Point of Peace
5 Capítulo 4 - Discoveries!
Notas iniciais
A manhã ensolarada fazia Damon de alguma forma, se sentir ainda mais vivo. Mesmo se adaptando a tudo, ele se sentia feliz por ter recebido a chance de continuar sua vida como ele bem entendesse. Apesar de ainda está preso a uma cadeira de rodas, o moreno tinha a consciência que aquilo seria temporário da mesma forma dos seus movimentos nos membros superiores que iriam ficar mais coordenados com o passar das sessões de fisioterapia.
Ele já pensava no futuro, mesmo com toda a atenção que ele recebia naquela casa algo dentro dele afirmava que ele precisava começar a construir sua vida fora dos muros da mansão Saltzman. Damon queria um emprego fixo, uma casa para chamar de sua e finalmente conseguir entrar na faculdade de Direito; mesmo sabendo que sua idade já estava avançada, não se importava em pensar que com trinta e dois anos iria dividir sala com jovens de dezoito, tudo que importava era ele está ali tentando recuperar todo o tempo perdido.
Seu novo amigo, o celular, soou ao seu lado e ao olhar a pequena tela sorriu ao ver quem era.
Meu anjo -9:15
Hey Damon! Como você está?
Estou contando os minutos para sair daqui,
acho que a faculdade não é mais o meu
lugar preferido. Estou com saudades.
Damon se sentia como um adolescente, nada o animava mais do que está com Elena ou falar com ela. Ainda estava se sentindo extremamente culpado pela reação exagerada no dia anterior sobre Elena e o tal do Teddy, ele percebera que a morena tinha ficado magoada por ele ter optado entrar ao escutar mais alguns fatos relatados no seu diário. De fato, ele tinha sido injusto com a morena, porém foi algo que ele não pôde controlar deixando o assustado por ter tido aquela reação estranha. Tudo em relação à Elena o assustava para falar a verdade, os sentimentos que ela despertava dentro do seu peito eram surreais e ao mesmo tempo apavorantes Damon tinha passado quase mais tempo inconsciente do que acordado e apenas o que lembrava era do início da sua juventude, nenhuma experiência pra se embasar ou qualquer outra coisa. Tudo era novo, ele desconfiava que Elena fosse muito mais experiente do que ele em relação a sentimentos e esperava do fundo da alma que ela não tivesse metade da experiência dele no quesito sexual.
Suas tentativas de entender o que sentia pela Elena nunca terminavam, ele ainda se surpreendia pelo fato de conseguir sentir as pessoas quando estava em coma. Nunca tinha acreditado nos livros e nas matérias que falavam sobre a possibilidade de metade das pessoas que ficam em coma sentir e ouvir tudo. Obviamente, as coisas não eram tão claras, ele se lembrava de em alguns momentos escutar as vozes de sua mãe e de Elena, mas não conseguia entender o contexto do diálogo, às vezes ele conseguia escutar algo com mais clareza, no entanto em poucos segundos era tomado novamente por uma escuridão sem fim. O momento que ele conseguia ter mais certeza de que algo acontecia em sua volta, era quando Elena o tocava e acariciava seus cabelos. Quando conseguia escutar ou entender suas perguntas sua vontade era de respondê-la com todo fervor ou apenas aperta-lhe a mão, mas ele passou anos para conseguir isso e de uma forma ou de outra ele tinha ficado feliz por ter conseguido acordar mesmo depois de tanto tempo.
Depois de alguns minutos encarando a mensagem, ele resolveu responder mesmo que ainda não estivesse tão adaptado ao celular e seus dedos não colaborassem muito na hora de digitar.
Damon – 9:17
Oi pequena! Eu estou bem.
Espero que suas aulas acabem logo
Também estou com saudades.
Damon um pouco sem jeito com o celular Salvatore.
Apertou enviar e sorriu ao imaginar o sorriso da morena ao ler sua assinatura. Seu olhar se desviou do aparelho ao ver sua mãe entrando no seu quarto com seu café da manhã e em baixo do braço esquerdo uma toalha branca e limpa.
— Oi querido — disse enquanto apoiava a bandeja em suas pernas e beijava sua testa.
— Bom dia, mãe.
