Poesias

1 O Guerreiro Caído


Ali estava ele.

Postado ao chão.

Armadura destruída.

Espada cortada ao meio.

Elmo dilacerado.

O escudo era apenas metal queimado e retorcido.

Agora sobrará o corpo do homem e sua força bruta.

Ninguém choraria por ele.

Havia perdido família, amigos, conhecidos, todos.

Seu egoísmo e avareza o destruíram.

Agora só estava ali, mais uma carcaça humana.

Suas cordas vocais mexiam – se como teclas de piano.

Proferia o nome de todos os deuses que conhecia.

Rezava para todos eles.

Aquele mesmo homem que em sua bravura teria enfrentado o próprio Zeus.

Ali estava a coisa carnuda.

Seus fracos olhos azuis.

Com as veias saltadas.

Procuravam se voltar para cima.

Via apenas a luz.

A chama.

“ A sempre uma luz no fim do Túnel ”

Ninguém nunca pensou que as trevas se fantasiam...

De luz.

Os olhos queimaram com chamas da vida.

Voltou-se rapidamente para baixo.

Mas nada via mais.

Estava cego, como esteve a vida toda.

Sentia o sangue quente escorrer pelos glóbulos.

Sentia o vermelho passar por sua mão.

Sentia os cortes profundos e tortuosos.

Sentia a vida...

Mas logo não a sentia mais.

Viu o coração bater.

Mas foi a ultima vez.

Ele caiu.

O Guerreiro.

Caído.

Levado pelas maldições do mundo.

Pelos pecados capitais.

Levado... Pela vida... Pela morte.

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