Notas iniciais
Este é o primeiro capítulo de minha fic, espero que gostem.

Após serem enviados à terra 15 anos se passaram. Eles cresceram como qualquer adolescente, mesmo descobrindo seus dons e precisando se disfarçar perante a sociedade. Alguns conseguiam disfarçar bem suas diferenças, outras não tinham tanta facilidade assim. Nenhum deles sabia de seus objetivos ainda, mas tudo começaria a mudar desde hoje...

Cidade Veridian, casa da família Desmond- Aproximadamente 7:30 AM

–Hum! Esse está ótimo. – Disse Juliet, rodopiando com seu vestido rosa bordado, com um toque suave de brilho esboçado nas bordas.

–O que você está fazendo que ainda não se arrumou, mocinha? –Perguntou sua mãe ao entrar em seu quarto.

–Estou escolhendo meu vestido. Como hoje é meu primeiro dia na escola Broken Hill, quero chegar causando. –Respondeu, abrindo um largo sorriso no rosto.

–Que história é essa de vestido? Só por que você é rica não significa que pode ir como quiser. É por isso que existem os uniformes. Tudo bem que em sua antiga escola todos iam com as roupas que queriam, mas agora você não estuda mais lá. Trate já de tirar isto. Tome! –Ordenou a mãe, entregando-lhe seu uniforme.

–Uniforme? Essa coisa parece mais é uma roupa de empregada. Ahhhhhh mãããe....-Choramingou.

–Sem reclamar. Você sabe por que te tiramos daquela escola, não sabe?

–Sim mãe, eu sei. Mas...ah! Precisava ser em uma escola tão fajuta? Duvido que tenha alguém da alta classe lá como eu. Eu não posso ser vista estudando com um bando de favelados, não faria bem pra minha reputação. –Disse gabando-se.

–Chega! Só por que é rica não significa que seja melhor do que alguém.

–Correção: Rica, linda, talentosa... Eu sou um exemplo.

–Exemplo de feiura. –Provocou a irmã, Myrian, ao entrar em seu quarto.

–Argh! Eu sei que você tem inveja de mim por que eu sou mais bonita do que você. –Respondeu em tom provocativo.

–Chega vocês duas! Juliet se arrume AGORA e desça!

–Ah, ta bom, ta bom. – Ela segurou seu uniforme a frente de seu corpo, com cara de desaprovação enquanto se olhava no espelho. –Só espero que não tenha nenhum conhecido meu estudando lá..

Enquanto isso, na escola...

–Nossa, esse ano a escola está lotada de alunos novos. –Observou Bryan, enquanto entregava os panfletos de boas vindas juntamente com seu melhor amigo, Rick.

–Verdade. Seja bem vindo a mais um ano na escola Broken Hill. –Disse ele, entregando o folheto de boas vindas à todos os que entravam. –Só espero que esse ano seja diferente do ano passado.

–Pode crer mano, aquela garota que se matou na escola ano passado ainda me assusta.

Rick riu.

–Ei Rick, olha lá que vêm. –Bryan disse apontando para as três mais populares da escola: Marta, Carmen e a líder delas, Ludmila, que vinham em suas direções.

– Ah não, aquela garota de novo não.

–Oi gato! Pronto para mais um ano? –Perguntou Ludmila à Rick.

Seu olhar ficou sério, mas ele tentou não demonstrar.

–Estou sim, obrigado por perguntar. –Respondeu com ar de arrogância.

–Sabe, por que não deixa seu amiguinho insensível entregando essas porcarias? Não faz bem para você, um popular como nós, ficar fazendo o trabalho dos nerds.

–Eu e Bryan nos voluntariamos a isso. Só por que sou popular, não significa que seja melhor do que ninguém. Eu não escolhi esse cargo idiota.

–Ah, você que sabe. Nós vamos nos juntar ao restante dos populares, se quiser vir conosco... é só vir. –Ludmila tentou beija-lo, mas teve sua tentativa frustrada quando este virou o rosto. Um pouco chateadas, as três saíram sem dizer nada.

–Eu não suporto essas três. Metidas, ignorantes e nojentas. São umas vacas! –Disse, fazendo seu amigo rir como nunca.

Bryan parou de rir imediatamente ao avistar uma linda garota entrar na escola, cuja beleza nunca vira antes.

