas com meu Cyndaquil, não queria outro junto de mim. Após uma boa quantia de batalhas, ele evoluiu: PARA YURMIN... MAS O QUE? Minha pele embranqueceu, e o formato de Yurmin se assemelhava ao de um fantasma... Que diabos era aquilo? Ele era do tipo psíquico... Continuei a jogar, e ao encontrar uma outra treinadora, chamei-a para a batalha: Uma musica estranha tocou e uma skin "morta" apareceu: "You're mine" foi o que ela me disse. MAS QUE CÂNCER ERA AQUILO? A musica era uma versão ainda mais sombria da de Lavender Town o que deixava tudo ainda mais tenso. Com todos que dialogava pelo jogo, acontecia o mesmo.
A tela desapareceu e os olhos do Yurmin — fantasma em que meu Cyndaquil evoluiu apareceram na tela... Isso me cheirava Pokémon cursed black — a velha hack mais temida, com a lenda do Ghost, mas era pior... NADA nunca me atormentou como este arquivo que Yurmin havia me enviado antes de seu sumiço.
Continuei o game, e ao voltar para a casa, minha mãe me olhava fixamente: Como meu nome no jogo era Ricky, ela me disse: "Estou lhe assistindo, Ricky." Yurmin realmente era uma pessoa atormentada à ponto de criar aquilo. Ela morreu e logo disse "You're mine". Um efeito que invertia cores tomou à tela. Fugi para fora de casa e ao dar um passo após a porta, me encontrei num caminho que se assemelhava ao da floresta, mas não era. Eu segui o caminho, a tela fechou e apareceram seus olhos, desta vez, ensanguentados, com a seguinte frase "Muito obrigado por jogar meu jogo".
Eu me senti péssimo por não ter jogado antes, e tentei suicídio. Felizmente, um amigo que vinha me visitar se deparou com a cena e ligou imediatamente para seu pai — Um grande médico, que me encontrou desmaiado, quase morrendo, algo que aconteceu no momento certo pois ele me curou. Durante tempos, procurei tratamento com psicólogos e psiquiatras por vontade própria, e hoje estou aqui, atormentado ao escrever isso, enquanto a musica que soava durante a morte dos personagens resplandece em minha cabeça.
Dias depois de que me curei, uma notícia abalou ao mundo todo: Andrey B. D. L. — simplesmente Yurmin, ou o melhor jogador de Pokémon do mundo foi encontrado sem os olhos — cujos em cima de uma camisa preta jogada ao lado do mesmo, e nela, estampada com tinta branca a seguinte frase "You're mine, Ricky." em meio a uma rota numa floresta, semelhante à do jogo.
Agora, se atormente com isso: Quem matou Andrey? Por que? E como a pessoa sabia meu nick no jogo sendo que era a primeira vez que usei este em um jogo, e nem divulguei a jornada? Boatos de que Yurmin havia feito pacto para chegar onde chegou eram manchetes em todos os jornais, seria este o motivo? Não se sabe.
A noite, na escuridão, abra seus olhos em frente à um espelho e repita "Eu sou do Yurmin", você pertence a ele a partir de agora, aceite. Assim como eu também pertenço.
Fale com o autor