Magenta Randawa mexeu o seu cafezinho e bebericou ainda quente.

— Como está? — perguntou Milla ao ver o sujeito provar um pouco mais.

— Maravilhoso. Você é ótima no que faz.

A doutora riu.

— Na verdade é o professor que é bom. Ele é quem faz o café.

Gary surgiu com o detetive Poirrot e Pikachu.

— Gostou do meu cafezinho?

— Nem te conto...

Gary riu da cara do homem.

— Então, seus alunos já foram para Atlantique? — perguntou Randawa.

— Eles possuem suas próprias aventuras. Nós também. Não é, Poirrot?

Pikachu subiu na mesa e provou o café da xícara de Randawa.

— Temos uma missão não muito simples, senhores — Poirrot mostrou o mapa de Hokkaishin. — A jurisdição marítima da ilha de Hokkaishin vai até 20 quilômetros. Tão vendo essa porção de terra bem ao norte?

Gary e Magenta olharam a ilha. Era bem mais distante do que qualquer outra terra da ilha de Hokkaishin.

— Aqui são quase 50 quilômetros do território do país, ou seja, fora da jurisdição. E também não faz parte de nenhum outro território. Enfim, entrei em contato com a agência espacial de Hoenn e detectaram ondas eletromagnéticas poderosas vindas dessa ilha.

— Arthur, quem sabe seja uma ilha particular? — questionou Gary.

— Eu também achava, até meses atrás descobrir que a ilha vulcânica do arquipélago do fogo, oeste de Permafrost, foi comprada pela empresa Pokéblack e arrendada para um indivíduo anônimo. Esse indivíduo possui o sobrenome McQueen.

— Argh... Poirrot. É o sobrenome do Simon!

— Espera, gente — interrompeu Randawa. — Vamos resumir: alguém da PokéBlack dirige a ilha do fogo. Portanto, a outra ilha ao norte não poderia ser particular?

Poirrot assentiu. As leis de Hokkaishin não permitiam agentes privados incorporarem territórios sem jurisdição ao do país de origem.

— Essa ilha do norte deve ser o quartel-general da Equipe Black. Provavelmente os pássaros lendários foram levados até aqui. Yamashida não teria problemas legais ao sequestrar os pokémons para alguma experiência.

— Por isso que você disse que vinha uma forte energia eletromagnética — Gary se afastou um pouco da mesa do jardim e pôs a mão no queixo. — Podemos dar uma olhada. Que tal?

Randawa e Poirrot concordaram.

...

Submarino Aqua

Maytsa viu os seus agora subordinados Chucky e Gamb ajoelhados e pedindo misericórdia. Jaws avisou que todos os objetos roubados de Ollie chegaram em Aqualaguna.

— Levantem-se, idiotas! Se não fosse por Jaws, o trabalho seria um fracasso.

— Desculpa, chefinha — Gamb tentava beijar os pés da mulher.

— Para com isso, idiota. Desculpa, chefa — falou Chucky.

Jaws entregou a lista de interessados pelos itens roubados. O primeiro da lista era Kyro Kumamoto.

— O bilionário?

— Ele mesmo. Aparentemente, está comprando a maioria dos objetos no mercado negro.

— Por que ele quer tanta coisa?

Jaws deu de ombros. O fato era que Kumamoto comprava os objetos por grandes quantias que chegavam a centenas de milhões de pokedólares.

— Atualize a lista e entre em contato com todos os possíveis compradores — Jaws saiu. — Levantem!! Os dois caiam fora da minha vista.

Chucky e Gamb saíram.

...

Jason respirou fundo e tomou coragem para sair do hotel e entrar no táxi. Seu Charmander pulou atrás da sua nuca e parecia mais feliz do que nunca, contrastando com o seu treinador.

— Não faz essa cara. Você vai ver o seu pai — Luiza tentando animar o clima.

— Eu sei... É que... É que não o vejo há dois anos. Vocês ficaram aqui enquanto fui transportado para um mundo em que o tempo passa mais rápido. Por isso é mais fácil para você, Luiza.

— Talvez seja. Nunca me imaginei sair da Terra. Será que um dia conhecerei o Grande Bruce?

Ambos estavam na entrada do hotel. Victoria chegou na sequência e aguardou pouco tempo para o táxi surgir.

Durante todo o trajeto, Jason ficou quieto, sem esboçar nenhuma reação. Era o nervosismo.

Aqualaguna tinha chafarizes e jatos de água por todas as ruas. Havia até uma rotatória com uma lagoa no meio e uma praia artificial. O litoral era belíssimo, com praias paradisíacas. Contudo, o destino era seguir ao maior porto do país. Dava para ver as dezenas de navios de cargas chegar e sair, além de um navio de passageiros.

— Eis o maior porto de Hokkaishin. Não queria conhecer? — Victoria olhou para o Jason, esperando uma resposta.

— Ele fica assim quando tá nervoso — Luiza respondeu.

Havia um arco na entrada do porto com as imagens de alguns pokémons aquáticos (Lapras, Gyarados no lado esquerdo para quem entrava; Mantine e Clauncher no lado direito). O taxista parou no local que parecia um pedágio e aguardou o escaneamento de todo o carro. Era uma medida de segurança contra terrorismo.

— Uau. O que houve? — indagou Luiza.

— Aqualaguna já sofreu com 2 atentados terroristas no passado. Ambos no porto. Por isso, o governo instalou esse scanner que consegue ver tudo dentro dos carros — respondeu o taxista.

Eles continuaram pela pista interna até chegarem no estacionamento. Victoria agradeceu a corrida e levou as crianças para o prédio do porto, que tinha dois andares.

— Senhorita Yamashida, por aqui — um militar surgiu no saguão.

Os quatro saíram do outro lado e passaram por filas de passageiros que esperavam a confirmação da viagem.

— Vocês podem embarcar na nossa fragata — o militar mostrou o navio da marinha de Atlantique. — A Capitã espera na plataforma.

Entraram no navio e foram para o mar aberto.

Jason permanecia calado, mas abraçado a seu Pyro. Só pensava no que falaria para Robert assim que o visse.

A plataforma de petróleo era a maior do país e uma das maiores do mundo. Do tamanho de 3 campos de futebol. A plataforma era cor vermelha e amarela. Sua altura era de 30 metros.

— Aqui é o ginásio?

— Não, Luiza. O ginásio fica embaixo da gente. Mas antes quero que conheçam uma amiga minha. Ela e a mais jovem capitã da marinha da história de Hokkaishin — Victoria estava entusiasmada.

Pegaram um elevador na base da plataforma e subiram. Assim que a porta abriu, revelou dezenas de militares e uma moça no centro.

— Sou a Capitã Rihanna Titanic. Prazer em conhecê-los.