–Nossa, que gostosa. Quem é ela? — Perguntou.

–Sei lá cara. Por que não vai falar com ela?

–Você acha?

–Lógico! Vai logo.

Juliet olhava para tudo com uma cara de "nojo".

–Então é pra esse lugar que meu pai me mandou? Que horror. –Disse.

Sua cara piorou ainda mais com a chegada do insensível garoto.

–Oi gatinha. Bem vinda à escola Broken Hill. Meu nome é Bryan. Sabe, seu pai é ladrão?

–O quê? –Juliet acertou-lhe um tapa –Mais respeito comigo e com meu pai. Antes de se dirigir a uma dama como eu, primeiro vai aprender bons modos seu nojento. Em primeiro lugar, por que eu seria bem vinda se não gosto nadinha do que vejo? Em segundo lugar, não, meu pai não é ladrão. Meu pai é o dono das empresas Virtucon, uma das maiores empresas do mundo. Já o seu, eu não duvido nada. E terceiro, uma garota de alta classe como eu não se dirige a alguém grosseiro, insensível e da mais baixa classe como você. Com sua licença...-Juliet saiu jogando os cabelos ao vento, e uma de suas mexas atingiram o rosto do garoto.

–Puxa, o que foi isso? –Perguntou, completamente boquiaberto.

Várias pessoas cercaram Juliet, enquanto ela fazia pose para as fotos.

–Hehe, parece que você não deu sorte, hein? –Brincou o amigo, bagunçando seu cabelo.

A atenção de Rick logo se voltou para a garota que acabara de entrar na escola. Parecia assustada, se escondia nos cantos como se não quisesse ser vista. Ele se encantou imediatamente por ela.

–Hãan, Rick? –Bryan acompanhou o olhar de seu amigo –Hehe, parece que não sou só eu que achei alguém gostosa por aqui não, hein? Vai lá falar com ela?

–Cara, as garotas tem razão. Você é muito insensível. –Respondeu, se dirigindo até ela.

– Sou, é? Nunca percebi.

–Bem vinda à escola Broken Hill, eu me chamo Rick. Qual seria seu nome? –Perguntou abrindo um largo sorriso.

–Hum? –Ela olhou para ele, sem mudar sua expressão séria e ao mesmo tempo assustada. –Por que quer saber?

–Nada ué, só perguntei.

–Eu não tenho motivo para revelar meu nome. E por que veio falar comigo? Por acaso você não é um dos Populares do colégio? –Perguntou, em tom arrogante.

–Sim, mas...o que isso tem haver?

–Eu não gosto de me misturar com pessoas, prefiro ficar sozinha. Ainda mais quando se trata de populares. Vocês são metidos, nojentos e...e...

–Gatos? –Brincou o garoto.

Ela o puxou pela gravata.

–Simplesmente não fale comigo, não olhe pra mim, fique no seu canto que eu fico no meu, entendido?

–S-sim...E uau, você forte. – Riu.

–Grr – Ela o soltou, continuando sua trajetória até a sala de aula.

–Parece que não sou só eu que não dei sorte, hein? E o estranho é que ela resistiu a um popular e charmoso como você. Vai entender.

–Cara, qual é o problema com essa garota?

O que Rick não sabia, é que Ludmila havia observado tudo, e não gostara nem um pouco do que vira.

–Quem era aquele estorvo? –Perguntou ela, se aproximando furiosa do rapaz. Marta e Carmen a seguraram.

– Calma Lud, amiga, olha a pressão.

– Que se dane a pressão, eu quero esganar esse... Grr!

–Estorvo? Não fala assim de quem você não conhece. Ela só tem problemas em se relacionar com as pessoas.

–Eu a conheço. Já estudei com ela. –Disse Carmen. –Essa garota é completamente estranha. As unhas dela, o cabelo dela, o jeito dela...

–Parem vocês. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. Quando vocês aprenderem a tratar os outros com igualdade venham falar comigo.

Rick se retirou sem esperar respostas.

–Ele está certo, vocês são umas vacas. – Bryan provocou-as.

–E você é um grosseiro e nojento. –As três saem jogando seus cabelos aos ventos, como Juliet fizera antes.

Para o azar (ou talvez sorte, tomem suas próprias opiniões a respeito) de todos, os 4 estudavam na mesma sala. Bryan sentou-se perto de Juliet, que não gostou nadinha.

