Pokémon Mystery Dungeon:beyond Pokéheros
1 Capítulo 1: Raider e Tyson
Notas iniciais
Narrador: Raider
A tarde já estava no fim. Aliás, não sei dizer se já era noite ou não, porque aquela tempestade horrível mantinha o céu escuro e eu estava concentrado em encontrar um lugar para me abrigar. Aqueles trovões que se propagavam pelo céu assustariam a qualquer um. Escolhi um péssimo dia para ir explorar longe de Sunrise Town. Avistei uma caverna que parecia abandonada. Entrei para me proteger da tempestade. Agora, era só esperar o tempo melhorar. Mas quando estava dentro da caverna, ouvi algo. \"Oh, não, mais pokémons selvagens?\", eu pensei:
- Quem está aí? — eu perguntei, me preparando para lançar uma aura sphere.
Ouvi aquele pokémon se mexer mais uma vez. Ele estava em uma parte mais funda e escura da caverna, que eu não podia ver. Mas pude sentir a sua aura. Não parecia ser perigoso, mas era melhor tomar cuidado:
- Vamos, revele-se! Não seja covarde! — eu o desafiei.
Um pequeno pokémon se aproximou mais. Era um treecko. Ele não parecia ter mais que quatro anos de idade. Percebi que ele estava amedrontado. Ele tremia e pude notar o pavor em seus olhos:
- Por favor, não me machuque! — ele disse, olhando para mim.
- Você... Não é um pokémon selvagem. — eu disse, esperando não ter assustado muito o pequenino — E você é apenas uma criança. O que você está fazendo aqui sozinho? — perguntei, percebendo que eu não sentia outra aura além da dele.
- Não tenho pra onde ir... — ele disse, parecendo mesmo muito amedrontado.
- Onde estão seus pais? — eu perguntei, apesar de já supor qual seria sua resposta.
- Minha mãe... Estava lutando com um aerodactyl selvagem. Ele usou um ataque de rocha e ela...
O pequeno não pode continuar. Começou a chorar. Já pude supor que a mãe daquele pobre órfão não sobreviveu à batalha. Poucos aerodactyls apareciam por lá de vez em quando. Mas não é qualquer um que vence um pokémon desses. Me sentei no chão, peguei o treecko no colo e acariciei seu rosto limpando suas lágrimas, como eu fazia com meus filhos para consolá-los:
- Não se preocupe. Você vai ficar bem agora. — eu disse, tentando acalmá-lo. — Você sabe onde podemos encontrar seu pai?
Ele balançou a cabeça negativamente. Aquilo me cortou o coração. Ele era apenas uma criança, já havia perdido a mãe e não sabia nada sobre seu pai. Aquele treecko não teve a mesma sorte que meus filhos Junior e Candy, que foram criados por ambos os seus pais. Ele não tinha ninguém, não sobreviveria se alguém não fizesse nada. Eu não podia simplesmente deixá-lo sozinho:
- Então... Você não tem ninguém? — eu perguntei, mesmo achando que era hora de para de questionar o coitado.
- Não... — ele respondeu, ainda com os olhos cheios de lágrimas.
- Se você quiser, pode vir comigo. Eu moro em Sunrise Town e sou mestre de associação. E se você quiser morar por lá, você pode até aprender a explorar.
Ele esfregou os olhos e olhou para mim novamente:
- O que você me diz? Não posso te deixar sozinho.
- Eu quero ir com você. Eu tenho medo desse lugar. — ele me respondeu.
Mais um trovão pôde ser ouvido. O pequenino se assustou e me abraçou forte:
- Calma, foi só um trovão. Não precisa ter medo. — eu disse, o acariciando de leve. — Eu vou te proteger, prometo.
- Eu estou com medo... — ele disse, tremendo.
- Não tenha medo, não vou deixar que nada de ruim aconteça a você.
Ele continuou abraçado a mim. O deixei confortável até ele se acalmar:
- Como você se chama? — eu perguntei.
- Tyson. — ele me respondeu.
- Sou Raider. — eu disse. — Vamos fazer o seguinte, Tyson. Já está ficando tarde, então vamos dormir e ir embora amanhã de manhã.
- Para a sua casa? — ele me perguntou, com aquele olhar puro e inocente.
- Isso mesmo. Sei que você vai ser feliz morando na associação, todos vão te tratar muito bem.
Fiquei feliz por ter encontrado Tyson. Ele era indefeso e ingênuo, pois tinha apenas quatro anos de vida. Se ele caísse em mãos erradas ou fosse atacado, ele não poderia fazer nada. Me deitei em um canto da caverna, me preparando para dormir. Tyson se deitou encostado em mim. Ele parecia mais tranquilo. Estava deitado encolhido e com seus olhos fechados. Fechei meus olhos e em pouco tempo, adormeci. No dia seguinte, Tyson me acordou, assustado com algo que havia ouvido do lado de fora da caverna:
- O que aconteceu? — eu perguntei, abrindo os olhos.
