Poesia sem simetria
2 Noite Fria
Notas iniciais
Noite fria,
Lareira apagada
Quanto mais tento dormir
Mais me sinto acordada.
Noite fria
Coração quebrado
Derramo-me em lágrimas
Por mim ele não está apaixonado
Noite fria,
A neve cai
Eu deveria saber,
Da minha cabeça ele não sai
Noite fria,
Congelante inverno
Os ombros de outra mulher
Ele cobre com o terno
Noite fria,
Eu tomo uma decisão.
Vou até a cozinha
E agarro um facão.
Noite fria
Rua afora eu corria
Munida de um casaco firme
E, dentro dela, a arma de meu crime
Noite fria,
Encontro meu homem
E sua acompanhante, a meretriz
Que de mim quase escapa – por um triz
Noite fria
Ele deixa cair o dinheiro das apostas
Então, sem nem pensar
O apunhalo pelas costas
Noite fria
Em seu corpo não há mais vida
Tudo que lhe resta é uma grande ferida
E um monte de órgãos inúteis
Noite fria,
Ele já não pode me ouvir,
Mas ainda lhe digo, com desdém:
“Se você não puder ser meu
Não será mais de ninguém”.
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