–Oi gostosa! –Sorriu.

–Desinfeta daqui. –Ela o empurrou.

Rick observava a mesma garota de antes sentada no fundo.

–Não me diga que a problemática está na nossa sala também? -Perguntou o amigo.

Rick não respondeu. Apenas observava.

–Cara, por que você se importa tanto com ela?

–Pode parecer loucura, mas...acho que estou gostando dessa garota. –Respondeu ele finalmente.

–É tem razão, é loucura. Cara, um popular como você não pode ficar andando com uma garota dessas.

–Até você, Bryan? Ué, não foi você que se apaixonou pela riquinha metida?

–Eu não me apaixonei. Apenas achei ela gostosinha, só isso. Eu não conquisto, eu tasco.

–Ta ta, diga o que quiser. – Rick levantou-se e seguiu até a mesma — Sabe, estudando na mesma sala vai ser difícil de te evitar. – Sorriu, sentando-se ao seu lado.

–Você de novo?! –A garota virou o rosto a fim de ignorá-lo.

–Sabe, eu estive pensando. Não quer ir para minha casa hoje depois da aula? –Perguntou.

–E por que eu iria? Sabe, odeio caras como você. Só gostam de se aproveitar de garotas como eu.

–O quê? Mas não é nada disso que você está pensando. É só que...eu achei que se você quisesse ajuda nas lições hoje...

–E por que eu iria precisar? Por acaso está me chamando de burra?

–Não é isso! É que...por que você é assim? Foge das pessoas, e quando falam com você as trata assim. Estou tentando ser seu amigo.

–Para mim os únicos amigos são os Pokémons. E por que você acha que eu deveria ter um motivo para isso? Por acaso achas que sou problemática? –O olhar dela começou a mudar, chegando até mesmo a intimidá-lo.

–Não é isso, é que... Ah, esquece. Faça o que bem entender. –Rick voltou para seu lugar, chateado. — Eu tentei...

– Deixa ela pra lá, cara.

Passaram-se alguns instantes, e a professora logo entrou na sala cumprimentando a todos.

–Bom dia alunos, me chamo Mary, sou a professora de Batalhas Pokémon. Como hoje é o primeiro dia, vou dar uma aula prática sobre estratégias de combate. Alguém poderia me dizer, o que é preciso fazer quando o oponente está...

–Com licença. –Disse um garoto estranho e sombrio que passava pela porta.

–Mocinho, gostaria que estivesse na sala quando eu chegasse. –Repreendeu a professora.

–Relaxa. –Disse sem olhar para trás. Mas quando este passou por Rick, o encarou com seus sombrios olhos avermelhados.

–Hum...

–Que foi Rick? –Perguntou Bryan.

–Esse garoto...

– O que tem tem ele? Ele é bem sombrio, mas... estaria você interessado nele? Haha!

–Cala boca seu idiota. Eu não sou bi! É só que... esquece.

Duas horas se passaram, mas finalmente, no intervalo...

–Growlithe, use o Flame Wheel (Círculo de fogo) agora! –Ordenou o adversário.

–Arbok, evasiva e Wrap (Enrolar)! –Contra-atacou Rick.

A serpente desviou das chamas, logo envolveu o cão flamejante com seu corpo, esmagando-o.

–Finalize com Hyper Beam (Hyper raio). –Continuou.

Arbok deixou Growlithe completamente imóvel com seu Hyper Beam.

–Puxa Rick, parabéns. Ninguém consegue te vencer cara. Essa é uma das razões por que você é nosso modelo de vida. –Disse um dos treinadores.

–Ah que isso! Eu só me dedico. – Ele sorriu sem jeito.

–Há, grande coisa. — Juliet disse ao passar por perto.

–Então quer batalhar? – Desafiou.

–Batalhas são para brutamontes. Eu prefiro um bom Contest. –Gabou-se.

– Bem, pela que acabaram a muito tempo.

– O quê?

– Não sabia? Dizem que esse ano teremos a última Liga Pokémon, para preparar fortes treinadores pro que está por vir.

– E o que está por vir, sabichão?

– A destruição de Kanto, como houve com Unova e algumas outras regiões.

– É, a coisa está feia. — Complementou Bryan.

–Eu não gosto dessa garota. – Argumentou Ludmila à suas "amigas".