— Hoje vim cuidar de você já que a Elena está na faculdade, só desse jeito para conseguir algum tempo livre com você — ela riu — ela monopoliza totalmente seu tempo.
Damon riu e comeu um pedaço de queijo enquanto pensava na morena. Ele adorava que ela monopolizasse totalmente seu tempo e sua atenção, para ele era ótimo passar todas as horas do dia com ela.
— Eu amo a companhia dela, mãe. Ela me faz sentir vivo.
— Eu sei filho, e eu fico tão feliz por isso. Nunca vi alguém cuidar de uma pessoa com tanto carinho como ela cuidava, e ainda por cima sem nunca ter nem falado contigo, era algo que me deixava de coração aquecido. — acariciou os fios pretos — Os namorados dela que não aprovavam muito essa preocupação, o último mesmo terminou alegando que ela gostava mais de você do que dele.
— E eu a adoro ainda mais por isso. — o moreno sorriu — Que idiota esse cara, mais um que não a merecia.
— Ela te contou que quem cortava teus cabelos e fazia tua barba era ela? — Miranda achava aquilo lindo, mesmo sem nunca ter falado ela sabia que Elena amava seu filho mais do que qualquer outra coisa.
— Nossa! Eu... eu não sabia disso.
—Nos fins de semana, no sábado precisamente, ela cortava seus cabelos e fazia sua barba logo após eu dar banho em você. O Alaric não gostava muito da ideia de sua filha participar dessa parte.
— Bem, isso é meio óbvio. Mãe, por falar no Ric, eu sinto que ele está bem distante...
— Filho, ele está distante de todos não só de você. Todos sentem falta dele, assim que Gerard morreu tudo caiu sobre ele... Você sabe, a Isobel lava as mãos quando se trata da fábrica — suspirou — Você lembra do Jeremy, filho dela? Ele resolveu fazer a faculdade aqui nos Estados Unidos e acabou ficando por aqui mesmo depois de ter terminado o curso.
— Nossa, eu ainda lembro dele criança.
— Agora ele está um homem enorme — riu.
Nesses momentos que Damon percebia o quanto tinha perdido, ele se lembrava do pequeno Jer com apenas doze anos e agora ele era um homem.
— Mãe, vocês nunca pensaram em desligar os aparelhos? — Aquilo vinha atormentando a mente do moreno, depois de tantos anos sem nenhuma resposta ele acreditara que em algum momento algum deles pensaram em desligar todos os aparelhos.
— Óbvio que não, Damon! — a mãe ralhou — Você acha que eu deixaria alguém tocar naqueles aparelhos? Eu não imagino um mundo sem você, meu filho — as lágrimas já tomavam conta da senhora que tentou ser forte durante todos os anos que viu o filho imóvel em cima da cama — Eu sempre soube que você iria acordar, e o Alaric jamais iria querer isso. Seu amigo te ama! Ah, e tem a pequena Gilbert que mataria quem encostasse em você para fazer algum mal ou tirar sua vida.
— Foram tantos anos... Em algum momento vocês devem ter perdido as esperanças.
— Jamais meu amor, todos nós sabíamos que você iria acordar! — limpou as lágrimas enquanto levantava da cama — Agora por favor, vamos tomar banho. Estou aliviada que você agora pode tomar seu banho, não aguentava mais te ver pelado. — falou irônica fazendo o filho revirar os olhos.
*
Elena entrou no quarto de Damon que estava silencioso, antes de vim ao cômodo tinha perguntado a Miranda onde o moreno estava e ela disse que ele estava terminando o banho. Imaginar aquele homem tomando banho causava um frio na barriga e pensamentos totalmente quentes, balançando a cabeça para tentar tirar isso da mente bateu na porta do banheiro e em troca recebeu silêncio.
— Damon? Sou eu, Lena.
Alguns segundos se passaram e a tranca da porta foi aberta revelando o homem mais bonito que ela já vira, ele estava ainda mais lindo, seus cabelos molhados caindo no seu rosto em contraste com os olhos azuis abertos faziam milhares de borboletas aparecerem no seu estômago, sua barba por fazer o deixava tão sexy que chegava a doer.
— Apreciando a vista, anjo? — Damon falou dando o seu melhor sorriso, ao encarar o rosto totalmente corado da menina que tinha sido pega no flagra foi impossível conter a risada — Eu estou brincando Lena, não precisa corar, apesar de você ficar ainda mais linda desse jeito.