- Tem alguma coisa lá fora. — ele disse, olhando para fora da caverna.
- Devem ser alguns pokémons selvagens. Não se preocupe, como mestre de associação, posso lidar com eles. — eu disse, me levantando. — Já que estamos acordados, vamos sair daqui?
Ele balançou a cabeça afirmativamente. Saí de entro da caverna e ele foi atrás de mim. Já não chovia mais. Havia poucos pokémons selvagens, pude derrotá-los facilmente. Tyson apenas me seguia e observava, e eu não deixava que ele fosse atacado. Depois de andar por mais tempo, cheguei à cidade. Me aproximei da creche de ovos, onde Lina estava trabalhando. Ela me viu e correu para me dar um braço:
- Raider, você voltou, querido! Eu fiquei um pouco preocupada! — ela disse, e me deu um beijo no focinho.
- Eu estou bem, amor! Já encaramos algumas tempestades quando éramos um time de exploração, lembra?
- Sim, bons tempos! — ela respondeu sorrindo, quando viu Tyson ao meu lado — E quem é esse lindinho com você?
- O nome dele é Tyson. Eu o encontrei enquanto explorava. Parece que ele não tem ninguém para cuidar dele.
Junior e Candy chegaram da associação. Os dois me abraçaram:
- Papai, senti sua falta! — disse Candy.
- Você conseguiu se esconder da tempestade de ontem, pai? — perguntou Junior.
- Sim, eu passei a noite em uma caverna. — eu respondi — E eu encontrei o Tyson. — eu disse, apontando para o treecko.
Meus filhos têm o dom de animar a qualquer um. Eles logo se deram bem com Tyson e os três começaram a brincar:
- Parece que eles se dão bem juntos! — disse Lina, sorrindo.
- É mesmo. Eu estava pensando, amor... Ele é órfão, não tem ninguém para cuidar dele. Por que não deixamos ele morar na associação?
- Boa ideia, Raider! Os membros e os funcionários da associação vão cuidar muito bem dele! — disse Lina — É por isso que eu te amo, querido, você é muito inteligente e bondoso! — ela elogiou, e me deu outro beijo.
- Quer dizer que o Tyson vai ser nosso irmãozinho? — perguntou Candy.
- Isso mesmo! Agora, ele vai fazer parte da família! — eu respondi.
- Legal! Agora tenho mais um pra brincar comigo na associação! — disse Junior, animado. — Tyson, eu vou te ensinar tudo que eu sei sobre exploração! — ele disse para seu novo amigo.
- Está bem. Eu quero ser tão forte quanto o mestre Raider um dia! — Tyson disse.
A partir desse dia, Tyson passou a morar na associação e começou a aprender a explorar, depois que cresceu um pouco. Ele passou a ajudar Junior a cuidar da associação. Felizmente, Tyson cresceu alegre e saudável, ele sempre foi uma criança forte, soube lidar com a perda de sua mãe. Hoje, ele tem onze anos e se uniu a um time de exploração recentemente. Uma noite dessas, eu estava checando a associação, para garantir que todos os aprendizes estavam em seus quartos, se preparando para dormir. Tyson estava na cozinha, lavando a louça:
- Ainda não foi para a cama, Tyson? Já está tarde! — eu disse.
- Já vou, mestre! Só vou terminar de lavar a louça. Sabe como é, a Flora não pôde vir trabalhar hoje e alguém tem que fazer isso. — ele respondeu, sem tirar os olhos do que estava fazendo.
Decidi perguntar para Tyson algo que eu queria perguntar há muito tempo:
- Tyson... Eu estava pensando... Eu sei que você gosta de todo mundo aqui na associação, mas... Você já pensou em procurar seu pai?
Tyson olhou para mim e sorriu:
- Mestre, eu não me preocupo com isso, afinal, um pai de verdade dá amor e cuida dos seus filhos. Eu nunca conheci meu pai biológico e nem tenho vontade de conhecer. Afinal, foi você quem me criou, quem sempre me amou, sempre se preocupou comigo. Eu te considero o meu verdadeiro pai!
A resposta de Tyson me deixou surpreso. Não só surpreso, mas também muito feliz. Tyson nunca chegou a me chamar de \"pai\", apenas de \"mestre\". Mas ele se sentia como se fosse mesmo um filho meu. Eu também o considerava como meu filho e nada poderia me deixar mais feliz do que saber o quanto eu estava certo em tomar a decisão de salvá-lo aquela noite.
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