–Isso por que ela é mais rica, mais bonita e popular que você Lud? –Perguntou Marta.

–Cala boca sua idiota.

Todos estavam se divertindo com batalhas, jogos etc...mas Rick observava a garota distante, sentada em um banco longe de todos. Era a única coisa em que ele conseguia prestar atenção no momento. O garoto estava destinado a muda-la, nem que tivesse que morrer tentando. Afinal, a força dela era surreal.

–Pra mim já chega. Eu vou fazer ela mudar de uma vez por todas, ou não me chamo Rick.

Ele se aproximou com cuidado.

–Olá de novo, posso me sentar?

–Você é algum tipo de pervertido ou o quê? Hunf! – suspirou –Sente-se, não posso te impedir. –Ela já se levantava para sair quando foi puxada pelo mesmo, que olhou no fundo de seus olhos e disse:

–Eu quero saber qual é o seu problema. Eu quero ser seu amigo, mas por que você não quer?

–Por que...você...não me deixa?

–Você teve algum problema na sua antiga escola? É por isso que não se mistura com ninguém?

–Eu... –Ela desviou o olhar por alguns instantes. –Você vai estragar sua reputação falando comigo em público.

–Eu não ligo pra reputação. Eu nunca escolhi ser popular, eu já fui como você.

–Por que para ser popular é preciso ser perfeita? Por que é precisa ser bonita?

–Isso não é verdade. Por que se fosse isso, então você seria popular. — Ele segurou sua mão, deixando-a um pouco tímida. Mas ela logo assumiu sua compostura dizendo:

–Apenas me deixe em paz, por favor.

–Ei, o que ela pensa que é? Essa vaca pensa que pode roubar o nosso gato, meninas? –Ludmila disse ao observar os dois–Vamos mostrar à essa biscate o lugar dela.

As três foram juntas até onde estavam.

–E lá vem encrenca...- Pensou Bryan, tentando advertir o amigo à tempo.

–Escute aqui sua vadiazinha. Se você pensa que pode roubar o meu gato, está muito enganada.

– Desculpe, está falando comigo?

– E está vendo mais alguma prostituta por aqui?

– Estou sim, na verdade três bem na minha frente.

Rick segurou-se para não rir.

– Ora sua vaca, como se atreve.. — Ludmila tentou avançar sobre a garota, mas foi segurada por suas amigas bem à tempo.

– Ludm, amiga, se acalma. Não deixe essa garota estragar você.

– Qual é, por que não a soltam? Eu iria adorar estragar essa carinha linda dela. — Disse dando um sorriso provocativo -Que fique claro que eu não quero roubar ninguém. Ele é quem me persegue.

–Ela está certa. Eu é que venho sempre falar com ela. Deixe-a em paz Ludmila. –Ordenou o garoto, levantando-se.

–Cala boca Rick, cuidamos de você depois.

–Hã?

–Ei Lud, agora que lembrei que o nome dessa garota é Mylla –Disse uma das garotas. — Eu já estudei com essa puta na...deixe-me ver, 4º série.

– Ah, Carmen Jyracha. Há quanto tempo minha querida. Ainda fica querendo dar em cima de garotos comprometidos? — Provocou Mylla.

– Eu não tenho culpa se eles vêm atrás de mim, queridinha!

–Mylla? Então esse é seu nome? –Perguntou o rapaz, a fim cortar todo aquele ar tenso.

–Que nome ridículo. –riu Lud. –Ele é estranho igual você. Haha!

–O quê? – A garota levantou-se cerrando o punho, e mostrando-o à frente do rosto — Eu permito que falem mal de tudo em mim, menos do meu nome.

–Mylla...Não se rebaixe a esse nível. – Rick segurou seu braço, mas foi empurrado por ela.

–Não se meta em minha vida, eu sou capaz de me defender sozinha. Eu posso acabar com esse rebanho de putas sozinha.

–Do que você nos chamou?

–De putas, putas metidas. É isso que vocês são.

Seus olhos escureciam, e suas unhas e dentes cresciam como as de algum tipo de animal. Mas eles não percebiam isso, ainda...

–Já chega, eu te desafio para uma batalha de Pokémons.

–Batalha Pokémon? Está com medo de me enfrentar cara à cara?

–Não quero quebrar minha unha.