— Você está me cantando, Salvatore? — mordeu o lábio inferior tentando não rir e demonstrar seu nervosismo pela situação.
— Talvez.
Damon andou com sua cadeira pelo quarto, que era motorizada, pegou seu celular com um pouco de dificuldade e guardou em seu bolso.
— Vamos? — perguntou para a morena.
— Claro!
*
A primeira sessão de fisioterapia de Damon tinha sido um sucesso, no começo ele se sentira um pouco retraído por toda aquela atenção direcionada a ele, mas no decorrer dos exercícios ele fora se soltando cada vez mais. Alguns exercícios simples tinham sido indicados para ser feitos em casa, com pequenas bolinhas para massagear as mãos e os dedos, e um aparelho de massagem que incentivava a sensibilidade de suas pernas.
Elena estava animada com tudo aquilo, ela sabia que em pouco tempo Damon estaria andando com ela para todos os lugares que ela pensava em mostrar a ele.
— Você parece feliz — comentou a morena enquanto dirigia voltando para casa.
— Como não estaria? Acordei de um coma após quatorze anos onde todos acreditavam que eu não iria acordar, não sofri nenhum dano mais grave e apesar de está em uma cadeira de rodas sei que isso não vai passar de dois meses. Acho que tenho motivos suficientes para está radiante — riu — Ah sem falar que ao acordar eu conheci o meu anjo.
Elena corou bruscamente pela segunda vez naquele dia, Damon sabia como deixá-la sem palavras e aquilo era surpreendente, ela nunca ficava sem palavras sempre tinha uma resposta para tudo. Menos para as indiretas do moreno ao lado.
— Chegamos, sweet — Elena falou rindo para o moreno que revirou os olhos.
Alguns minutos depois os dois estavam entrando pelas portas da mansão Saltzman, encontrando Alaric se livrando da gravata e pasta.
— Hey Damon! — sorriu — E aí, como foi sua primeira sessão?
— Tudo foi ótimo Ric, eu realmente estou animado em me livrar dessa cadeira o mais rápido possível.
— Vai ser mais rápido do que você imagina, buddy.
— Oi pra você também pai! — Elena disse fazendo beicinho.
— Oi princesa — beijou seus cabelos e a abraçou — Tudo certo na faculdade?
— Claro!
— Tudo bem, agora preciso de um banho — recolheu suas coisas espalhadas pelo sofá enquanto falava — Vejo vocês depois.
Após se despedir do pai, Elena seguiu com Damon para o quarto dele enquanto tentava convencer o mesmo de assistir uma comédia romântica. O moreno se acomodou na cama do seu próprio jeito enquanto a moça ia buscar alguns de seus filmes preferidos no seu quarto, ela queria apresentar todos os seus gostos a ele, queria compartilhar tudo.
— Você vai amar esse aqui — mostrou a Damon a capa de A proposta.
— Se você está dizendo... Só não coloque aqueles filmes tristes que alguém morre no final depois de um caso romântico.
Elena revirou os olhos e ligou todos os aparelhos, após preparar tudo correu na cozinha para pegar a pipoca que tinha pedido a Miranda para fazer. Entrando no quarto, se deparou com o moreno encostado nos travesseiros e as pernas esticadas na cama, ele bateu no espaço vazio ao seu lado a chamando para deitar ao seu lado e prontamente a menina atendeu ao pedido.
Pegando o controle ela apertou o play e se aconchegou nos travesseiros da cama do moreno que emanavam o cheiro amadeirado do homem ao seu lado, era uma delícia. Damon pegou o enorme pote de pipoca colocando em cima da sua barriga e aproximou-se mais do corpo pequeno, mas cheios de curva da morena e a abraçou pelos ombros. Elena o encarou e sorriu timidamente enquanto se aconchegava ainda mais nos braços daquele homem que a deixava no céu.
Uma hora depois de filme, Damon sentiu a respiração de Elena se tranquilizando cada vez mais e deduziu que ela tinha caído no sono. Tirou a pipoca de cima dos dois, por fim desligou a televisão antes de abraçar ainda mais a mulher que estava em seus braços e deixar o sono tomar conta do seu corpo.
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