Ó Deus bondoso,
Que moras onde moras.
Desce lá do Teu paraíso
Que já se fazem horas!

Vem ver a tua arte
Que deixaste apodrentar,
Como criança que se cansa
Rápido de brincar.

Os Humanos que inventaste
Não estão a corromper!
Nunca foram bons,
Nem sabem viver:

Os soberanos da sorte!
E imortais, enquanto há vida.
Chegada a hora da sua morte,
Choram por uma não vivida!

Deitam-se com a estatueta
Do Teu filho ao lado,
Porém não dormem
Com a mente farta de pecado.
[E pior é que há quem consiga!]

O dinheiro é mais valioso
Que a própria vida.
Tantos nesse campo vicioso
Do qual não há saída.

Aproveitar nunca o momento:
Pois amanhã haverá diferentes.
A vida não é instrumento
Para ser usada por doentes!

Acaba logo com isto,
Ó Tu que nos criou!
Minh’alma está sofrendo
E morrerá com a humanidade que desabou.

…

…

…

…

Penso no que deveria ser. Que desilusão…
Mas só o vejo por não ser verdade.
Em mil pedaços fica o coração,
E a esperança na Humanidade.