–Que unha? Chama isso de unha? Isso aí parece casco de vaca. – Provocou Juliet, aproximando-se por trás.

– Ninguém pediu sua opinião. Se enxerga, recalcada!

Ludmila tentou acerta-la com um tapa, mas sua mão parou no ar devido algum tipo de força mística.

–Que foi Lud? — Perguntaram-lhe as garotas.

– Eu... não consigo...me mexer. –Respondeu assustada.

–Eu não vou sujar minha mão super delicada com lixos como você, aliás, fiz minhas unhas hoje. Talvez outro dia quando minhas unhas ficarem gastas eu possa pensar nisso. — Riu

– Jamais vire as costas para um predador...

Mylla avançou sobre a patricinha, arranhando-a.

–AAARG! MEU ROSTO! –Gritou agonizada, com marcas vermelhas de unhas por toda a cara. –ACABEM COM ESSA...DESGRAÇADA!

Uma das garotas avançou contra Mylla, porém ela a bloqueou facilmente com uma chave de braço e em seguida a jogou para longe com um golpe de judô. A segunda garota também avançou contra ela, mas foi atingida com um chute na barriga, voando para trás.

–Caraca, onde aprendeu isso? –Perguntou o garoto Rick, admirado.

–Eu...fiz aulas de defesa pessoal. –Respondeu, tentando disfarçar algo.

Bryan a olhava como se soubesse que aquilo não eram apenas habilidades de luta.

–Eu vou acabar com sua raça! – Gritou Lud.

Dessa vez os punhos de Mylla eram envoltos por eletricidade enquanto seu corpo todo recebia energia. A garota encostou sua mão contra a adversária, que eletrizada, foi arremessada para trás.

–O que foi...isso? –Perguntou o rapaz, assustado.

A garota voltava ao normal aos poucos. Ela olhou espantada para todos da escola que a observavam.

–Viu o que você fez? Agora sabe por que não gosto me misturar com ninguém. Por sua causa me revelei. –Disse tentando fugir, mas Rick a segurou pelo braço.

–Você...é... uma mutante?

–Eu não acredito. ESSA ABERRAÇÃO É UMA MUTANTE! — Gritaram os outros estudantes, apavorados.

O alarme foi disparado imediatamente. Não demorou muito para que uma nave sobrevoasse a escola e pousasse no solo. Continham as iniciais R.I.G impressas em um círculo, e o símbolo de um Houndour logo abaixo.

–Essa não, a R.I.G!

–O que é a R.I.G? — Perguntou a garota.

A nave se abriu e três homens de preto, com os mesmos símbolos no braço esquerdo, saíram de dentro segurando alguma coisa que parecia ser uma coleira eletrizada. Cada um possuía uma pistola na cintura.

–É uma organização que faz experiências em Pokémons e humanos. Mas pelo que soube os mutantes nunca voltam vivos de lá. –Respondeu ele.

–Olá mocinha. O que uma mutante como você faz solta por aí? — Perguntou o do meio, que parecia ser o chefe.

– Isso não é da sua conta, viado!

– Se vier por bem não te machucaremos...muito!

– Eu nunca iria com vocês — Respondeu se afastando.

–Você que sabe. – Disse ele por fim, fazendo sinal para os outros dois capangas se aproximarem com a coleira.

– Seja uma boa mutante... — Disseram sarcasticamente.

Mylla rosnou para eles, fazendo-os recuar.

– Que tipo de coisa é você? — O líder sacou a pistola, apontando em sua direção. — Talvez se estiver incapacitada de se movimentar torne as coisas mais fáceis.

– É mesmo?– Raios foram liberados de seu corpo, jogando os três ao mesmo tempo para trás.

–Argh! –Gemeu eles.

–Vamos ajudá-los meninas. –Ordenou Ludmila, lançando uma Pókéball. –Blastoise, acabe com ela usando o Hydro Pump (Hydro canhão).

–CUIDADO! –Gritou Bryan, saltando facilmente sobre ela.

–Voc...você me salvou. Mas como? Isso seria impossível para um humano. Você também é como eu? –Perguntou a garota, surpresa.

–Sim. Também tenho poderes caninos. Pena que... não tenho seus poderes elétricos, seria tão...incrível.

– Incrível? Você gosta de ser uma aberração?

– Não me sinto uma! Me sinto..um pouco diferente, mas bem, ser diferente é normal.

– Mas olha o que essa diferença está causando com o mundo.

–Eu não acredito que esse grosseiro também era um. Acabem com eles meninas.

–Bryan? Você... — Rick tentou continuar, mas não conseguia. Era demais para ele acreditar que seu melhor amigo fosse um...mutante.

–Desculpe cara. Eu tentei contar algumas vezes, sério.

–Charizard, use o Flare Blitz (Ataque flamejante). –Ordenou Marta após lançar sua Pokéball.

Charizard investiu contra eles com seu corpo coberto por fogo azul. Mylla então criou uma espécie de barreira com sua eletricidade. Bryan soltou um poderoso rugido que lançou o Pokémon para longe.

–Venusaur, use Solar Beam (Raio solar). –Ordenou Carmen por fim.

Venusaur carregou energia do sol e a lançou contra Mylla, mas Juliet entrou em sua frente e parou o ataque com sua mão.

–Vão! –Ordenou.

Todos correram conforme Juliet havia ordenado. A garota então fez o ataque voltar para seu usuário, acompanhando-os na corrida logo em seguida.

– Até você, Julieta?

– É Juliet, com sotaque. Garoto infeliz! Acabei de estragar minha vida por causa de vocês. Satisfeitos?

–Nós não pedidos para você nos ajudar, metidinha. –Confrontou Mylla.

–Mal agradecida.

–RICK! RICK! POR QUE ESTÁ FUGINDO COMO SE...!?! –Gritou Lud tentando acompanhá-los, mas desistindo na metade do caminho.

–POR QUE EU TAMBÉM SOU UM MUTANTE! –Respondeu ele. –E ALIÁS, VOCÊ É UMA VACA E TE ODEIO! –Continuou.

– Você... — Todos estavam surpresos.

–É, eu também sou. — Ele piscou para ambos.

–Vão Houndour. –Ordenaram os capangas da R.I.G, liberando-os para que pudessem persegui-los.

Eles então chegam ao final da quadra, aonde não havia mais saída há não ser um muro que ligava a escola à floresta de Veridian.

–Como vamos...

Antes que Rick pudesse terminar, Bryan e Mylla saltaram sem nenhuma dificuldade para o outro lado.

–Beleza, e nós?

– Eu te ajudo! — Disse Juliet, levitando-o. Mas por um instante a garota perde o controle de seus poderes, arremessando o garoto para o lado seguinte.

–AAHHH!

–Ops, desculpe. Ainda não aprendi a usar meus poderes direito. –Riu.

–Rápido, vêm. –Gritaram todos.

–É que...eu consigo levitar objetos e pessoas, mas não a mim mesma. Hehe!

–Ai meu saco! – Em disparada, Mylla saltou até ela e a resgatou antes que pudesse ser atingida pelos poderosos Embers (Brasas) que eram disparados pelos ferozes Pokémons.

–Obrigada. –Agradeceu Juliet enquanto continuavam correndo.

–Não foi nada, garota psicopata.

–Psicopata?

–Haha! Combina já que você tem poderes psíquicos. –Bryan complementou rindo como um louco.

–Calado!

–Por aqui! – Rick os levou até um pequeno beco, aonde conseguiram despista-los.

–Ufa! Essa foi por pouco.

–Rick, e qual seria seu poder? — Perguntou Bryan, curioso como sempre.

–Ah é mesmo, perdoe-me. É que eu já estou tão acostumado que acabo nem percebendo que os tenho. O meu poder me permite viajar no tempo. Voltar no passado, no futuro e no presente. –Respondeu de forma simples.

– Só isso? — Perguntou Juliet, demonstrando-se nem um pouco surpresa.

– Sim, só isso. Mas veja bem, posso ir para onde quiser. Hehe!

–Então você mentiu para mim. Disse que preferia nunca ter se tornado popular. Então por que não viajou para o passado para mudar isso? –Perguntou Mylla, nervosa.

–Eu tento evitar o máximo usar meus poderes. Mas é muito bom imaginar que não sou só eu que diferente por aqui.

–E não precisam ser. –Disse uma voz estranha, pegando-os de surpresa. –Por que sermos como eles se nós é que temos o privilégio? –Continuou.

–Quem está aí? –Perguntaram assustados. — Apareça seja lá quem for..

As sombras tomaram a forma de um garoto, o mesmo de antes.

–Eu conheço você. Você é o garoto que chegou hoje na escola, não é? O mesmo que me encarou. – Apontou Rick.

–Nossa, que gato. Adoro garotos sombrios. – Disse Juliet fazendo um pouco de charme. –Mesmo minha classe social impedindo que namore garotos pobres, ainda sim...

–Desculpe por aquilo. Assim como você, eu sou capaz de descobrir outros mutantes. –Respondeu ele secamente, cortando a cantada falida da riquinha.

–Mas...eu não faço isso.

–Ah, faz sim. Porém você não sabe. Os calafrios e arrepios que sentiu ao me ver foi seus poderes me revelando como mutante. A diferença entre nós dois é que eu sou capaz de adivinhar os poderes dos mesmos através de seus sonhos.

– Sonhos? — Perguntou.

– Sim. — Respondeu, com seus olhos brilhando. — Nós não sonhamos apenas quando estamos dormindo, sabia?

– Então você lê os pensamentos, é isso? — Perguntou Juliet, interessada.

– Bem... quase isso.

–E você faz mais alguma coisa?

–Além de me misturar às trevas, sou capaz de fazer você viver seus piores pesadelos. –Respondeu –Por que não nos unirmos? Juntos podemos acabar com essa R.I.G! Juntos, podemos fazer todos se ajoelharem perante nós.

–O quê? É claro que não. De jeito maneira. — Cortou Rick. — Jamais devemos usar nossos poderes para nos aproveitarmos das pessoas. De alguma forma nós os ganhamos, mas isso não nos faz melhor do que ninguém.

–Ser uma soberana do mundo? Que chique. Sabe...

–JULIET! –Gritaram.

–Ah, sorry. Não aceitamos, gatão.

Os olhos do garoto se tornaram ainda mais escuros. Uma aura sombria tomou conta de todo seu corpo, e suas mãos foram envoltas por uma camada de trevas. Ele deu um sorriso maligno, capaz de causar pavor em qualquer um e em seguida falou:

–Se não aceitarem, não sairão vivos daqui.

–É o que veremos. –Mylla investiu contra ele com seu corpo envolto em raios, porém o garoto misterioso desapareceu entre as sombras e logo reapareceu por detrás dela.

–Vocês não podem me vencer. –Continuou, enquanto a tocava.

A garota ficou coberta pelas sombras, permanecendo imóvel.

–MYLLA! O que fez com ela? – Gritou Rick partindo para cima dele.

–Ela está vivendo seus piores pesadelos. Não pode acordar, a não ser que eu queira, é claro. –Respondeu, rindo friamente.

– Deve haver algum jeito. — Ele tentou voltar no tempo a fim de impedir o ataque inimigo, mas foi impedido por algo.

– O que...está...havendo?

– Jamais! – Disse o garoto sombrio fazendo com ele o mesmo que fizera com Mylla antes.

–Deixe-os em paz –Juliet tentou usar seus poderes para levita-lo, mas em vão. –O que...o que está acontecendo?

–Eu sou sombra. Seus poderes psíquicos não funciona comigo. Você nunca estudou sobre tipos dos Pokémons? Patético! — Ele se aproximou devagar, tocando-a suavemente em seu delicado rosto.

–Fique... longe de mim. — Mesmo com tudo isso, ela ainda se atraia por seu olhar.

–Você é muito linda.

–O...obrigada.

–Mas é burra. –Disse ele, apertando seu pescoço com bastante força e fazendo o mesmo com ela.

–Eu não... vou fazer nada. – Bryan se afastou assustado.

–Covarde, deixaria seus amigos morrem sozinho? Não, que isso! Junte-se a festa. Sempre cabe mais um. — O garoto sombrio assumiu novamente a forma de uma sombra, pegando Bryan de surpresa e o fazendo adormecer como os outros.
– Bem, isso foi fácil demais. Agora...

O garoto misterioso parou ao perceber que ambos estavam reagindo de alguma forma.

–O quê? Como é possível?

Um brilho intenso tomou conta de ambos, fazendo-os desaparecer misteriosamente...

– Hum.. hahaha! Interessante. Será bem mais divertido do que pensei.

Notas finais
Para acessar o meu blog oficial: http://oscincopoderosos.blogspot.com.br/